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Sejam bem-vindos a mais um "Sem Falta", o programa podcast da Rádio Observador que analisa as arbitragens da Primeira Liga Portuguesa e para isso contamos com o Pedro Henriques, que já está conosco em linha. Pedro, bem-vindo.

Boa noite.

Ora viva, boa noite, Pedro. Vamos analisar o jogo entre Sporting e Arouca, também jogado em Alvalade, este duelo referente à jornada 28, que contou com o árbitro Vítor Ferreira e como vídeo-árbitro, Tiago Martins. São estes dois nomes nos quais vamos rondar. E curiosamente, o Vítor Ferreira, embora seja um jovem árbitro de 34 anos, nós na altura do relato até fizemos aqui a brincadeira o facto dele ser diretor de recursos humanos. Ora é precisamente isso que vamos ver contigo, Pedro, se o Vítor Ferreira dirigiu bem aqui todos os jogadores. Começamos ao minuto 31, em que é logo nos lances capitais, Pedro. Um lance a envolver um jogador do Arouca na área arouquense, uma bola que vai ao braço do Galovic num lance com o Czermit. Na altura ficámos aqui um bocadinho na dúvida qual é que tinha sido a indicação do árbitro, mas depois percebemos que ele é chamado a ver as imagens. Neste caso, a indicação será de Tiago Martins para apontar para o pontapé de pênalti, um pênalti que o Sporting até viria a falhar, mas que no teu entender, Pedro, concordas ou não com este pontapé de pênalti?

Sim, não concordo com o pontapé de pênalti. É um lance difícil, porque o árbitro não deu pênalti, percebemos depois, e é o VAR que vai reverter essa situação e mostra as imagens e o árbitro depois acaba por concordar com o Tiago Martins, com o vídeo-árbitro. Aquilo que faz com que o árbitro, neste caso o vídeo-árbitro, tenham ido para a questão do pênalti é o facto do Galovic ter o braço direito bastante aberto e, portanto, foram se encaixar naquela questão da volumetria. Mas é preciso ver o contexto. E o contexto é que neste momento, na lei do que diz respeito às mãos, há três pontos base, que é o jogar deliberadamente a bola com a mão ou com o braço, que nem foi o caso, e depois é se o braço está numa posição normal ou natural para o gesto técnico que o jogador está a fazer. E depois vem a questão também da volumetria associada a isso, que é se há uma volumetria anormal fora do plano de corpo, mas tem sempre muito a ver com esse gesto técnico. Ora, em primeiro lugar, o Galovic é tocado nas costas pelo Czermit. E tocado não significa que tenha sido falta, mas este toque faz com que o jogador fique desequilibrado. E depois, o cabeceamento, que é feito muito perto, à queima, vai realmente ao braço direito, que está aberto, mas está aberto, no meu ponto de vista, para se tentar equilibrar depois daquele contacto. E curiosamente, não é que isto signifique mais do que aquilo que eu vou dizer, o Galovic recebe a bola no braço direito, leva com a bola no braço direito e está com a cara virada para o lado esquerdo à procura exatamente da bola. E, portanto, percebe-se claramente que não há intencionalidade, embora esta palavra não exista agora na lei, não é um ato deliberado. O braço está aberto, mas em função do desequilíbrio que foi provocado por esse contacto e, no meu ponto de vista, é aquele momento em que ele tem o braço aberto, está de acordo com o gesto que o jogador faz em função do contacto, do desequilíbrio, do tentar se equilibrar. E, portanto, sendo um lance difícil, eu diria que não é um lance para pontapé de pênalti, e esta é a minha opinião, e por isso não concordo com a marcação deste pontapé de pênalti.

Portanto, aqui o ponto-chave será mesmo esse desequilíbrio provocado pelo Czermit e por caso contrário, aí concordarias com o pênalti.

Sim, claro, poderia concordar porque não há casos iguais, porque é sempre matizado que o jogador está de costas. Estar de costas, não consegues ver uma bola partir, é diferente de estares a ver a bola partir. De qualquer maneira, nós sabemos que a volumetria tem sido uma das palavras que mais aparece nestas situações das mãos e dos braços, e sobretudo volumetrias fora do plano do corpo. Mas neste caso concreto, neste gesto concreto, fico com a convicção de que o braço está aberto em função do desequilíbrio e tentativa de se equilibrar. E depois um remate à queima, que o jogador perfeitamente de costas não vê a bola partir, não sabe onde está a bola. Isso percebe-se quando a bola vai ao braço e ele está a olhar para o outro lado. Enfim, portanto, dou como não correta esta decisão.

