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Está dado o apito inicial para mais um Sem Falta, da Rádio Observador, como sempre com o nosso áudio-árbitro Pedro Henriques. Hoje, aqui em antena, acompanhamos com relato em direto o futebol clube do Porto dois, aliás, Betis de Sevilha três. Neste caso, Betis três, Porto dois. O jogo jogou-se em Sevilha. O Porto esteve até a vencer por 2 x 1, depois tentava perder por 1 x 0, mas acabou por deixar o Betis dar a volta com um penálti, que vamos analisar já daqui a pouco. Pedro Henriques, muito bem-vindo mais uma vez. Árbitro francês, Clément Turpin, um árbitro que acredito que seja competente, mas não de muito boa memória para o Porto, que tem dificuldades. Aliás, nunca ganhou com este árbitro a apitar no jogo.
Não, o Porto tem duas vitórias, um empate e três derrotas com este árbitro.
Ah, ok, tem duas vitórias, então.
Tem duas vitórias.
Tem má memória no histórico, mas não é assolado.
Exatamente. E agora aumentou, passou de duas vitórias, um empate e quatro derrotas.
E vamos começar ao minuto 40, o primeiro lance desta primeira parte, o gol anulado ao Futebol Clube do Porto, depois da tecnologia da linha de gol ter validado um grande remate de Martim, da equipe do Futebol Clube do Porto. A verdade é que a bola acabou por entrar, mas depois o gol foi anulado por uma mão. Resta saber se esteve bem, aqui, o VAR.
Exatamente. E para mim, vou começar pelo fim, a dizer que sim, esteve bem. Hoje discute-se muito, e está sendo discutido também muito este lance, porque no entender das pessoas, e isso é o entender das pessoas, não tem a ver com a lei, obviamente, porque as pessoas também, na maior parte dos casos, não sabem a lei. Podemos é depois não concordar com a forma como a lei está neste momento escrita e está a querer ser interpretada por parte da IFAB e da International Board. Realmente, o Órgão Sanches, quando faz aquele pontapé de bicicleta, ninguém pode dizer que ele foi com a mão direita de forma deliberada para jogar a bola com a mão. A palavra intencional já foi tirada do vocabulário. Claro que não. O que ele faz, e é uma coisa diferente, é para apoiar aquele gesto técnico, ele quando pensa na cabeça dele que vai fazer aquele pontapé de bicicleta, tem que colocar as mãos em determinadas posições para apoiar e ajudar naquele movimento acrobático. E é aí que ele levanta a sua mão direita e coloca a mão direita naquela posição. E, portanto, aqui a grande diferença está, e acaba depois por tocar a bola com a mão direita, não porque foi lá deliberadamente, mas porque coloca aquela mão para apoiar o gesto técnico numa posição que acaba por ser normal para aquele pontapé de bicicleta, mas fora claramente daquilo que é o normal do posicionamento de uma mão, até por estar bem ali ao nível quase do pé quando sobe e vai fazer exatamente aquela pontapé de bicicleta, acabando, por isso, por tocar a bola, dá uma maneira até auxiliar a que a bola, ao ser tocada, fique naquele posicionamento e faz uma coisa, muda a trajetória da própria bola, que é isso que lhe permite depois efetuar o pontapé de bicicleta. E é por isso que o VAR, e neste caso o árbitro, o punem. Podemos não concordar, porque há muita gente que, com algum saudosismo, diz: "Ah, mas antes só se punia quando a mão é que ia à bola e nunca era punido quando era ao contrário". Certo, mas isso mudou. E mudou porque não é critério neste momento. O critério é jogar deliberadamente a bola, a tal volumetria extra, a questão do posicionamento normal, natural para o gesto técnico que se faz, desde que esteja numa posição normal no sentido daquilo que é o seu deslocamento, o seu salto, etc. Quando se faz um pontapé de bicicleta, que por si só já é um gesto acrobático, e ao colocares a mão numa determinada posição, se depois acabas por tocar a bola com a mão, ficar com ela controlada de alguma maneira, mudares a trajetória, obviamente tem que ser punido, ainda por cima, daí resulta depois, digamos, na sequência, o gol. E, portanto, eu concordo com a decisão, porque efetivamente o árbitro, neste caso o VAR, esteve bem ao chamar, porque realmente o gol tem que ser anulado.
Temos depois, ainda na primeira parte, são só dois casos na primeira parte, ao minuto 43, e aqui não podemos falar de lance em campo, falamos, na verdade, acredito que tenha sido mau comportamento de Farioli no banco, viu amarelo, não sei se por reclamar, não acompanhei.
