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Quando falo, descubro mais sobre mí e quando escuto, compreendo mais os outros. Mas quer abra a boca ou preste atenção, tenho cada vez mais a certeza que somos todos malucos. Olá a todos, sejam bem-vindos a mais um episódio de Somos Todos Malucos, um podcast dedicado à saúde mental, autoconhecimento, também à espiritualidade, como vai ser o caso de hoje. Já sabem que eu gosto de trazer temas muito ligados à ciência, mas também que sejam de alguma maneira disruptivos e que vocês possam entender que muitas vezes essa separação entre a ciência e a espiritualidade somos nós que fazemos. E por isso, o tema de hoje acaba por ser polêmico. É polêmico apenas porque quando se fala disso, eu já cá tive uma convidada a abordar este tema, que quando se fala disso, há uns que querem ouvir e outros simplesmente nem sequer dão hipótese. Mas no Somos Todos Malucos, é um tema que é tratado como outro qualquer. Eu conheci a Juli através de amigos. É uma mulher que fala sobre autismo, tem um filho que está no espectro do autismo, dá palestras, é muito divertida, acho-a muito engraçada a falar, mas é também médium e terapeuta espiritual. E é aqui que, como nós dizemos, a porca torce o rabo. É sobre isto que nós vamos falar. Juli Lancermayer, o teu nome é Lancermayer, é o quê? Alemão?
Alemão e italiano.
Mas tu só falas português.
Só o português. Não, mas eu entendo palavrões em alemão, super bem. Aliás, só palavrão em alemão e italiano.
Mas quem é que te ensinou? O teu marido.
A minha família, pro lado de pai, todo mundo falava alemão. Meus bisavós vieram da Alemanha, então automaticamente falavam alemão.
Mas de onde?
Eu sou de Santa Catarina, no Brasil.
Isso é Sul?
Sul, o Sul do Brasil. A gente fala mais cantado, todo mundo diz que a gente fala mais cantado. Eu não percebo.
Nós também não. Nós temos muito conhecimento da língua brasileira por causa das novelas. Nós temos novelas desde os anos 70 pra aí. Muita novela, Tieta do Agreste.
Sim. Sucesso no Brasil.
Sassaricando.
Nossa! Olha, faz tempo.
Eu sou antigo.
Eu também sou antiga. Mas somos os novos jovens.
Sim. Não sei que idade tens, eu tenho 45.
Eu 41.
Somos anos 80.
Segundo os meus filhos, a gente é cringe. Tenso.
Já sei, eu conheço essa expressão também.
Pois.
Olha, falar de mediunidade continua sendo o tabu e ser visto também como algo fantasioso. E tu estás aqui uma mulher normal.
Dizem que sim.
Sim, uma pessoa fala contigo, se eu te encontrasse na rua e começássemos a falar, ninguém olharia pra ti. Aos olhos dos anos, se calhar, 70 e 80, onde nós tínhamos muito a imagem das bruxas e das médiuns, pessoas muito místicas, tu és uma mulher perfeitamente normal. Mas tu achas que alguma vez essa imagem da mediunidade vai mudar? Da bruxa, da pessoa do oculto.
No Brasil, a gente não tem tão forte essa cultura da bruxa como tem aqui. Tanto que quando eu comentei com alguns amigos que eu estava vindo morar em Portugal, eles disseram: "Tu sabes que lá é bruxa, né?" Daí eu digo: "Depende, eu posso ser uma médium pra uns e dependendo, bruxa." Depende no sentido de: se incomodar, vai ser bruxa, se for tranquilo, vai ser médium. Mas pra mim, a mediunidade sempre foi algo muito natural, porque eu não busquei desenvolver a mediunidade. Como ela veio na primeira infância, eu nem sabia que era mediunidade. Então eu cresci vivendo isso como se fosse normal.
Mas como é que tu descreves, neste caso, a tua mediunidade? E pra quem nunca ouviu falar, eu leio muito sobre o tema, portanto, já tenho uma ideia diferente, e nós conversamos muitas vezes sobre isso, mas ainda há aquela ideia muito clássica, também muito associada aos filmes, do que estou a sentir coisas, estou a ver coisas. Como é que funciona pra ti? O que é pra ti?
Só explicando um pouquinho da infância pras pessoas entenderem como que eu vejo isso. Como começou com quatro anos, eu estava dormindo no quarto com meu irmão, passa uma mulher na parede, para nos pés da minha cama e logo em seguida um homem. Os dois eram muito bonitos, só que o que me assustou? Porque eles estavam no pé da cama, sorrindo, e a mulher estica os braços como se fosse me dar um abraço. Quando ela passa da cabeceira da cama e para no meu joelho do lado direito, eu vou olhar o vestido dela e ela não tem pé, porque o vestido acabava. Quando eu não vi o pé, eu tenho horror a pés. Até hoje não gosto de pé. E aí eu acabo tendo o quê? Um susto, desse susto eu tenho uma convulsão, dessa convulsão eu perco os movimentos por mais ou menos um minuto do lado direito do corpo. E ali começa a saga dos meus pais de entender o que estava acontecendo, e eu continuava vendo esse casal sempre à noite. Investigaram tudo, não encontravam nada, os médicos e tudo mais. E a partir do momento que na medicina eles não encontraram uma resposta, os médicos pediram pra me levar na igreja católica. Eu fui criada no catolicismo. Pediram pra levar na igreja católica, meus pais levaram, eles pediram pra ir num bispo. Chegou nesse bispo, o bispo pede pra começar-
Isto quatro anos?
Foi dos quatro até os seis. Essa saga toda entre hospitais, médicos. O que eu fazia de eletroencefalograma, eu tinha pilhas de eletroencefalograma, todos normais. E a última vez que eu fiz esse eletro, até eles pedirem pra levar num padre, algo nesse sentido, embora minha mãe já levava. Levou em igreja evangélica, que daí diziam que eram os demônios. Eu fiquei horrorizada. Quando disseram que eram os demônios, daí eu disse: "Gente, mas eles são tão bonitos pra ser o demônio. Não é possível". Fui em benzedeira, o que tu puder imaginar, eles já tinham levado. Só que a última vez que eu fiquei no hospital, eles botaram os eletrodos e neuropediatras e pediatras ficaram comigo, eram três médicos. Ficaram comigo no hospital e pediram pros meus pais não ficarem no quarto. Eles foram fazer a vigília. Um deles era espírita e pediu pra chamar o casal. E o casal apareceu na porta do hospital, tanto que um deles, o homem do casal, era médico. Então automaticamente, o que aconteceu? Quando eles apareceram, a minha temperatura corporal aumenta, a atividade na pineal começa a ficar mais brilhável. Eu entendia como criança que era pinel. Eu dizia: "É a minha pinel".Não, pensa, eu mesma me prejudicava. Mas ele pegou e disse que brilhava a pineal, e aí eles começaram a fazer perguntas. Eu não me lembro todas as perguntas, porque eu era criança, mas eu lembro que eles se emocionaram muito. Chamaram os meus pais e disseram assim: "Olha, pais."
Mas os médicos não viram nada. Ou seja, tu estavas a fazer o exame ao mesmo tempo que o casal estava lá, e eles viram as transformações no exame.
Não, o exame só: a temperatura corporal, o batimento cardíaco deu uma aumentada, a atividade cerebral aumentou. Só que eu não tive convulsão, porque eu amo hospital, eu amo esse ambiente, então eu estava superconfortável.
Como assim?
Eu adoro ver nos leitos quando as pessoas estão perto de morrer. Isso aqui vai ficar macabro, mas perto de morrer, sai fumacinha. Aí eu adorava ver isso, eu disse: "Gente, olha ali, está saindo fumacinha do corpo da pessoa". Então eu adorava ir no hospital, eu achava o máximo. E eu não entendia por que ninguém estava vendo. Eu disse: "Nossa, tem bastante fumaça, é uma costela". Porque a gente fazia muita costela ao fogo de chão. E costela ao fogo de chão, no Sul do Brasil, é muito comum, e eu via saindo muita fumaça e dizia: "Gente, parece uma costela", mas é porque a pessoa ia desencarnar. Aí, resumindo, os médicos começaram a fazer perguntas. Eu não lembro todas as perguntas, eu só lembro deles dizerem pros meus pais pra procurar um padre, uma religião que a gente se afinizasse pra entender o que acontecia e fazer o que seria talvez um exorcismo, algo nesse sentido. E eu fui levada num padre, o padre ficou com mais medo do que os outros todos e pediu pra ir pra um bispo.
Só não foste ao papa.
Só acho que porque não era perto, não dava. Mas resumindo, chegando nesse bispo, esse bispo pediu pra conversar com os meus pais primeiro e depois conversou comigo. Quando eu entrei na sala dele, ele começou a conversar como uma criança comigo e nisso o casal aparece atrás dele, e atrás dele tinha uma estante de livros, e sai uma mulher e para, também atrás dele.
Mas tu enquanto criança, não te fazia confusão, ou melhor, tu achavas que aquilo estava mesmo lá?
Pra mim era como eu estou te vendo, Raminhos.
Não era translúcido?
Não.
Então não fazia confusão a pessoa sair de dentro de um armário.
Pois, mas isso eu me questiono hoje adulta, porque pra mim como criança, eu acho que entra a parte lúdica da criança. Pra mim, isso, por exemplo, passar parede. Eu acho que criança gosta da fantasia, essas coisas, então pra mim isso não era estranho. Até então, eu não estava vendo coisas feias.
Exato.
Depois começou, depois é que a coisa ficou preta. Antes estava de boa. Então quando eu vi essa mulher atrás dele, ele começou a fazer pergunta, ele ficou muito emocionado, e eu lembro que ele pegou na minha mão e disse assim: "Menina, o que você vê são anjos". Eu questionadora, desde criança. Eu disse: "Não é anjo. Na casa da minha avó os anjos têm asa. Esses aqui não têm asa". E aí ele explicou mais algumas coisas pra mim e tal, e daí ele disse assim: "Vamos fazer um combinado. O que os seus pais podem fazer pra que você não tenha mais medo desse casal?" No caso, titio e titia, eu chamava naquela época. Daí eu fiz assim. Era calor, no verão, no Brasil. Eu disse: "Uma piscina", óbvio. Troca. Inteligente. Aí eu peguei e disse: "Uma piscina". Aí ele disse: "Então, se os seus pais fizerem uma piscina, você não vai mais ter medo". Eu digo: "Não". Eu não ia mentir pra um padre, porque eu era criada no catolicismo. Resumindo, meu pai tinha 15 irmãos, pra bênção de Jesus. Aí conseguiram fazer rápido a piscina, porque em 15 irmãos fizeram a piscina. A partir do momento que eu entrei na piscina, eu nunca mais tive convulsão. Medo de espíritos, eu não vou dizer que não, porque eu passei uma zona do cagaço grande ali até os 13 anos. De ver muita coisa, tanto o lado bonito da espiritualidade, mas também coisas feias.
Isso é como se tivesse sido o início da tua história. E o casal falava contigo ou só aparecia?
Não, eles conversavam comigo.
E diziam o quê?
Quando passou essa fase que eu entrei na piscina e passei a não ter mais medo, então, por exemplo, eu estava brincando atrás de casa de boneca. Às vezes eles apareciam e diziam assim: "Olha, você sabe o que aquela flor significa?" E eles me explicavam. Eles me ensinavam, porque meu pai e minha mãe brigavam muito, eram umas brigas bem intensas. E muitas vezes quando meus pais brigavam, eu tirava o meu irmão de casa, levava na casa da vizinha e eu me escondia atrás de casa com medo dessas brigas. E aí a mulher do casal vinha do meu lado, se abaixava e cantava, e o homem do casal me explicava o que acontecia. Hoje eu entendo que era a parte psicológica do que estava acontecendo ali. E como eles vinham sempre explicando.
