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Este é o Tratado da Saúde da Rádio Observador com o doutor João Marques Santos, médico de família dos Centros de Saúde CUF. Olá, doutor. Bom dia, bem-vindo.

Bom dia, Maria João.

Hoje trazemos aquela que é provavelmente uma das bebidas mais amadas e consumidas em Portugal, o café. Mas afinal, doutor João, quantos cafés podemos beber por dia sem peso na consciência?

Há uma boa notícia, que para a maioria dos adultos saudáveis, um consumo seguro e benéfico situa-se mais ou menos entre as três, quatro chávenas de café por dia. Que equivalem mais ou menos a 300, 400 miligramas de cafeína diárias.

Três a quatro cafés é uma excelente notícia, para quem gosta de café. E para além de nos dar aquele empurrão para acordar, quais são os outros benefícios que a ciência já comprovou?

São vários. O consumo moderado e regular está associado a uma diminuição do risco de diabetes, por exemplo, de doenças cardiovasculares como o AVC. Tem também um efeito protetor no nosso cérebro, reduzindo o risco de Parkinson, de Alzheimer, protege também o nosso fígado e, sobretudo, melhora a nossa concentração, o estado de alerta e até o humor.

Ou seja, o café é quase que um remédio, mas calculo que o excesso, como tudo, traga algo de menos bom. A partir de que ponto é que começa a fazer mal e quem é que deve ter mais cuidado?

É como tudo, o segredo está na dose. Em excesso, a cafeína pode provocar ansiedade, palpitações, tremores, insónias. E há também alguns grupos com recomendações específicas. Por exemplo, as grávidas, que não devem ultrapassar os dois cafés por dia, pessoas já com ansiedade e insónia, que é óbvio, devem moderar bastante o seu consumo de café. E atenção ao tipo de café também. O café que não é filtrado, como por exemplo, o café de prensa francesa ou fervido, vai ter substâncias que vão subir o colesterol. O nosso expresso normal ou o café de filtro, aquele mais regular, são as opções mais seguras e melhores para o nosso coração.

Então e quanto ao relógio, qual é a melhor e a pior altura do dia para tomarmos a bica?

Isto também é fundamental. A cafeína tem uma semivida de cinco a seis horas. Ou seja, isto significa que durante seis horas depois de bebermos um café, metade da cafeína ainda está a circular no nosso organismo e a ter alguma atuação. Por isso, o que se recomenda é deixar de beber café a partir das duas, três da tarde.

Mesmo para quem diz que bebe um expresso depois do jantar e adormece logo?

Não é bem assim. A cafeína pode não impedir o adormecer, mas altera a estrutura do sono e a qualidade do sono e vai retirar o nosso descanso profundo. O café de manhã e ao início da tarde vai potenciar o nosso rendimento e à noite vai nos roubar um pouquinho a nossa saúde.

Portanto, fica o aviso. Para terminar, doutor João, e quem prefere o descafeinado, está totalmente livre de cafeína?

É um mito muito comum, mas o descafeinado não tem zero cafeína.

Tem menos, não é?

Sim, tem dez a vinte vezes menos do que um expresso normal, o que é muito bom, mas mantém sempre uma quantidade residual. Para a grande maioria das pessoas não tem impacto, mas para pessoas que precisam de cortar 100%, como falámos há pouco, na ansiedade, ou por causa de alguma medicação específica, por exemplo, este pormenor é muito importante.

Portanto, em resumo, três a quatro cafés por dia, preferencialmente até ao meio da tarde e sem açúcar. É isso, doutor?

Claro, de preferência sem açúcar.

Doutor João, muito obrigada pelos conselhos. Até amanhã.

Até amanhã. Obrigado.