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Junta-se a nós a esta hora um dos apoiantes de António José Seguro. Bem-vindo Álvaro Beleza, obrigado pela disponibilidade. Esta recusa de Sampaio da Nova em candidatar-se abre caminho, por fim, ao apoio formal do Partido Socialista à candidatura de António José Seguro?

Olá, boa tarde. Eu penso que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Aliás, acho que o caminho do apoio do Partido Socialista é inevitável, porque havendo apenas um ex-líder do partido candidato às presidenciais, que tem já o apoio da maioria das estruturas concelhias, distritais do partido e de dirigentes, mas principalmente das bases do partido. É evidente que o Partido Socialista iria apoiar, a questão é o timing e também não vejo pressa em que o Partido Socialista dê esse apoio claro, até porque é uma candidatura, como têm que ser as candidaturas presidenciais, primeiro, individual, de um cidadão, e que é mais que o Partido Socialista, aliás, como foram as candidaturas vencedoras do Partido Socialista. Estou a pensar em Mário Soares e Jorge Sampaio. Não podem ser candidaturas partidárias, não podem, não devem e não é. E neste caso, o António José Seguro avançou antes de fazer esses cálculos e portanto, acho que é um caminho normal. Mas deixe-me dar aqui uma nota ao professor Sampaio da Nova, por quem tenho estima, respeito e consideração, é um ilustre académico, foi um grande reitor da Universidade de Lisboa, é um homem com inteligência, cultura, saber e que teve a lucidez, que eu aliás sempre esperei, de depois de ouvir e dizer o que é que se passava neste momento perante as circunstâncias, de tomar a atitude certa. É evidente que não é uma personalidade que pudesse embarcar em aventuras, até porque não precisa disso, tem prestígio, tem já provas dadas ao país enquanto cidadão e sinceramente acho que ainda tem muito para dar, porque felizmente, também um pouco graças à medicina, nós hoje podemos viver mais anos e melhor e contribuir mais para o país.

E dos outros nomes que entretanto se colocaram à margem, tendo em conta esta desistência de Sampaio da Nova, se é que podemos chamar-lhe assim, acredita que algum deles ainda pode voltar à corrida ou a ponderar entrar?

Eu não acredito, nem tenho que acreditar, nem me interessa muito. Como sabe, sou médico da ciência e sou objetivo. O que eu vejo é que hoje na direita já estou aqui a contar cinco candidatos e à esquerda há dois. Já agora, o António Filipe acho que é um excelente candidato do Partido Comunista e dessa área política, mas eu acho que até vai para além do Partido Comunista, porque é uma pessoa também, um homem decente, culto, até moderado na postura, muito educado.

Mas com essa fragmentação à direita, pode haver aqui uma maior probabilidade de António José Seguro conseguir garantir a segunda volta?

Acho que é exatamente. É só uma questão de fazer uma análise objetiva e de contas. É evidente que o caminho para o António José Seguro está mais sólido, está mais seguro. Sabe que há pessoas que o nome condiz com as circunstâncias e o Seguro, de facto, está a fazer um caminho seguro, desculpe a redundância, para a presidência. Está a solidificar a sua aceitação pelos portugueses, por ter 10 anos afastado da vida política, o que é bom. Isto é, nós precisamos também que os políticos percebam que a política não é uma carreira como as profissões normais. Todos somos políticos ou devemos ser. E transitoriamente servir o país. E portanto, este afastamento até lhe deu um olhar de fora mais de árbitro, que um presidente precisa, e mais próximo das pessoas, porque durante este período fez vida de cidadão normal. Dá aulas, é professor, tem uma pequena empresa rural, dedicou-se a outros afazeres. Isso é bom para ele e acho que para o país ter alguém que tem esse contacto com a vida real. Nós precisamos disso também em Belém.

Argumentos que seguramente Álvaro Beleza espera que pesem no momento dos eleitores deslocarem-se às urnas para escolher o próximo presidente da República.

Mas já agora deixe-me dizer.

Para terminar Álvaro.

Independentemente de ganhar ou perder, é uma candidatura pela cidadania e por valores, pela decência e pela integridade na vida pública, pela moderação. E se os portugueses votarem, muito bem, se não votarem, estamos tranquilos, porque ele também não vive da política, não precisa da política e apenas está aqui disponível para servir o país se os portugueses acharem que sim.

Assim o entendemos.

Sem drama e sem esta radicalidade que vivemos hoje. Fazer política com calma e moderação, defendendo argumentos, sem ter que insultar os outros e sem ter que rebaixar os outros. Pela positiva, os outros candidatos são todos pessoas decentes, os que se perfilam e portanto acho que vamos ter uma boa campanha presidencial.