Ou seja, eles estavam a fazer o papel de família, adultos, de tranquilizar a criança.
Exato. Eu lembro dela cantar muito pra mim, pra me acalmar. E ele até me emociona, porque foi uma fase muito complexa ali até os 13 anos. Meus pais separaram três vezes, até graças a Deus decidirem que era melhor separar de vez. Então resumindo, eles me ensinaram a orar, por exemplo. A oração eu nunca vou esquecer. Eles disseram pra mim assim: "A oração não deve ser uma repetição de palavras". E aí eles me pediram pra ir no meio do jardim. No meio do jardim, eles diziam assim: "Fecha os teus olhos". Daí eu fechava os olhos e diziam assim: "Caminhar com fé é caminhar muitas vezes no escuro, permitindo que a gente possa agir. Ou seja, não é ter todas as certezas, não é ter todas as respostas, mas é confiar que algo maior te protege, te zela, cuida de ti". Aí eu fechava os olhos e dizia: "É, mas está escuro, não tem como ver nada, como é que eu vou ficar segura aqui?" Aí eles diziam: "Agora você vai fazer de maneira lúdica. Eu vou explicar como é a oração, e daí eu explico ludicamente". Eles diziam assim: "Espiritualidade, ilumina os meus passos, abre minha mente, expande meu coração e me proteja". E como é que era figurativamente? Eu fechava os olhos, daí espiritualidade, ilumine os meus passos. Aí eu andava, conforme eu andava na grama, parecia que eu pisava em poças de luz, aí iluminava os meus pés. Aí expande a minha mente. Sabe o farol do trem?
Sim.
Eu sentia aqui do meio, iluminava lá na frente, longe. Aí expande meu coração, era como se eu tivesse ligado a luz de um ambiente, de um quarto, então ficava tudo claro. E me proteja, eu fazia isso aqui como se fosse uma onda e tinha um manto, me protegia. Então era como se eu ficasse invisível. E quando eles me ensinaram isso, daí eles diziam assim: "Sempre que você tiver medo, repete essa oração. E se você, ainda assim, as palavras não conseguirem te tranquilizar, visualize isso". Então eu tinha tanto a parte imaginativa, lúdica, como eu tinha a parte da oração falada. Então sempre quando eu faço essa oração, eu não consigo não me ver lá, menina, na grama, fazendo a oração. E aí depois eles diziam pra mim: "Você precisa de fonte de água". Tanto que quando eu vim morar em Portugal, eu amei aqui, por quê? Porque o que vocês mais têm aqui é fontes. E eu sou apaixonada por fontes.
E ribeiras e ribeiros.
Muito. E eu pedi de presente pros meus pais. Eles até disseram: "Pô, começa com uma piscina, agora é uma fonte, toda hora o negócio está ficando pior". Mas eu pedi uma fonte e eu fazia as orações e ficava na frente dessa fonte.
Mas os teus pais não eram pessoas crentes?
Não, meu pai e minha mãe eram católicos não praticantes. Ou seja, não iam muito na igreja.
Portanto, isso pra eles também deve ter sido estranho e se calhar não acreditavam em ti.
Eu apanhei muito.
Ou até podem ter pensado, por causa das discussões deles, que: "Olha, ela está a inventar coisas".
Pra te ter uma noção, eu nunca falei isso num podcast, meu pai, não vai adiantar brigar depois. O meu vô, quando morreu, o pai do meu pai, ele tinha ido pro hospital e foi a primeira pessoa que, em tese, se mostrou no momento da morte. Eu estava no meu quarto, aí o meu vô aparece no meu quarto, no meio da noite.
E tu davas-te bem com teu avô?
Sim, muito. Com meus dois avôs. E os dois apareceram pra mim quando desencarnaram. As duas avós também. Mas aí eu já era adulta, já entendia o que estava acontecendo, mas eles eram nessa fase caótica. Então, o meu vô estava no hospital, eu sabia que ele estava no hospital, só que ele apareceu no meu quarto e aí apareceu como se fosse um portal de luz da porta do meu quarto pra frente. E aí ele disse assim: "Eu vim me despedir, fique bem, mas eu vou pra aquela luz". E eu digo: "Ah, eu também quero ir nessa luz", porque a energia parecia ser boa, só que eu não sabia que era um local que eu não podia ir ou que era espiritual. Até porque eu nem era espírita, meus pais nem eram espíritas. Então, resumindo, quando ele falou isso, o que que eu fiz? Corri no quarto do meu pai e da minha mãe e fui lá e falei baixinho pra minha mãe. Eu disse: "Mãe, o vô disse que foi pra luz. Eu acho que ele morreu". Bem assim, eu falei. Pra quê? Meu pai acordou. Foi um negócio tenso, que daí eu apanhei uma surra e meu pai disse: "Para de ver essas coisas, para de ficar visualizando isso" e não sei o quê, mas apanhei. Aí eu pensei: "Poxa, não é possível que eu vou apanhar". Eu não estou mentindo, eu estava falando a verdade. Nisso a minha tia liga e diz assim: "Reinaldo, vem pro hospital porque o pai morreu". Aí eu pensei, daí eu ainda disse pro casal, eu digo: "Custava ter dito antes de eu apanhar? Não podia ter ligado?" Porque eu apanhei muito. E aí no velório do meu vô, o meu vô estava do lado do caixão e a minha avó, que era católica fervorosa, eu fui do lado da vó e disse assim: "O vô não está morto, porque ele está do lado do caixão". Daí ela disse: "Eu sei". E a minha avó, por mais que era católica fervorosa, ela foi muito empática com esse meu processo, então ela me acolheu. Só que aí o meu pai, vendo que eu estava falando que eu estava vendo coisas, me tirou do velório. Aí depois teve o meu outro vô que morreu, que foi a mesma situação.
Também compreende-se que seja difícil pros pais assistir a isso, não é?
Exato.
Não compreendem.
Não, meu pai e minha mãe sofreram na infância, porque eu passava muitas vezes na rua, eu não entendia o que estava acontecendo. E aquela coisa de não ter o filtro, muitas vezes, dos espíritos que estão falando coisas. Eu, por exemplo, passava, passava um espírito, e dizia assim: "Aquele ali vai morrer". Eu pegava e dizia assim: "Ó, tu vai morrer". Morria. Aí tu imagina o caos pros meus pais, essa situação.
Assim ninguém quer ser teu amigo.
Pois, entende. Aí os meus pais começaram a dizer assim: "Tu não fala mais nada. Tu não fala, tu fica quieta". Porque, por exemplo, meu pai, na época trabalhava numa gráfica, tinha um problema na gráfica, alguma coisa assim, eu ia lá e via luzinhas como se fosse de LED onde a máquina tinha problema, porque eu fui aprendendo tudo que era ligado ao espiritual, na prática.
Tu chegaste a ir ao psicólogo, psiquiatra? Não.
E eu virava amiga do psiquiatra. Depois eu comecei a trabalhar com os médicos. Com 13 anos, eu comecei a trabalhar com muitos médicos. Com 17, eu passei a fazer o que eu faço da leitura de campo, que tu já conheces como é que funciona. Eu leio o campo das pessoas, eu fazia isso com os médicos. Médicos, psicólogos, psiquiatras.
Ou seja, tu ias a uma consulta de psiquiatria e acabavas tu por dar a consulta.
Eu acabava virando amiga dele. Eu não virava a consulta, porque eu acho que eles acabam tendo uma visão técnica muito melhor que a minha, mas eu tinha de maneira lúdica. Tanto que eu pegava o cérebro, tanto com os neurologistas quanto com os psiquiatras, e eu dizia: "Ó, está acontecendo isso no cérebro da pessoa". Eu não sabia dizer tecnicamente o que estava acontecendo. Eu via o processo ali, eu explicava onde é que estava ativado no cérebro.
Agora as pessoas que estão a ver esta conversa e estão com aquela-
Bugou a mente.
E que estão a dizer: "Ó!"
Exato.
Tu não estás aqui, obviamente, pra convencer ninguém.
Não, mas eu falaria a mesma coisa se não fosse eu. Eu falaria a mesma coisa.
Pois é, que papel é que tem o ceticismo na tua vida?
Eu acho que ele é fundamental, Raminhos. Primeiro, porque a gente tem que filtrar as coisas. Então, eu vou te dizer, hoje eu tenho 41 anos. Eu já passei por muita coisa. Depois, com 21 anos, eu entrei pro espiritismo. Eu trabalhei em sessão mediúnica por muitos anos, tanto em orientação com médiuns, quanto a parte mesmo de trabalho ali ativo. E eu acho que se a gente não tiver essa filtragem, fazer esse rigor de: "Isso aqui é real, isso aqui não é real", a gente pode cair em muita cilada, em muita coisa errada, em muita fantasia, em muita mistificação, que é muito comum nesse meio. Tanto que eu no meio dos médiuns, aí entra um conflito comigo mesma, porque no meio dos médiuns eu sou considerada cética. E no meio das pessoas comuns, eu sou considerada-
Mas cética em que aspecto? Tu duvidas de ti mesma?
Não, não é que eu duvido de mim, mas eu questiono tudo. Por exemplo, se um espírito chegar aqui pra mim agora e dizer assim: "Fala tal coisa pro Raminhos", eu não vou falar.
Não, fala isso, por amor de Deus.
Não, ainda mais se eles disserem: "O que tu tem medo?"
Não, exato. Pode aparecer algum aí, sim.
Não, e eu acho que isso foi uma das coisas que eu sou muito grata ao casalPorque eles me ensinaram animicamente a fazer o que muitos médiuns fazem mediunicamente. Então, por exemplo, num atendimento meu, eu não preciso de um espírito me dizendo o que eu vou te dizer, eu já sei fazer animicamente.
Animicamente, portanto, pra quem está-
Do próprio médium.
Exatamente. Ou seja, tu enquanto pessoa, fazes o teu próprio entendimento.
Exato.
Do que propriamente ser uma mensagem que chega.
Exato. Tanto que eu tenho um tratamento que eu chamo de canalização. Canalização não é, gente, não vou dar comunicação mediúnica, é um processo onde eu trato o campo da pessoa. E nesse tratamento, nessas 48 horas, eu me coloco à disposição dos espíritos, mas isso não quer dizer que eu vou dar mensagem em grupos de canalização. Às vezes eu falo alguma coisa que os espíritos estão falando, mas de maneira coletiva de orientação, nunca de perturbação, nunca de: "Ah, eu vou dar mensagem do além". Primeiro, porque eu acredito que se eu fosse fazer isso, seria dentro de uma casa espírita. A pessoa já está indo lá buscar e tem todo um rigor dentro desse processo.
Tem o rigor e tem, se calhar, outro entendimento. Já sabe o que é que se vai passar, como é que as coisas funcionam.
Exato. E eu sou muito dessa coisa de cuidar com aquilo que a gente passa pro outro, porque gera perturbação, queira ou não. E dentro de todo esse trabalho que o casal foi desenvolvendo comigo, o que eu fui entendendo com o tempo? Que se a gente desenvolve capacidades anímicas, mesmo que sejam por orientação mediúnica, contato com os espíritos, elas vão ter uma maior função na nossa vida. Porque qual que é o primeiro ensinamento? Depurar e transformar a nós mesmos. Ou seja, a gente primeiro tem que se transformar. Não adianta tu te comunicar com espíritos, mas não te desenvolver. Tua vida vai virar uma bagunça, porque é pitaco de encarnado e de desencarnado. Eu vejo pela canalização, eles vêm fazer umas fofocas, que eu fico chocada. Eu adoro os babados que eles contam.
