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Está no ar mais uma edição do "Sem Falta" na Rádio Observador. Como sempre, análise ao trabalho da equipa de arbitragem com o nosso áudio-árbitro Pedro Henriques. Hoje, Pedro Henriques, análise ao trabalho da equipa de arbitragem liderada por Cláudio Pereira na vitória do Benfica em casa do Rio Ave por duas bolas a zero. Vamos começar ao minuto 15, um lance que suscitou algumas dúvidas aqui em estúdio. Terá ou não a bola entrado na baliza do Rio Ave depois de um lance a envolver a equipa do Benfica?

Fico com a ideia que não. Quando digo que fico com a ideia é porque percebo que não há TLG, tecnologia de linha de golo. Por enquanto, Portugal ainda não comprou esse sistema, com isso ficaria tudo tecnologicamente esclarecido. As repetições, como nunca-

A olho orgânico.

Sim, exatamente. Como nenhum operador coloca as suas câmaras sobre a linha de baliza, até porque este é um lance que ocorre muito raramente, entrar ou não entrar na baliza, mas é um lance sempre importante, porque normalmente questiona-se um golo. As imagens que temos normalmente não nos dão a certeza absoluta, ou realmente é uma bola que entra muito ou que não entra quase nada ou nada e nós percebemos a olho nu, mas fico com a ideia que o Francisco Petrasso, que é ele que pontapeia a bola e que atira quando ela está supostamente sobre a linha de baliza, não terá entrado. Portanto, vou dar como boa a decisão. Sabemos que, por lei, para ser golo, é preciso que a bola transponha completamente. Realmente não há nenhuma imagem que me mostre que a bola transpôs completamente e fico com a ideia que, até curiosamente na primeira repetição, talvez da câmera de fora de jogo, que o Francisco Petrasso tirou mesmo a bola ainda antes de ela passar a linha de baliza totalmente e, por isso, eu vou dar como boa a decisão.

Do minuto 15 passamos para o minuto 21. Isto porque na área do Rio Ave assinalou Cláudio Pereira grande penalidade, decisão que depois teve reversão. Pedro, vou deixar pra ti.

Exato. Este é o lance, talvez o caso do jogo, que depois acaba por não ter grande impacto, porque o Benfica acaba por ganhar, podia ter mais, eventualmente, se o resultado fosse outro. O árbitro numa primeira análise assinala logo pontapé de penalti, porque mão direita do Athanasiou na bola. Realmente esse contacto existe, mas depois com as repetições, o árbitro foi muito rápido a partir do momento que o VAR lhe chamou com duas ou três repetições, foi muito rápido a decidir. Portanto, não é daqueles casos que o árbitro teve dúvidas, ou seja, considerou que as imagens que foram mostradas foram claras e óbvias e a ideia é que sempre que o VAR chama ao monitor o árbitro é que lhe mostre uma ou duas imagens ou repetições, quando diz imagens, movimento, obviamente, pode não ser imagens paradas, em que prove claramente que aquilo que o VAR está a fazer é: "Vou te provar que tu tiveste uma decisão que não é certa e eu vou te dar aqui imagens que são claramente muito claras e óbvias e que não vai dar dúvidas." Foi essa a mensagem que foi passada e foi essa a interpretação que eu também faço, porque o árbitro teve lá muito pouquinho tempo. O que é que acontece? O que é que está aqui de atuante? É que realmente o Amar Dedic, que é com quem está o Athanasiou a disputar o lance, está ali no contacto corporal, não há falta do Dedic. O Athanasiou está completamente em desequilíbrio e quando já está em desequilíbrio e vai se projetar pro solo, obviamente que a tendência é colocar as mãos para apoiar a sua queda. E há aqui um fator muito interessante, é que a bola ainda toca no pé direito do Dedic, portanto a bola ia a rolar ao lado do pé direito do Dedic e toca-lhe ali na zona do calcanhar e fica mais para trás. Ou seja, provavelmente, se a bola não toca no pé direito do Dedic, se calhar o próprio jogador do Rio Ave não tocaria na bola com as mãos ou com a mão. De qualquer maneira, quando ele está a apoiar primeiro o seu braço esquerdo, a bola resvala ali no braço esquerdo e depois ele, no movimento de queda, acaba por tocar de forma mais efetiva com a mão direita de cima para baixo na bola. Por que eu acho que é uma boa decisão? Porque é em desequilíbrio, está em queda, tem que apoiar as mãos. Não é um movimento deliberado no sentido de ir dominar ou controlar a bola, mas sim no ato da queda e inadvertidamente acaba por tocar a bola com a mão. E este toque no pé do Samuel Dalot faz com que a trajetória da bola também tenha sido alterada e diria que é quase mais, no primeiro momento, a bola que ao ficar para trás raspa no braço esquerdo e que depois fica ali disponível para a mão direita quando se apoia no solo. Portanto, eu vou dar como boa a decisão de ter sido revertido o penalti.

