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Em Fernão Ferro, no concelho do Seixal, um casal de idosos de 88 anos perdeu a vida, ficou encurralado numa divisão inundada da casa. Contamos em direto nesta edição com o presidente da Câmara do Seixal, Paulo Silva. Muito obrigada por estar conosco. O vereador da Proteção Civil dizia ao repórter do Observador, Martim Madeira, que esteve em Fernão Ferro, que a casa onde este casal de idosos vivia era ilegal. Havia medidas em curso para que estas pessoas tivessem acesso à habitação social?
Muito boa tarde. A casa em si está englobada numa área urbana de génese ilegal. Aliás, deve-se aqui fazer o esclarecimento que quase toda a freguesia de Fernão Ferro é de génese ilegal, fruto de múltiplos loteamentos clandestinos que se iniciaram nos anos 60 do século passado. A Câmara Municipal do Seixal, juntamente com os proprietários, tem vindo a fazer um esforço de reconversão de todo o território da freguesia de Fernão Ferro e a zona onde se situava a casa está em plano de reconversão, portanto, está com as obras de reconversão a serem feitas pela comissão de administração e num trabalho conjunto entre a Câmara Municipal do Seixal e a Comissão de Proprietários.
E essa reconversão será a breve trecho, até para outros moradores e para não acontecer uma tragédia novamente.
É uma reconversão que vai sendo feita com o tempo, até porque estamos a falar de uma vasta área, são cerca de 3000 lotes, e a comissão de administração está a fazer executar as obras e prevejo que penso que até 2030 que estejam concluídas, porque é uma zona muito grande e as obras estão a ser feitas.
No caso concreto deste casal que acabou por morrer, a família diz que estava inscrito num lar, mas que o lar não está em funcionamento por questões burocráticas ligadas à Câmara do Seixal. Confirma?
Não, não é ligadas à Câmara do Seixal. O lar foi construído no âmbito de uma candidatura aprovada e submetida pela Associação dos Reformados, Pensionistas e Idosos de Fernão Ferro, teve comparticipação do PRR e da Câmara Municipal do Seixal na parte não comparticipada pelo PRR. Foram cerca de € 3 milhões que a Câmara do Seixal investiu para a construção do lar. O lar está pronto. Houve fiscalização por parte da Segurança Social, que exigiu algumas obras extra que não estavam no projeto inicialmente, e projeto esse que tinha sido também aprovado pela Segurança Social. As obras foram feitas. Sei que houve, na semana passada, uma última vistoria feita pela Segurança Social.
Não está, portanto, ainda a funcionar, não há qualquer tipo de apoio a idosos.
Houve, na semana passada, a última vistoria da Segurança Social, que foi positiva e penso que durante este mês o lar vai começar a funcionar. Sem a necessária autorização da Segurança Social, ele não podia começar a funcionar.
A Rádio Observador conseguiu comprovar, em Fernão Ferro, as inundações, o nível da água bastante elevado. Há problemas de saneamento e de escoamento na zona?
Os principais problemas que houve em Fernão Ferro foram na Estrada Nacional 378, para a qual há um projeto de requalificação, porque é uma estrada nacional, e a Infraestruturas de Portugal elaborou um projeto de requalificação da estrada. Esperemos que a breve trecho se iniciem as obras que são necessárias, porque se tem estado a verificar que a cada chuva mais forte, há inundação da estrada. E depois houve outras situações menos graves, mas que ocorreram não só em Fernão Ferro, como em todo o concelho do Seixal. Situações esporádicas, como em toda a área metropolitana de Lisboa e não só, infelizmente.
Há desalojados no concelho do Seixal?
Até ao momento, não temos conhecimento. É uma situação grave que aconteceu, sei, infelizmente, e lamentamos muito a morte deste casal de idosos e toda a solidariedade à família. E também queria deixar aqui um agradecimento a todos os nossos bombeiros, às nossas forças de segurança, ao nosso Serviço Municipal de Proteção Civil, que desde a madrugada têm estado a fazer um trabalho hercúleo para repor todas as condições de circulação e toda a segurança para as nossas populações.
Paulo Silva, muito obrigada por ter estado com a Rádio Observador. O presidente da Câmara do Seixal