Há uma coisa muito curiosa. Amigos meus sabem que eu tenho muito interesse e falo muito destes temas. E é engraçado, porque eu acho que a maior parte das pessoas tem ainda uma visão da espiritualidade muito imposta pela igreja.
Sim, total.
Céu e inferno, bem e mal. E eu digo assim: olha, daquilo tudo que eu já li e das pessoas com quem eu converso, a espiritualidade é mais simples e mais confusa ao mesmo tempo. Por que eu digo que é simples? É simples, mas é difícil. Eu entendo isto, mas até pra mim é difícil colocar em palavras. Porque aquilo que eu digo, e diz-me se é verdade ou não, é: o mundo espiritual é como se fosse, na realidade, as pessoas morrem, não ficam iluminadas, não ficam espetaculares, seguem o seu caminho do outro lado, muitas delas trabalhando, ou trabalhando na espiritualidade, ou trabalhando noutras coisas, muitas delas em locais onde se estão a recuperar, porque ainda estão com uma energia muito densa e ao passar pro mundo espiritual, têm que se libertar dessa energia. E por isso é que eu digo que é mais simples, porque se nós formos pensar, ok, faz sentido, isto é uma energia densa, estamos encarnados, se eu desencarno, eu tenho que me libertar de 40, 60 ou 80 anos que vivi aqui. Portanto, tenho que me adaptar a um novo mundo. Deste ponto de vista, é mais simples. E também não deixam de ser as pessoas que são aqui. Portanto, os espíritos são engraçados, são divertidos, são mentirosos, fazem se passar por outras pessoas, são chatos, são teimosos.
Eu tenho um primo meu que desencarnou, que ele ficou mais insuportável em espírito do que em vida. De verdade. Às vezes ele aparece em live, eu digo pra ele: "Ainda bem que tu está morto. Ainda bem".
Por que ele aparece?
Porque vim dar um recado, por exemplo, ou me zoar. Por exemplo, a gente não acredita.
Mas pra um espírito fazer isso, tem que ter autorização.
Depende, não necessariamente. Essa questão da autorização é relativa, como é aqui também.
Mas então, por isso é que é confuso.
Ela é relativa, porque tem pessoas que, por exemplo, o meu primo. Meu primo conviveu comigo, ele tinha 43. E ele conviveu comigo, então ele sabia da questão da espiritualidade e a gente tinha um combinado. Quatro primos meus, a gente tinha um combinado, quem morresse primeiro, voltava pra falar. E aí eu disse pra eles: "Eu tenho que ser por último, porque eu vou ter que dizer. Que droga, eu vou ter que ser a última". E ele desencarnou e virou piada. Porque os meus primos, de vez em quando a gente conversa e vem as coisas que ele fala. E é muito engraçado, porque eu fui num evento que a pessoa fazia comunicação, fui acompanhar um evento. E aconteceu umas coisas lá, uns fenômenos muito fora da caixola, que era misticismo e não era real.
Mas fenômenos físicos?
A pessoa dizia que se comunicava com entidades muito elevadas, mas não era zombeteiro. E eu sou piadista, tu sabe. Eu sou de contar muita piada. E aí o que acontece? Eu lá e a mulher começou a fazer uma meditação, e eu tenho sério problema com pensamentos intrusivos em meditação. Aí eu peguei, fechei meu olho, aparece meu primo. E meu primo diz assim: "Ô Juliana, olha, eu já fumei maconha, mas isso aqui está pior. Olha onde é que tu te mete". Daí eu dizia: "Cala a boca, Marcelo, porque está me atrapalhando". Daí ele diz: "Não, sério, gente, isso aqui é doideira, está louco, ainda bem que eu não convivi pra ver isso". Então assim, às vezes acontecem essas coisas. Já aconteceu, por exemplo, de eu estar fazendo uma live. Eu não sei se tu ouviu falar de um atentado que teve no Brasil. Passou nas reportagens aqui em Portugal, eu lembro porque eu estava numa contabilidade aqui, numa creche com as crianças. Então, eu recebi a informação que ia acontecer isso em janeiro. Isso aconteceu ali em meados de abril. E eu tinha recebido, eu falei em live várias vezes: "Gente, eu estou vendo algo acontecendo que não faz sentido". Eu não costumo dar esse tipo de comunicação, eu não gosto, mas isso me perturbou tanto a cena.
O que ela estava a parecer tanto era pra dizer algo que fosse-
Era muito, mas eu não conseguia relatar tudo, porque pra mim era algo que não era possível acontecer. Aí, beleza, aconteceu o fato aliPassou um tempo, simplesmente eu estava fazendo uma live e aparece um menininho no meu quarto e ele diz assim: "O teu cabelo está aqui", porque tinha mega hair, estava uma parte do mega hair em cima. "Tu tirou o cabelo?" E aí eu tinha aquelas placas de bruxismo.
Sim.
"Tu usa dentadura?" E eu estava fazendo uma live, eu comecei a rir, eu disse: "Gente, desculpa, mas eu não estou conseguindo me concentrar. Tem um menininho aqui que está falando isso e está me atrapalhando", porque às vezes acontece, se for algo leve, divertido, não tem problema. Só que o detalhe, a mãe, eu não lembro se era a mãe ou o pai dessa criança, alguém da família estava na live e eles vieram. E eles entraram na live e começaram a perguntar coisas e eu comecei a responder e o menino estava falando e realmente era verídico, era o menino, porque tinham detalhes. Essa live até está salva no perfil dos pais e tudo mais. Mas começou a acontecer uma série de coisas e eu não sabia de nada daquilo. O menino é que estava falando e ele estava feliz da vida, entendeu? Eu disse: "Olha, ele não está em sofrimento, não está em dor e tudo mais". Aí falou que ia vir o irmão.
Mas, por exemplo, esse menino tinha consciência que tinha morrido?
Tinha. E ele era espírita. A família era espírita. Então isso fez um pouco de diferença.
E depois há aqui outra questão, que eu sempre achei curiosa, que é: uma criança que desencarna, por exemplo, morre, quanto tempo é que ela demora a ter conhecimento de que não é uma criança?
Depende, porque, por exemplo, essa criança em específico era um espírito muito velho, muito antigo. Então mesmo na infância aqui, por mais que morreu pequeninho, mas ele tinha uma consciência muito maior do que a nossa.
Ou seja, é possível que desencarne mais facilmente.
Exato.
Porque depois acontece, acredito eu, e tu deves ver muito, tu estás a ver constantemente coisas, a analisar coisas.
O tempo todo eu analiso.
Mas, por exemplo, estás aqui, estás a ver algo a mais ou estamos tranquilos?
Ele faz perguntas perigosas.
Eu vou te explicar por quê. Isso baralha-te ou não?
Não, porque o que acontece? O mundo espiritual não dorme.
Uma vez nós estávamos a falar, tu no hospital muitas vezes tens dificuldades em perceber quem é que está morto.
Sim, eu estava no hospital com meu marido. Hospital é o ambiente que mais tem espíritos. Então o que eu evito? Por exemplo, aqui eu sei que eu estou contigo, mas se os espíritos estão aqui querendo dar recado, eu não vou ficar dando recado.
Sim.
Às vezes eles falam umas coisas que eu acho engraçado, mas eu contenho. Mas no hospital é mais difícil, por quê?
A energia é muito densa.
É denso, eles se mostram muito parecidos com a gente. Então o que eu faço? Eu tento tocar, entende? Eu vou dar um toquezinho, porque é mais fácil. Porém, no hospital eu evito, porque daí eu vou pagar de doida.
E tu vês muita gente perdida, muita entidade perdida?
Muito, muito mais do que os que estão bem. Muito mais, porque a maioria fica por aqui. É aquela coisa, da mesma forma.
Mas por que ficam por aqui?
Apego a pessoas, apego à matéria, apego a emoções, apego a prazeres.
Ou seja...
A prazeres muitas vezes até da carne, de bebida, entre outras coisas. Eu, por exemplo, eu vou ficar.
Nós temos um restaurante cá, que não sei se existe no Brasil, que é o Chimarrão.
Não conheço.
Sabes o que é o Chimarrão?
Sim. Eu vou estar lá. Tanto que eu sempre digo: eu não vou dar comunicação mediúnica em sessão mediúnica. Nunca vou dar comunicação em sessão mediúnica.
Porque não estás lá.
Agora, de repente, tu estás lá no Burger King comendo e de repente: "Opa, a Juliana chegou." Cheguei. Comendo uma picanha.
Quando tu desencarnar, as sessões contigo é no Burger King.
Comendo bem. Se tu tiver num fogo de chão, num barbacoa, comendo uma carne, eu vou estar ali. Comida eu vou estar.
Isso é uma coisa que eu acho. Por exemplo, se eu desencarnasse agora, eu se calhar teria mais facilidade em entender que tinha desencarnado ou não.
Não, tu ia estar lá me perguntando. "Ô Juliana, desencarnei mesmo, tenho certeza, mas tu está me vendo." Mas a gente já teve essa conversa.
Certeza?
Não, com certeza. Não, estão me ignorando. É piada, estão me ignorando, estão brincando de sombra. Certeza. Eu não acho, eu tenho certeza.
Mas então pra que eu ando a ler sobre isso e essas coisas todas?
Pra perturbar os médiuns depois. Eu tenho certeza. Amigos do Raminhos que são médiuns, se preparem.
Eles ouvem muito, sim.
Nossa.
Mas a questão é: uma pessoa quando tem mais consciência, teoricamente, a minha esperança é quando eu desencarnar, que seja daqui a muitos anos, mas que tenha consciência disso. Obviamente vou demorar tempo.
Sim, mas isso não quer dizer que tu vai deixar de fazer piada.
Ah, não.
Eu tenho certeza, às vezes: "Será que eu consigo ver tomando banho? Será que eu consigo atrapalhar o fulano?" Eu tenho certeza que tu vai atrapalhar com as tuas maiores curiosidades, tu vai atrapalhar os médiuns. Eu já disse pro casal, eu quero ir antes dele. Porque eu quero ter o privilégio de dizer: "Raminhos, está me vendo? Está escrevendo? Escreve aí."
Alguma vez alguma entidade te fez um pedido estranho?
O tempo todo.
De que gênero?
Em canalização, muitas vezes de dizer pra pessoa que ela tem que parar de comer tal coisa ou que a roupa que ela está usando é ridícula, que ela fede. Já aconteceu de gente dizer assim: "Diz pra ela que ela não arranja namorado, porque ela fede." Daí eu digo: "Cala a boca, que eu vou falar isso, fala tu em sonho pra ela, poxa. Vamos lá, eu trabalho o campo da pessoa e tu aparece no sonho disso."
Por isso é que eu digo, essa questão que eu acho que é mais simples e mais complicada do que se pensa.
Total.
Quando estão do outro lado, não deixam de ser quem são.
Exato. Que nem agora veio uma interferência. É que tem uma cena que aconteceu. Eu sempre falo assim que a gente tem que proteger a nossa bolha. A bolha é o nosso campo energético. Então imagina que o nosso campo é os braços abertos até a ponta dos dedos. Então isso aqui é o que te conecta com as pessoas. Quando a gente está perto de outra pessoa, a gente capta as emoções dela quando está próximo da nossa bolha. E aí eu fui num show. E eu tenho um problema, não bebo nada alcoólico.
Foi no meu?
