Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Este programa tem o apoio de Renault Ecoplan.

A Renault quer afirmar-se como líder de mobilidade elétrica. Por isso, vamos ajudar a tirar os carros poluentes das ruas com o Eco Rebate e vamos facilitar o carregamento com o Eco Charge e o Eco eTron. Este é o Renault Ecoplan. Conheça as iniciativas em renault.pt.

Seja bem-vindo ao Som Ambiente, o programa mais verde da Rádio Observador, com a Sofia Guedes Vaz, a Catarina Grilo e o António Paulo Soares. Olá a todos.

Olá!

Estamos a chegar ao final do ano, um dos mais atípicos das nossas vidas, senão o mais atípico. É época de balanços e é isso mesmo que vamos fazer no programa desta semana. Já vamos ao que foi 2020, primeiro os sinais. António, esta semana escolheste ficar com o sinal vermelho. Estás preocupado com as conclusões de um estudo sobre a nossa relação com o planeta, é isso?

É uma preocupação recorrente, porque isto é quase semanal ou diário, os estudos, os relatórios e as opiniões que nos vêm sempre alertar pra necessidade de alterarmos o nosso comportamento ambiental. E desta vez, lá vem mais um, desta vez pela Agência de Desenvolvimento das Nações Unidas, a próxima fronteira de desenvolvimento humano e antropoceno, que é um programa que diz parte da principal organização das Nações Unidas pro combate às injustiças relacionadas com a pobreza, a desigualdade e alterações climáticas, e de ser bastante importante, e termos um português, um economista, Pedro Conceição, que é desde janeiro de 2019 o diretor do Relatório de Desenvolvimento Humano, que vem dizer-nos uma maravilha que é, da primeira vez numa relação de 300 mil anos, em vez de ser o planeta a moldar os humanos, são os humanos que estão a moldar o planeta. É mais uma chamada de atenção e, como este relatório demonstra, é uma chamada de atenção, pois nenhum país do mundo alcançou ainda um desenvolvimento humano muito elevado sem colocar uma enorme pressão sobre o planeta. E por isso ficaram todos mal na fotografia e parece que, pelo menos por enquanto, andamos a trabalhar a dita fotografia com muito Photoshop e pouca realidade, porque vamos falando, falando, falando, mas vimos pouca ação. É um sinal vermelho que vem ao encontro das nossas preocupações dos dias atuais.

Chamo a Catarina Grilo, que esta semana ficou com a tarefa de atribuir o sinal amarelo e que, Catarina, é para a decisão de Bruxelas sobre as quantidades de peixe que os armadores vão poder apanhar em 2021.

Exatamente, embora Bruxelas tenha aqui vários chapéus. Há, por um lado, a Comissão Europeia, por outro lado, o Conselho Europeu. E como é tradição na União Europeia, uns dias antes do Natal, o Conselho Europeu decide as quantidades de pescado que as frotas de cada Estado-membro poderá pescar em águas europeias em 2021, os TACs. E decide também quanto de cada espécie, ou quanto de cada quantidade das espécies cabe a cada país, as famosas cotas. Este ano, a decisão merece um sinal amarelo, quando habitualmente seria vermelho, portanto, é uma evolução positiva. E é amarelo porque há um lado verde e um lado vermelho pra esta história. O lado verde é que os TACs que a Comissão propôs ao Conselho estavam em linha com os parceiros científicos, e isto merece um verde. Mas o comissário e também o comissário europeu se mostrou muito desapontado com a decisão dos Estados-membros, o que é um importante sinal político. O lado vermelho da história é que, infelizmente, a decisão do Conselho Europeu, portanto, os ministros das pescas, foi de aumentar alguns TACs, atrasando ainda mais que algumas pescarias sejam sustentáveis. Ficamos no meio, no amarelo, que não é necessariamente onde se encontra a virtude.

E terminamos a ronda dos sinais desta semana com o otimismo da Sofia Guedes Vaz. Alô, Sofia, o que te enche o rosto de alegria?

É isso mesmo. O Parlamento aprovou na semana passada a revisão da diretiva da água de consumo, e que pretende melhorar a água da nossa torneira, com dois grandes objetivos. Um é reduzir o limiar das substâncias contaminantes, por exemplo, os chumbos, microplásticos, alguns fármacos, e também aumentar o acesso gratuito à água potável. O Parlamento quer mesmo que os Estados-membros disponibilizem gratuitamente água em edifícios públicos e encorajem os serviços de restauração a fornecer água gratuitamente ou a baixo preço. Tudo isto para diminuir a quantidade de água engarrafada. Mas o meu sinal verde vai mesmo é para o facto desta diretiva ser, pela primeira vez, uma iniciativa de cidadania europeia, que é adotada pela União Europeia e torna-se legislação. É uma iniciativa que já começou em 2013, uma organização com mais de 120 ONGs e dois grandes sindicatos da Alemanha e da Áustria, era uma iniciativa que se chamava Right to Water, o direito à água, e que foi assinada por quase 2 milhões de cidadãos europeus, quando bastava 1 milhão pra começar o processo legislativo. E os signatários, de fato, pediam acesso justo e universal à água potável para todos, opondo-se à liberalização, que também era uma coisa que estava ali na moda em 2013. Não conseguiram considerar a água como um direito humano, mas pelo menos conseguiram que a diretiva tivesse sido revista e muito daquilo que pediam está nesta diretiva revista. Portanto, pra mim, isto é essencialmente um sinal verde pra cidadania em geral e pra cidadania ambiental em particular.

