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Este é o Tratado da Saúde com a Dra. Mariana Sobral, médica de família dos Centros de Saúde CUF. Já aqui está comigo. Olá, doutora. Bom dia. Bem-vinda.

Muito bom dia.

Há uma ideia muito repetida: uma aspirina por dia faz bem ao coração. Mas será mesmo assim, Dra. Mariana? A aspirina deve ser tomada por todos como prevenção?

Antigamente, era muito frequente toda a gente tomar uma aspirina. Atualmente, tentamos questionar se, de facto, além de fazer bem, se está adequado ou não para uma determinada pessoa e para um determinado contexto.

Então, em que situações é que pode fazer sentido?

Muitas vezes em pessoas que já tiveram um evento cardiovascular, como um AVC ou um enfarte. Mas mesmo assim, aqui há exceções, porque nem todos os AVCs têm a mesma causa. Por isso, não devemos nem começar, nem trocar, nem interromper a aspirina por iniciativa própria, mas podemos pôr a questão aos médicos que nos seguem.

Então e para quem nunca teve enfarte ou um AVC, mas tem, por exemplo, colesterol alto, diabetes ou história familiar?

Durante muitos anos, e voltamos àquilo que tínhamos dito, realmente a aspirina foi usada com muita facilidade nestas situações. Atualmente, sabemos que para a grande maioria das pessoas sem doença cardíaca conhecida, o benefício é pequeno e até pode haver um risco de sangramento. Mas lá está, voltamos, tem que ser uma prescrição individualizada.

Portanto, tomar aspirina porque o coração precisa, pode fazer mais mal do que bem?

Pode sim. E não é por ser uma dose baixinha, as pessoas dizem a aspirina é mini, ou um medicamento conhecido, que deixa de ter riscos. E temos que pensar que se a aspirina é para prevenir estes eventos cardíacos, se conseguirmos controlar também o colesterol, não fumarmos, a alimentação, acaba também por ser altamente eficaz e talvez mais do que a aspirina.

E se alguém já toma aspirina todos os dias por recomendação de um médico?

Nunca deve parar sozinho.

Já falámos noutro episódio.

Exatamente. Deve é confirmar na consulta qual é a indicação, se continua atual. Quer dizer, não é uma decisão solitária, nem deve manter por hábito. No fundo, é mesmo discutir com o médico para fazer a revisão da história e para termos depois um plano, se mantém ou se suspende ou se troca por outra medicação.

Dra. Mariana Sobral, estamos a terminar. Que mensagem gostaria de deixar?

Uma aspirina por dia pode ser muito importante, mas não é uma solução universal para o coração. E se nunca teve uma doença cardiovascular, não inicie, mesmo sem recomendação médica, a aspirina, como vejo muitas vezes acontecer. E mais uma vez, a melhor prevenção não cabe num único comprimido. Hábitos sustentáveis, medicação certa para a pessoa certa e tentarmos ser o mais saudáveis possível.

Sempre. Dra. Mariana, foi um gosto. Até amanhã.

Até amanhã.