Uma decisão não correta, logo a abrir este "Sem Falta" do Sporting Arouca. E ainda neste lance de pontapé de pênalti, Pedro, que passaram ali sensivelmente quatro minutos, agora já ao minuto 35, o guarda-redes, o Arubarrrena, faz a defesa. No entanto, ainda se hesitou ali um bocadinho para perceber se poderia ou não existir alguma ilegalidade. No teu entender, Pedro, existiu ou não?

Não, não existiu nenhuma ilegalidade, mas para as pessoas perceberem porque a bola depois foi aliviada para fora pelo Silà, e porque é que o árbitro fez ali um compasso de espera, para percebermos esta questão. Primeiro, o VAR pode intervir nas questões dos pontapés de pênalti quando alguma irregularidade é cometida, por quem quer que seja o jogador, mas que esse jogador tenha um contacto direto com a bola, tenha uma parte ativa. Portanto, o facto, por exemplo, haver jogadores que entrem na área, seja da equipe do Sporting ou do Arouca, o VAR não se pode intrometer. Só se pode intrometer se algum desses jogadores que entre na área, fossem os jogadores do Sporting ou do Arouca, venham a tocar e a tomar parte ativa na jogada tocando na bola. Portanto, o que o VAR foi verificar foi, primeiro, se o guarda-redes, o Arubarrrena, estava ou não a fazer a defesa de forma legal, e está, perna esquerda para frente, como a lei agora permite, avançar uma das pernas, sendo que a outra esteja em contacto com a linha ou no enfamento da linha, ou como até foi o caso, recuando ligeiramente para ficar a apoiar. E, portanto, foi isso que aconteceu, tudo legal. E depois, como foi o Silà que tocou na bola, o que o VAR foi ver foi se o Silà, no momento em que o Pedro Gonçalves tocou na bola, se o Silà já tinha entrado na área. E o Silà, que é raro e pouco normal, não tinha entrado na área. Porque se o Silà tem entrado na área, ou neste caso aproximados a menos de nove metros e 15 da bola, o pênalti iria ser repetido. E neste caso concreto não entrou, percebe-se isso, e portanto, tudo legal no que diz respeito à defesa do pênalti.

Tudo legal, sem necessidade também dessa repetição do pontapé de pênalti. Ora não marcou o Sporting, acabou por marcar o Arouca ao minuto 39, a formação arouquense adiantou-se no marcador. Resta saber, Pedro, se este gol teve alguma irregularidade.

Não, aqui a questão está com o momento em que o Rafa Rodriqué recebe a bola, dá um toque na bola e ela fica disponível pro Diomande, que depois acaba por dar aquele chutão em carambola e vai colocar a bola no Antony. Como no momento que o Rafa faz, não é o passe, mas que toca na bola, o Antony está em posição legal, a partir daqui nunca abriria a questão do fora de jogo. Mas eu gosto de reforçar este aspecto. Vamos admitir que o Rafa Rodriqué quando toca na bola, o Antony estava adiantado. Então aqui a questão que se colocava é se o Diomande, que foi ele que acabou por meter a bola no seu adversário, e com esta questão do que é um passe, ou neste caso, um jogar deliberadamente a bola e o que é um ressalto, colocava-se aqui um grande enfoque era perceber, caso o Antony estivesse em fora de jogo no momento que o Rafa tocasse na bola, se o Diomande tinha tocado ou não a bola de forma deliberada. E no meu entender, caso ele tivesse fora de jogo, eu iria também validar a situação, porque a bola vinha claramente do Diomande que tinha jogado deliberadamente a bola com todas as condições pra jogar. Neste caso concreto, para que não haja dúvidas, não há qualquer fora de jogo, porque o Antony não está em posição irregular e, portanto, aqui esvazia toda a situação, inclusivamente o fato de a bola ter vindo do adversário. Por isso, gol legal do Arouca, sem nenhuma irregularidade ao nível de fora de jogo.

E com isto tudo, Pedro, saltamos diretamente já pra parte final do encontro, já para o minuto 79. De fato, a nível de casos, é daqueles jogos com poucos, mas também é daqueles muito intensos. Vamos novamente à área. Minuto 79, o Sporting pede um eventual pênalti sobre o Shermiti. Havia ou não aqui motivo pra esse pontapé de pênalti?