Não, não no teu, mas no teu eu vi coisa. Mas eu fui num show sertanejo. E aí eu tenho as minhas mentoradas e eu falei no grupo, eu comecei a relatar, porque eu fico bêbada por simbiose, eu não preciso beber, mas se eu estiver no meio de um monte de gente bêbada e eu não estiver bem blindada, eu posso ficar com ressaca. Não vou ficar bêbada de cair, mas a sensação de ressaca é a mesma que essas pessoas. Então, resumindo, eu peguei e fui. E aí eu disse pro meu marido: "Não, vamos sair do show, porque o negócio está complicado". E aí as mentoras falaram: "Juliana, como é que tu protege a bolha nesse local?" E eu disse: "Gente, tem que fazer oração", não sei o quê. Veio um espírito e disse assim: "Peida". Daí eu disse: "O quê?" Quando ele falou isso, eu comecei a rir. Daí eles falaram: "Sim, porque daí protege a bolha de qualquer jeito, todo mundo se afasta". Daí eu digo: "Poxa, errado ele não está". Então quando ele começou a falar isso, e aí às vezes eles vêm e fazem essas piadas, eu digo: "Gente, está de sacanagem, porque eu estou encarnada, eu não vou ter como disfarçar. Eles não, ninguém está vendo. Então assim, a culpa é o quê? Do médium. Quem é que se lasca? O médium."
Engraçado é que tu falas isso, isso pra ti sempre foi natural.
Foi natural.
Portanto, eu ao ouvir isso, está me sempre a surgir a questão: como é que uma pessoa não pensa, se calhar, muita gente que não pensa que é uma questão de saúde mental, tipo esquizofrenia ou qualquer coisa, estás a perceber?
Mas a esquizofrenia causa dano.
Dei um exemplo como se isso fosse outra coisa.
Mas é interessante essa pergunta, porque muita gente vai dizer assim: "Ah, mas se tu ouve vozes, se tu vê, tu pode ter um quadro". A esquizofrenia é diagnosticada, ela tem exames muitas vezes que vão mostrar a disfunção no cérebro, a disfunção química, e a pessoa tem prejuízo na vida. Ela não vai conseguir ter um raciocínio lógico.
É que o que eu te disse, uma pessoa fala contigo, se não souber o que tu fazes.
Não, e assim, a mesma pessoa que sabe, se ela entrar no meu Instagram hoje, ela vai entrar curiosa e confusa. Pode ir lá, vocês podem ir lá olhar. Por quê? Porque é difícil explicar o meu trabalho. Por exemplo, eu trabalho com empresários. Os empresários muitas vezes me contratam, não pra fazer macumba, porque eu não faço. Mas assim, no sentido de analisar o campo. Então, por exemplo, se eu vou analisar os dados de uma empresa, eu consigo ver se os números estão certos. Eu consigo ver pra que caminho que vai, porque eu consigo ver o fluxo. Entende? Então é diferente. Por exemplo, atender uma pessoa a nível pessoal é uma coisa, atender a nível empresarial é outra, atender médicos é outra pegada. Então é como se eu tivesse várias facetas de trabalhar essa mediunidade anímica. Não é os espíritos que estão me falando, mas porque o casal foi me ensinando a fazer isso.
Esse casal, são duas entidades que tu falas muito nos teus vídeos e na tua história, mas pra quem não está tão ligado a este mundo espiritual, podemos explicar que cada pessoa tem um ou vários guias, certo? Todos nós.
Era um, eu tenho dois. Eu perguntei uma vez pro Divaldo, eu digo: "Dois é por quê? O negócio é muito doido." Aí ele disse: "Não, é porque tu veio desenvolver um trabalho um pouco diferente, tu vai trabalhar tanto a parte psicológica, e enfim, das emoções ali, como também a parte técnica, que aí é mais racional, que é uma parte mais racional, mais de projeção, entre outras coisas".
E esse casal tu não conhecias fisicamente, não fazem parte da tua família?
Não, eles eram amigos de encarnação passada.
Ok.
De outra encarnação.
E eles são um casal ou não são um casal?
É mãe e filho. Eu falo casal porque é mais fácil. É mais fácil, porque eu chamava de titio e titia, aí vai crescendo, fica meio feio.
E todos nós que estamos aqui neste estúdio e no mundo, têm guias.
Todos. Uns não escutam muito bem eles, mas todos têm.
Essa é a questão. Todos nós temos inputs todos os dias que nos são dados pelo mundo espiritual e não ligamos?
O tempo todo. Porque é muito simples.
Pois é isso, porque nós estamos à espera de grandes revelações, certo?
E muitas vezes eles dão a resposta simples, porque a mediunidade e o contato com os mentores é sutil, é simples, é muito próximo à nossa intuição, é muito perto. Então assim, os espíritos, os mentores, não vão ser um nível extremamente alto acima da gente. Eles são, vamos botar ali, quatro, cinco, seis degraus acima de nós. Senão a gente não conseguia acessar eles e entender o que eles querem nos passar e eles também iam ter mais o que fazer.
E os guias não são necessariamente espíritos muito iluminados, ou são?
Não, é o que eu te falei, são quatro, cinco degraus acima de nós.
Também estão a trabalhar.
É como se a gente estivesse no ensino médio, ou seja, no nono ano, e eles estivessem no 13º.
No 12º.
É, o 12º, é verdade. O 13º é o salário.
Ou seja, também eles estão a trabalhar.
Exato. Eles também estão.
Ou seja, eu estou a minha vida toda a trabalhar aqui, morro e continuo a trabalhar, é isso?
Continua. Por isso que eu digo, é melhor fazer bem feito aqui, porque aqui pelo menos tu tem uma vantagem: tu pode comer. Eu nunca vi espírito comendo. Sugando ectoplasma, sim, mas comendo, nunca vi banquete de comida no plano espiritual. Eis uma revolta minha.
Mas eu já li livros que falam exatamente sobre isso.Quando estás nessa passagem, nesse desligamento do mundo desta dimensão, deste plano, muitas vezes tu tens alimentos no mundo espiritual que são ectoplasma.
Parecido a ectoplasma.
Que são plasmados.
Eu vou pensar muito.
Simplesmente pra te trazer as memórias do que tu consumias aqui.
Exato. Porque é como se fosse um velcro. Por isso que eu digo, alguns espíritos vão ter apegos com a matéria e até fazer esse processo de eles quererem ficar no plano espiritual e continuar a jornada lá. Porque como a gente está aqui na Terra, tem a família, tem as pessoas que nos esperam, que estão aqui com a gente, no plano espiritual, tem gente sentindo saudade, esperando a gente voltar.
Mas você não fala com eles todas as noites?
Não, nem todos. Dependendo a esfera que está, não. Tu não fala com todos, principalmente os que gostam de ti ou que estão em escalas mais evolutivas ou em regiões que a vibração é diferente. Não. Tu fala com alguns, mas não toda a tua família. Pode falar com um ou dois, com uma maior afinidade, com maior apego.
Ou se for alguma coisa que me queiram dizer ou tranquilizar.
Mas eu não estou dizendo a tua família aqui que desencarnou e que foi pro plano espiritual. Eu estou falando da tua família que ficou lá.
O meu núcleo espiritual.
O núcleo espiritual, exato. Porque a gente morre lá e nasce aqui.
Porque há pessoas que, como estavas a dizer em relação ao casal, tu podes encarnar e eles continuarem do outro lado e depois noutra altura ser o contrário.
Exato.
Porque são acordos que se fazem.
Exato. Na primeira infância, a gente até consegue ter bastante acesso com a nossa família de lá. Só que depois a gente vai crescendo, a nossa vibração vai mudando. E aí tem a vibração, tem todo o processo que a gente vai nutrindo aqui. Então esse afastamento, não são todos os espíritos que estão lá que vão conseguir se comunicar contigo aqui. Alguns sim, porque tem algum benefício, alguma coisa que pode te ensinar e que entra junto com o que tu está pra aprender aqui, mas não são todos.
Então, nós não ouvimos muitas vezes essas comunicações que nos são dadas todos os dias, essas dicas, porque não estamos nem aí.
Porque a gente pede prova o tempo todo. Eles vão lá e dão uma resposta sutil. "Ah, mas não, se foi é coincidência." Primeiro é coincidência.
Mas por ser sutil, se fosse uma coisa certa, eu tinha a certeza.
Pois, mas daí é o que os mentores falam: e a tua fé, e a tua depuração, e a tua confiança, e o teu mérito de se colocar à disposição de não ter controle. Porque isso não deixa de ser um controle, é o confiar. Por que precisa ter a certeza? Tanto que teve um espírito uma vez, um mentor, que ele disse assim na canalização, essa pessoa queria desenvolver a mediunidade. Eu já tinha falado pra ela, eu disse: "Olha, tu só consegue ir até aqui, porque se tu passar daqui, tu vai ficar perdidinha". Ou seja, ela tinha uma tendência a ter alguns transtornos. E eu disse: "Ó, até aqui tu vai, pra cima disso, não queira ir". E aí o mentor dela chegou numa canalização e disse assim: "Ela não pode, porque só falta dar um chute na bunda pra ela entender que a gente está dando os sinais pra ela, mostrando aonde ela precisa ir". E aí eu disse: "Olha, tu está recebendo esse sinal, esse sinal, isso aqui, isso aqui, todo dia". Daí eu disse: "Pois é, então só falta eles te chutar a bunda pra ti ir pra frente". Eu disse assim: "Porque tu está recebendo os sinais do que tu tem que fazer."
Eu acho que no meu caso, mesmo que visse, eu diria: "Não".
É, pois. Tu ia dizer: "Não, eu acho que eu estava-
"Ah, não, estou vendo coisas, tem que ir ao médico. Tem que tomar qualquer coisa."
Exato. Mas a maioria sim.
Mas ao mesmo tempo, vou te dar um exemplo muito bonito. Não vou referir nomes, mas a pessoa acho que também não se vai importar. Houve uma amiga minha, de quem eu gostava muito, que desencarnou, e o marido dela um dia estava em minha casa. E nós estávamos a celebrar os almoços que de vez em quando fazíamos. E na minha casa, nunca aparece, não sei em brasileiro, libolinhas, sabes o que são? É aqueles bichos assim compridos que têm quatro asas.
Sei.
Como é que vocês chamam?
A libélula.
Libélula, isso. Nós chamamos de libolinhas ou libélulas. Nunca há, nunca houve, nunca vi. E nós estávamos e de repente aparece uma, aparece duas e aparecem, eu não estou a exagerar, dezenas.
Senão, acho que ela estava ali.
E o meu amigo começa a ficar muito emocionado e ele explica, era o bicho, o inseto preferido da minha mulher.
Exato.
Na altura, nós ficamos todos muito comovidos com isso. E digo-te que depois disto nunca mais apareceu.
É, porque era um momento de acesso.
Mas aí foi muito forte, ou seja, é uma coisa muito evidente. Mas depois há esta questão do ceticismo.
Mas é que ali o que acontece, vocês estavam relaxados, não estavam esperando, acontece algo que vocês identificam, mas que a prova pelo fato de ser a libélula e tudo mais ali, fez com que vocês estivessem disponíveis a receber isso, mas poderia estar acontecendo de vários dias passar libélula e ninguém perceber, porque era uma, ou era uma forma dela estar fazendo a aproximação e não ser tão intenso.
Sim, também podia.
Porque eles fazem dias antes essas aproximações. É como se tivesse calibrando, frequência com frequência pra poder chegar e fazer o acesso completo.
Ou seja, as provas ou as mensagens às vezes estão nestas pequenas coisas e estão muitas vezes em coisas que os outros nos dizem.
Sim, as pessoas são usadas o tempo todo pra chegar a mensagem, porque às vezes essa espontaneidade do outro vai trazer a mensagem que a gente precisa.
É aquelas frases que às vezes alguém nos diz e nós ficamos: "Epa, isto faz sentido."
Exato. Porque toca, em algum grau te toca. E tudo que os mentores puderem usar pra levar pro teu caminho de evolução, pro teu entendimento, pra te trazer um conforto, eles vão trazer. Seja numa piada, seja numa brincadeira, seja numa mensagem, seja em algo que acontece que parece um desequilíbrio no caminho e na verdade, era exatamente a tua rota certa. Sempre vão trazer dessa forma.
