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Temos agora em direto ao telefone o politólogo José Filipe Pinto. Muito bom dia, obrigada por estar connosco em direto neste jornal.

Muito bom dia, Carla.

O que é que significa este ataque? É muito provavelmente a resposta de Israel ao ataque do Irão do último fim de semana.

Ainda não sabemos bem. Por quê? Porque os dados são ainda muito escassos e não se percebe apenas três drones, mas o problema é a região. Três drones, como a peça disse muito bem, não são mísseis e são facilmente interceptados e, como tal, foram destruídos. O que significa que provavelmente está aqui um jogo de equilíbrios. Significa o quê? Que, num primeiro momento, nós sabemos que Israel, quando foi atacada, nós percebemos que o Irão mostrou e alertou precisamente para isso, que dispunha de muito mais capacidade bélica do que aquela que tinha utilizado. Parece-me que neste momento, no que diz respeito a Israel, a resposta é do mesmo nível. Significa: "Enviamos três drones, mas atenção, sabemos onde tem o material que é usado no vosso programa nuclear, sabemos onde é que é feito o enriquecimento de urânio, sabemos, portanto, onde vos atacar e, como tal, enviamos três drones no sentido de que também nós temos capacidade para retaliar a um nível muito superior". Importante aqui, Carla, a meu ver, é a questão de, segundo se sabe, e neste momento estamos ainda a falar muito no campo das hipóteses, segundo se sabe, os Estados Unidos foram avisados e neste momento, no gabinete de guerra, já falámos várias vezes disso, é importante percebermos que Israel pode estar também a usar este ataque do Irão, o anterior, como uma forma de poder legitimar a sua intervenção em Rafah. E, portanto, o que isto significa? Que retaliamos para a opinião pública interna, para dizer que sabemos onde é que o nosso inimigo dispõe do seu poderio nuclear, mas sabemos também que não queremos entrar, não queremos destruir, porque ninguém ataca, e nós percebemos isso em Zaporyggia, uma central ou qualquer outro elemento do foro nuclear, sabendo os perigos que decorrem não apenas para aquela região, mas para todas as regiões vizinhas. Portanto, o que eu penso que aqui está é um fenómeno que nós em ciência política chamamos de mostrar os dentes. E o que é mostrar os dentes? É precisamente dizer que: "Atenção, ainda não estamos a morder, estamos simplesmente a alertar que dispomos da capacidade de morder".

Esse mostrar os dentes, o Irão também já o fez depois do ataque, dizendo que se tivesse uma resposta forte de Israel, iria reagir novamente. Isto pode querer ser um sinal dos dois países de que devem ser respeitados e nenhum deles avançará mais? Este pode ser apenas o sinal que era preciso para a opinião pública interna israelita e este conflito fica latente, sem outro tipo de evolução?

Claramente, Carla. Eu penso que é essa a leitura que neste momento podemos fazer. Significa que Israel teria de retaliar, mas fez uma retaliação que eu chamo, muito ligeira, pelo menos pelas primeiras imagens, e muito ligeira apenas no sentido de dissuadir o Irão de que se continuar nesta escalada, é evidente que terá a resposta do outro lado. Repare, Israel não podia ficar parado. Por quê? Porque se não retaliasse, isso seria sinal de fraqueza, mas ao mesmo tempo também não está interessado numa reação de tal maneira violenta que ponha em causa o equilíbrio naquela região. Dito de uma forma mais simples, Israel está, neste momento, numa situação de retaliar, mas de maneira comedida, para que, evidentemente, o Irão também o faça num nível muito semelhante. Eu penso que houve aqui a mão da diplomacia norte-americana, no sentido de que há aqui um ponto de equilíbrio, aquilo que nós na teoria dos jogos chamamos de o ponto de sela, o que significa que é a decisão que está isenta de arrependimento. Significa o quê? Para a opinião pública interna, mostrámos que somos capazes de retaliar, de responder. Para a opinião pública externa, que o fazemos de uma forma comedida, equilibrada e para o Irão, que escusam de nos fazer mais ameaças, porque nós também dispomos da capacidade de vos ameaçar. Mas não é uma capacidade fictícia, é uma capacidade real. O que isto significa é que, neste momento, nem o Irão, nem Israel estão interessados em sair de cena com uma derrota, mas também não estão interessados no escalar do conflito.