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Qual é o verdadeiro impacto, se não for pelas vendas, que os centros comerciais iriam sofrer se passassem a fechar às 22:00 horas aos domingos e aos feriados?

Antes de mais, queria dizer que nós estamos muito satisfeitos com os resultados obtidos. Os dados dos operadores apontam para uma subida de 6,6% nos primeiros nove meses deste ano nas vendas dos lojistas, em comparação com o período de 2023, com destaque para o setor da restauração, que registou um aumento global de 7% em comparação com o período homólogo. Nós atingimos valor recorde desde sempre, e isto mostra a importância destes espaços para as pessoas e para os nossos lojistas. E o horário pós-laboral representa expressivos 37% do total de compras efetuadas. E os domingos são igualmente relevantes, representando 17% da totalidade das vendas. Estes dados indicam de forma clara e objetiva a importância que os centros comerciais representam no dia a dia de quem os visita para fazer compras e também de quem opta por ali fazer uma refeição, ter momentos de lazer, ir a uma consulta ou desfrutar da oferta alargada que estes espaços disponibilizam. E isto porque os nossos clientes assim o preferem, ou muitas vezes porque é a única opção que têm ou a mais prática no período pós-laboral. Em relação à questão dos horários que me está a falar, criou-se esta ideia de que os centros comerciais encerram à meia-noite, mas isso é uma ideia errada. 51% dos centros comerciais fecha até às 22 horas. E os horários dos centros comerciais estão adaptados à realidade de cada região e, sobretudo, às necessidades das pessoas. Os horários não são feitos para satisfazer este ou aquele lojista de forma individual. São feitos para servir o todo, para otimizar os diferentes setores que estão inseridos nos centros comerciais. Porque os centros comerciais são muito mais do que compras, disponibilizam uma oferta alargada que conta com clínicas, hospitais, entretenimento, restauração, serviços e que existe, sobretudo, para dar resposta às necessidades das pessoas e das comunidades. É este o segredo do sucesso dos centros comerciais. Em relação à questão do sindicato, esta é a nona tentativa que o sindicato tem, diria que o PCP tem, esta é a nona tentativa do PCP para a alteração dos horários dos centros comerciais. Esta petição em concreto pede a alteração dos horários do comércio como um todo, ou seja, todo o comércio. Importa dizer que estas diferentes iniciativas ao longo dos anos foram sempre chumbadas e foram sempre chumbadas pelo Parlamento e pelas pessoas, porque as pessoas sabem que estes espaços dão resposta às suas necessidades. Em relação à AMRE, nós respeitamos, respeitamos quer a posição do sindicato, quer a posição da AMRE, mas também importa dizer que a AMRE representa 8% da área dos centros comerciais e 18% dos lojistas, e portanto, é importante percebermos que os lojistas precisam destes horários para poder potenciar os seus resultados. Os centros comerciais não são apenas lojas de moda, não são apenas restauração. É um conjunto, é uma oferta alargada e que beneficia deste tipo de horários alargados para poder funcionar. Há alguns lojistas que obtêm piores resultados durante a manhã, mas que efetivamente no período pós-laboral têm melhores resultados, como há outros que no pós-laboral têm resultados muito significativos. Ou seja, há aqui um todo. Não sei se respondi à sua questão.

Certo, mas a questão integral que eu lhe queria fazer aqui era mesmo nesses 49% de centros comerciais que fecham depois das 22:00 horas.

Não. 49%, sim, certo.

Pois. Se as vendas caem assim tão radicalmente depois das 22:00 horas, teria mesmo um impacto real para este número de centros comerciais se passassem a fechar às 22:00 horas?

Lamento também que se esteja a discutir os 4%. Parece-me a mim que 4% de vendas não é um valor despiciente. Ainda assim, esse resultado é um resultado global, tendo em conta a totalidade de vendas dos centros comerciais como um todo, o total do universo, e não tem em conta os horários diferenciados de encerramento. Aquilo que lhe posso dizer é que os dados de vendas após as 22 horas são mais do dobro do que o valor que foi mencionado. Não são 4%, são mais de 8% após as 22 horas. E tal como lhe disse, se me parece que 4% não é despiciente para os lojistas, muito menos o será 8%. São valores muito significativos de vendas para quem está nos nossos centros comerciais e quem quer estar dentro dos nossos centros comerciais. Queria aqui também referir que nós temos mais lojistas a querer entrar nos centros comerciais do que aqueles que querem sair, porque toda a gente sabe, os nossos lojistas sabem, que o fato de estarem enquadrados num centro comercial, num todo, com uma gestão que tem em conta as diferentes especificidades dos setores e do todo do centro comercial, do ecossistema, efetivamente, estes valores não são despicientes. E temos mais lojistas a querer entrar do que aqueles que querem sair. Portanto, acho que isto diz tudo.

E a minha última pergunta então seria: já disse que é a nona tentativa de levar isto ao Parlamento, portanto, têm novamente a expectativa de que isto vai ser novamente rejeitado no Parlamento?

Nós temos a expectativa que sim, nós temos a expectativa que seja rejeitado, até porque, lá está, o histórico é de rejeição. As pessoas gostam de centros comerciais. Os resultados que hoje lançámos são expressivos, mostram exatamente o quanto estes espaços são sexys e o quanto as pessoas gostam destes espaços e o quanto os nossos lojistas também gostam destes espaços. Portanto, acho que aqui estamos todos alinhados e parece-me que terá o mesmo resultado que as petições anteriores ou que as iniciativas anteriores.