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Olá, sejam bem-vindos a mais um episódio de "Terapia de Casal". O meu nome é Guilherme Fonseca, comigo está a minha esposa, e vamos ver se ainda é no fim deste episódio, Rita Danova.

Podes dizer isso de todos, não é?

Sim, é verdade. Mas este particularmente, porque vamos ter aconselhamento jurídico.

Agora é que isto acaba.

Imagina que daqui a meia hora nós já percebemos que é melhor estarmos separados.

Não, eu já percebi que é melhor estarmos... Calma, atenção, eu não venho aqui para atacar, mas já percebemos que é melhor estarmos separados.

Sim. Neste momento, as nossas convidadas estão naquele momento em que não sabem se falam já, porque não foram ainda apresentadas. Eu vou apresentar. Nós temos conosco duas advogadas, duas influencers de direito.

Influencers de direito, adoro.

Influencers de direito e pessoas a quem eu vou ligar quando um dia eu fizer pouco de um cantor e ele não gostar. Olá, são a Espão de Ló, Inês Rogeiro e Luísa Teixeira da Mota. Obrigado por terem vindo.

Olá. Obrigada nós.

Sou muito fã de vocês.

Nós vamos responder sempre em coro.

Exato.

Por favor, é o que eu espero de vocês. E se desafinarem, são vocês com quem eu vou brigar.

Precisamente. Espero que isso não faça aquele eco louco. Vocês já sabem, depois.

Sim. E depois eu pergunto assim: "Então e o wow?". Não. Obrigado por terem vindo. Eu e a Rita, muitas vezes neste episódio, sendo um podcast em que nós falamos do nosso casamento, ameaçamos e brincamos muitas vezes que vamos nos separar.

Espera.

Estamos sempre a brincar com isso.

Não, não é isso.

Não era essa parte.

Não é essa parte. "Estão comigo e minha esposa que..." Não, não temos nada hoje.

Ai, queria dizer uma coisa.

Não temos um nininho.

Posso fazer. Eu tinha um apontado para outro episódio, então vou fazer este. Temos cá convidadas, agora vai sair.

Tu que sabes.

Comigo está a minha esposa, Rita Danova, pessoa que no outro dia passou ao lado de um parque infantil onde estavam umas crianças a brincar aos berros e ela entre dentes fez: " ".

Não foi assim, foi mais baixinho. Mas deixei o pensamento intrusivo vencer, na verdade, porque estava muito alto, como estávamos a dizer.

Mas tu achas que isso está ao nível de eu dar um pontapézinho debaixo da mesa a um gato vosso que passe aqui?

O pontapé se calhar é ligeiramente mais.

Não era pontapé.

Foi só um empurrão. Por acaso é giro, agora descobrimos que elas estavam a dar pontapés.

Exato. Estava a esmagar um gato. Não, eu gosto muito dos gatinhos.

Mas pronto, sim, deixei o pensamento intrusivo vencer. Normalmente eu controlo, mas nesse dia eles estavam muito altos.

Pois.

Eu estava a tentar conversar.

Mas isso é completamente relatable.

Pois, eu percebo que vocês acendem mais.

Também temos que mandar esses " ". Nós até perdemos a empatia nessas situações. Nós estamos sempre tipo assim: "Mandem calar os nossos filhos também".

Sim, é para não sermos nós sempre as más da fita. Mandem também pessoas fora.

Calem-se todos.

Se calhar estava uma mãe perto do parque infantil onde tu fizeste "shiu" e ela pensou: "Finalmente alguém manda calar". Eles a mim não me ouvem, eu sou a mãe.

Exato. A mim também era a ouvir, foi entre dentes, mas sim.

Vou vos fazer a primeira pergunta que é diretamente relacionada com o nosso podcast, que é: em caso de divórcio meu e da Rita, nós estamos sempre a ameaçar que este podcast vai acabar um dia, se nós nos separarmos. Em caso de divórcio, as coisas que nós dissemos neste podcast ao longo do tempo podem ser usadas contra nós?

Podem. Nós temos que íamos responder a tudo. No fundo, tudo o que é dito, gravado, em locais públicos, vocês podem usar isso. Agora, para que efeito é que vão usar? Mas este podcast é público, está acessível no Spotify.

Está.

Em todas as plataformas habituais, e portanto, em caso de divórcio, se estiverem a lavar roupa suja, depois um de vocês pode ir buscar aquele episódio em que a Rita confessou que não gostava daquele gato e é por isso que tu vais ficar com o gato.

Isso é excelente.

Não, eu estou a pensar em coisas.

Eu estou a pensar em todas as coisas que nós dissemos neste podcast. É que são muitos episódios, nós vamos no episódio 280, com mais 10 feitos durante a pandemia, em que tu falaste de uma forma que eu vou usar de certeza em tribunal.

Eu não estava bem, ninguém estava bem nessa altura. Não sei se vocês ainda têm presente como é que estavam, mas ninguém estava bem. Eu chorei mesmo, eu estava mesmo desesperada.

Eu disse: "Eu estou tão farto de ti".

"Eu estou tão farto de ti, eu já não estou bem". Mas foi a primeira e única vez que eu falei sério aqui, que já não te aguento. Ainda tenho que vir gravar esta porcaria contigo, já não estou a aguentar.

Mas vocês têm sempre a defesa, se algum usar uma coisa contra o outro, sempre têm a defesa de "não, isto é um podcast de humor, portanto são declarações que não são sérias, nós estamos a brincar, isto não é tudo real".

Eu por um simples não vou apagar todos os episódios.

Achei que ias transcrever todos.

Enfim, ouvir todos.

Ouvir todos e preparar já um dossiê.

E já tirar clipes.

Ou ao meio do episódio estamos a gravar e tu dizes qualquer coisa e eu começo: "Ah, é? Está bem." E começar a apontar num caderninho.

Diz lá melhor, diz lá mais o que estás a dizer.

Mas mesmo para os casais que não têm podcasts, isso serve.

Que hoje em dia já são poucos, na verdade.

São poucos. Acho que só três ou quatro. Mas isso é verdade para todos os casais, ou seja, tudo o que tu dizes em público que esteja gravado, pode ser usado a qualquer altura, é isso?

Sim, podes ir buscar e sei lá, o marido disse que foi à televisão falar sobre não sei o quê e disse qualquer coisa. E é uma coisa que é contraditória ao interesse dele num processo que eventualmente ele tenha no futuro, ela pode ser usada.

Espetacular. E conversas de WhatsApp?

Também.

Como é que funciona? Também serve?

Já juntaram muitas vezes em processos. Também podes usar conversas em que tu participas.

Essas podes usar.

Foi por causa de um processo judicial que eu aprendi aquela coisa do exportar conversa do WhatsApp.

Que eu não sei como é que se faz.

Pois, eu também não sei.

Explica-me.

Dá para dar jeito, não é?

Mas acho que quando tu exportas, tu podes manipular. Eu acho muito mais fidedigno fazer prints

Sabes o que podias fazer quando fazes print? Tirar o nome da pessoa que está gravado para aparecer o número.

Exatamente, sim, também faço sempre isso, porque senão tu podes gravar, podes manipular e muita coisa.

Senão podes gravar e pôr o número da Inês a dizer "Alberto, manda uma mensagem a não sei quem" para não sei onde e a ameaçar-me. Depois olhem, o Alberto.

O Alberto disse que me ia bater. Quer dizer, por cima combinámos um jantar, mas aqui este Alberto.

Por cima pedi-lhe para me dizer que me ia bater. Mas já não é o caso com aquele típico print screen de conversas de outras pessoas que mandam para ti, tu tens que estar envolvida na conversa para ser...

Não necessariamente. Mas eu acho que tu, conversas com terceiros em que tu não participaste e uma conversa privada que foi parar, sim, tem outras implicações.

É mais discutível.