Estamos na reta final de mais um ano. 2020 foi provavelmente o ano em que tivemos menos atividade humana em muitas décadas. Houve ganhos imediatos visíveis, o ar das cidades ficou mais respirável, o silêncio tomou conta das ruas, enfim, os efeitos estão aí para todos verem. Mas feitas as contas, o que ganhou o ambiente e a chamada agenda ambiental? Vamos fazer uma primeira ronda pelo melhor de 2020. Sofia, talvez começasse por ti. O que queres sublinhar do ano que está a acabar agora?

Não falando da pandemia, vamos falar certamente depois no mais ou menos e no mal, embora a pandemia, o confinamento tenha sido muito bom para o ambiente. Eu gostava de falar de dois projetos que têm muita importância, acho eu, também para a cidadania, e que é a comunicação social, a maneira como a comunicação social se relaciona com o ambiente. E para quem lê inglês e gosta de ambiente, dou um sinal verde anual, se fosse assim, para o jornal Guardian, que será talvez o jornal generalista mais ambiental do mundo. O ano passado, o jornal jurou, é um pledge, como se diz em inglês, que iria dar cobertura ao ambiente muito mais. E de fato, passado um ano, no âmbito desse juramento, publicaram mais de 3 mil notícias sobre ambiente. E melhor do que tudo, esses artigos tiveram 100 milhões de leitores. Eu leio muito destes artigos e alguns até me inspiraram para este programa e portanto, acho que temos muito a agradecer ao Guardian e em 2020, de fato, que foi um salto quântico na maneira como se comunicava ambiente para o mundo anglo-saxônico. Sendo suspeita, também queria dar um sinal verde aqui ao nosso programa da Rádio Observador. Esta semana após semana, este Som Ambiente, que há mais de 40 semanas leva um pouco de sustentabilidade aos nossos ouvintes e aos ouvintes também do podcast. Eu acho que é o único em Portugal, no tema e na longevidade. Não vou avaliar a qualidade.

Deixamos esse papel para os ouvintes.

Exato, mas é certamente relevante para tornar a nossa paisagem midiática um pouco mais verde.

Também é essa a nossa missão.

Começava o melhor aqui com esta parte da comunicação.

Muito bem. António, o que queres sublinhar de positivo em termos ambientais no ano que agora está a terminar?

João, só dando aqui uma nota, eu acho que a Sofia já ganhou a pole position depois desta. Já nos descalçou aqui um bocadinho com este sinal verde que ela deu ao programa e que eu concordo plenamente e que apoio bastante a Sofia neste sinal verde. Eu acho que temos um ano 2020, e é sempre difícil desviar-nos do que foi este ano tão complicado, e como o João dizias ao princípio, o ano mais difícil das nossas vidas, certamente, e principalmente destas gerações atuais, mas eu acho que foi o ano em que realmente mais se falou de ambiente, e acho que nós aqui na Europa, esta nova vertente da Comissão Europeia e desta Comissária Europeia da von der Leyen, de pôr em cima da mesa a andar e nos trilhos o Green Deal, que é, de fato, talvez aquela expressão mais falada em termos ambientais de 2020, e eu acho que daí dar um sinal muito positivo para o Green Deal, que tem chamado para a sociedade a problemática do ambiente atual e das necessidades de mudarmos para o futuro, e tudo que veio ao longo deste ano, e eu como presidente do grupo de diálogo civil da Comissão Europeia para as florestas, vivi muito de perto e discuti muito de perto estes temas, nomeadamente a estratégia da biodiversidade ou o Farm to Fork, em português, do Prado ao Prato, e a nova estratégia europeia florestal que está agora a ser discutida, e realmente nunca, não tenho qualquer informação nem memória de que 2020 tenha tido outro ano antes de 2020 em que tanto se tenha falado de ambiente em políticas europeias, em políticas nacionais, e de maneira que isto pra mim é de fato um ponto muito positivo para este ano, que também tem os seus sinais amarelos lá pelo meio, pela forma como algumas coisas têm sido discutidas, mas sem dúvida o Green Deal é pra mim onde se ganhou mais na agenda ambiental em 2020.