Não há motivo pra pontapé de pênalti. O próprio Shermiti caiu na área na tentativa de chegar à bola. O jogador do Arouca até ficou a pedir falta atacante, porque realmente o Shermiti tem ali um momento de contato, mas no meu ponto de vista, nem houve falta de Shermiti, nem houve falta sobre o Shermiti. Lance legal e sem motivo para pontapé de pênalti.

Ora, curto e grosso. Voltamos a mais um lance de área, mais um lance capital da partida, até porque é o minuto 83. Agora há novo pontapé de pênalti assinalado a favor do Sporting e desta vez a equipe leonina acaba por marcar o gol que dá o empate final. Ora, o lance é entre Basso e Pedro Gonçalves. A equipe de arbitragem apontou pra a marca, desta vez Vítor Ferreira marcou logo esse pontapé de pênalti e que foi também validado, digamos assim, pelo Tiago Martins. Pedro, pergunta-se se desta vez a decisão foi correta.

Mais um lance difícil de análise. Concordo, claramente que é um lance muito complicado, mas uma vez mais eu vou dar como má a decisão. E quando começo a partir o lance pra tentar perceber qual foi o movimento que o João Basso fez, o João Basso quando vai disputar a bola com o Pedro Gonçalves, estica a perna direita, não toca na bola, é verdade, mas também não derruba o Pedro Gonçalves. E depois, a minha dúvida estava no joelho esquerdo do Basso, relativamente ao contato com o joelho direito do Pedro Gonçalves. Só que quando vejo o momento desse contato, o Pedro Gonçalves já está todo projetado, atirou-se claramente pra frente. Ou seja, dito de outra maneira, o Pedro Gonçalves, assim que sentiu a primeira tentativa de corte, projetou-se claramente pra frente para tirar partido daquele contato.

Há um aproveitamento.

Exatamente. E aquele contato do joelho esquerdo no joelho direito é quando o Pedro Gonçalves já está em desequilíbrio e queda. Ora, pra ser pênalti tem que haver uma consequência. Isto é, normalmente falamos em intensidade. E a consequência, que é a queda do Pedro Gonçalves, não resulta por nenhuma ação faltosa, mas sim pela projeção que o Pedro Gonçalves faz assim que sente um primeiro contato. Por isso, sendo um lance difícil, respeito claramente a decisão que o árbitro toma em campo, que essa é a mais difícil. Percebo que o VAR, de alguma maneira, possa validar esta decisão na perspectiva de não sendo claro e óbvio, não vou meter no lance, embora tenha estado a analisar, mas eu discordo. E, portanto, considero que este pênalti, à semelhança do primeiro, foram mal marcados.

Ora bem, aqui o Pedro Gonçalves a conseguir ludibriar, digamos assim, quer o VAR, quer o próprio árbitro principal que toma essa decisão final. E com isto tudo nós também caminhamos pra parte final do nosso "Sem Falta", fazendo a nota global a Vítor Ferreira, tendo em conta, Pedro, que há aqui um primeiro pênalti com o qual tu não concordas, embora tenha sido aqui o Tiago Martins a chamar o Vítor Ferreira numa segunda instância, e este lance que acabamos de analisar, em que tanto o Vítor Ferreira como o próprio Tiago Martins acabam por não reverter aqui nada. Qual é a tua nota pro árbitro Vítor Ferreira?

Olha, como é óbvio, se há dois pênaltis com os quais eu não concordo, e num jogo de um a um, eu vou dar nota negativa, nota 3, porque efetivamente, reconhecendo o grau de dificuldade de análise desses lances, eu acho que não são os dois pênalti e por isso vou dar nota negativa, nota 3.

E é uma das mais baixas do teu programa.

E é uma das mais baixas, porque obviamente se o resultado ficasse dois zero ou três zero, podia ter um impacto menor, mas no resultado de um a um e, portanto, tem um impacto muito maior. Não concordo com os dois pênaltis, não acho que sejam de assinalar e por isso nota negativa, nota 3.

Nota 3 para o vídeo-árbitro e também para o árbitro desta partida, Tiago Martins e Vítor Ferreira, respectivamente, neste jogo da 28ª jornada, que colocou frente a frente o Sporting e o Arouca com o empate final a uma bola. Está analisado mais aqui um "Sem Falta Sempre", com a preciosa ajuda do Pedro Henriques. Pedro, uma vez mais, obrigado. Boa noite pra ti.

Obrigado, boa noite.

Adeus, obrigado.