É mais discutível.

Depois aquilo vai ser sempre avaliado por um juiz livremente, ou seja, aquilo não vai ser automático. Disseste aquilo, está provado aquilo. Em princípio, vais ter que conjugar com o resto da prova que se fizer sobre esse assunto.

E agora o WhatsApp também dá para fazer edit. Uma pessoa pode ir lá.

Mas não dá para sempre. Tens uns 10 ou 15 minutos para editar a mensagem. Não podes ir atrás uma mensagem de há dois anos e editá-la.

Isso matou aquela coisa do asterisco e depois corrigires o erro ortográfico que fizeste. Matou.

É verdade. E eu acho que não devia dar para editar quando as pessoas já fizeram, imagina, estás num grupo, dizes uma coisa, e as pessoas já fizeram coraçõezinhos, e depois tu mudas para uma coisa chocante.

Imagina que eu digo assim: "Hoje jantar às 20:00". Toda a gente dá like e depois eu mudo para: "Odeio esta minoria". E as pessoas estão a dar like naquilo.

Quem é racista, faça like.

Quem é racista, põe um coração. Isso é muito giro. Está aqui uma ideia para os grupos de amigos.

Sim, só para se meterem com os vossos grupos. Ou, sei lá, no futuro, para incriminarem o vosso marido ou a vossa mulher de qualquer coisa.

Sim, isso é giro.

Eu estou só a querer lançar o pânico.

Sim, isso é giro. Incriminar o nosso marido.

Não, isso é excelente. Nós estamos sempre a dizer, e isso é a tagline do nosso podcast, é que este podcast vai acabar com o meu casamento e com a Rita, com o nosso casamento. Mas não quer dizer que não acabemos também com o das outras pessoas. Estamos sempre a tentar.

Se pelo caminho conseguirmos acabar com outros, para mim está ótimo.

É para isso que serve a terapia.

Exato. E na verdade, nós aqui só estamos a ter ideias de como fazer as coisas melhor.

Pronto, se pudermos mexer botões nisso.

Exato.

Por falar em coisas que nós dizemos e que podem ser usadas contra nós, saltando do podcast e das mensagens, em jantares, e não só, no podcast a Sal também já disse, mas em jantares, a Rita-

E digo muitas vezes, na verdade.

Está sempre a dizer.

Eu não vou mentir aqui e dizer que não digo.

Estás a assumir.

Porque eu digo.

Pronto. A Rita está sempre a dizer: "Quando ele morrer, a casa fica paga. Quando ele morrer, a casa fica paga. E se eu morrer, vocês ficavam com a casa paga". Se eu morrer, a minha família eventualmente pode usar isso contra a Rita, esta frase específica.

Se morreres de uma forma super suspeita.

Pois, tem que ser suspeita.

Não, é porque há dois-

Se há causas naturais...

"Isto terá causas naturais?" Pode ter muitas aspas. Eu quero logo uma autópsia. Henrique, se estás a ouvir isso, este é o meu irmão. Henrique, se estás a ouvir, eu quero autópsias.

É o único a saber o nome, com o podcast, mas sei que ele está a dizer.

Rita, vou te alertar de uma coisa que se calhar tu já sabes. É que os seguros têm umas causas de exclusão. Imagina, vocês são os dois beneficiários do seguro. Um de vocês morre, a vossa casa fica paga. Mas se tu matares o Guilherme, isso não se aplica. É uma causa de exclusão nos seguros.

Pois, tens que fazer bem feito.

Tens que fazer muito bem feito.

Tenho de...

Esconder bem todas as provas.

Não, tenho que pôr mais gordura na comida, isto vai ser um crime lento.

Sabes que na faculdade, o que o nosso professor de Direito Penal dizia era que uma forma boa para matar os maridos é pôr vidros moídos na sopa durante muitos dias seguidos e ao fim de um mês a pessoa morre.

A pessoa vai à casa de banho e faz um copo. Começa tudo aí.

É uma aula de cerâmica ao contrário, está tudo bem.

Era o exemplo que ele dava sempre.

Tem que ser uma coisa do gênero. Não pode ser nada que eu possa ser incriminada.

Pois, eu tenho que começar a cozinhar mais.

Tenho que ser eu, pronto, ponho mais. Agora ponho uma batelada de manteiga, tu não percebes. Pronto.

O Guilherme a dizer assim: "Rita, é a terceira vez este mês que compramos copos, o que é que estão a acontecer aos nossos copos?"

Não, mas sabes que é muito engraçado, porque associas normalmente esse tipo de crimes a mulheres. Esses crimes mais extremos.

As mulheres lá dão um veneno, os homens é mesmo à porrada.

Sim.

Pois, é pegar em qualquer coisa que esteja à mão e dar.

É tiros, porrada. Pronto, os homens é mais...

Exato. Nós somos mais inteligentes.

Sim.

Somos mais simples, no fundo.

Mais básicos, eu acho que a palavra é mesmo essa.

Tenho que arranjar uma maneira dessas.

Ou será porque a mulher está sempre na cozinha?

Pois.

Pois.

Triste.

Temos que trabalhar com o que temos, com o que conhecemos. Porque não dá para problemas cardíacos, não vai dar. Não te posso stressar. Tens bradycardia.

Pois, eu tenho bradycardia, portanto, não dá. Mas o meu pai morreu de ataque cardíaco. Se eu morresse com ataque cardíaco...

Era suspeito. Ias ver os teus eletrocardiogramas, então tinhas sempre sido bradycardio.

Bradycardio é um grande nome.

E agora tinhas um problema assim de coração, alguém te irritou.

E tu à noite pegavas sempre um susto.

Exato.

Sim, começar a stressar assim com pequenas...

Iam ver os registros do teu Apple Watch. "Não, ele sempre teve o batimento cardíaco muito baixinho".

É 52, e agora de repente...

Agora, de repente, um ataque cardíaco, não dá.

Pois é, é verdade.

Eu já estou a pensar nas coisas.

Mas por falar em porrada, vamos andar aos quatro apoios. Não, estou a brincar. Por falar em porrada, a Rita está sempre cheia de nódoas negras. Sempre.

Eu sou tinha nódoas negras.

A Inês padece disso também.

É impressionante, porque a Rita vai contra coisas, a levantar-se, deixa cair não sei o quê no pé.

Não te acontecem umas que tu não sabes como é que fizeste?

Todas.

Todas.

E especialmente nas pernas. Eu mostrei uma vez à Luísa, ela disse: "Isso é um kink que tu tens." Mas é chocante. Eu sou muito branca também. Tu não és tão branca como eu. Mas eu sou muito branca e fazem-me assim, eu fico uma...

A Rita vai muito contra coisas, às vezes é os cotovelos em ombreiras de porta.

Sim, Guilherme.

Estou só a dizer.

A Rita vai muito contra coisas.

Exatamente.

No outro dia foi contra a minha mão fechada.

Sete vezes.

Eu estava a contar moedas com o punho fechado. Não, mas era isso que eu vos queria perguntar, que é: eu posso ser acusado de violência doméstica de alguma forma, dado que a Rita está sempre constantemente cheia de...

Imagina se a Rita vai fazer uma queixa, a dizer que é vítima de violência doméstica, e depois junta fotografias cheia de nódoas negras Isso pode ajudar a criar uma convicção que não quer dizer que isso automaticamente te acuse e depois te condene.

Mas ajuda muito à causa dela.

Mas no fundo é uma das provas que ela vai ter contra ti.

Não é suficiente, mas às vezes quando estou aqui em casa sozinha, berro um bocadinho. Então não vá, foi só para juntar. Põe isso no chão, só para ajudar.

E ela vai mandando imensas mensagens às amigas. As amigas dela não gostam de ti, porque ela está sempre a mandar mensagens. "Ele bateu-me outra vez ontem". Mas pronto, coitado, ele está cansado.

