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Arranca o Tie Break. Está conosco o Bruno Roseiro, editor de desporto do Observador. Bruno, bem-vindo, boa tarde.
Olá, boa tarde.
E como tema do dia, queres falar da notícia de que o Barcelona pode estar à beira da bancarrota.
Sim, que foi uma notícia que começou com outra que era da ESPN e que dizia que o Barcelona estaria interessado no Darwin Núñez. Já começou o fandango das transferências e isso não é possível por várias razões, principal das quais aquilo que se está a passar em Barcelona. O presidente Josep Maria Bartomeu não conseguiu que a Generalitat adiasse o voto de censura, portanto, iria ser sufragado esse voto de censura. Pediu a demissão na semana passada, entrou uma comissão de gestão, que a primeira reunião que tem com o Bartomeu foram três horas muito tensas e, sobretudo, no plano económico, percebeu-se que está ali um buraco complicado de resolver. E nesta altura, por incrível que pareça, e eu tenho quase a certeza que já aqui falámos uma vez do Barcelona como clube recordista de receitas na Europa, há sempre aquela luta com o Real Madrid e com o Manchester United. O Barcelona já tem quase mil milhões de receitas, mas se até quinta-feira não conseguir cortar o equivalente a 30% da massa salarial, que são 190 milhões de euros, corre mesmo o risco de ir para a bancarrota numa altura onde o desespero é tal que a própria comissão de gestão já quer marcar eleições para o Natal. Já estamos nesta situação. Por que tudo isto acontece? E pra mim, acaba por ser um caso caricato e o próprio Futebol Clube do Porto podia olhar um bocadinho pra situação do Barcelona para perceber também as suas contas a médio prazo. O Barcelona não fez aquilo que o Real Madrid fez. Florentino Pérez percebeu o impacto que a pandemia poderia ter a nível de receitas. Em Barcelona, existe aqui também um outro ponto, que eu nunca tinha pensado, mas que objetivamente é uma realidade: o fato de não haver turismo em Barcelona prejudica, e muito, as receitas do Barcelona Clube, porque existe uma ligação muito maior entre a cidade e a Catalunha com o clube do que, por exemplo, existe de Madrid Real, que é uma marca mais global. E o que o Florentino fez? A estratégia adotada na ACS, que é a empresa dele de construção, que é uma das maiores do mundo, para conseguir mitigar o impacto da pandemia, foi aquilo que ele fez no Real Madrid. Vendeu ativos, reduziu passivo, conseguiu maior encaixe de dinheiro de tesouraria, que é o dinheiro fresco, digamos assim, é tudo o que o Barcelona não tem. O Barcelona foi acumulando dívida, a tesouraria é um problema, agora ficou sem receita e nesta altura está com este problema de até quinta-feira ter obrigatoriamente de conseguir chegar a concílio com os jogadores para reduzir em 30% da massa salarial, caso contrário, incorre mesmo numa situação de bancarrota. É uma situação impensável.
É isso mesmo, e que vamos também continuar a acompanhar. Vai dar muito o que falar, com certeza. No número do dia, escolheste o 95 e um episódio único no futebol.
Carlos Aguayo, eu não o conhecia. Agora toda gente aparentemente o conhece. Ele é o guarda-redes do Vinarós, que jogou nos distritais com o Peníscola, é assim que se chama o adversário. Ele trabalha na hotelaria, portanto, isto é um campeonato distrital. O jogo estava a ser narrado com uma certa emoção até numa televisão no YouTube. O Carlos Aguayo, que é guarda-redes, foi lá à frente. Ao contrário do que é normal nos gols do guarda-redes, não foi uma bola parada. Ele conseguiu fintar um adversário à entrada da área e rematar. Conseguiu fazer o empate já aos 95. Qual foi o problema? Ele festejou tanto, que retardou o regresso à baliza e quando deu por ela, como os companheiros não repararam nessa situação, o adversário conseguiu marcar um gol do meio-campo por cima dele e fazer o 2 x1. Isto nunca tinha acontecido no futebol, narrado com emoção, tem ainda mais piada. E o curioso é: vários jornais foram falar hoje com ele, porque entretanto tornou-se uma história nacional, e ele diz que já recebeu inúmeros convites, mas para ser avançado e não guarda-redes de escalões superiores àquele que ele joga. É o minuto 95, que acabou por não ser propriamente o melhor, mas que pode valer um contrato a este guarda-redes e como avançado.
Muito bem, história maravilhosa. Na memória do dia queres recuar até 1953.
Ainda mais maravilhosa esta história, porque no sábado andávamos todos presos com as decisões do Conselho de Ministros, que era almoço ou lanche e foi quase ao jantar. E entretanto, de manhã tivemos a triste notícia da morte do Sean Connery. Já tinha 90 anos, sinceramente, nem me passava pela cabeça que ele já tivesse 90 anos. Ele tem uma história muito curiosa. Ele quando tinha 16 anos foi logo pra Marinha, portanto, aquelas duas tatuagens que ele tinha, "Mom and Dad" e "Scotland Forever", foram feitas já nessa altura. Ele quando era adolescente e um bocadinho pós-adolescência, fazia várias coisas, culturismo, conduzia caminhões e começou também a ter pequenos papéis em teatros e companhias. Uma delas era a South Pacific. Ele, na altura, já jogava nos distritais da Escócia e a South Pacific, numa altura em que estava a fazer uma turnê em Manchester, fez um jogo contra uma equipa local e por curiosidade, Matt Busby, que é um dos símbolos e um dos nomes mais carismáticos do futebol do Manchester United, viu esse jogo, achou não só que ele tinha talento, mas sobretudo tinha uma força fora do normal pra um futebolista, porque naquela altura das duas uma, ou era forte ou era tecnicista, portanto, os dois era complicado encontrar. O Matt Busby considerou que o Sean Connery conseguia reunir as duas coisas e fez-lhe o convite pra ele ir assinar pelo Manchester United, que é uma história que pouca gente conhece, e receber 25 libras por semana. E ele, que já tinha na altura 23 anos, olhou pra ele e disse: "Eu poderia aceitar, só que tenho aqui um problema, é que o futebol de alta competição só dá pra eu jogar até os 30. Eu só tenho sete anos de carreira. Se não se importar, eu vou declinar este convite e vou continuar na South Pacific", que era a companhia onde ele estava. Recusou, voltou a jogar, mas só nos distritais da Escócia. Nove anos depois fez o primeiro James Bond, o "Dr. No", e depois a partir daí foi tudo história.
E o resto é o que sabemos. O Bruno Roseiro é o editor de desporto do Observador, juntou-se a nós no Tie Break. Incrível, Bruno. Obrigada, até já.
Até já.