Mas, ao mesmo tempo que nós temos esta visão, como é que está o mundo da espiritualidade hoje em dia? Nós vivemos vários períodos, por exemplo, tinhas a questão das bruxas, ou das benzedeiras, tinhas muitas mezinhas, não sei como é que vocês chamam no Brasil.
Mesã, médium.
Não, mezinhas é tipo o azeite na água, pequenos rituais. Nós chamamos mezinhas, faziam as velinhas. Depois passou pro conceito mais de médium. Hoje, está a viver-se um outro registro muito utilizado também nas redes sociais, portanto, há uma evolução da espiritualidade com os tempos.
Sim, há evolução, mas há também a mistura. Porque eu acho que hoje a gente tem de tudo, eu vou ser bem sincera do que eu vejo. Parece que virou um fast food, de achar que tu podes chamar o tempo todo, virou que eles são mais chamados do que eles vêm. Entende? Então acaba que era pro telefone tocar de lá pra cá, e está tocando mais daqui pra lá, entendeu? E qualquer um que atende do lado de lá, eles estão achando que é evolução e, na verdade, não é.
Porque é isso, porque tu hoje abres as páginas do Instagram e tu tens gente a falar com os comandantes galácticos da frota estelar, não sei da onde.
Gente, é demais.
Tens pessoas a falar com o arcanjo Gabriel, que eu não sei, ele atende muita gente. Tem gente a falar com Jesus, tem gente a falar com o Moisés, tem gente a falar com tudo que são grandes entidades. E a conseguir fazer tudo.
Mas tu sabe que eu fui atacada por conta disso daí. Por quê? Porque vieram me dizer assim: "Juliana, tu já viu seres de outros planetas", e eu já vi. Na infância, já vi, depois de adulta, eu vi, mas o que acontece? O fato de tu ver, não quer dizer que eu queira exercer contato. "Ah, mas não são evoluídos", não é isso. Eu já digo: "Gente, deixa eu entender primeiro a mente humana, que já é bem complexa", porque assim: "Ah, beleza, são seres de outros planetas". Legal, tem muitos que são bons, mas quem garante que aqueles são os mais evoluídos? Porque às vezes o estado de vibração deles é mais sutil que o nosso, só que dentro daquele estado de vibração é o mais caótico. São os mais corajosos, entende? Tipo, vamos fazer uma loucuragem aqui no planeta e entrar em contato com outro planeta. Quem garante que eles não são o zombeteiro daquele tempo? E aí onde entra o que os médiuns dizem: "Juliana, em alguns pontos tu és cética". Não é cética, eu questiono. Porque se eu, por exemplo, quisesse me comunicar com os arcturianos, eu ia ter que pegar um tempo e me dedicar só a isso pra entender os níveis de frequência e tudo mais. Gente, com quatro filhos, com a demanda que eu tenho, não vai dar. Uma encarnação é pouco.
Mas é isso que tu vês hoje em dia no Instagram.
Imagina tu confiar, Raminhos, em um ser de outro planeta. E eu não estou dizendo que é errado. Gente, se vocês se conectam, tudo bem, cada um com os seus seres. Mas tu vai confiar a tua sabedoria, a tua conexão com algo que tu não sabe. E dentro daquilo que tu sabe, ou seja, aqui o nosso corpo físico, os espíritos que são mais parecidos com o nosso, já tem uma confusão. E outras vezes a pessoa não consegue lidar dentro da sua casa, com o seu vizinho, com a sua comunidade, mas consegue se comunicar com o arcturiano. Mas vá pro outro planeta. Entende? Não consegue lidar com as coisas aqui, com um boleto pra pagar, surta. Aqui é a fatura. Com a fatura pra pagar, surta. Entende? Com o filho, surta. Não se dá bem no casamento e aí consegue uma mensagem. Entende? Pra mim, isso é incoerente, incompatível.
Eu acho que tem muito a ver com o ego da pessoa também, não?
Sim, pode ser.
Mas imagina, uma pessoa que acha que está a comunicar com o comandante de um planeta qualquer.
E não consegue se entender com o Uber Eats.
Lá está, uma pessoa por ser médium, não quer dizer que tenha uma vida organizada.
Não necessariamente.
Tu tens muitos médiuns que têm a sua vida num caos, ou não?
Assim, não deveria. Eu vou te dizer por mim, pode ter um caos ao teu redor? Sim, mas você está fazendo o quê? Depende o tipo de caos, o caos onde te prejudica muito ou o que faz tu evoluir, porque o que faz tu evoluir são coisas comuns, tipo um horário atrasado, tu ter que trabalhar umas horas a mais, mas no geral, a tua vida tem que ser harmônica, tem que ser saudável.
Porque senão, também...
Não faz sentido. Por exemplo, quando a gente vê Divaldo, Chico. Vou dar o exemplo do Chico. O Chico tinha uma série de questões ali de saúde, mas entende que o fato dele ter as questões de saúde não impedia ele de fazer um trabalho harmônico, dele se dedicar, dele fazer obras maravilhosas, porque os desafios dele eram dele, mas não geravam caos ao redor.
Ok.
Entende? E eu acho que isso, às vezes, há uma confusão. É que nem, por exemplo, as benzedeiras. Vou dar um exemplo no Brasil, não sei aqui como é que funciona, mas assim, no Brasil, as benzedeiras estão lá se doando, fazendo as orações pras pessoas. Só que a vida delas, num todo, é um caos. Elas moram numa casinha simples, a vida de todos os familiares é caótica, um tem uma perna, o outro é alcoólatra, o outro rouba, o outro isso, o outro aquilo. Então assim, acontece um caos e ela, geralmente, também é doente. Mas por quê? Porque é um excesso de doação, mas não há um equilíbrio dessa energia. Então é aquela coisa, eu vou ser o lixeiro. Eu vou pegar o lixo todo das outras pessoas, vou deixar ela mais leve, só que eu fico com oixo aqui.
E também não é, tipo o destino dessa pessoa?
Não tem o equilíbrio entre dar e receber. Eu não acredito nisso. Isso é uma das coisas que eu mais debati com o Casal, porque eu dizia pra ele assim.
O quê? O destino?
O destino da pessoa ser, ela está em um estado de conflito e de caos, porque eu acredito que todos nós somos aprendizes aqui.
Ok.
Então se nós somos aprendizes, tem que ter um caminho que seja harmônico. Não estou dizendo que todo mundo vai ser rico, não sei o quê, mas harmônico de saúde, de felicidade, de parte interna.
Obviamente, trabalhar esse caos.
Conseguir entender isso a tal ponto de ser um bálsamo, é que nem eu com o autismo. Meu filho foi diagnosticado com autismo severo, não verbal, por quatro neuropediatras.
Tu podias ter aceito só isso.
Eu podia ter olhado e dizer: "Ah!". Que é muito comum.
Que é o meu destino, porque eu já tenho esta... sim.
Exato. Novamente, entra onde muitos médiuns dizem que eu sou cética, por exemplo, pelo fato de eu ser espírita, ter trabalhado no espiritismo. Hoje eu não me denomino espírita, porque eu lido com uma espiritualidade livre, que eu acho que espiritualidade está em todos os lugares. Mas eu poderia olhar e dizer assim: "Ah, meu filho veio assim pra eu aprender algo, vamos aprender". Ou seja, não vamos em cima de desenvolver. E eu entendo que o autismo vem pra uma engrenagem familiar. Ou seja, tu não tratas só o autista, tu tratas aquele pai, aquela mãe e os irmãos. E a família num todo. Se todos eles, todas as pessoas dessa família não estiverem se desenvolvendo, o autista não vai desenvolver. Não vai. E esse é o meu filho, ele é severo, Raminhos. Tem um teste que tu fazes, que se chama TEC. Ele vai até 180. O meu filho estava entre 137 e 147. Ele chegou em 147, que foi o máximo, e 137 a última vez que a gente fez. Então assim, ele era muito severo, ele só não tinha agressividade. O que eu fiz? Eu mapeei o campo dele, fiz o que o casal me ensinou animicamente, ou seja, codifiquei o campo do meu filho, que tu já conheces como é que é minha codificação.
Mas tu já sabias que ele ia ser assim, não?
Eu sabia que ele seria diferente, por conta da vibração na gestação, mas não sabia que era autismo, porque eu não tinha tido contato.
Ok.
A minha mediunidade tem uma particularidade. Tudo que eu fui exposta pelo casal, ou pelos médicos, ou pelos psicólogos e psiquiatras, tudo que eu fui exposta, eu aprendi a codificar.
Exato, tudo aquilo que tu não conheces, não identificas.
Exato.
Sabes que tem qualquer coisa, mas não sabes o quê.
Exato. Então, por exemplo, autismo, eu nunca tinha pego nenhum caso de autismo, nunca tinha chegado até mim. E quando o Rafael veio, eu disse: "Eu sei que tem alguma coisa, mas eu não sei o quê". Então quando o médico falou autismo, aquilo fez é isso.
Como se fosse o download da informação.
Exato. E naquela hora, pra mim foi desesperador, porque eu disse assim: "Como é que eu não sei sobre isso?" E aí entra o casal, pegou e disse assim: "Porque você tem que aprender. Não vais deixar de aprender nunca". Ou seja, eu nunca vou saber todas as respostas, isso é até em atendimento. Se tem coisa que eu não sei, eu digo pra pessoa: "Olha, isso eu não sei. Talvez num próximo atendimento ou em algum momento, se eu souber, eu vou te responder, mas se eu não sei, eu falo". Então, tudo que eu sei, tudo que eu faço, tudo que eu ensino, tudo que eu explico, eu vivenciei.
Exato, já passaste por isso.
Eu pratiquei e eu codifiquei. E aí o casal sempre disse assim: "Seja uma eterna aprendiz, não deixe de estudar nunca, não deixe de aprender nunca". Por isso que eu amo conhecer história de outras pessoas, por quê? Quanto mais eu conheço, mais eu me depuro, mais eu me transformo, mais eu consigo ajudar. Mas tudo isso passa, entende, por mim. E é isso que eu acredito que é a mediunidade. A mediunidade verdadeira. A mediunidade verdadeira não pode se basear só num telefone sem fio, que hoje é sem fio. É que no nosso tempo não era. Nosso tempo não era, mas assim, não é só tipo: "Ai, eu estou me comunicando com o espírito, eles estão me dizendo isso". É disfuncional. Pode ser bom, sim, eu gosto muito de conversar com o casal e sou eternamente grata, mas eu não posso ficar dependendo deles o tempo todo.
O teu filho, o autismo é algo também muito importante na tua vida, pela questão do teu filho. Mas também porque houve essa evolução de ser severo.
Sim, hoje ele é leve, o meu filho saiu em milhares de matérias.
Mas como tu trabalhaste isso?
Primeiro, eu codifiquei o campo dele, assim como tu conheces já o formato de codificação. Eu codifiquei, eu entendi como é que era a frequência dos olhos dele, como ele via a vida. Eu vi como é que era o sistema nervoso dele, como é que ele funciona, como é que ele absorve, como é que ele expande, como é que ele adoece, que é o que está no sistema nervoso. A gente vê 33 frequências, só pra explicar pra quem não me conhece. Então assim, eu vejo dentro dessa bolha 33 cordas, dentro dessas 33 cordas, cada uma é um tema, um número, uma temperatura, uma cor, uma história, como se fosse uma TV.
Sim.
Cada uma delas. Só que tem três que vão sair no corpo físico. Uma nos olhos, então tu vais tendenciar a ver sempre daquele jeito, porque é como se fosse a tua primeira lente. Ah, quer dizer que tu não vais ver outras coisas? Vais, mas quando tiver um impulso, é essa a forma que o teu olho vê.