Minuto 42, Pedro, reclamavam os homens do Benfica, mais concretamente o Leandro Barreiro, um penalti na área do Rio Ave. O penalti não foi assinalado, na tua opinião, boa decisão do árbitro.

Correto. Sim, boa decisão. É um lance com o Aguilera e com o Leandro Barreiro. E curiosamente, o Leandro Barreiro está atrás do Aguilera. Portanto, relembrar que este é na área Vila Condense. Fico com a ideia também que o Leandro Barreiro, porque as imagens são muito longe e a mais próxima também é longe, é que o Leandro Barreiro ao passar por Aguilera poderá ter feito com que este médio da Costa Rica tenha se desequilibrado e caído, e talvez, digo talvez por não haver uma imagem segura, o Aguilera depois de ter sido desequilibrado e caído, poderá no ato da queda ter tocado também no Barreiro.

Por causa da desequilibração e cair. Foi uma espécie de efeito dominó então, nesse caso.

Exatamente. Aquela questão de dizer: "Não, o jogador Aguilera é que agarrou, puxou, na queda, caiu sobre o Leandro Barreiro." Isso na prática não existe, porque foi o próprio Aguilera a ser tocado inicialmente. E portanto, o mais importante, não há motivo para penalti, como o Leandro Barreiro pediu.

Vamos já para a segunda parte, isto porque o próximo lance deste encontro se deu ao minuto 51 e desta feita era na área do Benfica, Petrasso quem pedia penalti, que também não foi assinalado, resta saber se bem.

Sim, o Petrasso fica ali muito caixoso em relação à zona da sua perna esquerda, da zona do joelho. E portanto, fomos tentar ver se algum contacto teria existido com o Petrasso. E o único contacto, e este lance é com o Samuel Dalot. É que há um contacto da coxa direita do Samuel Dalot, mas lateralmente, com a zona do joelho do Petrasso. Mas quando eu digo contacto, não é aquela situação de eu vir por trás e dar-lhe uma paralítica ou arrastirá-lo ou em movimento levá-lo à frente. Não, é um contato perfeitamente normal e lateral. Portanto, não há nenhum pisão. Ficamos com a ideia que poderia ter havido um pisão quando o jogador já estivesse no chão. Não há nenhuma rasteira, não há nenhuma carga incorreta. O contato é perfeitamente normal e até fico com a ideia que a consequência, aquelas dores, o estar ali de dor e ter lá ficado e depois a bola seguiu e o árbitro ter voltado atrás Para se assegurar da saúde do jogador, pareceu-me algo exagerado e que não tem nada a ver com aquele contacto. Portanto, boa decisão. Como disse, não há arrastão, não há pisão, não há carga, não há qualquer infração, não há motivo para penálti.

Temos depois, ao minuto 61, 10 minutos depois, um amarelo para Rachel Drope do Benfica. Bem mostrado, Pedro?

Fico com a ideia que é bem mostrado, porque é um lance em que ele está a disputar a bola com o João Tomé e ele ficará a pedir uma falta que o árbitro não terá assinalado, e foi pelos protestos. A transmissão aqui foi muito má. A primeira momento foi ver o árbitro meter o cartão no bolso e depois a seguir, só mais à frente, é que se percebe que há ali uma disputa e vê-se o árbitro a mostrar. Fico com a ideia que é pelo tal complemento desportivo de protesto e quando é por protesto, o árbitro é que está lá, é que sente, é que ouve, eu dou sempre como boa decisão.

E ao minuto 66, amarelo para Ndoye, da equipa do Rio Ave.

Sim, aqui bem mostrado, é uma chamada falta tática. O Andres Ndoye com a sua perna direita, toca e rasteira a perna direita do Gianluca Prestianni quando ele vai a tentar passar entre dois jogadores do Rio Ave e ao rasteirá-lo impede mesmo uma saída em contra-ataque e esta é a chamada falta tática. O que é uma falta tática? É aquela que a gente diz que é falta útil, destruir a jogada, parar ali um momento, não sermos apanhados em contrapé e a equipa poder se reposicionar. Portanto, este cartão amarelo bem mostrado.

Temos depois ao minuto 69, um gol anulado ao Rio Ave, foi marcado por Clayton, que podia ter chegado ao 11º gol neste campeonato, mas depois a decisão foi revertida por fora de jogo. E Pedro, é aquele chamado que é: "Foi na minúcia, mas foi também dentro da verdade."