O wi-fi está perdido.

Ele tem uma péssima pontaria. Ele quer me dar um murro e acertou-me na coxa outra vez.

Exato.

E é por isso que eu estou com a coxa... Mas é que ainda por cima, sendo um crime público.

Exato.

A Rita sai de casa, imagina, vai de calções, está com nódoas negras nas canelas.

O vizinho aqui de cima ia à polícia e dizia: "Olha, eu acho que a minha vizinha de baixo..."

Ela está constantemente com nódoas negras.

Qualquer pessoa pode ir ao Ministério Público dizer: "Eu desconfio que aquela pessoa é vítima de violência doméstica". E depois, dependendo desta desconfiança, porque não é só dizer, o Ministério Público decide se vai ou não abrir o inquérito, se há fundadas suspeitas para investigar, depois investiga. E acho que andar aí a concluir, não, isto foi mais uma tentativa da Rita lixar o Guilherme.

A Rita está sempre nisto, pá, fogo. Antes era atirar os copos, agora é as nódoas negras. O que se passa com esta mulher?

Sim, ela estava a partir copos, a gritar, não sei o que se passou. Depois fez uma sopa e passou-lhe.

Imagina tu pores CCTV em casa e as coisas que a Rita faz quando está sozinha, tipo partir copos, tar ao chão sozinha. A câmara dos gatos, por acaso não temos, mas podíamos ter. Mas por falar em loucuras, há um comportamento do Guilherme que me faz muita confusão. E já convidámos a Luana Dubay uma vez para falar sobre isso.

Pois foi, foi nossa convidada sobre esse tema.

Nós somos muito fãs da Luana, vamos concordar com tudo o que ela disser.

Já não me lembro o que ela disse. Ela tentou ser um bocadinho pacificadora, tentou que o Guilherme mudasse um bocadinho o comportamento, mas que eu também tentasse me comportar um bocadinho como o Guilherme. Mas a verdade é, o Guilherme anda sempre nu em casa. Não anda sempre, agora está vestido, que vocês estão aqui.

Por acaso, para que estragar? Era giro ela estar desconfortável desde o início.

Mas ele adora andar nu em casa, uma coisa, vai à janela nu, está nu, passa nu.

Só para fazer aqui um pequeno parêntesis, até porque isto é importante para o nosso dossiê, que é: eu não estou 100% nu. Ou seja, quando vou tomar banho, ando nu pela casa. Mas o que eu normalmente faço é andar ou só de boxers ou de boxers e com uma camisola daquelas de alças de NBA. Ou seja, isto é a minha roupa para andar em casa.

Ou tipo sem boxers, mas com uma t-shirt.

Exato.

Também já aconteceu.

Sem nada, mas só com um topzinho.

Eu chamo a isso o Winnie the Pooh.

Exato.

É o meu look Winnie the Pooh.

Mas anda muitas vezes nu. E às vezes abre a porta, não nu, mas de boxers às pessoas, e eu fico sempre um bocadinho desconfortável.

Mas a que pessoa?

Tipo o senhor dos correios.

O senhor dos correios que nós já conhecemos, que é o senhor Orlando, um grande abraço para ele, já nos conhece. Mas pode ir até entregadores do Uber. Pedimos jantar, eu estou só de boxers e abre a porta.

Bem, isso é super engraçado. Eu vou-me quase calçar se me toca a pessoa do Uber.

Maquilhar.

Maquilhar. Vou pôr um chapéu.

Vou fazer uma mise antes de abrir a porta.

Espera, deixa-me só secar aqui o cabelo.

Vai tu calçado, não me puxes o lanche agora.

Isso não é crime.

Não é crime.

E especialmente se estás de boxers. Se estivesses completamente nu, eventualmente poderia estar em causa um crime de, como é que se chama as pessoas?

Atos exibicionistas.

Atos exibicionistas e tudo mais. Mas tinha que ser essa a tua intenção. Se tu estás sozinho, tu estás na tua casa. Chilling. E vou abrir a porta, eu não quero importunar sexualmente aquela pessoa. Eu só vou abrir a porta calmamente.

Aquilo que ele fez uma vez na nossa casa antiga, que era uma casa ali no bairro dos atores, aquelas casas que não tinham casa de banho e depois criaram uma casa de banho na marquise, sabem esse conceito? Não, pronto. A nossa casa tinha uma casa de banho na marquise por construções. Então o Guilherme, sempre que saía da casa de banho, tinha que passar pela marquise para voltar a entrar na cozinha, etc.

Que dá para as costas de outros prédios. Ou seja, a nossa marquise era assim uma espécie de uma caixa de vidro, em que nós íamos tomar banho e desfilavas nu na caixa de vidro, completamente.

Sim, e inclusivamente uma vez virou-se para a plateia e abanou-se todo e continuou.

Por quê? Porque tu tinhas gritado antes ele, "Guilherme, não passes nu".

Isto já pode ser considerado um ato exibicionista, ou não?

Estás dentro da tua própria casa. E aí a intenção dele também era que ele estava a provocar-te a ti. Era uma brincadeira de casal, não era porque viu, está ali uma pessoa, agora é que ela fazer aqui um helicóptero.

Não é tipo vais aqui para a paragem de autocarro embaixo, despes-te e estás lá nu a exibir para as pessoas.

Aquela coisa típica de abrir a gabardine e estás todo nu por baixo, não sei o quê. Se a tua intenção não é essa, dificilmente te pode tirar problema com isso.

Sim, na minha casa eu gosto de...

Não, foi muito estranho, porque eu acho que ninguém no seu perfeito juízo pensa: "Não, é isso mesmo que eu vou fazer".

A ideia que dá quando se conta estas histórias é que eu sou uma pessoa 100% à vontade com o seu corpo, que não é verdade. Até parece que eu estava dizendo: "Não, olha aqui".

Não, mas foste provocar, ficaste tipo: "Eh".

Sim. Mas é que como tu disseste, olha aí o que as pessoas estão a ver.

E eu pensei, coitados dos velhotes, porque aquilo é um bairro de velhotes, pensei, coitadinhos. Coitados, não, se calhar até ficavam: "Olha".

Olha.

E estavam naquele modo de noite, sem cortinas, luzes acesas, aquário.

Sim.

Ya.

Eu lembro que o meu padrasto, a janela do meu quarto eu mantinha-a sempre aberta, porque eu tenho medo do escuro, então estava sempre aberta a portada do meu quarto, e o meu padrasto tinha sempre uma coisa com a privacidade, a intimidade. E então começou-me a dizer: "Bem, isto todas as manhãs ouvem palmas a vir lá de cima". E eu: "Como assim, palmas?" Porque ele achava que era absurdo eu ir para o meu quarto saída do banho com as portadas abertas, porque alguém me podia ver lá fora. Mas ainda por cima, era impossível alguém ver-me. E ele começava com esta coisa, dizia quase como se eu tivesse a fazer um espetáculo nessa coisa da exibição, tipo, ouvi umas palmas lá em cima, não deve ser fechar a janela outra vez.

Mas isso se calhar é uma coisa que fazes, porque eu lembro-me da minha mãe também me dizer quando eu vivia em casa dos meus pais, à noite, luzes acesas, os stores ou as cortinas não estão fechadas. "Luísa, fecha as stores para não estares a dar espetáculo". Eu tipo, calma, estamos só a ver televisão.

A tua mãe foi lá a casa, que é há um mês, e disse-me a mesma coisa no meu quarto, disse: "Isto aqui se calhar é melhor pôr aqui uma cortina, senão é dar espetáculo aqui para o vizinho". Cá está.

É giro isso, e depois a pessoa vem a Amsterdã ou até a Bruxelas. Andas na rua e estás a ver tudo para dentro das casas.

E é o máximo.

Adoro.

É muito giro.

Adoro. Ver casas de pessoas lá em cima, as pessoas a viverem.

