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O presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, Rui Lázaro. Bom dia e obrigada por estar aqui conosco. Tem mais informações sobre este caso em particular?

Bom dia e obrigado pelo convite. De facto, tivemos conhecimento pela comunicação social deste caso e tentámos apurar o sucedido. Pelo que é público, houve concretamente aqui uma falha de dois âmbitos. Por um lado, pelo plano de contingência da própria Unidade Local de Saúde, que prescreve e garante os utentes que precisam de apoio respiratório. Não ter, no seu plano de contingência, garantido que todos os pacientes que dependem do aparelho respiratório que funciona em eletricidade estavam em condições de garantir o seu funcionamento, é uma falha, e aqui que o seu director executivo importa que clarifique. Por outro lado, e o filho uma vez que, apercebendo-se de que o dispositivo eletrónico dispunha apenas 50% de bateria, estando em risco a vida da sua mãe, contacta, e muito bem, a linha de emergência. Não é aceitável que num país desenvolvido como Portugal, numa grande cidade, se demorem 36 minutos, como o INEM anuncia, desde o pedido até à chegada de uma emergência. Fica ainda a dúvida de que, sendo que àquele horário o INEM não tinha comunicações móveis, nem de telemóvel, nem de SIRESP, que no INEM também não estava a funcionar. Fica a dúvida se o atraso terá sido efectivamente na deslocação ou se terá sido já no acionamento da viatura. O comunicado do INEM não esclarece, mas era importante e será importante que o inquérito de inspeção geral das atividades de saúde, já anunciado, vá investigar sobre o ocorrido.

Sim, e consiga apurar então onde é que se perdeu tempo, efectivamente. Rui Lázaro, logo a seguir ao apagão, o senhor tinha dito que pelo menos 400 chamadas de emergência terão ficado perdidas. É de temer que outros casos semelhantes ou equiparáveis tenham também acontecido nessa altura?

Infelizmente, é. À semelhança do que aconteceu no período crítico em novembro passado, só se vieram ter conhecimento das mortes passados alguns dias, tememos que possa suceder o mesmo agora depois do apagão.

Este apagão acontece numa altura em que estava a haver uma refundação do INEM. Era assim que foi até designado pela actual tutela. Essa refundação deve passar por um sistema de comunicações mais viável em situações como a da última segunda-feira?

Uma excelente pergunta. Sem dúvida. As comunicações é uma das áreas mais críticas em qualquer dispositivo de emergência e o INEM não é exceção. Relembro aqui que há cerca de um ano houve um apagão na operadora Vodafone, que é quem garante as comunicações móveis do INEM, e que já nessa altura alertámos que o INEM devia construir uma redundância credível e eficaz para este tipo de situações. O INEM há cerca de 10 anos desmantelou a rede própria rádio que tinha de comunicação entre os seus meios. Essa, por exemplo, teria sido a solução e teria garantido que o INEM mantinha as comunicações em qualquer circunstância. Infelizmente, ainda não foi decidido montá-la de novo, adquiri-la de novo, mas é, sem dúvida, uma das soluções.