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Elidérico Viegas, os números de uma agência de viagens britânica, On The Beach, dão conta de que as reservas de viagens de britânicos para Portugal aumentaram 723%. O que estes números significam para o setor da hotelaria da região?

O levantamento das restrições e o estabelecimento do corredor aéreo entre o Reino Unido e o Algarve é, de facto, muito positivo. Isso tem-se refletido no aumento de reservas de cidadãos britânicos e de turistas britânicos para o Algarve. Não temos dúvidas de que, quer nos meses de setembro, quer nos meses de outubro, teremos muito mais britânicos, uma vez que nos últimos quatro meses praticamente não tivemos turistas oriundos do Reino Unido. Neste momento, contudo, não é possível ainda quantificar com rigor qual é o verdadeiro impacto que isso pode ter nos hotéis e nos empreendimentos turísticos da região. É preciso aguardar mais algum tempo para sabermos qual é o real impacto deste corredor aéreo, uma vez que os meses de julho e agosto, como sabemos, que são os meses por excelência do turismo do Algarve, ficaram de alguma forma comprometidos, uma vez que não tivemos turistas britânicos praticamente. O que, de facto, temos já a certeza é que temos boas perspectivas para o golfe, uma vez que a estação alta do golfe coincide com a estação baixa do turismo e a estação alta do golfe começa precisamente agora no final do mês de setembro. Portanto, isso pode potenciar a procura de turistas britânicos para a região durante a própria estação baixa e depois o regresso à normalidade ou à quase normalidade a partir da Páscoa do próximo ano.

Estes dados revelam também que, pelo menos no que diz respeito às companhias aéreas, os preços das viagens aumentaram significativamente. Houve inclusivamente até, creio, um reforço do número de frequências por parte da Ryanair. Aquilo que lhe pergunto é se este aumento de preços também se vai verificar na hotelaria.

Não propriamente. Os preços estão predefinidos com antecedência. Não vai haver aumentos de preços em alta, tal como não houve muitos ajustes em baixa, por falta de clientes. Penso que no caso das companhias aéreas está a verificar-se um aumento de preços, mas é verdade que recentemente tinham baixado bastante. Estamos numa fase muito inicial ainda do processo e precisamos, de facto, de mais algum tempo para poder ajuizar com rigor como é que isto se vai desenrolar no próximo futuro.