Aquela 19h, 19h30, quando as pessoas ainda não fecharam as portadas e já têm as luzes ligadas, também acho isso um fascínio.

É uma espécie de Casa dos Segredos, mas a sério.

Mas eu não gosto bem de ver as pessoas, eu quero ver as casas.

As casas, é, também. Eu as pessoas a viver, dispenso. Quero ver como é que as coisas são.

A decoração, a organização da casa.

Sim, mas não é bem isso que as pessoas viam na nossa casa.

Não. Sim, sendo que nós também não temos cortinas em ponto nenhum da casa, como vocês veem.

Pois.

Somos um bocadinho...

Nós no fundo somos exibicionistas.

É, se calhar também estamos a dar material para que tu continues, que perpetues esse comportamento.

Não, e eu já contei esta história e contei no episódio com a Luana e conto-vos a vocês. Mas houve um dia, eu às vezes esqueço-me da toalha na corda, que é aqui. Pronto, vocês já sabem, eu estou a apontar para a cozinha como se vocês não tivessem percebido onde é que é. Mas eu tive que vir da casa de banho todo nu até aqui À corda. E há uma amiga nossa que passava de carro aqui nesta rua grande, que eu não vou dizer qual é, aqui ao lado do nosso prédio, e que disse assim: "No outro dia vi-te aí buscar a toalha à corda." E eu a pensar, ela não fazia ideia que de um bico para baixo, que ela não vê.

Pois, estavas completamente nu.

Ela viu-me completamente nu a ir buscar a toalha.

Ela não te viu completamente nu.

Não, ela viu-me completamente nu.

Sem saber.

Sim, sem saber.

Sem saber que te estava a ver.

É o efeito da surpresa.

Mas pronto, ainda assim, não podemos considerar isto um crime, não percebo.

E apesar de tudo isto.

Vocês estavam a comentar isso, e bem, há pouco. Isto é um podcast humorístico e há uns dias, já não sei onde é que ouvi isto, acho que foi o Ricardo a falar do Léo Lins no podcast "Assim Vamos Ter de Falar de Outra Maneira". Ele fala lá de uma lei do século XIII que dizia que se podia bater em humoristas quando não se gostasse de uma piada ou nós ouvíamos uma piada que não gostávamos. Eu não percebi se era especificamente sobre nós ou era só: "Olha, esse humor de observação sobre aviões, eu não gostei, vou-te bater."

Não me fez rir.

Sim, imensas piadas sobre aviões no século XIII. Mas, sendo que isto é um podcast humorístico, e sempre foi, desde o primeiro dia, nós sempre dissemos isto, há possibilidade de nós termos problemas com alguma piada que nós fazemos.

Problemas físicos no sentido de serem agredidos?

Também.

Protegidos por uma lei, jamais, obviamente.

Ok.

Mas estão sempre sujeitos ao escrutínio, que é uma coisa que é difícil algumas pessoas que se expõem publicamente aceitar, que estão sujeitas a um escrutínio. Há pessoas que de fato podem não gostar e podem insultar-vos ou podem dizer: "O vosso podcast é uma porcaria." Ou "esta piada ofendeu-me."

Já aconteceu, pronto, estava a tempo. Eu tenho tendência a...

Vocês no outro dia criticaram o documentário da Carolina Patrocínio.

Pois.

Pois foi, criticámos.

Não foi?

Criticámos. Dissemos que era pouco interessante. E a Carolina Patrocínio pode ficar chateada conosco.

Não, mas estou a brincar, isso não é suficiente. Não, mas o que é facto é que não é preciso as coisas serem suficientes para as pessoas fazerem queixas, porque há imensas queixas infundadas e processos infundados.

E pessoas perdem tempo.

E as pessoas perdem tempo nisso e que vos podem fazer perder tempo com isso.

Por acaso, a única vez que aconteceu uma pessoa ficar muito ofendida comigo, contigo, foi porque tu lavas os dentes a andar pela casa.

Pois foi, mas essa senhora estava mesmo em tensão. Estava, acho eu, a dois minutos de vos mandar um e-mail a dizer: "Eu quero processar este humorista." Porque eu disse no podcast que chateia-me estar a lavar os dentes à frente do espelho a olhar para mim. E então aproveito e ando pela casa, acaba a máquina, ok, então vou abrir a máquina, vou carregar no botão e ando a lavar os dentes pela casa e depois volto para a casa de banho para cuspir a pasta de dentes. Essa senhora mandou um e-mail para nós irritadíssima, em que expressou 17 vezes que era um nojo eu andar a fazer a minha higiene pela casa, estou a usar a frase dela.

Olha, fui eu.

Pois, eu queria dizer, conta lá essa tua patologia. Ou não queres contar?

O quê? Qual é que é a minha patologia? Eu tenho imensas.

Não, é relacionada com pasta de dentes.

Não, tudo o que é pasta de dentes e cheiro de pasta de dentes, dá-me imenso nojo se não estiver no contexto do lavatório da casa de banho.

Não, mas se tu fores.

Imagina, no sítio onde eu trabalhava, havia uma pessoa que ia sempre lavar os dentes à casa de banho partilhada por todos à hora de almoço.

Mas és uma pessoa super higiénica.

Sim, mas eu entrava ali, bem, aquele cheiro a pasta de dentes dava-me vontade de vomitar porque não era o ambiente de lavar os dentes. Isso era uma coisa. Isto é uma doença. Os meus filhos também têm a mania de sair da casa de banho e vão para a televisão e eu tipo: "Vão lavar os dentes para a casa de banho, que é nojo, seus porcos."

Mas eu acho que é uma coisa muito clean lavar os dentes, não é? Está cheio de espuma e de limpeza.

Sim. A não ser que sejas a minha ex-namorada, não vou dizer nomes, pode ser qualquer uma.

Tiveste imensas.

Sim, das 72. Não, estou a contar com as velhas que estavam todas nos prédios comigo.

Nos prédios, sim, que conseguiram.

Mas ela não conseguia andar pela casa, ela não percebia a cena de andar pela casa a lavar os dentes.

Eu também não percebo.

Porque ela não conseguia reter, vou ser específico, vocês vão perceber, a espuma, o líquido. Ou seja, quando tu estás a lavar os dentes, tu estás com aquele líquido de lavar os dentes dentro da boca.

Pode chegar tudo à volta.

Ela babava.

Eu também.

Eu também babo.

Mas eu consigo reter, eu consigo lavar os dentes pela casa sem...

Eu estou quase a vomitar. Só para avisar.

A mim também me faz um bocadinho de confusão, na verdade. E a vez em que eu irritei uma senhora, mas ela saiu por ela própria e disse: "Olhe, vou deixar de ouvir o podcast e vou deixar de seguir, porque acho que é um desrespeito."

Isso que é fantástico.

Sim. Aquilo que eu fiz foi, eu sou muito fã de Taylor Swift, e aquilo que eu fiz foi na nossa árvore de Natal, em vez de ter uma estrela, tinha uma imagem da Taylor Swift mascarada de Jesus Cristo.

Bem, mas as pessoas também são fãs de cada coisa.

Não, mas ela disse: "Vou deixar de ouvir, porque é uma falta de respeito o que vocês fizeram."

"Esta imagem para mim é um desrespeito a Jesus Cristo."

E tu: "Não, por favor, já pus uma estrela." Mas ela pode deixar de ouvir e deixar de seguir sem te dizer nada.

Não, claro, óbvio.

Mas ela sentia que tinha que expressar a sua opinião. Mas é isso, isso quer dizer que ela estava mesmo ofendida a um nível que ela não conseguia não dizer nada.

Sim, porque é uma religião. E a católica também, não estou só a falar das fãs de Taylor Swift, não é, Rita?

Não, mas se alguém pusesse Jesus Cristo em vez do verdadeiro Jesus Cristo, que é a Taylor Swift, eu não ficava ofendida.

