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Está dado o apito inicial para mais um Sem Falta, da Rádio Observador, o espaço onde analisamos os casos de arbitragem que vão marcando o nosso campeonato. Hoje acompanhamos por aqui o jogo entre Benfica e Vitória Sport Clube, 2x0 para os encarnados, uma vitória caseira. Jogo a contar para a oitava jornada, arbitrado pelo eborense Luís Godinho. Pedro Henriques, logo o primeiro lance em análise, talvez o mais polêmico de todos eles. Tivemos um lance na área com Barreiro que, na tua opinião, poderia ter, ou merecia mesmo, neste caso, um pênalti assinalado a favor dos encarnados.
Sim, é o único lance em que eu vou demorar um bocadinho mais de tempo a falar, os outros são todos muito rápidos, para dizer o seguinte: este é aquele lance muito difícil para um árbitro, porque é uma bola parada, há emparelhamentos, quer dizer, que há defesas que estão a marcar quem está a atacar. A técnica de um árbitro nesses lances é: eu, árbitro, não consigo ver todos os emparelhamentos, possíveis faltas atacantes ou defensoras, então o que eu faço? Vejo a trajetória da bola, a bola partir, tento por antecipação colocar os olhos onde eu acho que a bola vai cair, porque é aí que há uma maior probabilidade dos jogadores que vão disputar a bola, se agarrarem, puxarem e empurrarem. E esta é normalmente a técnica. Eu não consigo ver sete ou oito emparelhamentos e ver todas as situações. E o que acontece é que este lance ocorre exatamente num desses emparelhamentos que nada tem a ver nem com a trajetória da bola, nem onde a bola depois foi ser disputada. E o lance é sobre o Leandro Barreiro, o Borekovic com ambas as mãos por trás, uma mão esquerda no ombro e a outra no pescoço, mas no pescoço por trás, empurra claramente para frente o Leandro Barreiro, tirando-o completamente da jogada, mesmo que a bola nem sequer tenha passado ali perto. Portanto, este é lance para punir com pontapé de pênalti. O que diz a UEFA a propósito destes lances, que ocorrem muitas vezes entre os jogadores que não estão a disputar a bola? A UEFA diz o seguinte: que para infrações não intencionais, quer dizer, que o jogador comete a falta, é outra vez ir buscar uma palavra que já tinha saído do vocabulário, que é a palavra intencional, mas infrações não intencionais, quer dizer, o jogador não tem qualquer objetivo de fazer uma falta e inclusivamente mete intencionais/imprudentes. Imprudência, na lei 12.69, o que diz é que é falta sem querer, é que não tens em consideração a intenção, vais passar e tocas no adversário ou o fazes tropeçar. Portanto, em que a bola não está a ser jogável, e este é que é um aspecto importante, em que a bola não está lá, não são para sancionar. Mas isso implica que haja esse contato não intencional e feito de forma imprudente, ou quase sem querer. Não é o caso. O jogador está a marcá-lo, está nas costas, sabe que o jogador está ali na frente e, tão desnecessário como factual, acaba por, mesmo para tirar dali, empurrar pelas costas, como foi o caso. Portanto, não se enquadra, na minha perspectiva e na minha interpretação, na infração não intencional ou imprudente. Há mesmo a intenção, há mesmo a vontade, é completamente desnecessário, porque a bola nem sequer vai ali, mas é um lance de pênalti. O árbitro não tem qualquer hipótese de ver, impossível. Aqui a única hipótese é o vídeo ao árbitro, até porque o Leandro Barreiro caiu e ficou a protestar naquele lance, é o vídeo ao árbitro poder fazer a sua intervenção. Se fez, se calhar considerou não suficiente, se calhar considerou dentro daquilo que é as indicações da UEFA, achou não intencional ou imprudente, o que quer que seja. O fato é que, no meu ponto de vista, e é para isso que eu aqui estou, para dar opiniões, na minha opinião, há mesmo infração, era preciso VAR neste lance e era motivo para pontapé de pênalti.
Resta olhar para os outros lances que marcaram este jogo. Minuto 17, houve amarelo para Strata do Vitória. Bem mostrado, Pedro.
Sim, é bem mostrado, com a mão esquerda agarra o ombro direito do Prestianni, quando ele vai a fugir pelo corredor esquerdo, corta ali uma jogada de potencial perigo, livre direto, cartão amarelo.
Temos depois, Pedro, ao minuto 33, amarelo para Miguel Nogueira, também do Vitória.