Catarina, como é que olhas para 2020?

Eu 2020, pra além daquilo que a Sofia e o António já disseram, e pronto, a pandemia foi o que foi, teve esse lado positivo no ambiente, o Green Deal também é um marco importante e marcou o ano em termos ambientais, com tudo aquilo que ainda está por fazer. Mas eu queria falar de uma coisa pequenina, que se calhar não há muita gente que saiba, mas este ano foi aprovada aqui em Portugal o quadro legal para a cogestão das pescarias. E eu vou explicar um pouco o que é cogestão. É um regime de, no fundo, gestão de uma pescaria em que em vez de ser simplesmente o Estado a definir quais são as regras que se aplicam a uma determinada pescaria, há um comitê de cogestão que envolve as autoridades, investidores políticos, envolve cientistas, envolve ONGs de ambiente e envolve os próprios pescadores ou mariscadores. E isto é importante porque já há uma experiência de cogestão informal nas Berlengas com a apanha do percebe, e está a se iniciar também a tentativa de criação de um comitê de cogestão para a pescaria do polvo do Algarve. E esta formalização vem, no fundo, permitir cimentar aquilo que já era a experiência nas Berlengas e dar força a que, pra além desta experiência que se vai tentar também com o polvo do Algarve, se comecem outras experiências em outros pontos do país. E acho que isto é importante porque mostra também a possibilidade de fazer democracia de outra maneira que vai pra além das eleições, que é envolvendo as pessoas, envolvendo as partes interessadas e assumindo as responsabilidades pelas decisões que tomam coletivamente.

Quem sabe não seja o futuro noutras áreas, noutros recursos. Vamos ao pior de 2020. Se calhar continuava contigo, Catarina, para o ano que agora acaba O que tu sublinharias como o pior do ano?

Passando do micro e do paroquial nacional, vou passar para o mais macro, internacional e global, que eu acho que poderá haver, que é o adiamento do chamado super ano 2020. Em 2020, havia esta expectativa de ser um super ano, porque seria um ano em que haveria grandes decisões, por um lado, na Convenção da Diversidade Biológica, que vai decidir os compromissos dos países para os próximos 10 anos em termos de conservação da biodiversidade, e também foi adiado o encontro da Convenção das Alterações Climáticas, em que se iria assinalar os cinco anos do Acordo de Paris e iria haver compromissos renovados dos países para reduzirem as suas emissões em linha com o Acordo de Paris. E foi de fato uma grande pena que isso não se tenha realizado. Vai realizar-se em 2021. Pelo menos são esses os planos, vamos ver o que a pandemia nos permite, mas houve este crescendo de entusiasmo para estas COPs, para estas conferências das partes, e depois houve um esvaziar, e agora estamos todos a entusiasmarmos outra vez para 2021, que esperemos que aconteça mesmo, e que saiam de lá compromissos ambiciosos e ação concreta.

Vamos ver o que acontece no próximo ano. Sofia, olhas para 2020 e o que é que vês de mais negativo?

Antes do negativo, eu também queria só uma coisa positiva.

Rápido, porque não temos muito tempo, Sofia.

Não, foi só a eleição do Joe Biden, que pro ambiente vai ser brutal, porque os Estados Unidos vão voltar ao Acordo de Paris, e em termos ambientais vai ser uma grande diferença para o mundo.

Muito bem, guardamos isso para o próximo programa, que será sobre o ano que aí vem. Sobre 2020, Sofia.

Ok. Para mim, o pior foi que o confinamento implicou uma descida de emissões de uma série de poluentes, inclusivamente os gases de efeito estufa, e isso foi muito bom. Mas foi confrangedor ver, assim que o confinamento parou no verão, como é que imediatamente as pessoas todas esqueceram tudo e voltaram a ter os comportamentos iguais aos antes da pandemia, a corrida de todas as empresas dos combustíveis fósseis a mais e mais subsídios, e a ideia muito expressiva que só se consegue boa qualidade do ambiente quando para a economia. E termos esta noção que só quando a economia para é que o ambiente fica bom, é muito mau e é um sinal a que temos que estar atentos e ver o que é que podemos fazer.

António, num minuto e meio, o pior de 2020.

João, eu hoje estou completamente focado em tentar te ajudar com o tempo, por isso vou até cortar aqui a parte da pandemia, que a Sofia já disse, e não vale a pena estar a repetir ou pôr mais coisas em cima. Mas eu voltando à minha parte boa, como dizia, a parte boa de toda esta política ambiental e desta estratégia política ambiental, eu não acho que tudo tenha sido bom, porque não foi. Eu acho que há uma boa parte desta estratégia política que vai um bocadinho no sentido de dividir para reinar, no que diz respeito à economia versus ambiente. Eu acho que é uma política muito pouco participativa ao nível dos atores dos setores, sejam eles os que são parte do problema ou parte da solução. E acho que está a faltar aqui, seja a nível europeu, seja a nível nacional, e nomeadamente em Portugal.