Pois.

Sabes?

Ok.

Sim, ok, já percebi. Estava a ver até onde é que a iconografia da Taylor Swift te iria irritar.

Não sei, mas sei que ao menos saiu por si própria.

Vocês não tiveram que a expulsar.

Exato.

Até ver, não recebemos nenhuma carta a dizer que temos que nos apresentar no Palácio da Justiça no dia X.

Nós não irritamos muitas pessoas, na verdade.

Não, sim.

Temos que irritar mais.

Não, mas essa coisa que a Inês estava a dizer do escrutínio e vocês, como figuras públicas e no fundo tendo uma plataforma pública, estão muito mais sujeitos do qualquer pessoa e têm que aguentar isso e estar preparados para levar com isso mesmo que infundadamente. Há aquela frase muito boa de um presidente norte-americano que diz: "Quem não suporta o calor, não trabalha na cozinha." E no fundo é isso, vocês estão aqui a trabalhar na cozinha. Na cozinha, não é?

Sim, estamos aqui a trabalhar.

A Rita especialmente, a nível de sopa cozido.

Eu só quando vou à corda buscar a toalha.

Ele e a Bimby a trabalhar na sopa.

Sim, exatamente.

A Bimby deve ter entrado também nos vídeos.

Não é?

Por acaso nem pensei nisso.

Por acaso não tenho Bimby, mas agora queria.

Estás a fazer o aconselhamento jurídico para me matares. Nós somos um podcast que fala especificamente sobre as relações. Nós recebemos imensas mensagens das pessoas com problemas nas suas relações, sendo que vocês, do outro lado da moeda, também recebem. Vocês têm noção de qual é, da vossa experiência ou de casos que vocês conheçam, a maior razão para divórcios?

Comigo, eu acho que quase todos é alguém arranjou outra pessoa.

Ok.

Alguém se apaixona por outra pessoa e decidem então separar-se.

Eu não sei se é a causa maior, mas acho que as pessoas fartam-se. As pessoas não sabem aguentar, conversar, comunicar. Por exemplo, vocês estão mais nesse aspeto, vocês estão menos expostos ao divórcio, eu acho, que é não terem filhos. E eu acho que os filhos é a melhor coisa do mundo, mas muda completamente a relação e é um elemento que traz mais discussões, traz mais estresse.

E tira de ti imensa liberdade. E o que eu acho é que quando as pessoas se casam, também muito facilmente, às vezes se divorciam quando têm filhos, não é quando se casam, quando têm filhos, acabam às vezes por se divorciar depressa, porque depois é um bocadinho aquela ilusão de conhecer outra pessoa com quem estão uma semana sem filhos, depois na semana a seguir têm os filhos e depois têm uma semana sem filhos. E então de repente é: "Ah, eu tenho o melhor dos dois mundos, porque eu já tenho filhos, mas há uma semana em que eu estou sem eles e posso estar a curtir, viajar, tenho uma namorada ou um namorado novo". E eu acho que isso é um bocado uma ilusão. No fundo, as pessoas não deixaram de gostar daquela pessoa, simplesmente não conseguem é ter as duas vidas com aquela pessoa.

Sim.

Porque não podem os dois ao mesmo tempo dedicar duas semanas sem filhos.

Às vezes as pessoas não gostavam assim tanto uma da outra quando se casaram.

Sim, talvez. Ou se calhar gostavam uma da outra, mas foram deixando de gostar aos poucos.

Sim, também.

Isso também é uma coisa completamente...

Sim, a rotina, etc.

Sim.

Eu, como única pessoa divorciada desta mesa, posso dizer-vos que às tantas a convivência torna-se insuportável. E tu pensas: caramba, eu sou adulta, ganho o próprio dinheiro, tenho uma profissão, tenho as minhas coisas, eu tenho que ser infeliz e viver aqui super infeliz com esta pessoa? Não. Mas eu acho bem que as pessoas se divorciem. Ou seja, eu acho que a menos que uma pessoa acredite na reencarnação, tens que tentar aproveitar esta vida, não é? Portanto, se de facto estás infeliz numa relação, mais vale sair.

Mas eu também acho que as pessoas, eu se calhar olhando para trás, penso: "Ok, podia ter feito um esforço, se calhar fui um bocado infantil". Mas nós hoje em dia somos, ele é o meu melhor amigo, o meu ex-marido é o meu melhor amigo e é a pessoa com quem eu mais falo, até falo imenso com ele e damo-nos super bem.

Mais do que comigo.

Não. E por isso acho que para nós foi mesmo a melhor solução, correu bem. Porque depois aqueles divórcios em que há filhos e as pessoas se sentam constantemente a atacar.

Mas que é a maior parte.

E é a maior parte das pessoas. E de facto, isso é uma coisa que eu já vi tantas vezes, mas eu não consigo perceber. Por falar nisso de ataques por causa dos filhos, eu acho que isso seria a única coisa em que eu e a Rita, se nos divorciássemos, íamos ter problemas era por causa dos filhos, sendo que filhos aqui, nem eu nem ela queremos ter crianças, são mesmo os quatro bichos que estão aqui a largar pelo. Como é que funcionaria ou como é que funciona a partilha de animais de estimação?

Hoje em dia já é obrigatório, não é assim há tanto tempo como isso, mas se vocês quiserem fazer um divórcio amigável, têm que chegar a acordo relativamente a certos temas. Para poder ser por acordo, têm que fazer acordo quanto à casa, quem é que fica a viver na casa e o que é que vão fazer à casa, se vai haver um pagamento de uma pensão de alimentos um ao outro. Em relação aos filhos, se tiverem filhos, como é que é a guarda, como é que é as responsabilidades parentais. E hoje em dia, quem tem animais de companhia, tem que fazer um acordo quanto aos animais de companhia. Eu já vi, eu tenho algumas pessoas que fizeram a guarda partilhada, portanto, o cão, neste caso era agora um caso mais recente que me lembro, era o cão, ficava uma semana com um, uma semana com outro. Quando há filhos e animais, muitas vezes as pessoas também fazem a coisa dos animais acompanharem as crianças.

Até a semana do pai, a semana da mãe, vai a criança.

E vai criança e cão. Mas, por exemplo, agora há pouco tempo também tive uma situação em que tinham dois filhos pequenos e um cão, e era ao contrário, porque a mãe, por exemplo, estava a dizer-me: "Eu não consigo estar com dois bebés e o cão, porque depois como é que eu vou passear o cão?" E ali fizeram ao contrário.

E os bebés chegam em casa, pois.

Quem fica com o cão, não é?

Eu estava a pensar nisso, era mais inteligente.

Mas senão no fundo vocês vão ter que chegar a se divorciarem.

Nós temos quatro gatos, vai ter que ser dois, dois.

Não.

Mas imagina, se vocês nunca conseguissem chegar a um acordo, se tu queres ficar com os quatro, a Rita quer ficar com os quatro, não conseguem chegar a um acordo, vai ter que ter eventualmente um tribunal a decidir e provavelmente um tribunal se calhar dizer: "Epá, estes dois ficam para ti, estes dois ficam para ti".

Dividir salomonicamente.

Ou então, se vocês disserem: "Bem, isso não queremos mesmo, então fazemos, ok, ela fica com dois uma semana, eu fico com dois uma semana e vamos trocando". Mas isso também é meio confuso.

E é um stress para os gatos.

E os gatos nunca se viam.

Ah, mas vocês não querem separá-los aos quatro.

Exatamente. E eu até ia acrescentar outra camada nisto, que era, eu não sei se o ideal não era, imagina, nós divorciamos. Já sei qual é o ideal.

Então, era tu desapareceres da minha vida e nunca mais apareceres.

Era fazermos guarda partilhada dos gatos nesta casa. Imagina.

