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58 corações transplantados em apenas um ano nas quatro unidades hospitalares que fazem este tipo de operações em Portugal. Falamos do Hospital Santa Cruz, em Carnaxide, Santa Marta, em Lisboa, São João, no Porto, e no Hospital de Coimbra. Rui Nunes, presidente da Associação Portuguesa de Bioética, diz que há motivos para Portugal ficar orgulhoso.
É uma excelente notícia pra medicina, para o sistema de saúde e, sobretudo, para os portugueses, que devem olhar para o nosso sistema de transplantação de órgãos como um dos melhores de todo o planeta.
Ainda assim, podemos e devemos ir mais além. Nas palavras de Rui Nunes, há condições para realizar mais transplantações.
Uma simples mudança legislativa, nós conseguíamos aumentar pelo menos 20%, provavelmente mais, a capacidade de transplantação. E já agora, não é apenas de coração, mas de fígado, de muitos outros órgãos.
Esta mudança legislativa consiste em alargar o número de doadores falecidos. E como o presidente da Associação Portuguesa de Bioética explica que não só devia haver doadores em morte cerebral, como é legal hoje em Portugal, mas também deviam estar disponíveis os corações de pessoas em morte circulatória.
Há muitos pacientes que estão internados em unidades de cuidados intensivos com um prognóstico fatal irreversível. Nestes casos, começar a fazer os preparativos para que, quando a morte se verifique, haja todas as condições para que essa transplantação se realize com êxito.
Esta alteração foi já feita em vários países, como os Estados Unidos, o Reino Unido, a Austrália ou aqui, na vizinha Espanha. É o caminho para reduzir a lista de espera para o transplante do coração, que em Portugal inclui 60 pessoas.
Há um consenso generalizado, pelo menos nos médicos e sociedades médicas desta especialidade, nesta evolução legislativa.
Só falta mesmo a medida ser proposta no Parlamento, algo que é pedido pela Associação Portuguesa de Bioética.