Mas é porque não ouvem a sociedade civil ou porque não convocam a sociedade civil a participar?

Eu acho que é as duas coisas, João. Um bocadinho mais da parte do que não convocam, e depois também uma parte do que não veem. Nós damos conosco a ver as políticas já praticamente todas elaboradas, feitas e vertidas numa série de documentos, já postas em cima da mesa, sem antes ouvirem os stakeholders e a sociedade civil, e eu acho que aí há uma falha muito grande. Eu acho que a economia e ambiente terem que andar de mãos dadas e encontrar as soluções na economia que sejam um win-win, quer pra economia, quer pro ambiente. É difícil, mas eu acho que falhou aqui em 2020. Realmente houve tanta política, tanta estratégia, tanto plano, mas acho que se falou muito pouco com cada setor, os que têm problemas pra resolver e os que serão claramente uma parte da solução.

Quem sabe em 2021 será o ano em que Portugal vai assumir a presidência da Europa, quem sabe?

Vamos ver. João, só pra acabar, há uma falha na comunicação pra sociedade de todas estas estratégias, todas estas políticas. A sociedade tem que ser envolvida, tem que ser educada e tem que ser consciencializada, porque senão, podemos fazer as políticas que quisermos, se a sociedade não for atrás de uma forma positiva, rara, dificilmente lá chegamos.

Muito bem, já a seguir a música de elevador. Escolhida pela Sofia Guedes Vaz. Sofia, não estás muito convencida com o projeto lisboeta que envolve ovelhas

Não é bem uma questão de não estar convencida, estou é expectante. De facto, um rebanho de 20 ovelhas começou a pastar na sexta-feira passada em Lisboa, num projeto Life Lanx, que é coordenado pela Câmara de Lisboa e cofinanciado por Bruxelas. Tem este objetivo de associar o pastoreio à conservação do solo, manutenção da vegetação e fixação de carbono. Portanto, é uma boa ideia. As 20 ovelhas vão da Quinta Pedagógica dos Olivais pastar à solta pelo Parque da Bela Vista, em Lisboa, várias vezes por semana. Eu acho que é um projeto interessante e assumido como experimental, portanto, são 20 ovelhas que de vez em quando vão pastar. Mas ter este objetivo de associar o pastoreio de animais à manutenção dos prados biodiversos, da infraestrutura verde da cidade, ao mesmo tempo que as ovelhas se alimentam, fertilizam o solo e contribuem para a paisagem, e como projeto educativo, eu acho que é positivo. Mas não sei se é demasiado micro para ter alguma importância e por isso é que é música de elevador, mas não deixa de ser uma maneira inovadora e de base natural para uma mini adaptação às alterações climáticas. E por isso fico muito curiosa como vai evoluir e se vai influenciar alguém.

Regressamos já a seguir a uma curta pausa. Vamos conversar com Nuno Sá, fotógrafo subaquático. Até já. Segunda parte do Som Ambiente. Esta semana damos as boas-vindas a Nuno Sá, multipremiado fotógrafo subaquático, com vários livros de fotografia publicados. Em 2015 foi considerado o melhor fotógrafo subaquático do mundo, colabora com várias revistas e são do Nuno as imagens captadas nas águas da Noruega para o documentário da BBC, "Blue Planet 2". Nuno, bem-vindo ao Som Ambiente.

Obrigado. Espectacular ser convidado.

Nuno, como é que começou a aventura da fotografia subaquática na sua vida?

Começou um bocadinho tardiamente. Eu só tive contacto com a vida subaquática quando tinha talvez 22 anos. Estava na licenciatura de Direito aqui na Universidade Católica Portuguesa. Tirei o meu primeiro curso de mergulho em Sesimbra, por aí no primeiro ou segundo ano de Direito. Foi aquela coisa de crescer uma semente, de ter o sonho, de viver uma vida em contacto com o mar. E quando acabei a minha licenciatura, já tinha a certeza absoluta que não queria, de maneira nenhuma, ser advogado.

Mas ainda terminou a licenciatura?

Sim, terminei e depois comecei a estudar Biologia Marinha nos Açores e parei talvez no terceiro ano, congelei a coisa, ainda posso voltar um dia a ser biólogo, talvez. Mas mudei-me para os Açores. Basicamente, quando acabei o curso, mudei-me para os Açores com o objetivo de viver em contacto com o mar. E tinha o sonho de um dia tornar-me um fotógrafo ou um cameraman subaquático. Não tinha uma câmera e não sabia fazer nada, nem fotografia, nem vídeo.

Era mais leis.