Sim.
E aí tem o sistema nervoso. O sistema nervoso vai passar a forma que a pessoa sente, a forma que a pessoa adoece, a forma que a pessoa expande, ganha dinheiro, faz a coisa acontecer, acontece ali. E tem a camada oculta. A camada oculta é o que a gente veio aprender, é como se fossem as provinhas, aquilo que vai ser cíclico, que a pessoa vai passar por testes. Quando eu entendi aquilo ali no meu filho, eu disse: "Ok, eu sei que ele funciona assim, então aqui está o eixo de como eu vou desenvolver ele". Em cima disso, eu comecei a fazer em mim, pra eu sentir as frequências dele. Então eu comecei a fazer testes comigo pra entender o autismo. Até conto no meu livro, eu conto como é que eu fiz esses testes. E a partir do momento que eu fiz isso, que eu entendi como ele funciona, eu só fui trabalhando da forma que ele absorvia. E como eu fui trabalhando como ele absorvia. É aquilo, é um local que tu começas a colocar informação do jeito que recebe a informação.
Mas o curioso, diz-me se estou correto ou não, tu entendeste isso tudo através da mediunidade e do plano espiritual, mas depois utilizaste a medicina também tradicional.
Tradicional.
Para trabalhar exatamente isso.
Tudo, porque eu acho que não existe.
A terapia da fala, técnicas de relacionamento.
Porque não existe sozinho.
Pois é, essa é a questão.
A espiritualidade é uma particularidade, a medicina tem que andar junto, os terapeutas têm que andar junto. Nada está fora, tudo complementa. Então o Rafael só não usou medicação e não usa até hoje. Por quê? Porque esse processo de perceber o campo dele conseguiu alterar a química do cérebro dele, mas não é todos os autistas que vão ter alteração sem precisar de medicação. Então depende o grau, depende se tem comorbidades ou não. O Rafael não tem comorbidade nenhuma associada à parte disso. Tanto que por isso que ele começou a desenvolver muito, porque eu comecei a colocar informação baseada na forma que o campo dele absorvia. Então meu filho falou nove idiomas, hoje ele não fala mais nove idiomas, mas lá atrás ele falava nove idiomas, ele tem ouvido absoluto, ele escrevia partituras. Eu ficava revoltada quando pegava música que tinha quebra de partitura ou que estava errado, cantava de um jeito, depois cantava de outro. Ele se incomodava, mas ele desenvolveu tudo isso naturalmente
E ele está numa escola, numa turma normal.
O Rafael entrou na escola e nunca fez material adaptado. E na época eles disseram: "Juliana, mas tu não quer material adaptado?" Eu disse: "Confia". Eu sentava com os professores, com a equipe da escola, e eu dizia: "O Rafael funciona assim, assim e assado". Quando eu explicava, eles faziam isso, dava certo. Aqui em Portugal aconteceu isso. O Rafael estuda aqui. Eu participo muito da escola, eu já palestrei dentro da escola do meu filho. Lá eu cheguei e eu falei como o Rafael funciona, a adaptação dele foi incrível, porque a forma que a pessoa funciona facilita o processo de entendimento pra qualquer pessoa ao redor.
Mas nem todos os casos, por exemplo, de autismo, podem ter uma melhoria, mas não quer dizer que vai ficar espetacular.
Vai ficar na melhor versão dele. E a melhor versão de cada um é aquilo que o campo tem pra abarcar. Por exemplo, já passou muitas famílias de autistas por mim. Muitos, muitos evoluíram.
Se calhar, muitos melhoraram, outros não.
Melhoraram dentro do que podiam.
Exato.
Daquele campo. Por exemplo, se tiver uma comorbidade, a gente tem um limitador dentro da própria comorbidade. Então é como se fosse chegar até um teto. Dali, depende de outros fatores e também daquela engrenagem que eu te falei.
E se calhar daí já é destino.
Pode ser uma parte, sim.
Quando tu estás a fazer tudo aquilo que é suposto e os fatores não mudam, é porque se calhar é suposto. Pronto, tu estás a fazer a tua parte.
Faz sentido. Só que, por exemplo, eu vejo o destino como se ele fosse as três camadas que eu falo, dos olhos, sistema nervoso. Então, por exemplo, tu podes ter chegado na linha de destino, ou seja, no ápice que tu tinhas daquela encarnação, em uma camada. Porque se tu chegares nas três, tu morres dormindo. Pronto, ativei um novo medo no Raminhos.
Não.
Agora ele vai dizer pra Catarina: "Serei um eterno ser imperfeito. Um ser em evolução."
Morrer a dormir deve ser das melhores coisas.
É o que eu mais desejo. Já disse pro casal, nas letras miúdas tinha que estar isso. Não quero morrer caindo de Ryanair. Não quero.
Isso é engraçado. Olha, era aquilo que nós estávamos a falar, porque tu és médium, conheces o mundo espiritual, acredito que não tenhas medo da morte.
Não, não tenho.
Mas tens medo de andar na Ryanair.
Eu tenho.
Mas por quê? Não faz sentido.
Porque gente, como que aquele avião voa e voa? Entendeu? Não cai.
Mas tu não sabes já que não vai cair.
Não, eu sei, mas eu já morri de acidente de avião, então eu tenho essa sensação. Então toda vez que eu vou entrar no avião, eu tenho medo de avião, mas eu vou.
Tu tens memórias de vidas passadas?
Sim, tenho. É uma treva.
Pois é isso, não é necessariamente bom.
Não faça regressão, não vale a pena.
Já me convidaram e eu disse sempre que não.
Não vale a pena. Entende?
Eu sou só aquela que eu falo no espetáculo.
Não vale, por quê? A gente está na melhor versão agora e nessa melhor versão a gente já tem conflito. Por que a gente vai olhar pra trás? É sempre pior. "Ai, mas eu fui um rei", mas foi ferrado. Porque senão tu continuaria rei nessa encarnação agora, ia nascer pomposo. Lascou-se. O que deu errado no caminho que veio agora pobre? Entende? Então assim, não evoluiu. Então tem todo um processo. Se tu foste muito rico no passado e agora está pagando com dívida, algo estava bem ruim.
Como é que conseguiu esta riqueza?
Pois, entende? Então é isso que eu digo. Imagina, que aí eu vou falando mesmo com os médiuns.
Eu já ouvi falar, desculpa, mas eu já ouvi falar e já li em livros que muitos médiuns eram pessoas que lidavam muito mal com a sua espiritualidade.
Não, eu não tenho dúvida. Eu, por exemplo, já devo ter sido muito bruxa, muito macumbeira, porque as galinhas me amam. É verdade, gente. Aqui em Portugal, eu vim parar num país que o símbolo tem um galo.
O Barcelos.
Pois. Por quê? Por que aqui em Portugal eles botam galinha nos parques?
Ah, pois.
Pra quê? Porque eu estou nos parques.
Onde tu vives há.
Há. É sacanagem. Eu não posso ir no parque da cidade, as galinhas pulam do cercado e andam atrás de mim.
Eu tenho que ver isso.
Não pode. Eu vou sentar, tem umas esteiras lá, eu não sei como é que vocês chamam, passadeira? Não.
Mas é pra quê? Pra sentar?
Pra sentar.
Banco, como te dizem aí?
Não é banco, mas tu deitas naquele. Espigaçadeira.
Isso.
Então assim, eu vou lá e digo: "Não tem nenhuma galinha, nada". Mas não dá 10 minutos, embaixo de mim elas estão ciscando. Tu não tens noção. Aqui em Cascais, tem um local, eu não sei o nome do local, um museu, alguma coisa, uma casa amarela, um castelo amarelo.
Sim.
Eu fui nesse local, porque minhas amigas queriam entrar lá pra ver. Eu disse: "Não, vou ficar aqui no jardim bonito, vou andar". Pra quê? Cheio de galo.
Então me mostra esse vídeo.
Tem esse vídeo nas redes sociais, os galhos nem começaram a fazer um negócio, mas literalmente vieram atrás de mim, eu tive que sair correndo do parque.
Eu tenho um amigo meu que é médium e diz que, por exemplo, em relação às vidas passadas dele, ele sente dor das mortes, que ele sentiu fisicamente dor, ou de ter levado um tiro ou qualquer coisa, que quando teve essas recordações, não foi fácil.
Sim, é horrível.
Tu tens recordação, tu sabes como é que morreste?
Eu sei, em várias.
Mas como é que isso te aparece? Por exemplo, foi em meditações?
Em gatilho. Vou dar um exemplo. Quando eu fui na Boca do Inferno, ali em Cascais, eu desmaiei. Eu estava com duas amigas, eu cheguei ali, eu passei mal. A Letícia não estava. Foi quando eu vim passear aqui. Eu fui, as minhas pernas começaram a ficar mole, eu não conseguia, porque eu tive uma vida ali e eu me joguei. E eu fui saber disso quando eu vim pra Portugal. Um psiquiatra que eu trabalhava na época, ele disse assim: "Tu tiveste uma vida em Portugal". Eu disse: "Não tive, não".
Mas por que o psiquiatra te disse isso?
Porque ele era espírita e eu trabalhava com ele. E eu trabalhava com ele, justamente atendendo muitas vezes autistas e tudo mais. Então a gente, no final de cada semana, fazia a parte voluntária, que era uma sessão mediúnica pra tratar os pacientes. Só que as famílias, obviamente que independente de crença, era atendido, mas a gente fazia pra tratar, e aí eles tinham evolução. E nesse processo das sessões mediúnicas, veio isso que eu disse pra ele: "Não, não mesmo".E eu nem tinha ideia de vir morar em Portugal e nem morar fora do Brasil. Eu nunca pensei em sair do Brasil. Mas quando eu cheguei aqui pra passear, eu me senti em casa. Tanto que não deu seis meses, eu estava morando aqui. E deu tudo certo, desde documentação, tudo. Sabe o que é tudo?
Tu tens uma vantagem, mas também tens muitas desvantagens.
Em que sentido?
Tens a vantagem de quando tens dúvidas, podes perguntar ao casal, ou eles vão te dizer: "Está bem, está tranquilo". Eu quando tenho que tomar uma decisão na minha vida, tenho que tomar por mim, não tem ninguém a dizer nada.
Mas eu dos 30 até os 36-
"Podes fazer, está tranquilo."
Mas eu dos 30 até os 36, o casal não estava comigo, estava arrumando a casa no plano espiritual pro meu trabalho, que começaria com 36. Porque ali na minha juventude, 12, 13 anos, o casal me dizia que eu ia passar por uma grande transformação na virada dos 29 pra 30. Eu dizia pra eles: "Morrer, não é?" Porque no resto, não tem nada de novo. Até por coisas que eles me mostravam.
E olha que o céu mudou.
Total, mudou completamente. Nessa época, nos 12, 13 anos, eles falavam, eu anotava e falava pra todo mundo: "Vou morrer". Na virada dos 29 pra 30, eles me mostram seis telas. Cada uma tinha uma historinha e numa tela branca, inclusive uma das telas mostrava eu morando em outro país, eu comecei a rir, eu digo: "Nunca que eu vou". E aí eu escolhi a tela em branco. E a tela em branco, quando eu escolhi, eles disseram assim: "Nossa, a gente ficou muito feliz, porque tu realmente está cumprindo a tua missão e ouviu tudo aquilo que a gente ensinou. Então tu vai ter esse benefício". Ou seja, pensei: "Pronto, serei normal, não verei mais espíritos e eu posso fazer o que eu quiser e serei ignorante no sentido de não saberei que a pessoa está pensando outra coisa e automaticamente eu não preciso ficar me justificando", porque isso acontecia muito na adolescência. Eu estava conversando com uma amiga, eu pegava o que ela estava pensando e o que ela estava pensando muitas vezes era o contrário do que ela estava falando, e eu dizia: "Mas tu não quer falar isso?" "Não." E o pensamento dela era outra coisa. Eu ficava puta.
