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Seguimos para Almada. Inês Medeiros, muito boa tarde. Sabemos que em Almada já há registro de pelo menos uma estrada que foi cortada por causa de uma derrocada. Queria perceber se, de fato, tem alguma situação preocupante neste momento no seu município.

Sim, boa tarde e permita que a minha primeira palavra vá para todos os meus colegas autarcas que estão a viver momentos muito mais dramáticos do que nós e, portanto, expressar toda a nossa solidariedade. Agora, é verdade que nós aqui em Almada estamos muito preocupados, porque na altura da tempestade Kristin tivemos também abates de árvores, cortes de luz, mas em dimensões muito mais reduzidas. A nossa grande preocupação é esta chuva contínua e estas várias tempestades, e agora também a próxima tempestade, Leonardo, acho que é, porque temos as terras absolutamente alagadas e temos toda a questão das arribas, que é uma preocupação permanente. A nossa grande preocupação é a parte da Ribeirinha, que vai desde o Segundo Torrão, Trafaria, Porto Brandão e até à Cova do Vapor. Já houve duas famílias que tiveram que ser retiradas.

Até porque além da chuva e da subida do rio, há também a agitação marítima que complica toda essa zona.

Sim, nós somos um território muito exposto. Houve um atraso na reposição das areias na costa de Caparica, o que significa que as praias praticamente desapareceram e o mar está a chegar, de fato, ao Paradão, e essa é outra das grandes preocupações, já para não falar da Fonte da Telha. Portanto, a nossa maior preocupação, neste momento, é, de fato, estes movimentos de massa e a possibilidade de deslizamento. Temos estado em contato também com o Porto de Lisboa, porque há muitas zonas que são jurisdição do Porto de Lisboa, para podermos trabalhar de forma articulada. E é verdade, já tivemos alguns deslizamentos, tivemos estradas que estão a ser cortadas. Ontem também tivemos um muro que desabou e, portanto, temos estado a fazer essas limpezas, mas, no fundo, estamos a tentar fazer o máximo de trabalhos preventivos, não sabendo qual vai ser a intensidade do que aí vem e as consequências face a um território que está muito cheio d'água. Continuamos com árvores a cair, e são as árvores de boa saúde, não são as árvores doentes, porque já não se conseguem agarrar, as raízes já não conseguem agarrar. Está tão cheio d'água que elas não conseguem. Portanto, qualquer rabanada de vento as deita ao chão. Temos estado a alertar a população para também não deixar carros por baixo de árvores grandes, que é um perigo, e isso também tem acontecido. Mas é, no fundo, este trabalho preventivo possível de fazer, porque tudo isso depende da intensidade do que acontecer.