Era mais, sim, exato. E depois comecei a trabalhar no whale watching, no mergulho, e depois veio a fotografia como passatempo e acabei por me tornar fotógrafo subaquático profissional em 2008. E hoje em dia sou cameraman subaquático. A fotografia foi ficando para trás, ainda tenho o equipamento todo, mas acabo por não ter tempo para o fazer.

Portanto, agora faz mais vídeo, é isso?

Completamente, sim.

Porque é um mercado também melhor, não é?

É um mercado muito melhor e tem uma coisa gira que é aquele sonho que eu tinha. Eu não tenho uma paixão doida pela fotografia. Gostava da fotografia porque me dava a oportunidade de explorar os oceanos.

Era precisamente isso que ia perguntar. Portanto, a paixão era o mar, não é?

Sim, mas o vídeo tem uma diferença muito grande. Quando sou contratado, sou contratado para ir em expedições que envolvem muito mais dinheiro e de maneira que há condições muito melhores de ir para sítios muito remotos. E no tempo da fotografia eu tinha que contar uns tostões, comprar um equipamentozinho, tentar ir vender umas fotografias que eu já tinha tirado. E o mercado do vídeo, tive alguma sorte de entrar neste mundo das grandes produções. Estou a trabalhar para a Netflix, para a BBC, para a National Geographic.

Isso é uma suposição ou é mesmo verdade?

Não, é mesmo verdade. Ainda este ano já estive a trabalhar para a Netflix. Estas produções normalmente demoram três anos a ser concretizadas. De maneira que, por exemplo, fiz parte do "Blue Planet 2", mas estive durante dois anos a trabalhar para eles e saiu o ano passado. De maneira que as produções que eu estou a trabalhar agora só vão sair daqui a provavelmente três anos.

E podemos saber quais são ou ainda é segredo?

Algumas. A da Netflix não tem o nome, mas é sobre os oceanos, é já no Blue Planet. E estou a trabalhar também numa série da BBC muito conhecida, que é o "Planet Earth", que vai ter uma terceira temporada. Também estou a trabalhar nisso.

Com o David Attenborough ou sem David Attenborough?

Não sei. Supostamente, o "Blue Planet 2" era o último projeto dele, mas entretanto continua a trabalhar para a Netflix e continua a fazer muitas coisas. E também vou estar agora no início deste ano de 2021, numas expedições no navio, que é o maior navio do mundo, tem dois submarinos, um helicóptero e tudo mais. Mas esse é segredo, porque envolve um nome de Hollywood muito conhecido e nós temos que assinar um non-disclosure agreement com 20 páginas, que não podemos falar sobre nada e não podemos mostrar nada.

E se revelar alguma sílaba desse contrato, a vida acaba, não é? Tal é a indenização que tem que pagar. Gostava de perceber, disse-nos que começou a fotografar de forma profissional a partir de 2008, portanto já lá vão 12 anos, mais de uma década Debaixo d'água, percebe-se ou percebeu-se ao longo dos anos fenômenos globais, como por exemplo, as alterações climáticas, a redução dos estoques, isso viu-se ou não?

Eu acho que algumas coisas sim. Alterações climáticas, por exemplo, não é uma coisa que eu tenha apreciação, especialmente trabalhando em águas mais frias. Por exemplo, não me apercebo que 50% dos nossos recifes de coral morreram nas últimas décadas, porque não costumo trabalhar em destinos tropicais. Mas alguns problemas são muito evidentes, como por exemplo, os plásticos, e não estou a falar de microplásticos, estou mesmo a falar de baleias enroladas em artes de pesca, estou a falar de muitas situações. Por exemplo, quando eu estava a trabalhar para o Blue Planet 2, encontramos um rio de lixo com dezenas de quilômetros, porque nós tivemos uma hora a navegar a 20 nós e nunca encontramos o fim daquele rio de lixo.

Onde é que foi?

Ao largo dos Açores. Não era lixo açoriano. É muito curioso que isso possa acontecer, mas é um rio com talvez dois, três metros de largura, em que encontramos desde tubarões, tartarugas. Eu chamava aquilo uma cidade flutuante, porque no fundo, há uma quantidade imensa de organismos marinhos que adaptam-se a viver no meio do nosso lixo. E encontrávamos de tudo, em termos de lixo e em termos de vida marinha. E era muito curioso que isso possa existir, porque uma pessoa pensa, há uma tempestade e tudo mais, e desfaz-se o rio de lixo, mas via-se que aquele lixo estava há anos e anos a flutuar num conjunto, num rio gigantesco. É uma coisa muito curiosa.

Um rio, só pra contextualizar aqui, não é um rio.

Não sei como é que eu devia chamar aquilo, mas é uma coisa com muitos quilômetros.

É um segmento de correntes no meio do oceano?