Isso é muito difícil uma pessoa estar a conversar contigo.
Não, era horrível. Eu sofria muito.
Eu tenho que estar aqui sempre superconcentrado.
Não, mas hoje em dia eu não entro porque cansei. Eu sofri muito na adolescência fazendo isso. Muito, porque às vezes é involuntário, não é por mal que a pessoa faz isso. E a própria intimidade da pessoa, eu que entrava na intimidade. Não devia, por isso que me causou muito sofrimento. Então quando falou que ia ter essa transformação e aí tinha a tela em branco, eu digo: "É essa tela, inegociável, tela em branco, quero na caixa do nada". Que nem os homens têm a caixa do nada, eu queria. Aí resumindo, o que aconteceu? Isso foi de 18 pra 19 de março lá de 2015. Dia dois de abril de 2015, meu filho é diagnosticado com autismo. Aí eu chamo o casal. Cadê o casal? Não vinha. Daí eu pensei: "Sacanagem, agora que eu preciso, eles não vêm". Eu aprendi tudo, eu xinguei eles uns bons dias. Aí veio um outro espírito no meu quarto e disse o seguinte: "Juliana, tudo que tu precisa, o casal te ensinou. Use o que eles te ensinaram, você está usando eles como muleta. Você já tem o conhecimento pra fazer sozinha."
E aí que entra a tal história do inimigo.
Exato. E aí o que aconteceu? E esse senhor que entrou no meu quarto, ele era de uma amorosidade, de uma generosidade, uma energia que era superior à do casal. Desculpa, casal, mas vocês não estão nesse patamar. Mas assim, esse espírito, o amor que ele tinha e a forma que ele falou comigo.
Isso deve ser muito agradável sentir.
Até hoje, eu lembro desse dia e eu te digo, foi o ápice de algo que eu senti espiritual, porque eu acho que é a coisa mais incrível que eu senti a nível de vibração, porque foi muita amorosidade. E quando ele falou aquilo, ele tinha um cajado. Ele botava o cajado no meu peito e dizia assim: "Está tudo aí dentro. Você sabe o que fazer. As tuas células têm o registro de cada fragmento do que eles te ensinaram. Eles fizeram um excelente trabalho com você. Você está pronta. Faça o que tem que fazer." Naquele dia de manhã, eu peguei e comecei a mapear o Rafael. Isso foi dentro dessa escala ali de 45 dias do diagnóstico. E eu comecei a mapear o Rafael. E dos 30 até os 36, eu fiz sozinha todo o processo. Nessa escala de tempo, seis vezes o casal apareceu. E foram seis vezes que foram momentos muito difíceis, mas assim muito difíceis a ponto de eu pensar assim: "Eu não quero estar aqui". Porque eu passei por situações muito complexas dentro desse período. Então assim, eles apareceram, deram um recado, mas um recado objetivo e tchau. Entende? Só como se dissesse: "Estamos te olhando de lá, mas não vamos te dar hackzinho nenhum. Vira-te. Vai lá, a gente só vai te dizer." Tanto que eles vinham e diziam assim, como é que eles falaram numa das vezes? Foi: "Não abaixe a cabeça para isso." Porque eles têm uma técnica que toda vez que eu fico pra baixo, eles assim: "Olhe pra cima", tipo fazer isso aqui. Aí tu sai do campo da emoção e tu não consegue ficar triste. Então eu olho pra cima e já volto pra racionalizar e fazer o que tem que fazer. Então nesse período até os 36, eu fiz sozinha. Então eu já sabia antes dos 30, já fazia isso com eles.
Como se fosse o estágio.
Exato. E aí depois eu fiz sozinha, daí nos 36 eles voltam. E aí agora eu estou com 41, então eu já estou com eles de volta, mas era pra ficar mais fácil. Daí não ficou tanto.
Nunca desejaste ser normal?
Sempre. Quer dizer, até os 30, sim, no sentido de ser ignorante.
Ter uma vida sem ouvir nada, sem ver nada.
Podendo ligar o foda-se. Por exemplo, eu vou falar uma questão que muita gente coloca os médiuns como se fossem aqui acima. E eu sempre digo que eu não sou nem mínimum, nem maximum, eu sou medium. Medium no sentido deIgual a todo mundo, com uma percepção a mais, mas igual a todo mundo. E muitas vezes eu queria me vingar das coisas que pessoas faziam pra mim, ficar com raiva mesmo. Só que o que acontecia cada vez que eu queria e pensava em me vingar, no sentido de ir lá e xingar e falar uma coisa que ia pegar o ápice da pessoa, o casal dizia assim: "Olha o campo". Daí eu olhava o campo, sabia como a pessoa funcionava. Eu digo: "Tá, e daí? Não gostei também, não é bom, não está ajudando". Daí eles disseram: "Olha a idade da pessoa". Daí eu olhava a idade, 13 anos. Por exemplo, tu Raminhos tem 45, mas se tu tivesse na tua alma, no teu CD está girando 13 anos com o funcionamento que tu tem, tu não vai me entregar uma postura de alguém de 45.
Por que que isso acontece? Por que tem uma postura de 13 anos?
Porque o CD que está girando, ou seja, aquela frequência, tem uma base ainda que é infantil. É que nem uma criança, por exemplo, que tem quatro anos. Por exemplo, eu tenho 87. Eu tenho 87, sou velha, gente. Por dentro, sou velha.
Notas ser resengona.
Total. Eu faço piada de tudo. E já estou ali com o pezinho na morte, então como é que eu vou ter medo?
Eu não devo ter 45. Pode ser que eu tenha menos.
Tu tem 36.
Também não é muito diferente.
Não, não é muito, mas está na fase nem tão jovem pra fazer tanta cagada, nem tão velho pra querer me acomodar.
Exato.
Está bem ali no meio.
Sim, pode ser.
Só que e o que acontece? Toda vez que eu penso assim: "Não, agora eu vou me vingar", o casal vinha e fazia isso. Aí eu dizia: "Merda, agora que eu sei, como é que eu vou cobrar da pessoa uma postura ou achar que ela pode me dar uma resposta se ela não tem como abarcar aquilo?"
Se não tem maturidade pra isso.
Exato. Até hoje, que dia é? Dia 20 e pouco.
Não sei que dia é hoje.
Nem sei. Enfim, até hoje, na data desse podcast, eu nunca fiz macumba, nunca me vinguei, nunca fiz nada. Eu não digo nunca.
E é estranho, porque senão estás a voltar atrás também. Estás a voltar aos tempos de bruxa.
Eu não digo nunca, por quê? Porque somos um ser em evolução e eu sempre digo pro casal. Eu não digo nunca, mas até hoje nunca fiz. Mas por conta disso, por saber. É aquilo, quando a gente sabe, não tem como desver. Então não tem como tu pegar e fazer algo se tu sabe a consequência daquilo.
Já passamos da hora, mas isto se ficar aqui a falar. Tens alguma coisa pra fazer a seguir?
Eu não. Eu estou livre. Posso ficar aqui até às 17h.
Ou então fazemos o resto por comunicação. Tu estavas a falar, isso é uma curiosidade minha. Estavas a falar que foste a esse palácio em Cascais. Tu vês pessoas paradas no tempo?
O tempo todo. Aqui em Portugal mesmo.
Aqui deve ter muito.
Gente, muito.
E nesse palácio onde tu estavas era tranquilo?
Não. O mesmo tempo lá estava rolando com o aqui atual.
E como é que funciona? As pessoas ficam presas como se fosse um disco riscado, nas mesmas ações, ou vivem como se nunca tivessem morrido e estão presas naquele tempo?
Elas estão vivendo como se tivessem vivendo naquele tempo. É como se a linha de tempo ali tivesse parado, entende?
E por que não evoluem? Porque não querem, não têm noção?
Porque não têm noção, porque às vezes é um período de depuração, aquilo pode ficar até como um processo de sonho pra elas, como uma forma de ir lapidando traumas que estavam naquela encarnação, naquele processo.
Essa é a parte que ainda me custa compreender, por exemplo, uma entidade que fica com 500, 600 anos, por que não evolui? Se de novo os guias não conseguem ver os guias dela, não quer. Pode ser muita coisa.
Não quer, não consegue.
É nesse sentido que eu digo que é mais espiritual. Ou seja, na realidade, é como nós aqui. Se eu te tiver a dar aqui uma opinião: "Olha, eu acho que tu devias fazer isto. Anda comigo." E se tu disser: "Epá, não quero".
Eles não vão.
Tu não vais.
Muitas vezes eles não conseguem nos ver.
Pois, porque não estão na mesma frequência.
Até porque não estão na mesma frequência.
Tu ias dizer uma vez uma.
Tem uma casa ali em Guimarães que eu disse pro meu marido: "Eu queria muito comprar esse local". Queria muito, só que não tenho dinheiro pra comprar aquele local. A não ser que eu fizer muitos shows aqui em Portugal e tal, e vocês me ajudam, eu compro, e aí eu levo vocês lá pra fazer uma visita espiritual, entende? Mas esse local, eu vejo uma senhora no jardim. E quando eu passo caminhando, eu sempre digo assim: "Eu vou comprar esse local". Ela diz: "Não vai". Daí eu digo: "Se eu tiver dinheiro, eu vou sim". E ela diz: "Não vai". Sempre me xinga, porque diz que eu não vou comprar. Daí eu digo: "Eu vou comprar. E eu vou comprar contigo junto. Eu vou tratar e tu vai cuidar do jardim". É bom que se os espíritos vier, ela vai mandar todo mundo embora e vai dizer que não entra. Daí eu digo: "Não entra mesmo, vou fazer amizade com ela. Quando eu fizer amizade com ela, eu compro a casa. Mas tem que fazer amizade, até agora ela só me xinga".
Possivelmente, sim. Faz sentido.
Pois.
Se calhar é ela que está a impedir que alguém compre aquilo.
Com certeza, ela deve assombrar, mas eu vejo, não estou nem aí. A casa vai ser minha. O bom é que eu olho e digo assim: "Ah, reserva de capital". Isso é ótimo.
Tu achas que alguma vez a espiritualidade e a ciência vão se aproximar?
É polêmico o que eu vou te falar, mas eu acho que ao mesmo tempo que elas podem se aproximar, tem que ter um cuidado no aproximar.
Pois.
Aí vai parecer polêmico. Por quê? Porque eu acho que se colocar demais junto as duas coisas, a gente pode ter muita falha. Te falo pela experiência, por exemplo, eu. Se eu vou fazer uma cirurgia, eu vou procurar normalmente médicos céticosCarniceiro, que só vê como um corpo, mais nada. Te abre ali.
Completamente técnico.
Totalmente. Depois ele diz assim: "Não acredito em nada do que tu falas". Aí eu digo: "Goste-te". É isso aí, mesmo, concordo. Por quê? Porque ele vai me olhar como uma carniça. Porque aí a espiritualidade age nele, porque ele confia tanto nele, que a espiritualidade vai ter facilidade em intuir, em fazer o processo sutil.
E ele assume teu.
Exato. A espiritualidade não quer mérito, a espiritualidade não quer pompa, como a gente muitas vezes quer aqui. "Ah, eu quero ser reconhecido, eu quero ser famoso, eu quero ser isso." A espiritualidade não pede isso. Ela pede que você cumpra sua função da melhor forma que tu puder, despertando o teu melhor. Então, um médico que muitas vezes está ali inteiro, vai fazer mais do que um que, por exemplo, acredita muito no espiritual. Os médicos vão me matar, os que trabalham comigo, que são espíritas. Mas se eles vão pra uma cirurgia e a pessoa tem uma parada, vai dizer: "Oh, talvez já era a hora. Quem sabe? Pode ser que já é o momento. Vamos chamar uma, duas, três. Na terceira não veio, pra que bater na porta quatro, cinco? Chega!"
