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Sem falta da Rádio Observador, como sempre com o nosso áudio árbitro único da Europa, Pedro Henriques. Pedro, bem-vindo. Temos aqui um Varzim 0x2 Benfica para analisar com a arbitragem de Manuel Oliveira.
Vamos lá. Sim, foi Manuel Oliveira o árbitro, Bruno Esteves teve como VAR e vamos então analisar os lances.
São muitos os lances que vamos analisar. Resta lembrar que o Benfica venceu por duas bolas a zero e conquistou a passagem aos quartos de final da Taça de Portugal frente ao Varzim, conhecido esta época por ter deixado o Sporting pelo caminho. Vamos ao minuto 11, isto porque na área, depois de ter feito o primeiro gol do Benfica, Grimaldo acaba por se entrosar no meio de dois jogadores do Varzim. Resta saber se havia aqui motivos para que fosse assinalado o castigo máximo contra a equipa de Varzim.
É um lance em que o Grimaldo acaba até por se lesionar. De qualquer maneira, não há infração nem de Tito Júnior, nem de João Faria, que vão disputar a bola com Grimaldo. Um toca na bola com o pé, o outro com o joelho já no chão e o Grimaldo nunca é tocado por esses jogadores. O Grimaldo, na tentativa de ainda conseguir passar, apoia mal o pé no chão e faz um género de entorse. Portanto, não foi rasteirado, não foi tocado, aleijou-se na colocação do pé no solo e não há motivo para o pontapé de penal. Boa decisão da equipa de arbitragem.
E foi o único lance desta primeira parte. Na segunda parte, os jogadores foram um pouco mais intensos e isso também teve consequências disciplinares. Vamos começar ao minuto 50, um lance na área do Benfica, a envolver Tito Júnior e mais uma vez Grimaldo, que em carrinho acaba por derrubar Tito Júnior. Não foi marcado penalti. As primeiras imagens pareciam que revelavam precisamente uma decisão acertada, mas Pedro, poderá haver aqui qualquer coisa a destapar.
Sim, o motivo existiu para o pontapé de penalti. As melhores imagens são as dadas pela câmera de trás da baliza, porque mostram os jogadores a correr de frente. Porque a bola, como sofreu um desvio de trajetória, aparentemente fiquei com a ideia nas primeiras repetições que teria sido mesmo o Grimaldo a tocar na bola e depois o contacto teria sido normal, mas não. Percebemos claramente que o Grimaldo ao tentar com o seu pé esquerdo tocar na bola, acerta única e exclusivamente no pé direito do Tito Júnior e derruba-o. É aquela situação em que ele cai imediatamente em consequência desse toque e o Grimaldo nunca tocou na bola. E daí que ficou um pontapé de penalti por assinalar. Obviamente que sendo uma situação, no meu ponto de vista, com repetições e TV, clara e óbvia, era aqui que devia entrar o VAR. O VAR fez um entendimento diferente, ou porque não acha que é claro e óbvio, ou porque não viu as repetições melhores que lhe garantiam exatamente esse toque no pé. Por algum motivo não fez intervenção, deixou seguir o lance, mas para mim errou. O árbitro errou o VAR e é um lance, na altura o Benfica ganhava por 1x0, mas tinha aqui claramente um pontapé de penalti por assinalar contra o Benfica e a favor, neste caso, da equipa do Varzim.
E ao minuto 51, há um amarelo para Ruben Gonçalves, jogador do Varzim. Bem mostrado, Pedro?
Sim, entra por trás, em tesoura, sobre o Grimaldo, uma entrada negligente, cartão amarelo bem mostrado.
E ao minuto 53, Lucas Veríssimo na área do Benfica, num lance que gerou algumas dúvidas. Havia motivos para que fosse marcado penalti a favor do Varzim aqui neste lance?
Sabes que é um lance que se fosse no meio-campo, o Lucas Veríssimo saltou e depois com o braço esquerdo acaba por tocar na cabeça do jogador do Varzim que saltou com ele. Se fosse no meio-campo, se calhar a maior parte dos árbitros marcavam. Mas muito honestamente, uma coisa é um jogador utilizar o braço e acertar em cheio na cara ou na cabeça do adversário, ou tirá-lo até da jogada, outra coisa é a maneira como ele saltou para tentar conquistar ali o espaço e sempre com o braço esticado. Portanto, para mim, sendo um lance no limite, discutível, é um lance sem motivo para pontapé de penalti, mas aceito e admito que realmente possa haver outras leituras, porque o lance por si só não é pacífico. Eu diria, para terminar este lance, o seguinte: era muito rebuscado assinalar um pontapé de penalti de um jogador que salta claramente, cabeceia a bola claramente e que utiliza os braços para ganhar também a conquista desse espaço, ainda por cima que o jogador do Varzim, de alguma forma, também estava a recuar de costas e também foi um bocadinho ao encontro desse contacto. Por isso, eu dou como boa a decisão de não ser pontapé de penalti.