Sim, mas aquilo fica preso entre duas correntes oceânicas. E de maneira que o que encontramos é lixo e, regra geral, medusas. Muitas medusas e muito lixo. E o lixo começa a criar qualquer coisa parecido com percebes, um germe de percebe. E isso depois traz peixinhos pequeninos, e depois traz peixes maiores que vêm viver no meio do lixo, como peixes-porcos, chernos, por aí fora. E depois traz tubarões, tartarugas, as tartarugas mais pra comer as medusas e por aí fora.

Portanto, forma-se ali uma espécie de um habitat, não é?

Sim.

Isso é mau?

É mau na perspectiva que aqueles animais deviam estar a viver na natureza e estão a viver no lixo que nós metemos nos oceanos. Mas curiosamente, eu acabei por me especializar em animais grandes, especialmente baleias e tubarões, e viajo muito pelo mundo e mesmo, por exemplo, a filmar para o Blue Planet 2, filmamos na Noruega, a rota de migração do arenque, é um dos últimos espetáculos de natureza que ainda existem nos nossos oceanos, em que se vê o que era os nossos oceanos há 50 ou 100 anos atrás, antes da pesca industrial.

E o que é que se vê?

Pra já, há mais arenque do que seres humanos nos fiordes da Noruega naquela altura, de maneira que são bilhões de arenques e atrás deles vêm milhares de baleias pra se alimentar do arenque. Estamos a falar de um rio gigantesco de peixes que entra pelos fiordes da Noruega adentro. Já os fiordes é um cenário incrível, mas são especialmente orcas, baleias-de-bossas e depois mais algum tipo de baleias. E mesmo a filmar aí, por exemplo, que uma pessoa sente que está num daqueles cenários que era isso que o Jacques Cousteau via há 50 anos atrás, quando andava pelos oceanos todos e que achava que os nossos recursos eram infinitos e que era impossível o ser humano ter um impacto sobre estes recursos imensos. E no dia a seguir, a fazermos uma cena incrível, que ganhamos um BAFTA, um Panda Award, vários prêmios, que fez parte do episódio de abertura do Blue Planet 2. No dia a seguir, quando saímos pro mar, a primeira coisa que encontramos foi uma baleia de bossas toda enrolada em artes de pesca, desde a cauda à boca, toda ela. E tivemos uma hora e meia a tentar soltá-la e finalmente conseguimos soltá-la. E nós estávamos 300 km acima do Círculo Polar Ártico. Pra nós pensarmos que nós temos um impacto, e estávamos no meio de uns fiordes que nós tínhamos que alugar umas casinhas no meio do nada. E pensarmos que o impacto humano está presente ali, é porque está presente em qualquer sítio dos nossos oceanos. Isso não há dúvida, absolutamente nenhuma. Eu ano passado também estive a trabalhar na Colômbia, num sítio que tínhamos que apanhar quatro voos, ir de jipe, depois por estradas de terra durante horas e depois apanhar um barquinho pra acabarmos numa baía onde as baleias-de-bossas iam ter as suas crias, no sítio mais remoto do mundo. Os únicos vizinhos que havia ali eram os narcotraficantes e mais nada. Era um sítio completamente remoto e havia lixo por todo lado. Era uma coisa incrível. São correntes oceânicas que trazem lixo e as praias onde as tartarugas vinham pra pôr os ovos. Às vezes pensamos, aquelas tartarugas que põem os ovos, por exemplo, em São Tomé e Príncipe ou Cabo Verde, naquelas praias que até são frequentadas por seres humanos, são 100 vezes mais limpas do que as praias que não têm presença humana, porque não é retirado o lixo. E a quantidade de lixo humano que encontramos em sítios remotos que são trazidos por correntes oceânicas é uma coisa incrível. Eu poderia dar exemplos atrás de exemplos.

Nuno, o que estava agora a dizer, que há 50 anos, o que o Cousteau viu nos oceanos e o que o Nuno vê hoje em dia, pra além de toda esta problemática do lixo, o que mudou em 50 anos?

Eu acho que, acima de tudo, principalmente pra um mergulhador que gosta de ver o que é a vida marinha e ver bichos grandes e um ecossistema saudável. Se nós pensarmos, por exemplo, na costa continental portuguesa inteira, não há um sítio De no take, em que não se pode pescar e que tenha dimensão suficiente para nós ou os nossos filhos ou os nossos netos verem o que era um oceano saudável. Isso é uma coisa muito preocupante. Por exemplo, nos Açores inteiro, há a reserva dos Ilhéus das Formigas, que é uma reserva grande, e uma pessoa mergulha ali e vê uma imensidão de peixes, mas depois se for pra costa das ilhas, não vê praticamente nada. De maneira que nós estamos num ponto em que, ou são áreas marinhas protegidas em que não se pode pescar, e aí consegue-se ter um souvenir do que eram os nossos oceanos há muitos anos, ou então o que nós estamos a ver no nosso mar não tem absolutamente nada a ver com o que nós víamos há 20, 30 e 40 anos.