Porque se ela está do outro lado. "Vai, vai mais uma."
Exato. "Vai, não, só mais um pouco, confia." Não, já deu o tempo. Entende? Então, eu acredito que a espiritualidade tem que andar, espiritualidade e ciência, separadas, porém perfeitas dentro dos seus aspectos. Medicina com a medicina, confrontando a espiritualidade, e a espiritualidade trazendo pra medicina o que falta.
Só que pode acontecer a mesma coisa, é o ego que se mete aí no meio, de um lado e de outro.
Se os médicos, se a medicina fosse 100% pura e a espiritualidade 100% pura, a gente tem duas forças inteiras. Se a gente quiser 50% de cada uma, a gente vai ter um probleminha aí. Então, nesse ponto, e pela experiência que eu tenho trabalhando ali, eu acho que a gente tem que ter cada um no seu quadrado. E olha que por muito tempo, Raminhos, eu quis, desejei que fosse junto.
Mas sentiste na pele que não funciona.
Mas depois eu fiz cirurgias. Aí eu digo: "Epa, não, não dá não." Entendeu? Então tem coisas que eu acho que têm que ser no seu devido lugar.
Tu estás cá em Portugal, és muito seguida na internet, no Instagram, basta procurarem por Julie Lancermaier, vai aparecer. Tu tens um livro, tu queres falar do teu livro? Não.
O de autismo eu vou lançar aqui em Portugal também, em breve.
Já tens noção ou não tens noção?
A gente tá em negociação com uma editora.
O casal não te disse nada? Não disse quando é que é?
É que eles disseram que eu tenho que terminar pra entregar. Eu tô ali, na lida. Mas é esse ano. Então editoras de Portugal, esse ano tem que lançar em outubro, novembro. Tá aí.
Tens as cartas terapêuticas, que são muito bonitas. Quem é que fez os desenhos?
Eu.
Foi o ChatGPT?
Não, foi a Freepik. Freepik, espírito soprando e eu escrevendo junto, tudo um trabalho em conjunto.
Essas cartas terapêuticas são novas. Novas no sentido, tu tinhas outro desenho ou sempre foi este desenho?
Não, o que acontece? Como eu faço as canalizações, eu sou impressiva.
Não é tarô.
Não tem nada a ver com tarô, são cartas terapêuticas mesmo.
Na realidade, isto é algo que é usado pela psicologia.
Exato. O intuito dessas cartas era pra ser usado onde? Em consultórios médicos, de psicólogos, com professores, com a gente no dia a dia. Então, o meu intuito, essas imagens, a forma que está ali, é como o casal me mostrava muitas vezes cada uma das imagens. Então tudo que está ali, foi uma tradução de telas mentais, que eles mostravam. Qual foi o intuito de fazer? Eu queria trazer dentro da canalização sempre uma mensagem final, porque embora eu estou tratando o campo energético e espiritual da pessoa, falta aquela coisa que elas possam levar com elas, porque tem pessoas que entendem, têm consciência do tratamento e tem outras pessoas que dizem: "Ah, mas eu queria sentir algo", e nem todo mundo vai sentir. Então eu quis trazer as cartas como um complemento e também como um processo terapêutico diário pra pessoa. Então todo dia ela vem e tira uma carta. Dentro do livreto aqui, ele vai ter mensagem, vai ter uma orientação, então a pessoa tira isso e faz o seu processo de autoconhecimento, de reflexão.
Tem, por exemplo, esta: hidrate-se.
Beba água, depois não sabe por que a cabeça está cheia de merdas, porque o corpo é inteligente, ele vai buscar água onde? No intestino grosso, se a pessoa não toma água. Aí intoxica, intoxicou.
E tens aqui no hidrate-- agora não sei qual é que era, sabes o número de cor da carta?
Não tem número de propósito.
Ah, não tem! Ou seja, nem todas estão aqui.
Isso foi uma coisa que perguntaram: "Por que tu não botou número?" Na edição especial em dezembro, eu já vou ter lançado mais dois tipos de cartas. Mais dois baralhos diferentes, então vai ter na edição especial de dezembro, vai ter o box com elas numeradas. Mas por quê? Porque é o processo psicológico. Então tem pessoas que vão tirar a carta aqui, tem pessoas que vão só querer abrir o livro, andar com o livrinho e abrir em página aleatória.
Ou seja, eu também posso fazer isso.
Exato.
É interessante. Está aqui o hidrate-se. Palavra-chave: vitalidade e cuidado. Mensagem terapeuta: hidrate-se é um lembrete de cuidar do corpo é essencial pra manter energia, equilíbrio e bem-estar. Sugestão de uso das tiragens quando aparecer hidrate-se indica que é momento de cuidar do seu corpo e das necessidades básicas. Reserve momentos pra beber água regularmente. Ou seja, não é nada místico. Exato, é isso. Ou seja, lá está, a espiritualidade está nos pormenores.
E a espiritualidade não tem que ter uma religião.
Pois.
Porque a espiritualidade é parte de nós, nós somos corpo, mente e espírito.
A religião é do homem.
Exato.
Espiritualidade é do universo.
Exato. E eu acho que quando a gente se abre pra olhar alémDo estereótipo, além da religião. Eu gosto de todas as religiões, não consigo escolher uma única. Por isso que eu digo que a pessoa entra no meu Instagram curiosa e sai confusa, porque se pegar um dia de canalização, ela vai ver que eu uso música evangélica. Aí vai dizer: "Mas o que está acontecendo?"
E depois sertanejo.
E depois sertanejo. Vou responder uma caixinha com o quê? A pessoa me pergunta de relacionamento, eu boto um sertanejo e digo: "Gente, é isso aí". Eu sou eclética.
Para terminarmos, isto foi o ChatGPT. Sabes que eu utilizo muito para as entrevistas. Eu coloco o tema, a pessoa, ele dá uma data de perguntas e depois eu trabalho as minhas perguntas a partir dessas. É interessante, acaba por ser uma mistura e se calhar não é só o ChatGPT que está do outro lado.
Não, teve um cantor que eu atendo, que disse assim: "Juliana, tu não achas que a IA vai substituir os médiuns?" Daí eu digo: "Não". Ele: "Tens certeza?" Daí eu digo: "A IA não é tão confusa. Está de fora, não é? A gente é um pouco mais."
É engraçado, às vezes traz perguntas interessantes e depois eu trabalho-as a partir daí ou surgem outras, mas esta eu achei interessante, foi uma das que ficou aqui: qual a pergunta que nunca te fizeram e gostarias de responder?
Sabe que eu não sei?
Pois.
Eu sou movida a gatilho, eu sou movida a perguntas. Não sei. O que nunca me perguntaram é se eu queria ser outra pessoa, não sendo a mediunidade.
Eu ia-te perguntar quem gostarias de ser tu se não fosses a mulher que és hoje.
Essa é uma pergunta que eu já me fiz, que o casal já me fez, e eu disse: "Eu não consigo me imaginar". Tanto que quando eu vou fazer, por exemplo, reuniões com a minha equipe de trabalho, eles dizem assim: "Juliana, quem tu tiras como referência?" Eu disse: "Eu não consigo olhar". E não é porque eu estou descredibilizando ninguém, mas é porque eu acho que essa questão com o casal me trouxe uma coisa de querer ser só eu. E eu, por muito tempo, Raminhos, até os 36, eu fui sombra de muitas pessoas. Eu trabalhei nos bastidores, eu não me mostrava, e eu cresci ouvindo que eu não podia me mostrar, que não iam me aceitar. Então foi dos 36 em diante que eu disse assim: "Chega, eu não quero mais ser sombra". Eu cheguei a trabalhar com 35 médicos em off. Entendeu? Médicos, fora psicólogos, fora terapeutas, fora empresários. Eu estava sempre nos bastidores e quando eu resolvi trazer a público, sabe o que eu ouvi? "Se você trouxer a público que trabalhou com nós, a gente vai negar que te conhece, a tua história". Para mim foi a morte. E foi onde eu tive que assinar um termo de sigilo. Assinei tranquilamente, só que naquele dia eu disse: "Eu só quero ser quem eu sou e eu quero ser inteira". Então eu acho que se eu fosse querer ser algo, é poder ser exatamente quem eu sou sem precisar agradar. Até um médium. Eu não quero ter aquele estereótipo de médium, o místico, perfeição. Não quero ser vista como alguém perfeito, eu quero ser vista como alguém divertida, engraçada, que fala de espiritualidade de uma maneira natural.
Senão não podes ir ao fogo de chão.
Pois, se me disser que não é para comer carne, eu vou dizer-
Não podes comer carne
Já me disseram que não pode comer carne, eu digo: "E carne é para terrar, carne te aterra, tu trazes a pessoa para a Terra de volta". Eu adoro. Está louco se eu não comer carne. Eu já vim para cá nas letras miúdas, eu vim só para comer. O resto eu podia estar fazendo no plano espiritual. Eu quero poder estar aqui sendo eu. Principalmente depois que eu vim para Portugal, porque aqui eu não fui fragmentos como eu fui no Brasil. No Brasil, muita gente me conheceu como modelo, como influenciadora digital, como esposa do presidente da OAB. Me conheceram como a mãe do Rafael, menino autista. Me conheceram de várias formas, além do médium, que era bastidor, e que as pessoas sabiam por indicação e chegavam para mim por indicação, como acontece muito hoje. Aqui em Portugal eu já cheguei chutando a porta. Eu sou eu. Então eu acho que desde a primeira palestra que eu fiz pública aqui, já fui eu 100%. E eu acho que isso me trouxe muita tranquilidade e eu me senti muito acolhida. E é isso que eu quero continuar. E no Brasil eu continuo fazendo isso, mas ainda tem uma divisão de público lá, porque me conhecem de várias formas.
Sim, já te conhecem de outras formas.
Aqui já não, aqui eu já sou euzinha mesmo, 100%.
Olha, Juli, muito obrigado por esta conversa. Eu diverti-me, eu gostei imenso. Muito obrigado.
Imenso.
Quanto a vocês que estão desse lado, muito obrigado por gostarem também. E já sabem, se assistem no YouTube, venham aos comentários dizer o que acharam desta conversa, as vossas próprias experiências. Sai todas as quartas-feiras um episódio novo com um convidado. Seis da manhã, Spotify, iTunes, Castbox, meio-dia no YouTube. E quem sabe, se a Juli não volta outro dia para outra conversa, se calhar com perguntas vossas, não sei. Estou a atirar para o ar.
Adoro.
Mas podia ser interessante.
A gente podia, Raminhos. Primeiro, eu acho que a gente ainda devia fazer uma gravação para a Ryanair. Tu tens medo de morrer, se eu estiver dentro do avião, não vai cair.
Mas aí tem que pagar.
Não, tem que pagar. A gente patrocina. E a gente tem que fazer alguma coisa ainda ligada à morte.
Eu já estou fazendo um, estou fazendo uma jornada.
Tu já estás a fazer. Quando eu fizer o meu, a gente depois une um para responder perguntas. Tu questionas, eu respondo, acho que seria divertido.
Olha, não é má ideia. Digam o que vocês acham nos comentários. Muito obrigado, malta, e até para a semana. Quando falo, descubro mais sobre mim e quando escuto, compreendo mais os outros. Mas quer abra a boca ou preste atenção, tenho cada vez mais a certeza de que somos todos malucos.