Vocês saíam os dois de casa.

Saíamos os dois e era uma semana cada um nesta casa.

A vir aqui para casa. Podíamos era ter outra

E giravam. E assim escusavam de ter três casas.

Exatamente.

Era mais económico.

Para mim está ótimo.

Temos aqui acordo.

Podes voltar para a casa do alheio para veres as tuas vizinhas.

Há casais que fazem isso com filhos quando se separam, mas normalmente isto nunca dura muito tempo, este regime.

Ficam as crianças numa casa.

Ficam as crianças numa casa e eles vão saindo uma semana e outra. Só que às tantas, eu acho que isto deve ser bastante desconfortável, porque imagina, tu depois estás sempre a voltar e depois estão as coisas arrumadas uma semana. Ou seja, aquela pessoa que tu se calhar deixaste de suportar ou com quem tu já não queres manter a convivência, está sempre lá. Estão lá as pantufas, está lá o perfume, está a roupa.

Deixa sempre uma gaja.

Exato.

Estão as pingas da pasta de dentes que ficado a lavar os dentes pela casa.

Agora, por acaso, uma coisa que me surgiu, porque sei de cada vez mais casos, mas não sei se é uma impressão que eu tenho por conhecer pessoas que até são minimamente civilizadas ou se é mesmo. Vocês acham que este sistema de guarda de uma semana no pai, uma semana na mãe, está cada vez mais frequente?

Sim. Hoje em dia é quase a regra. Antes a regra era: ficam com a mãe, 15 em 15 dias vão para o pai. E agora a regra é semana sim, semana não, só não é assim excepcionalmente.

Ok.

Em princípio, o tribunal, se as partes não chegam a acordo. No fundo é essa a regra standard que se aplica, a menos que haja alguma razão, tipo circunstâncias excepcionais, que aconselhem a que isso não seja assim.

Sim, tipo uma criança tem um ano e ainda amamenta.

Exato.

Então faz mais sentido ficar com a mãe, não sei até quando é que as pessoas dão de mamar. Faz sentido se calhar ficar mais perto da mãe durante os primeiros anos e só ver o pai de 15 em 15 dias e depois então faz-se uma adaptação. Depende muito, mas a regra hoje em dia é essa, é da guarda partilhada. Eu acho que funciona bem, na maior parte dos casos.

Sim, eu acho que sim.

Desculpa, só dizer, porque é a ideia que há hoje em dia que no fundo os filhos beneficiam de estar tanto com a mãe como com o pai. Já há menos a ideia da prevalência de um sobre o outro.

Ok.

Nós temos um casal amigo. A nossa primeira amiga tem agora um namorado que tem um filho e às vezes ela diz: "Não, esta semana estamos de pai, portanto não pode ser" ou "Para a semana já não estamos de pai e pode ser". E tenho visto mesmo isso muito mais acontecer e não sabia se era uma coisa que estava estabelecida como a norma ou se simplesmente estava a acontecer.

Ok.

Quer dizer, não há uma lei que diga quando as pessoas separam é assim, mas é essa a jurisprudência, ou seja, as decisões dos tribunais hoje em dia são maioritariamente nesse sentido.

Isso é ótimo. Mas não vai acontecer no caso dos gatos, peço imensa desculpa.

Não, para mim é o que nós acordamos, é ficar a casa com os gatos. No fundo, os gatos ficam com a casa e nós vimos cá uma semana, uma semana outra.

Sim. Sendo que se tivéssemos de fazer aquele sistema de irmos trocando os gatos, sabes aquela coisa do lobo, da cova?

Ah, sim, do cão que estava a uivar.

Ah, tens que levar.

Era mais ou menos isso, porque temos aqui gatos que não se dão muito bem uns com os outros. Quer dizer, dão-se bem, mas não é aquela coisa.

Sim, a mistura dos dois gatos.

Tinha que estar a fazer combinações.

Não vale a pena, fica tudo para os gatos, é o melhor.

Pronto, está bem. Concordo.

Vocês estavam a dizer que uma das principais razões para os divórcios são os filhos ou conhecer uma pessoa nova. Nós recebemos, e é um tema recorrente em muitos e-mails que nós recebemos de pessoas.

É horrível dizer que os filhos são a principal causa de divórcios. Eu acho que é os desafios da parentalidade.

Ok.

O Ricardo incomodou-me ao ouvir isto. Desculpem.

Mas eu percebo. Essa fase nova da vida dos casais.

É aquilo em que as pessoas se transformam quando ficam super cansadas por causa das circunstâncias em que se veem metidas.

Exatamente.

Os filhos não têm culpa nenhuma.

Ok.

Sim, não têm mesmo.

Só para isto não ser usado contra mim mais tarde.

Porque as crianças separam pessoas.

Não, mas é que os filhos de pais divorciados têm o trauma de terem sido os culpados dos divórcios.

De sentirem essa pressão.

Claro, e não são, obviamente.

Claro que não. Quer dizer, tirando tu, que estás a ouvir.

E agora temos alguém em posição fetal.

Chorando bem. Mas um dos motivos que nós recebemos mais das pessoas, tanto que foi um tema que nós até agregamos imensos e-mails e falamos com a Tânia Graça, que é sexóloga. Uma das razões que as pessoas mais vezes dizem, mais homens, mas também é um problema feminino, é a falta de libido. "No início da relação havia imenso sexo e agora deixou de haver". Não querendo que vocês respondam só especificamente por causa do sexo, mas todos os deveres, e estou a fazer muitas aspas no ar que vocês não veem porque isto é um podcast. É possível uma pessoa acabar um casamento por causa de não se cumprirem deveres de um casamento? Sendo que eu estou a incluir aí libido, porque é os e-mails que nós recebemos, mas não só. É possível isso?

Sim, mas não existe bem um dever legislado de ter relações sexuais com o marido ou com a mulher. Há vários deveres, que é respeito, coabitação, cooperação.

Fidelidade.

Pronto, fidelidade.

Ok.

Mas não existe dever de manter relações sexuais.

Até porque tu não queres. X vezes tu não queres. Bem, sou obrigada.

É o "Handmaid's Tale". Tecnicamente é começar a ser "Handmaid's Tale".

Sim. "Fogo, não me apetecia nada, mas pronto, a senhora da conservatória disse, então agora vou ter de..."

Exato.

A senhora da conservatória.

Ela ligou a dizer que é às 20:00.

Não, a senhora da conservatória disse lá naquele dia que tinha de ser, então olha agora...

Claro. Então os deveres que há num casamento.

Não incluem a manutenção de relações sexuais.

Ok, mas aí estavas a dizer de fidelidade.

De respeito, coabitação. Só que eu acho que esta coisa dos deveres do casamento, antes tinha muito mais relevância, porque às vezes era importante perceber quem é que tinha tido culpa no fim da relação. Isso depois tinha implicações. Hoje em dia isso já não existe, é indiferente, não há culpa nos divórcios. Hoje em dia, o que é? Desde 2008, já não sei.

Exato.

Já há algum tempo.

Desapareceu a figura da culpa. A culpa deste casamento acabar é...

E por isso tu podes simplesmente dizer que há uma ruptura definitiva. E o fundamento da ruptura definitiva pode ser esta pessoa já não quer ter relações sexuais comigo, ou eu já não me sinto atraída, já não quero ter relações. Podes dizer isso. Por acaso não nos damos, não falamos.

Isso tem de ter factos.

Sim, tens de mostrar uma ruptura. Já não falamos, já não partilhamos refeições, já não partilhamos cama. Mas isso tem especial interesse quando um quer o divórcio e o outro não quer, porque se são os dois de acordo, é tudo muito mais simples. Vão à conservatória, fazem aqueles acordos e é mais simples. Mas se, por exemplo, a Rita quer se divorciar, o Guilherme não quer ou vice-versa, tem que entrar com papéis em tribunal e aí é que tem que dizer: "Há esta ruptura".