Não, é a sequência disso. Repara, isso foi ao minuto 40, mas depois ir ao VAR, não ir, anular, não anular, passaram quase três minutos. E é na sequência que ele leva o cartão amarelo. Curiosamente, só antes de começar a segunda parte é que a transmissão televisiva mostra esse momento a mostrar o cartão amarelo. Na altura, até pensei que podia ter sido no intervalo. Isso é, eles mostraram no intervalo, mas depois fui recuperar e foi ao minuto 43 que efetivamente foi por protesto em função deste gol anulado.
Já na segunda parte, ao minuto 56 e logo depois do gol apontado por Gabri Veiga, gol de belo efeito de livre direto, ainda com algumas culpas no cartório para o guarda-redes dos Béticos. Mas a verdade é que depois acaba Gabri Veiga por festejar, apontar para o símbolo do Porto, acredito que junto de alguns adeptos do Betis, algo que não caiu nada bem entre alguns jogadores da equipe adversária, que foram tirar justificações a Gabri Veiga, mas assim um pouco mais intensamente, extravasaram as boas regras de uma reunião de condomínio.
Houve três cartões amarelos, dois para jogadores do Betis, eu vou tentar dizer os nomes corretamente, El Zalzuli e o Bessaussa, e depois para o André Silva do Futebol Clube do Porto. Honestamente, é difícil porque as imagens depois que foram focadas eram sempre em planos fechados. Houve tanta gente agarrar, se empurrar, se atirar, uns para tirar, outros para empurrar, que obviamente não consigo dizer se estes três jogadores foram corretamente advertidos ou se ficaram cartões amarelos por mostrar. Sei é que isto resulta destes comportamentos incorretos e desportivos. O árbitro viveu na primeira pessoa o momento, percebeu o que estava a acontecer, teve ajuda provavelmente do quarto árbitro para mostrar estes cartões amarelos. Nós, com as imagens que foram dadas, percebemos que houve muita gente a portar-se mal neste caso. E não faz qualquer sentido que hoje em dia, uma coisa é ir provocar os adeptos adversários, e os jogadores não devem fazer. Agora, é o gol, se calhar o estádio majoritariamente era do Betis, então o jogador agora tem que fugir do sítio onde estão os adeptos para comemorar o gol. Não faz nenhum sentido e, portanto, entramos num ponto.
E até faz alguma parte do jogo, não é?
Claro, a comemoração, os gols.
Jogar fora, conseguir mexer com os ânimos dos adeptos da casa é uma maneira de proteger a equipe também.
Só há uma coisa que eu não, agora fora aqui se calhar um pouquinho do Sem Falta, mas eu não consigo compreender como é que há pessoas que depois arremessam objetos para dentro de campo. Eu, para mim, estas pessoas são facilmente identificáveis. "Ah, mas foi uma garrafa d'água." Expulse, nunca mais ponha os pés ali.
Para mais, hoje em dia vale R$ 0,10, portanto.
Não, exatamente. Hoje em dia a sociedade está a recorrer para um aspecto que, goste ou não goste, se não houver estas penalizações, a gente nunca mais vai endireitar e vamos permitir que seja normal no futebol mandar garrafas contra jogadores, insultos e tudo mais. Isto não faz parte do futebol. Dizem que faz parte. Não faz. A falta de educação e o desrespeito não faz parte do futebol.
Temos depois, ao minuto 64, na tua opinião, Pedro, um amarelo que faltou para Alberto Costa do Porto. Acredito que tenha sido por aquela mão na cara, que independentemente de não ter sido de propósito, merece sempre punição.
Sim, a questão que se coloca é que o árbitro até deu o canto. A seguir, chegou ao pé do Fran García, que foi ele que foi atingido, e viu que ele ficou a sangrar e mudou logo para falta. Portanto, o árbitro foi mais pela consequência do que propriamente por aquilo que viu ou, eventualmente, o assistente auxiliar nessa decisão. Não há agressão, mas há aquilo que os jogadores hoje fazem muito, que é: vamos a correr na frente, sentimos o adversário nas costas e, de forma intencional, embora disfarçada, mãozinha para trás para manter a distância, para criar aquela questão. Às vezes acertam no peito, às vezes no pescoço e, como foi o caso, acertou em cheio na boca. E quando acertas na boca, que é uma zona, ainda por cima, com os dentes ali por trás, é normal que qualquer toque um bocadinho mais duro, um bocadinho com mais velocidade, possa fazer sangrar. E, portanto, livre direto que o árbitro assinalou, correto, falta atacante, e depois faltou o cartão amarelo, porque é claramente um comprometimento desportivo e a repetição é muito clara em relação a isso.