Uma vez mais sobre o Prestianni, o Miguel Nogueira estica a perna direita e acerta com o joelho, na coxa e no joelho direito do avançado argentino do Benfica. Uma entrada durinha, negligente, bem sancionado com o cartão amarelo.
Temos depois, Pedro Henriques, ao minuto 49, já na segunda parte, um amarelo para Borekovich, também do Vitória.
É aquele lance em que ele passa e faz uma opção com contato sobre o Prestianni, a terceira vez que o Prestianni arranca cartões amarelos, quando o Prestianni vai mesmo pelo lado esquerdo, já à entrada da área da equipe do Vitória. Quando o Borekovic faz esta opção com contato, ou seja, derruba o Prestianni, impede que ele entre na área e é uma jogada de perigo, porque ele entrava na área e ficava numa situação muito prometedora. Portanto, ao cortar este ataque prometedor, cartão amarelo bem mostrado.
Seguimos na análise, Pedro, ao minuto 52, amarelo para Leandro Barreiro, do Benfica. Bem mostrado também aqui.
Sim, bem mostrado. As imagens paradas parecem uma coisa mais dura, porque quando se para a imagem, vê-se o pé esquerdo do Leandro Barreiro, com a sola e os pitões sobre o joelho do Samu. Em movimento normal, percebe-se que é uma entrada dura, rápida, não é aquela entrada que não para o movimento e que vai com tudo. É mais na tentativa de ir buscar aquela bola que estava ali a fugir, ele abre a perna esquerda e acaba por acertar sola e com os pitões no joelho. É, para mim, só negligente, não há força excessiva, não põe em risco a segurança física do adversário. Este é só, entre aspas, negligente, não tem em conta o perigo e as consequências do ato para o adversário e portanto passível de livre direto que o árbitro assinalou e do cartão amarelo que também foi mostrado.
Ao minuto 55 temos um amarelo para Tomás Araujo, é isso, Pedro Henriques?
Certo. Exatamente, para agarrar o Strata. É aquele lance que até o nosso comentador que estava hoje a fetar o Benfica disse.
Achou que deveria ser o encarnado.
Mas não, quando o Strata vai em aceleração pelo corredor direito, para e volta para trás e depois é que tenta fazer a finta por dentro. E é nesse momento que para, volta para trás e que faz a finta para dentro, que o Tomás Araujo, com o braço, envolve-lhe o braço à volta da cintura peito e derruba o jogador. E quando faz a falta, e paramos a imagem, além desta jogada ser descaída mais para o lado direito e não ser muito centralizada, há três jogadores do Benfica que por dentro já estão ao lado e portanto qualquer um dos três podia intervir no lance. Isto para dizer o quê? Não é vermelho, porque para ser vermelho tinha que ser claro penal de gol e um dos fatores, que é a possibilidade de outros jogadores poderem intervir, ocorre, está lá e este fator fica logo de fora. É preciso que ocorram os tais quatro fatores: proteção da baliza, distância, bola dominada e depois não haver ninguém que possa intervir. E nesse caso, haveria três jogadores. Por isso, só ataque prometedor e sendo só prometedor, só cartão amarelo.
Temos depois Pedro Henriques, também mostrado por Luís Godinho, amarelo para Samu ao minuto 57.
Este cartão amarelo pro Samu é bem mostrado. Já antecipo para um que vem a seguir. Neste caso do Samu, é um lance em que o árbitro não para a jogada porque o Prestianni deu a lei da vantagem. A falta do Samu é sobre o Schjelderup. O árbitro não para a jogada porque o Prestianni sai num contra-ataque perigosíssimo. Portanto, o árbitro bem deixou seguir e era uma jogada de muito perigo. Só que entretanto os jogadores do Vitória recuperam a bola, vêm para o ataque. Já não me recordo se é um pontapé de canto ou algo que vai acontecer. O fato é que o árbitro só com a bola para, quando o jogo está interrompido, é que muito bem vai dar o cartão amarelo ao Samu. O Samu o que fez foi derrubar o Schjelderup para impedir que ele fosse também na corrida e no contra-ataque com o Prestianni. Portanto, é um comportamento claramente antidesportivo, bem mostrado o cartão amarelo.
Temos ainda, Pedro Henriques, agora ao minuto 73, outro amarelo para Tiago Balieiro, defesa central de 23 anos, 1,90 m da equipe do Vitória Sport Club.