Mas nós estivemos a ver, por acaso, comentámos há pouco tempo, que já houve uma decisão em França, era precisamente uma ação judicial em que o marido ou a mulher punha uma ação contra o outro porque não tinha relações. E depois o que não queria ter relações foi condenado a pagar uma compensação pela ausência de relações. E depois aquilo foi parar ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que condenou o Estado francês por haver essa decisão de um tribunal, porque Porque decidiu que não é obrigatório haver relações sexuais num casamento. Ou seja, essa falta não dá direito ao outro a uma indemnização, uma compensação por isso.

Na minha cabeça eu estava a pensar uma compensação financeira por falta de sexo. Quer dizer que há um valor, tens que encontrar um valor que tu lhe causes isso.

Não, é tipo, tu casas e tens uma expectativa em relação à vida que vai ser. E uma parte dessa expectativa é a parte sexual. E de repente, aquela pessoa que nos primeiros tempos era todos os dias e de repente já nem olha para ti, já nem te toca. Foi uma expectativa que se defraudou e que seria um dano moral e tu tens direito a essa indemnização.

Mas, por exemplo, uma indemnização não existe. Quando tu estás a pedir uma indemnização, uma compensação por coisas que não são objetivas em termos de valor, ou seja, uma coisa é eu roubar-te aqui o telemóvel e depois tu pedes uma indemnização no valor do telemóvel. Se o que tu fazes é fazer sofrer outra pessoa, humilhar, estás em angústia, não consegues dormir, etc. Que é os chamados danos morais e não patrimoniais, que também estão a ser pedidos, por exemplo, na ação judicial dos Anjos, do Joana Marques. Que estão a ser pedidos, acho, 50 mil euros para cada um por danos morais, ou seja, pelo sofrimento que eles dizem ter tido por conta do que aquilo lhes causou. E, portanto, aí tem que se arranjar um valor, nesse caso, quanto é que valeu o sofrimento da pessoa não ter tido relações no seu casamento.

Mas em Portugal já houve condenações, mas contra terceiros. Ou seja, não é um marido que pede uma indenização à mulher ou vice-versa. Imagina, um marido teve um acidente de carro e ficou impotente. E a mulher, no processo que decide as consequências desse acidente, faz um pedido contra a seguradora a dizer: "Eu tinha direito a ter relações sexuais com esta pessoa e eu tinha estas relações sexuais. E por causa de vocês, por causa deste acidente, de que vocês são responsáveis, eu perdi esse meu direito, então vocês têm que me indenizar". E já houve decisões, em que dizem que não, que a pessoa não tem esse direito, mas já houve decisões do Supremo Tribunal de Justiça a dizer a indenizar, por acaso era sempre mulheres. Vi dois casos assim.

Isso é muito giro.

É engraçado, até porque nós estamos aqui a falar de sexo, porque há mensagens que nós recebemos sobre isso, mas na verdade, isso pode ser em relação, nós íamos jantar fora e tu davas-me atenção e deixaste de dar, ou tu estavas muito tempo em casa, estavas comigo, víamos uma série e agora andas desaparecido. Essa presença.

Vamos mostrar o histórico da Netflix. Está a ver, não nos vemos há não sei quanto tempo.

Mas tu só queres ver séries péssimas.

E eu quero ver coisas do Filmin. Tem que ser por aí.

Séries péssimas, todo nu. Esse inferno, Guilherme.

Com o senhor do Uber, que entretanto entrou. Eu estava de box e ele entrou.

Não, mas ou seja, isso não te dá lugar a nenhuma compensação, podes é decidir divorciar-te.

Sim, rutura definitiva, que foi o que o termo que vocês usaram, que é um nome espetacular.

Agora vais passar a usar, não é? Olha, teve lá, tem cuidadinho, não vai dar direito a uma rutura definitiva.

Se separarem, pronto, que vocês não se vão obviamente separar, mas podem continuar o podcast, que é para rentabilizar a coisa, mas passam de "Terapia de Casal" para o nome do vosso podcast, "Ruptura Definitiva".

Olha, "Ruptura Definitiva" é um grande nome.

Isso é giro. Está aqui uma grande ideia.

A Luísa tem uma cabecinha.

Até dá vontade de nos divorciarmos só para continuarmos o podcast agora com uma roupagem nova.

Não, e fazermos até acompanhar o processo de divórcio nos episódios.

Tenho mais duas perguntas para vocês.

A Rita está com um cara que está a pensar: "A sério?"

Ela já não está conosco, já está.

Eu estou a dizer, não, tudo é conteúdo. O que é que agora...

A Rita já está a falar com a designer que vos fez esta nova imagem.

Eu acho que vou ter que por umas algemas no Guilherme.

Há aqui um tema quente entre mim e a Rita, que é, e lá está, estamos a falar dentro do universo de um possível divórcio. A Alice, que é minha sobrinha.

Não.

Pois, exato.

Não.

Mas a Alice.

Não é tua, é nossa.

Que é minha sobrinha, minha sobrinha, porque é filha do meu irmão, é minha sobrinha. Adora a Rita. Adora a Rita. Aliás, a Rita é a menina dos olhos dela, é a tia.

E ela é a menina dos meus olhos.

Exatamente. Ela a mim até me trata por vovô. Vamos tentar descobrir porquê. Mas a Rita que é a tia. Em caso de separação, como é que funcionaria uma possível custódia de uma sobrinha que é só minha, não é da Rita?

Não há custódia de sobrinhos.

Não existe.

Não existe. Mas independentemente de ser só tua, ser só da Rita, o que é que aí teria que acontecer? A Rita falava diretamente com o teu irmão e dizia: "Olha, eu quero ver a Alice", e ele podia dizer: "Tu não vês a Alice", e a Rita não tinha direito a fazer nada. Portanto, deixava de ver a Alice. O que era triste, não façamos isso.

Mas os avós já têm esse direito. Imagina se os pais se separam e depois não deixam os avós ver os netos, os avós já podem pedir a um tribunal, eu tenho direito a ver os meus netos. Ok, é só uma questão de tempo.

Olha, vocês até podiam fazer esse pedido e até podia ser que se abrisse uma nova corrente jurisprudencial. Por acaso eu não acho que isso fosse impossível. Tu alegavas que tinhas laços fortíssimos.

Mas imagina para o irmão do Guilherme, era tipo, bem, mas eu agora tenho que estar a aturar a ex-cunhada.

Eu sei se o meu irmão não gosta mais da Rita do que de mim, também é essa.

Há de certeza que gosta. Eu acho que do que nós estamos aqui a ver, eu acho que isso até é muito natural.

Não, vocês não têm noção que quando eles moram em Londres e, portanto, agora em abril vieram cá a Portugal e nós fomos buscá-los ao aeroporto, aquela saidazinha do aeroporto, não sei o quê, e estamos e ela vem ao colo da mãe, olha, vê primeiro o Guilherme, dá um semi sorriso.

Tipo sorrido, do gênero.

Assim do gênero. E depois faz logo, não sei, está a outra também está a ver.

Está à procura da Rita.

Está à minha procura, foi logo imediato.

Eu não vos separaria. Mesmo se nós nos separássemos, eu não te separaria.

Nem a ela deixavam.

Sim, a própria Alice não ia deixar.

Ela não me chama tio.

Pois é, eu sou o vovô.

Mas vovô é muito querido.

Sim, sendo que ela fica mesmo baralhada, olha para ele e diz vovô e nós dizemos: "Não, não, é tio". E ela: "Tio, ok". Depois passado 10 minutos, vovô.

Eu vou assumir que sou o vovô. Não tem mal, sou o vovô. Por que não? Vovô cantigas. Última pergunta, que é: nós casamos com separação total de bens.

Uhum. E fizeram vocês muito bem.