Nuno, uma das grandes bandeiras de todo o movimento por defesa dos oceanos é haver mais áreas marinhas protegidas. Sente-se essa diferença quando vai filmar nessas áreas?

Sim, completamente. Eu posso lhe dizer, por exemplo, na Ilha da Madeira, que é um sítio hipersubrepescado com recursos marinhos. Os nossos arquipélagos têm um problema, que é não ter costas continentais, de maneira que têm os recursos pesqueiros todos concentrados na costa e têm pouca produtividade em termos pesqueiros. De maneira que as costas são altamente exploradas. Estamos a falar de arquipélagos oceânicos, aquilo é um aquário no meio do oceano. Os Açores e a Madeira são daqueles sítios equivalentes às Galápagos do Pacífico. Agora, quando protegemos uma área, sentimos que há uma explosão de vida ali. Na Madeira, por exemplo, a reserva do Garajau, que é uma coisinha minúscula ali a três quilômetros da saída do Porto do Funchal, uma pessoa pode estar com sete ou oito meros enormes, com 30 ou 40 quilos, e dar-lhes tinhas e tudo mais. Agora, a hipótese de ver um mero fora da área marinha protegida, eu posso lhe dizer, na costa continental portuguesa, e desde miúdo, desde os meus 20 e tal anos, eu nunca vi um mero na vida. Fora das áreas marinhas protegidas. Nunca vi um mero. O mero é um peixe curioso e que vem ter com as pessoas. Se é curioso e vem ter com as pessoas, vai ser morto. Ou vive num sítio onde não o podem matar ou vai ser morto. Não estamos só a falar dos grandes peixes pelágicos, estamos a falar até da vegetação. As grandes florestas laminárias que nós víamos em Sesimbra, em Cascais, desapareceu tudo. As praderias marinhas desaparecem. Tudo isso desaparece quando não há um ordenamento, não há regras para tudo, onde é que se pode pescar, onde é que não se pode, quando é que se pode e por aí fora. E depois também temos o problema da falta de fiscalização, mas aí precisávamos de um programa à parte só para falar sobre isso.

Fica a ideia.

Então esta ideia de, não sei se é 30% de todos os oceanos serem uma área protegida, peca por ser pouca ambiciosa.

Não, eu acho que o que é pouco ambicioso é que, para já, os objetivos da ONU são 30% em 2030, e eram 10% em 2020. Na realidade, nós estamos entre os 5% e os 7%. O problema é que há cerca de 20 anos que os cientistas nos dizem que nós precisamos urgentemente ter pelo menos 30% para não continuarmos esta espiral de perca de biodiversidade e de recursos marinhos. Se nós já devíamos ter há 20 anos 30% e já falhámos 2020, que ficámos entre os 5% e os 7% e eram supostos ser 10, até 2030 chegarmos aos 30, estamos um bocadinho a empurrar com a barriga, parece-me.

O Nuno faz mergulho regularmente, presumo, para além da atividade profissional. Mas mesmo na atividade profissional, sente que o trabalho que faz, no fundo, é de promoção da biodiversidade e da proteção do meio marinho. Mas o mergulho também tem impacto no meio marinho, ou não?

Claro, qualquer atividade, qualquer tipo de ecoturismo tem impacto no meio marinho. Agora, o que eu acho é que há casos muito gritantes em que o ecoturismo é claramente uma solução melhor e mais sustentável, é sempre, mas é melhor em termos econômicos e que mesmo assim não são adotadas medidas para apostar no ecoturismo. Posso lhe dar o exemplo do mergulho com tubarões-azuis nos Açores. O tubarão-azul é o tubarão mais pescado a nível mundial. Todos os anos, cerca de 100 a 200 milhões de tubarões são retirados dos nossos oceanos. Cerca de um quinto de todas as espécies de tubarões a nível mundial entraram em perigo de extinção nas últimas duas décadas. O que nós estamos a fazer aos tubarões agora é o que nós fizemos de 1900 para cima até à década de 80 com as baleias. E o tubarão-azul é o tubarão mais pescado a nível mundial, por causa do valor da sua barbatana pra confecção da sopa de barbatana de tubarão no Oriente. Acontece que nos Açores descobriu-se há 10 anos que era um sítio muito bom pra se mergulhar com tubarões-azuis. São espécies altamente migratórias. Nós temos águas muito profundas junto à costa e eles passam muito perto da costa. O mergulho com tubarões na ilha de Faial faz-se a uma milha da costa, duas milhas da costa. E esta atividade, em dois anos, cresceu para uma atividade que gerava cinco milhões de euros só num local de mergulho. Um local de mergulho gerava cinco milhões de euros por ano pra pequena ilha do Pico e do Faial. Cinco milhões de euros.

Mas a pesca-

Mas continuam a pescar.

Desculpe interromper.