Temos ao minuto 73 um amarelo para Varela, do Porto. Alan Varela, bem mostrado?
Sim, tivemos aqui uns amarelos. O Varela foi por agarrar de forma evidente e ostensiva um adversário. Depois, pode seguir.
Sim, e depois temos ao minuto 77 um amarelo para Ceballos.
É também pontapé para fora do local da bola, depois do árbitro ter assinalado uma falta naquele momento contra o Betis.
E depois temos ao minuto 84 um dos lances, talvez o mais capital do jogo, porque deu o gol da vitória ao Betis, portanto, é importante avaliar. Minuto 84, Francisco Moura comete pênalti sobre Ortiz, do Betis, e a verdade é que foi assinalado. Resta saber se bem por parte do árbitro.
Sim, dois momentos de decisão. Por acaso até deram depois por ordem inversa, porque o mais importante era a questão do pênalti, e o VAR chama o árbitro por causa do pênalti. Antes, na construção da jogada, e também depois o vídeo-árbitro, neste caso, foi depois mostrado nas imagens, o Alan Varela coloca em jogo o adversário do Betis. Não há fora de jogo, é por um ombro, é um fato, mas coloca em jogo. E depois o mais importante, que é uma entrada fora de tempo do Francisco Moura, que com o pé esquerdo, quando chega para tentar acertar a bola, já não está lá a bola e pontapeia o pé esquerdo do Ortiz e, portanto, pontapé de pênalti. Acho que é muito claro, depois com as repetições, percebe-se que é um pênalti claro e óbvio, bem o VAR uma vez mais a intervir, como já tinha feito no outro momento decisivo da anulação do gol ao Foco do Porto.
Temos depois, Pedro, ao minuto 86, amarelo para Gimenez, do Porto.
Sim, é uma entrada durinha, negligente, e o árbitro a sancionar também bem disciplinarmente. Na altura, foi um take.
E temos, para fechar, ao minuto 93, outro amarelo para Ortiz, o homem que sofreu o pênalti.
Sim, é aquele agarrão junto à linha lateral, que depois até vem um outro colega e faz uma falta, e o árbitro, por esse agarrão, que foi ostensivo e deliberado e que foi o início da infração, acaba por evitar uma transição ofensiva e mais um cartão amarelo bem mostrado.
Resta saber, Pedro, que nota merece Clément Turpin, o árbitro francês que hoje apitou esta derrota do Porto em Sevilha, na segunda jornada da Liga dos Campeões, segunda derrota consecutiva em sede de Liga Milionária para os dragões de Fabioli.
Além da questão, pelo menos de um amarelo que ficou por mostrar, que acaba por ser menor, eu destaco o seguinte: é lógico que a equipa de arbitragem, que tem dois momentos que são decisivos e importantes no jogo, neste caso, contra uma equipa portuguesa, mas eu aqui estou sem emoções e, portanto, sem clube, obviamente, é para analisar os lances, que são dois momentos importantes, porque anula um gol off block do Porto, e bem, e assinala um pênalti, e bem, contra o foco do Porto. Portanto, foram duas decisões corretas e isso podia levantar a nota, mas não foi o árbitro que fez isto. Se fosse o árbitro sem VAR, acabava por ser uma arbitragem extremamente desastrosa e negativa. Estaríamos a falar de nota dois ou coisa do gênero, porque tinha impacto no jogo. É o VAR que no fundo alavanca isto tudo com duas decisões importantes e decisivas. E para um árbitro como o Turpin, que é internacional desde 2010 e tem mais de 75 jogos na Liga dos Campeões, espera-se mais que consiga dentro de campo eu resolver sem tanta ajuda do VAR. E por isso a minha nota, que é positiva, vai inteiramente para o VAR, mas só vou dar nota seis, porque se fosse o árbitro a decidir estes lances importantes, cá teríamos a falar de um oito. Por isso vou dar seis, todos entregues e direitinhos para o vídeo-árbitro, que foi decisivo no gol anulado e no pênalti, e que foram duas boas decisões.
Está feito e entregue mais um "Sem Falta" com o nosso áudio árbitro Pedro Henriques a analisar os casos do jogo Betis 3, Porto 2, a contar para a Liga dos Campeões. Esta quinta-feira é a vez da Liga Europa. Vamos acompanhar também aqui o Benfica-Celtic. Analisa a arbitragem como sempre e sem falta do nosso áudio árbitro Pedro Henriques. Um grande abraço, Pedro, bons descansos.
Um abraço e amanhã. Obrigado.