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Queria falar consigo sobre as urgências que vão estar fechadas na península de Setúbal. Hoje à noite vão ser três e de sábado até terça-feira, que são os dados que são conhecidos, vão estar também encerradas as três. E queríamos saber quais é que são as suas preocupações enquanto autarca.
Em primeiro lugar, quero expressar a minha profunda indignação com mais esta situação completamente caótica das urgências. Continuamos sem perceber qual é o plano de verão e, sobretudo, contrariamente ao que acontecia anteriormente, mais uma vez, os municípios não são informados de coisíssima nenhuma. Somos surpreendidos e sabemos as coisas graças à comunicação social, a quem agradecemos, porque não há sequer nem tentativas de conversação, nem o cuidado de falar com os municípios. Nada, absolutamente nada. Depois, por outro lado, parece-me evidente que estamos perante uma gestão completamente casuística, sem qualquer tipo de planificação, sem qualquer tipo de lógica. Todos nós sabemos que a situação das urgências no verão é uma coisa complicada. Já vivemos esta situação em anos anteriores. Agora, confesso que em oito anos de mandato nunca vi um caos desta dimensão. Nunca vi. Ou seja, já atravessámos situações muito complicadas, muito difíceis. Não me lembro, e se aconteceu retiro, mas eu não me lembro de um distrito inteiro sem qualquer urgência obstétrica e ginecológica aberta. E ainda por cima, isto vem na sequência de todos os casos que nós temos assistido. E há um momento em que não é só o diretor executivo que tem que prestar contas, não é só o INEM que tem que prestar contas. INEM, aliás, que está sob a dependência direta da senhora ministra, é a senhora ministra que tem que prestar contas e o próprio primeiro-ministro, que é o último dos responsáveis. Ou o primeiro. Portanto, o que quer que um autarca diga perante isto que nós estamos a viver? Só pode dizer uma coisa, que é: estamos totalmente solidários com a população, na indignação, na preocupação crescente e se houver qualquer drama ou tragédia, que obviamente esperamos que não haja, iremos pedir contas até às últimas consequências. Que é a única coisa que podemos dizer. Podiam, pelo menos, ter a delicadeza, a boa educação de nos avisar de qualquer coisa. Não, não temos. Não há, é um silêncio absoluto, porque eu acho que sinceramente ninguém sabe a quantas anda. Portanto, é assim, a saúde há muito tempo que tem problemas, nós sabemos que tem. Agora, este caos eu de facto nunca tinha visto.
E é exactamente nesse sentido. Nunca teve nenhum contacto por parte do Ministério da Saúde, nem sobre o encerramento destas urgências, nem sobre as situações que se passaram nas últimas semanas?
Pode ver as minhas reações desde o primeiro dia deste governo e do anterior com esta equipa. Nunca tive a honra de ter qualquer contacto, nem com o Ministério da Saúde, nem sequer com o director executivo. Nada. Nunca nos chamaram para nada. Nunca nos avisaram de nada. E portanto, isto é bom que fique dito, porque essa é pra nós a grande diferença, é que anteriormente os problemas existiam, mas conseguia-se sempre, de uma maneira ou de outra, resolver, nunca fechar tudo, ficava uma aberta, havia uma alternativa e havia uma planificação, a uma mínima, e nós até conseguíamos ajudar nessa comunicação. Como isto agora é dia a dia, é impossível.