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Sem falta aqui na antena da Rádio Observador. O meu nome é João Lourenço e vamos analisar a partida agora com o audioárbitro da Rádio Observador, Pedro Henriques. O desempenho e o trabalho de Fábio Veríssimo, árbitro da Associação de Futebol de Leiria. Muito boa noite, Pedro.

Muito boa noite.

Fábio Veríssimo foi um árbitro que, 24 horas antes deste Futebol Clube do Porto vs Benfica, foi bastante criticado na altura pela sua nomeação, mas já lá vamos essa avaliação final. Primeiro, começamos ao minuto 11 com um lance na área do Futebol Clube do Porto. Há pênalti de Pabllo Rosario?

Vou começar pela decisão dizendo que, para mim, não há pênalti, não obstante a bola ter ainda tocado no braço. É um remate de perto do Sidney Cabral, em que há o chamado duplo ressalto, em que a bola primeiro vai ao pé e à perna esquerda do Pabllo Rosario, depois ainda sobe batendo na anca e só depois destes dois ressaltos, de forma inesperada, é que vai ao braço esquerdo do jogador Pabllo Rosario, que é da República Dominicana. Para mim, por este duplo ressalto, por não ir diretamente ao braço, e por ser um remate também relativamente perto, faz com que seja atenuante para não se considerar infração, não obstante a bola, no seu ato final, acabar por bater no braço. Mas de qualquer maneira, por causa deste duplo ressalto, tudo legal, sem pênalti.

E vamos ao minuto 15, o minuto destaque desta partida entre o Futebol Clube do Porto e o Benfica, porque houve golo. Bendtner de canto ao minuto 15.

Por ser o gol decidido o jogo, só dizer o seguinte: o gol é legal. É o momento em que há um abraçar mútuo de ambos os jogadores, do Bendtner, que com o braço esquerdo envolve o Leandro Barreiro, e do Leandro Barreiro, com o braço direito, a envolver também a zona do tronco do Bendtner. E quando dois jogadores utilizam as mãos e os braços, seja para se agarrar, ou seja até para se controlar em termos de posicionais, os árbitros nunca assinalam faltas, nem o VAR se intrometem, porque no fundo estaríamos a dizer que ambos os jogadores estariam a cometer falta um sobre o outro. Dentro desta lógica, o fato de ambos os jogadores estarem simultaneamente com o braço um em relação ao outro, torna o lance legal e sem falta, mais concretamente aquilo que podia ser uma falta atacante do Bendtner, que anularia o gol. Portanto, gol legal do Futebol Clube do Porto.

E este foi o único gol desta partida dos quartos-final da Taça Portugal. Minuto 26, novo lance na área dos azuis e brancos, neste caso, um lance que envolve Sidney Cabral.

Exato, e com Pepê. É aquele lance em que a bola é metida nas costas do Pepê, o Pepê vai na disputa corpo a corpo com o Sidney Cabral e o Pepê, com o seu lado esquerdo do corpo, e o Sidney Cabral, obviamente, com o seu lado direito, entram em contacto lateral mútuo, sem que, neste caso, o Pepê tenha rasteirado, carregado ou empurrado o seu adversário. Por isso, mais um lance legal e sem motivo para apontar pênalti.

Novo lance na área dos Dragões, neste caso, ao minuto 35, a envolver Diogo Costa e também o defesa central do Benfica, António Silva. Um lance no jogo aéreo que podia, neste caso, suscitar algumas dúvidas.

Exato, mas tudo legal. O Diogo Costa salta, e salta em termos de salto propriamente dito, e com as mãos bem por cima da cabeça de António Silva, salta mais alto e acaba por dominar, controlar a bola com ambas as mãos. Não obstante, depois, num segundo momento, fruto também do contacto, acabar por deixar cair a bola e voltar a recuperar. E esta situação de um guarda-redes que chega primeiro à bola, que a controla, que a domina e que não vai com o pé à frente, nem com o joelho, e também com o fato do jogador António Silva saltar para onde a bola ia cair, ou seja, tanto o António Silva como o Diogo Costa vão em movimentos contrários. Não é aquela situação em que o avançado, ou quem está a atacar, neste caso, porque o António Silva é defesa, está parado e é o guarda-redes que sai para ocupar o seu espaço. Não, ambos os jogadores vão saltar para onde a bola vai e estão a sair dos seus espaços para tentar ir à zona onde a bola está a cair. Isso faz toda a diferença. Por isso, domínio de bola, chamamos a isto bola controlada, Diogo Costa, o contacto é inevitável, mas não há qualquer infração do guarda-redes do Porto e por isso, lance legal e sem motivo para apontar pênalti.

Ainda na primeira parte, há uma série de cartões amarelos, isto na sequência de um lance, neste caso, uma dividida de bola entre o jogador do Porto, Gabri Veiga, e Dedic. Os ânimos exaltaram-se e Fábio Veríssimo foi ao bolso mostrar várias cartolinas.