Nós também estivemos a ver na altura, porque nós não estávamos minimamente por dentro disto, e na altura, na conservatória, estivemos a ver mesmo todos e nós achámos: "Eles só cobram por este, deve ser porque este é o melhor. Se eles cobrarem, é porque este é o melhor."

Não, cobram por todos.

Não, acho que este era o único que tinha um valor, se eu não estou em erro.

A comunhão geral também tem certeza. Se calhar o mais barato é o da comunhão de adquiridos, porque é o supletivo.

É o standard.

Não tens que escolher, é o que fica.

Ok.

Eu acho que tudo aquilo que tu tens que escolher é que tem que se pagar mais, mas eu paguei pelo meu.

Porque lá também tem que preencher um papel extra, mandar para não sei onde.

Essa burocracia que fica mais cara.

Sim.

Mas nós casámos com separação total de bens. Em caso de separação, como é que funcionaria a divisão das coisas todas que nós temos? Ou seja, é item a item que se faz num divórcio? Sendo que nós temos mais de mil livros.

Não, temos quase mil.

Temos quase mil livros. É item a item? Era livro a livro?

No vosso regime não há comunhão de bens. Não há bens que são do casal e, portanto, que é preciso fazer uma partilha. O que pode existir é, há bens de um, há bens de outro, e depois pode haver bens em compropriedade, bens que vocês compraram a meias.

Ok.

Vocês iam ter que decidir quais é que são os livros da Rita, quais é que são os livros do Guilherme, e depois ver os a meias, como é que iam dividir.

Quando as pessoas vivem na mesma casa, isto até se aplica para as uniões de facto também, há uma presunção legal que é que o recheio é comum, portanto, que é tudo dos dois, no fundo.

Se vocês não estão de acordo que a mesa é tua, porque já trazias de não sei onde, e que o rengador é teu, presume-se que é tudo dos dois.

Presume-se que é tudo dos dois. E, portanto, o que o tribunal faz é das duas, uma, vocês conseguem provar com talões ou com fotografias, quando não se conheciam, que um já tinha uma coisa, ou assim coisas do gênero, conseguem provar: "Não, isto já era meu, isto é meu, isto fui eu que comprei com o meu dinheiro". Ou então o tribunal divide tudo em armamento, divide ao meio, a meias, mas a mesa não vai dividir a meias, então vai atribuir um valor. A mesa custa 100. Então quem ficar com a mesa tem que pagar 50 ao outro. Depende-se.

Devem ser horas e horas de uma espécie de leilão de coisa a coisa.

É um inventário.

É um bocado aquilo.

Um inventário.

É melhor começarmos a preparar. Olha, os livros já estão inventariados.

Nós vamos abrir os livros e está dentro cada um talãozinho.

Não, tipo o ex-libris. As pessoas que marcavam os livros com ex-libris. Agora deviam mandar fazer um para cada um.

Havia umas pistolas, não sei se se lembram disto, mas havia umas pistolinhas que tu escrevias o teu nome e aquilo saía uma espécie de uma etiqueta com o teu nome.

Ah, aqueles.

Catalogar.

Eu tenho isso.

Vamos começar a pôr isso em casa.

Eu catalogo coisas em casa.

Sim, boa.

É melhor pormos já, é quase como fazer xixi para cima das coisas para marcar como nossas.

Sim, no fundo é isso. Mas não há método, este acho que é mais amigável.

Não, mas íamos perceber de quem era o xixi é muito mais chato.

Agora as pessoas começam a vir cá a casa e está tudo com etiquetas penduradas.

Sim, com o nome, tipo, não, isto é meu, o que estás a fazer com o meu copo?

Até porque quando tu te casas ou te juntas e tens essas compras, a não ser que seja um casal que ligue muito a isso de "não, isso fui eu que comprei, isto é meu". À partida, tu compras uma coisa, eu compro outra.

Sim, está tudo compensado.

Não há essa preocupação.

Há muitos tipos de casais. Há casais que têm tipo as compras, põem numa aplicação quem é que pagou.

Quem que pagou o quê.

E acima de tudo, quando as pessoas se separam, olha, vem tudo ao de cima. É como as heranças.

Copos é que nós vamos ter.

Não, copos não, que os copos já os comi em tantos.

Exatamente, os copos são todos teus.

Já está na sopa.

Agora o Guilherme vai deitar os copinhos todos fora, só copos de plástico.

Daqueles de papel das festas das crianças. Muito obrigado por vocês terem vindo. Nós estamos mais do que preparados para nos divorciar.

Eu adorei este episódio.

Vocês já deram o primeiro passo, não é? Qual é o primeiro passo para o divórcio?

É casar, não é?

Muito bem.

Nós já demos, nós já nos pusemos a jeito, como se costuma dizer.

Mas muito obrigado, eu sinto-me perfeitamente preparado para o eventual divórcio.

Agora-

Até já têm um podcast.

Pois é, temos não um podcast, já sabemos o que vamos fazer.

Agora fica só por decidir como é que dividimos as advogadas.

Pois é.

Mas isso temos que falar em off.

Eu vou buscar um post-it e ponho aí as duas.

Vais pôr lá uma delas.

E tu tens que arranjar outras advogadas.

Por isso é que nós viemos duas. Nós somo duas precisamente para este tipo de situação.

Exatamente. Eu não sei se vocês querem divulgar alguma coisa. Vocês têm um livro, vocês têm um perfil de Instagram.

Nós temos um livro superfix, que é o "Direito Complicado, 50 perguntas e respostas", que ainda há pouco tempo falaste no livr-- estou a gozar. Estou a brincar. Não, e temos o nosso Instagram e TikTok Pão de Law, onde vamos fazendo alguns vídeos a tentar descomplicar e responder a questões que interessam muita gente.

Excelente. Agora por causa dos anjos com a Joana Marques, que vocês fizeram-

Às vezes também fazemos esses posts informativos. Exatamente.

E eu vi muita gente a mandar-me a dizer: "Que giro, olha lá o que elas fizeram sobre este caso, eu não sabia isto".

Porque nós fomos mesmo ler as peças processuais. Ou seja, para escrever aquilo, não nos baseámos nas notícias, etc. Fomos ler a ação que os anjos fizeram, fomos ler a defesa da Joana para poder fazer uma coisa informada.

Sim, senhora. Portanto, já sabem, podem encontrar Pão de Law nas redes sociais e muito obrigado por terem vido as duas.

Pão de Law com L-A-W.

Sim, exatamente. Law.

Ou como algumas pessoas dizem.

Pão de Low. Isso é quando vocês são um bocadinho mais tristes, não é?

Não, se estão em baixo é Pão de Law.

São mais pessoas do que vocês poderiam pensar, por acaso. Eu gosto imenso do Pão de Low.

Pode ser só pessoas com sotaques esquisitos. "Eu adoro o vosso podcast, o Pão de Low".

Olha, o que não está low são os nossos amigos do Observador.

Exatamente, muito obrigado.

Mas digo para eles que também não vão nunca defender-nos. Nós sabemos disto. Se nós formos postos em tribunal por alguma coisa que digamos aqui, o Observador já lavou as suas mãos.

Não, eles não têm nada com isso.

Desde o início, já disseram: "Não, é tudo responsabilidade vossa".

"O que é dito no podcast é responsabilidade vossa".

Exatamente. Portanto, obrigada por nada, Observador. Gostamos de vocês.

Se tiverem perguntas jurídicas, podem chatear as nossas convidadas nas redes sociais delas. Se tiverem problemas muito engraçados e discussões muito engraçadas que tenham na vossa relação, mandam para nós para terapiadecasalpodcast@gmail.com. Essas nós podemos responder, que estamos habilitados. Humoristicamente é connosco. Quando é a sério, é com profissionais competentes. E muito obrigado por terem vindo.

Obrigada a vocês.

Obrigada nós.