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Em direto neste jornal do meio-dia está Filipe Sarmento, português residente em Bangkok. Boa tarde, Filipe. Sei que estava em casa no momento do sismo. Como é que foi esse momento?

Sim, eu estava em casa a trabalhar, que eu trabalho majoritariamente casa, e por volta da uma e pouca da tarde, comecei a sentir como se fosse uma tontura rápida, e de repente comecei a ouvir coisas noutros quartos a cair. Aí apercebi-me que era um sismo. Fui chamar a minha esposa, que estava no outro quarto. Entretanto, ela também já estava a sair e a dizer que era um terramoto. Dirigimo-nos para a porta imediatamente, peguei no telemóvel, nas chaves e na carteira, porque eu estava à entrada, e o meu primeiro instinto foi fechar a porta e trancar, mas entretanto comecei a ver aquelas placas de gesso falso do corredor a cair perto de mim e eu pensei: "Que se lixe isto", e segui para as escadas de segurança e descemos.

Em que andar é que o Filipe vive?

11º. É um prédio com 35 andares.

Daí que também tenha sido bastante sentido o sismo nesse andar.

Sim. Entretanto, quando chegamos cá fora, já estava muita gente à entrada do prédio, e só tivemos autorização para voltar a entrar cerca de três horas e meia depois.

E na rua, quando saiu, qual era o cenário que tinha à sua volta? Havia muita destruição por aí? Como é que estão as coisas aí na zona onde reside?

Na zona onde eu resido, não vi nada, muita gente na rua. O centro comercial que está aqui perto de mim também fechou e toda a gente estava na rua, basicamente, muito trânsito. Aqui não vi nada, mas aqui muito perto, não fica muito longe, mas não vi, um prédio em construção que desabou. Pelo menos as notícias que eu já vi, cerca de 80 pessoas desaparecidas, já há três mortes confirmadas.

Filipe, não sei há quanto tempo vive em Bangkok, não sei se já tinha sentido algum sismo aí nessa região e qual é a comparação que nos pode fazer em relação à forma como sentiu este sismo e outros que possa ter sentido, eventualmente.

Sim, já moro aqui há bastantes anos, mas só senti um sismo uma vez e quase que não senti, até foram alguns colegas de trabalho que sentiram, mas este foi mesmo sentido, foi bastante grande, em comparação com os outros. Até porque não vi nenhuma destruição no outro que eu senti. Neste, acabei de regressar a casa há meia hora e as paredes estão todas rachadas, por assim dizer. O estuque e os azulejos nas casas de banho estão caídos. Portanto, é um cenário que nunca tinha visto.

Quais é que estão a ser as indicações por parte das autoridades aí em Bangkok?

A seguir, aquilo que eu ouvi foi para que as pessoas pudessem permanecer na rua por causa das réplicas. Portanto, foi isso. O estado de emergência está declarado. Por agora, pelo menos aqui no prédio, aquilo que nos disseram foi para, se pudermos, passar a noite fora enquanto eles confirmam que está tudo ok com a estrutura do prédio. Portanto, tem sido mais isso.

E o Filipe teve já algum contacto com outros portugueses aí residentes? Tem alguma indicação de alguma situação mais preocupante que possa envolver algum cidadão português?

Não, não tive nenhum contacto ainda com nenhum cidadão português, portanto, não sei se existe alguém numa situação grave ou precisa de ajuda.

Nem contactou ainda a representação portuguesa em Bangkok?

Não, eu acho que eles na página do Facebook da embaixada puseram um aviso para que seguíssemos as recomendações das autoridades de segurança, apenas, mas não contactei ninguém.