Para mim, incorreto. Eu, na altura, disse que o árbitro tinha mostrado o cartão amarelo por entrada fora do tempo sobre o Pavlídis, mas depois com as repetições não há nenhuma entrada fora do tempo. É uma bola que está disponível para os dois, para o Pavlídis e o Tiago Balieiro. Não é o Pavlídis que vai com a bola e faz o passe e depois o Balieiro chega fora do tempo. Não, a bola está disponível para os dois e ambos esticam o pé. E neste caso, quando ambos esticam o pé, há um choque de pé um com o outro. O Pavlídis cai, mas não há pisão, não há rasteira, nem sequer há aquela história que é o Pavlídis roubar a bola, por exemplo, desembarassar, fazer o passe e depois o adversário chegar lá e ponta peão. Nada disso. É um choque de pé com pé, porque ambos movimentam o pé para ir disputar a bola, portanto, ninguém tem a bola controlada. E era só um contato, só um choque, para mim, mal mostrado este cartão amarelo.
Temos para fechar os lances deste encontro ao minuto 91, na tua opinião, um amarelo que ficou por mostrar, que não saiu do bolso de Godinho, mas que devia ter saído para João Mendes.
João Mendes. É um lance muito duro, uma entrada em tackle deslizante. Quando eu digo tackle, as pessoas já sabem que é o carrinho. Vai é deslizar sobre o Sudakov e na ocasião de sole com os pintões acerta com o pé esquerdo em cheio no pé direito do jogador ucraniano do Benfica. Portanto, no meu ponto de vista, para além do livre direto, era claramente cartão amarelo, porque a entrada é muito dura, inserse naquilo que são as infrações negligentes.
Resta saber que nota merece o Luís Godinho, a equipe de arbitragem liderada por Luís Godinho neste Benfica 2, Vitória 0, a contar para a oitava jornada, Pedro.
O Luís Godinho teve aqui algumas irregularidades em termos disciplinares, é um fato, e tem a questão do pontapé de pênalti. Se o Benfica não ganha, obviamente que diríamos que esse pênalti teria impacto. Um pênalti no Estoril sempre impacto naquilo que pode ser o resto do jogo, mas acabou por ganhar e os pontos foram atribuídos ao Benfica e portanto não tem aquele impacto mais direto que nós dizemos. Era um pênalti, um pênalti podia dar o gol e a equipe que empatou ou perdeu, podia ter empatado ou ganho o jogo, conforme o resultado. E nesse aspecto, alivia um bocadinho o erro cometido. Além disso, é um pênalti que, na minha opinião, sem qualquer culpa do árbitro, não tem qualquer hipótese. É muito mais responsabilidade do vídeo-árbitro, por causa daquilo que eu expliquei, ser fora da vista, do tal empenhamento onde a bola não está a ser jogada. Por isso eu vou dar nota 5, porque o jogo foi difícil, teve 32 faltas, teve sete cartões amarelos. Certo que houve irregularidade nos amarelos, mas a maior parte deles foram bem mostrados. O Luís Godinho sempre em cima dos lances, tem uma condição física fora de lugar, excelente. E no fundo acaba até por gerir bem e a ser aceito pelos jogadores, mesmo quando há erros. Eu acho que isso é um mérito que tem a ver com a experiência e a qualidade que o Luís Godinho tem. Por isso eu vou também privilegiar isso, o fato de não ter tido impacto, mesmo havendo um pênalti, vou dar uma nota positiva baixinha, que é nota 5, que obviamente seria de 4 caso tivesse impacto no resultado. Não teve e por isso nota 5, não esteve perfeito, não foi uma noite das melhores do Luís Godinho, mas o Luís Godinho é um árbitro de excelência e provou uma vez mais que consegue gerir de uma maneira geral todas as incidências de um jogo.
Está feito mais um Sem Falta. Nota 5 para Luís Godinho na arbitragem do jogo entre Benfica e Vitória, 2 x 0. Regresso dos encarnados às vitórias no campeonato. Pedro Henriques de regresso com o Sem Falta já na próxima terça-feira. Compromisso do Sporting frente ao Lens em França. Jogo que vamos acompanhar com a emissão especial de esporte aqui na Rádio Observador. De resto, podemos também sempre ouvir o Pedro Henriques em "7" e o "Campeão É", com notas de 0 a 20 aos protagonistas do dia aqui no mundo do esporte e também na Rádio Observador. Um grande abraço, Pedro, um bom descanso.