Sim.

Mas continuam a pescar, exatamente.

Continuam a pescar, a frota regional.

São mais rentáveis não pescando.

Sim, continuam a ser pescados, continuam a ser vendidos entre 20 a 40 cêntimos o quilo, dependendo da altura do ano. E basicamente são pescados porque o que se faz é a pesca do espadarte, mas acontece que o espadarte teve um declínio de 90% da sua população nas últimas duas décadas, e onde antigamente se apanhava o espadarte nos longliners, hoje em dia morrem nove tubarões pra se apanhar um espadarte. Mas o que acontece é que esta atividade do mergulho com tubarões é muitíssimo mais rentável para os Açores do que continuar a sua pesca, em que existem dois ou três palangreiros a viver da pesca de troll de superfície.

E as autoridades açorianas sabem disso?

Sabem disso. Agora, também há muitos acordos europeus. Isto é uma rede de acordos e de trocas. Por exemplo, o grande problema dos Açores nem sequer é a frota regional. Basicamente, a frota regional pode pescar dentro das 50 milhas, das 50 às 100 pode entrar a frota nacional também, que já são alguns barcos. Fora das 100 milhas, pode entrar a frota espanhola e todos os outros Todos os outros membros da União Europeia. Estamos a falar de cerca de 300 barcos por dia, cada um deles a soltar 100 km de uma linha que de três em 3 m tem um anzol. Estamos a falar de uma imensidão de anzóis à roda dos Açores. E estes barcos descarregam os tubarões que pescam no Porto do Faial, onde os mesmos turistas estão a sair para ir ver estes mesmos tubarões. O que era preciso fazer? Era proibir os espanhóis de descarregar ali e obrigá-los a ir até Vic, que é o maior mercado de exportação de carne de tubarão do mundo, e tornar menos eficiente a sua pesca. Mas tudo isto depende de acordos europeus. Por exemplo, só proibir a pesca de tubarão à frota regional e frota nacional depende de acordos europeus. De maneira que mesmo quando queremos conservar uma coisa-

O poder de decisão não é só nosso.

Infelizmente, a nível europeu não há um tamanho mínimo de captura, não há um número máximo de capturas de tubarões azuis, por exemplo.

Nuno, estamos na reta final do programa desta semana. Gostava de lhe fazer uma pergunta. Estamos à conversa com o Nuno Sá, que é fotógrafo subaquático, agora faz mais imagens em vídeo do que imagens de fotografia. Mas alguma vez sentiu que uma fotografia sua ou uma imagem feita por si fez a diferença?

Eu acho que sim. Acho que qualquer pessoa que tira fotografia hoje em dia tem que ser um porta-voz da natureza. Eu tive a sorte de ter o contato com este conceito de fotografia de conservação logo desde o início. Acho que qualquer pessoa que tira uma fotografia e cria uma ligação estética e emocional da pessoa que está a ver a fotografia, tem que aproveitar essa oportunidade para informar e falar sobre os perigos do ecossistema da espécie. Eu sempre tentei enveredar por esse caminho da fotografia de conservação e durante muitos anos fazia artigos com a National Geographic portuguesa, em que tinha seis ou oito ou 10 páginas para falar sobre os problemas ambientais. Mas posso dizer, por exemplo, a fotografia, uma das mais conhecidas que eu tirei, que foi tirada na Ria Formosa, de um cavalo marinho. A Ria Formosa foi ou ainda é o sítio onde encontramos mais cavalos marinhos do mundo, de qualquer espécie. Estamos a falar de uma população que estava calculada em dois milhões de cavalos marinhos há 20 anos. Hoje em dia são cerca de 100 mil, de maneira que caiu talvez 95%, fala-se entre 80 a 95%.

Queria concluir?

Ia só dizer que ganhei uma coisa que era o Underwater Photographer of the Year, o título, e a fotografia era de um cavalo marinho da Ria Formosa e chamava-se "50 Tons of Me", porque todos os anos 50 toneladas de cavalos marinhos são retirados dos nossos oceanos.

E fez a diferença essa fotografia?

Eu acho que sim, porque muita gente falava dela e por aí fora, e pelo menos lia o título e tinha muita curiosidade em saber por que se chamava assim.

Muito bem. Nuno Sá, muito obrigado por ter vindo ao Som Ambiente desta semana. António, Catarina e Sofia, estamos de regresso para a semana. Até lá. E feliz Natal, já agora.

Feliz Natal. Até para a semana.

Até para a semana. Este programa teve o apoio de Renault Ecoplan.

A Renault quer afirmar-se como líder de mobilidade elétrica. Por isso, vamos ajudar a tirar os carros poluentes das ruas com o Eco Rebate. E vamos facilitar o carregamento com o Eco Charge e o Eco eTron. Este é o Renault Ecoplan. Conheça as iniciativas em renault.pt.