Pedro Henriques, temos mais um lance ao minuto 62, aqui também com alguma vimência. Barbosa, jogador do Varzim, acaba por acertar num jogador do Benfica, num tackle deslizando, como costumas chamar. Aqui um bocadinho agressivo a entrada, foi amarelo, bem mostrado na tua opinião, ou aqui no limite poderia ter sido outra coisa?
Foi no limite, como tu disseste. É a tal situação que se a gente tivesse um cartão laranja, dizíamos que era o mais adequado. O jogador Barbosa ao tentar chegar à bola, falha claramente e de sola acaba por acertar na canela do Enzo e de frente. O que eu acho que falta para que pudesse ser vermelho, pudesse pôr em causa a integridade e a segurança, neste caso, do Enzo? Há umas palavras que nós utilizamos em termos de definição destes lances, dos tackles, como é o caso da malícia, da velocidade, da intensidade, da distância, uma série de coisas que nós utilizamos para tentar perceber a diferença entre o amarelo e vermelho. E no meu ponto de vista, faltou a tal malícia, que é muitas vezes aquela entrada clara à perna do adversário, faltou alguma velocidade, porque o jogador até estava relativamente perto, e a tal intensidade daquelas entradas mesmo que a gente vê que é o que chamamos é a partir. Faltou esses condimentos para ser o vermelho e por isso eu concordo com o cartão amarelo e, mais do que isso, o VAR neste lance, por faltar exatamente aqui mais qualquer coisa, nunca iria intervir, iria sempre validar a decisão da equipa de arbitragem. O certo é que eu considero que foi uma boa decisão, mas não é um lance claro e óbvio para, por exemplo, intervenção de acordo com o protocolo do vídeo árbitro. Por isso, boa decisão.
E ao minuto 70, mais um amarelo para o homem do Varzim. Desta feita foi Léo Teixeira. Bem mostrado?
Sim, é uma entrada sobre o Ostner, portanto, entrada negligente e passível de cartão amarelo. Portanto, boa decisão.
E ao minuto 66, novo amarelo para o Varzim, desta feita para Tovar.
Cortou um ataque promissor numa falta sobre o João Mário e, portanto, claramente bem mostrado este cartão amarelo.
E ao minuto 83, Enzo, já de pazes feitas com os adeptos, com o treinador e com a equipa encarnada, depois de ter feito também o segundo golo do Benfica, o golo da tranquilidade, ainda viu um cartão amarelo. Bem mostrado aqui ao campeão do mundo?
Sim, é uma situação em que depois do árbitro tinha interrompido o jogo, e como o resultado também corria a favor, dá aquele pontapézinho na bola para mais longe e, portanto, há aqui este comportamento desportivo entre o tentar ganhar algum tempo ou perder tempo, conforme o ponto de vista, e há aqui um comportamento que é incorreto, depois do árbitro ter apitado, ele ter tocado na bola para fora da zona onde ia ser marcado, mais concretamente, o pontapé de canto.
E estão revistos, analisados e validados todos os lances deste encontro. Resta saber, em suma, que nota merece Manuel Oliveira depois desta arbitragem da Taça de Portugal, Benfica-Varzim.
Exato. Vou dar nota negativa, nota 4, porque baseio-me sobretudo num lance que é muito importante, divido as responsabilidades entre o árbitro. É até um lance que o árbitro podia ter visto, tem algum ângulo aberto para isso, mas sobretudo também pelo vídeo-árbitro. Acho que é um penálti de televisão, claramente. E ainda por cima o Bruno Esteves, que é um excelente vídeo-árbitro e um vídeo-árbitro especialista, portanto, a sua única função neste momento, e já não é de agora, é ser apenas vídeo-árbitro. Acho que devia ter ajudado. É para estes lances que, no meu ponto de vista, os vídeo-árbitros e a vídeo-arbitragem foi criada, para lances que são claros e óbvios e, sobretudo, para lances importantes de área, como é o caso do pontapé de penálti. E é por isso que penalizo bastante a atuação do árbitro com base neste lance, porque era uma fase do jogo ainda precoce, minuto 50, havia um 1x0 para o Benfica e estes lances às vezes podem ser relevantes e importantes naquilo que é o desenrolar do jogo. Por isso, nota negativa, nota 4, muito baseada neste penálti que ficou por assinalar.
Nota 4 para a equipa de arbitragem liderada por Manuel de Oliveira na arbitragem do jogo entre Varzim e Benfica, a contar para os oitavos-de-final da Taça de Portugal. Vitória encarnada por duas bolas a zero. O Benfica segue para os oitavos, o Varzim fica pelo caminho nesta Taça de Portugal. Nós amanhã, Pedro Henriques, temos mais "Sem Falta" para analisar a arbitragem do jogo entre Futebol Clube do Porto e Arouca, também a contar para os oitavos da Taça. Um abraço, Pedro, até amanhã.
Um abraço, até amanhã.