Exato. Mostrou a Pávlovic, a Dedic e Samu, todos eles por, vamos chamar, cumprimentos incorretos, empurrões, etc. Sabemos que nestes casos, muitas vezes é difícil para o árbitro conseguir ver tudo e todos os jogadores, e pode escapar. Eu diria que pelas imagens, estes três jogadores foram os que mais se evidenciaram, mas faltou um cartão amarelo, claramente ao Gabri Veiga.

Que estava envolvido na primeira parte do lance.

Exatamente. E que pontapeou a bola contra o Dedic quando ele já está no chão. Ou seja, tudo naquela sequência, e que depois se levanta e vai na direção do Dedic. E faltou aqui um quarto cartão amarelo ao Gabri Veiga. É um pormenor, não é das coisas mais relevantes, acabou por não ter impacto em termos de jogo propriamente dito, no sentido que quando ele, por acaso, até depois vai ver um cartão no banco.

Ao minuto 83.

Sim, já está no banco, por isso também já não tinha impacto em relação aos 11 jogadores. Mas, de qualquer maneira, a única falha não tem relação ao Gabri Veiga, todos os outros cartões, Pávlovic, Dedic e Samu, foram claramente aqueles jogadores que mais se evidenciaram em termos de comportamento desportivo e, por isso, estes três amarelos foram corretos, faltou ao Gabri Veiga.

O primeiro tempo desta partida no Dragão não termina sem um amarelo. Bendtner, uma falta sobre Pávlovic, minuto 47.

45 mais sete, neste caso. Já estamos com sete minutos de desconto.

45 mais sete.

Exatamente. É que o Bendtner vai por trás e com o pé esquerdo, e de forma lateral, acaba por pisar o pé esquerdo do Vangelis Pavlidis. Inserimos isto nas entradas negligentes e bem sancionadas disciplinarmente.

Já na segunda parte, minuto 68, para o internacional brasileiro do Foco do Porto, Pepê.

Sim, rasteira ao Dedic, quando Dedic vai subir pelo corredor direito, Pepê estica a perna e rasteira o jogador do Benfica. Enquadramos isto na infração das chamadas faltas táticas, porque ao rasteirar o seu adversário, trava a jogada e impede que aquele corredor direito, que aparentemente tinha espaço para correr, não fosse percorrido e, portanto, cartão amarelo bem mostrado.

Também ao minuto 68, o amarelo para o defesa do Sporting de Benfica, Tomás Araújo, sobre uma falta sobre Samu.

Exatamente, ainda dentro do mesmo minuto. O livre é batido e há contínuo que o Foco do Porto ganha a bola e quando o Samu vai a sair, em contra-ofensiva, o Tomás Araújo por trás acaba por agarrar e puxar a camisola de forma bastante evidente e ostensiva, portanto, cartão amarelo bem mostrado.

Voltamos aos lances dentro da área, neste caso, a área do Foco do Porto. Há pênalti sobre o Liando Barreiro?

Este é o caso. Eu gosto sempre de dizer que sim, que não, nunca gosto de dizer nem, mas se eu pudesse agora dizer nem, era aqui que eu ia dizer. Eu vou dar como decisão final que, para mim, que não tenho videoárbitro, que não tenho protocolo e, portanto, que há um pisão na ponta do pé por parte do Rodrigo Mora em relação ao Liando Barreiro, estava a faltar aqui o nome. E para mim, ficou aqui um pênalti para assinalar. Agora, com as repetições, foram imensas repetições, e o VAR teve todas essas repetições, não tem mais, porque nesse aspecto exploraram todas as repetições, todos os ângulos possíveis. Há sempre dúvidas. E o VAR para intervir, ou de toda maneira, não é uma questão de haver dúvida, há falta de certeza absoluta para que o VAR possa intervir e dizer: "Há aqui um pênalti claro e vou te mostrar imagens claras em que o Liando Barreiro é pisado". E não há nenhuma imagem clara para isso. Ponto assente. Para o árbitro em campo, é completamente impossível ver, porque aquilo é corrido, se o jogador foi pisado ou não. Isso já era uma situação claramente de televisão. E eu compreendo que o árbitro não veja, compreendo que o VAR não intervenha, porque o protocolo é muito claro. O VAR tem que mostrar uma imagem muito clara e óbvia, para que o árbitro não tenha dúvidas. Eu, em uma das repetições vistas do ângulo contrário, talvez a melhor, depois também apareceu uma ali por trás da baliza, talvez a segunda melhor, não tenho dúvidas que há um pisar da ponta do pé do Rodrigo Mora em relação ao Liando Barreiro. Depois é sempre aquela questão, se é suficiente, se é suficiente para a queda, se teve consequência, independentemente da bola estar a passar por cima, isso não é relevante, até por ele estar do lado contrário do campo. Portanto, eu, mesmo com estas dúvidas e dando claramente o benefício da dúvida à decisão final de não assinar pênalti, eu tenho para mim que ficou aqui um pênalti por assinalar, sendo que é um lance muito duvidoso.