Exatamente. Foi por sete centímetros. O Clayton está adiantado em relação ao João Tomás, portanto, bem assinalado o fora de jogo.

Pedro, se quiseres fazer uma pequena pausa para recompor e para beber um pouco de água também, sem problema.

As constipações e as gripes estão aí.

É verdade, estamos todos a ficar afetados por isso, Pedro. Mas quando quiseres, se estiveres à vontade.

Sim, portanto, para dizer que o golo é anulado porque o Clayton está em fora de jogo, está adiantado sete centímetros em relação ao Tomás Araújo. Por acaso, pela repetição, até parecia mais, mas a cidade de futebol depois injetou o sinal e, portanto, tudo certo.

Temos depois, ao minuto 81, na tua opinião, uma falha do árbitro, porque ficou, na tua opinião, por mostrar um cartão ao jogador João Rego do Benfica, um amarelo, na tua opinião.

Sim. É uma bola que é metida para o João Rego e ele, ao ir dominar a bola, faz aquilo que os jogadores têm que ter cuidado, que tem nas suas costas um adversário. Nesta ocasião foi o Nelson Abé, entra e acaba por lhe acertar com o braço na cara. E eu relembro que tudo o que é cabeça, cara, nuca, é a chamada zona de proteção dos jogadores e tudo o que é colisão de mãos, braços e cotovelos, mesmo que seja para proteger a posição, mesmo que seja o que quer que seja, normalmente são punidos com livre direto, garantidamente, e depois, conforme a impulsividade ou a intensidade, cartão amarelo ou vermelho. Neste caso, era para cartão amarelo, o árbitro assinalou apenas a falta, mas faltou o cartão amarelo.

Último lance de análise neste encontro. Antes de conhecermos a nota que merecerá Cláudio Pereira, 91 minutos de jogo, amarelo, desta feita para o lateral do Benfica, Dal.

Sim, o Samuel Dal agarrou e puxou a camisola do mesmo jogador que estávamos agora a falar, do Abé, Daniel Abé, e cortou, desta forma, uma saída em contra-ataque, neste caso, da equipa do Rio Ave. Portanto, é a situação típica em que há uma equipa que está a marcar um pontapé de canto e depois é apanhada no contrapé e a forma de não sermos desprevenidos atrás com a ausência de jogadores é matar a jogada lá à frente. E foi isso que o Dal fez, agarrando, sacrificou-se em terras pela equipa e o árbitro muito bem nesta falta tática, mostrar o cartão amarelo.

Pedro Henriques, resta saber que nota merece a equipa liderada por Cláudio Pereira neste jogo da 18ª jornada do campeonato, que opôs o Rio Ave ao Benfica, com vitória por duas bolas a zero da equipe encarnada.

Vou dar nota positiva, mas vou dar seis, portanto, não chega para o sete. Há aquela falha do cartão amarelo que me pareceu bastante evidente, é daqueles que não é gerível. E depois, porque esta é a questão, claro que a equipa de arbitragem globalmente esteve bem, sobretudo no mais importante, ou seja, eu diria que em termos de título, que o VAR esteve bem ao reverter o penálti, mas foi o VAR, e o árbitro precipitou-se naquilo que podia ser um caso de jogo, enfim, com algum impacto, porque era um penálti mal assinalado. E por isso eu deixo aqui um bocadinho a nota, porque não foi o árbitro que decidiu bem, foi o VAR, e a questão do cartão amarelo. Mas de resto, o jogo também não teve um grau de dificuldade muito elevado, o árbitro geriu isto bem. Foram apenas 20 faltas, 12, oito, três cartões amarelos, faltou um por mostrar. Os assistentes também tiveram bem, nomeadamente no gol anulado e noutras ações, e o VAR fez o seu papel, teve um papel preponderante no momento em que foi chamado. Portanto, globalmente estiveram bem, vou dar nota seis. Gostaria que este penálti assinalado não tivesse sido e que o árbitro tivesse tido essa capacidade e daí subiria mais um pontinho. De qualquer maneira, o que importa aqui mais do que a nota quantitativa é a parte qualitativa. A equipa de arbitragem saiu-se bem, quem ganha e quem perde não se vai queixar garantidamente do árbitro e por isso nota positiva, nota seis.

Nota seis para Cláudio Pereira na final deste encontro que opôs Rio Ave a Benfica, vitória dos encarnados por duas bolas a zero. Mais uma análise do nosso Pedro Henriques no "Sem Falta". Pedro, um grande abraço.

Um abraço, até à minha.