Fica então esse pênalti por assinalar a favor do Benfica, minuto 76. Neste caso, o Fábio Veríssimo não conseguiu ver esse pênalti, também o videoárbitro Luís Ferreira. Vamos ao minuto 83, novo amarelo, Gabri Veiga, como referiste, não levou cartão amarelo ao minuto 45 mais quatro, levou agora, mas já dentro do banco de suplentes.

Sim, já estava no banco de suplentes e portanto, mesmo que tivesse visto amarelo há pouco e fosse expulso, para este jogo não tinha qualquer consequência, porque estava no banco e poderia ter consequências para o próximo jogo, não jogar. Neste caso concreto, isso nem se coloca, viu o cartão amarelo, eu aqui não tenho muito a dizer, deduzo, como depois também vai acontecer mais à frente, que tenha sido por proteste, obviamente, e palavras dirigidas em relação à equipa de arbitragem.

Minuto 85, neste caso, dois minutos depois, novo amarelo, neste caso, para Rodrigo Mora.

Sim, esta aqui é mais fácil, é por rasteirar o Pavlóvidis quando ele estava a sair em contra-ataque. E lá está, parou e destruiu a jogada a sair em contra-ataque, falta tática, bem sancionado disciplinarmente.

E já nos minutos de descontos desta partida dos quartos-final da Taça, há um amarelo para Gianluca Prestianni.

Sim, é por protesto em relação à equipa de arbitragem. Ele também já tinha sido substituído, já estava no banco dos suplentes e é advertido no banco. Portanto, à semelhança do que aconteceu há pouco, ao minuto 83 com o Gabri Veiga, deduzo que tenha sido também por palavras e protestos, e dou sempre como boa essas decisões.

E também por protestos, o Liando Barreiro levou um amarelo já com o apito final.

Justo antes de acabar o jogo. Exatamente.

Precisamente.

O árbitro terminou o jogo, o Liando Barreiro foi logo o primeiro a dirigir-se a ele, e o árbitro puxou logo o cartão amarelo e manteve até no ar bastante tempo.

E ainda havia António Silva de volta do árbitro da partida.

Estava também lá perto. Sim, mas quem se estava a evidenciar mais, pelo menos em termos televisivos, a gente aqui não consegue ouvir, obviamente, o que eles estão a dizer. E eu deduzo que uma vez mais, por palavras e protestos, o Liando Barreiro viu o cartão amarelo e vou dar sempre como boa a decisão nessas circunstâncias.

Avaliação final de Fábio Veríssimo, árbitro da Associação de Futebol de Leiria, que arbitrou esta partida entre o Foco do Porto e o Benfica, uma decisão contestada pelos azuis e brancos ontem, através de um comunicado. No entanto, Pedro Henriques, qual é a tua avaliação do árbitro da partida?

Eu vou fazer uma coisa que não é muito normal fazer, porque normalmente quando há um lance de pênalti que eu considero que é pênalti, não quer dizer que tenha razão, obviamente, e no jogo fica um a zero e para a equipe que perdeu, normalmente isso tem impacto no resultado, em teoria, pelo menos. O jogo foi difícil. Os jogadores, os bancos, ninguém ajudou nada. Aliás, este jogo tem 11 cartões amarelos, curiosamente com poucas faltas, 26. O Fábio Veríssimo teve personalidade, fez uma boa gestão do jogo, foi assertivo em quase tudo, um pormenor ou outro em que não esteve bem. Para quem podia estar sob grande pressão e com toda a contestação, eu acho que ele esteve muito bem do princípio ao final do jogo. Pena aquele lance, que ainda por cima é um lance que para ele é impossível ver. Até para o VAR está justificada a sua não intervenção. E por isso, por tudo o que de bom foi feito, eu diria que geriu muito bem o jogo, acaba por ter qualidade na sua prestação, mas como eu não tenho protocolo VAR e considero que pode ser uma dúvida, mas eu não gosto de ficar nos nês e portanto ou é sim ou é não, eu dou como decisão errada, eu mesmo assim vou dar nota cinco. Para as pessoas que têm a percepção, quatro é negativo, cinco é positivo, positiva baixa. E eu, não obstante essa questão do pênalti, que é um pênalti dificílimo e portanto quase impossível para o árbitro e muito difícil até para o videoárbitro com as imagens, mas para mim é pênalti, eu vou dar nota cinco. E eu diria que ele geriu muito bem o jogo, fez uma excelente arbitragem em termos globais, mas há essa dúvida no pênalti, que na minha opinião, ficou por assinalar.

Nota cinco para Fábio Veríssimo neste clássico entre o Foco do Porto e Benfica, jogo dos quartos-final da Taça de Portugal. Pedro, mais uma vez, muito boa noite e regressas já na sexta-feira para esse Sporting casa Pia, para mais um "Sem Falta".

Obrigado.