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Tratar da Saúde da Rádio Observador com a doutora Vanessa Mendes, que é diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Olá, doutora, bom dia.

Bom dia.

Este domingo, dia 24 de maio, foi o Dia Mundial da Pessoa com Esquizofrenia, uma doença frequentemente associada à estigma e à incompreensão, mas que tem um impacto real na vida de quem vive e também das suas famílias. Doutora, como é que descreve esta doença e como é que se manifesta?

A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica crónica que afeta a forma como a pessoa pensa, sente e até como interpreta a própria realidade. Pode manifestar-se por sintomas como ideias delirantes, alucinações, pensamento desorganizado ou alterações do comportamento. E é importante esclarecer que não se trata de dupla personalidade, como muitas vezes as pessoas acham, mas de uma perturbação da perceção e do processamento da realidade.

Quais são aqueles sinais que devem chamar a atenção?

Sobretudo alterações progressivas no comportamento e no funcionamento diário. Por exemplo, o isolamento social, com a diminuição do desempenho académico ou profissional, desconfiança excessiva, alterações no discurso ou na forma de pensar. Em muitos casos, o início é gradual, o que pode atrasar o reconhecimento da doença.

Depois o diagnóstico. E sabemos o que está na origem da esquizofrenia?

Não existe uma causa única. Trata-se de uma condição que pode ser multifatorial e que envolve fatores genéticos, neurobiológicos e até ambientais. Fatores como história familiar, consumo de substâncias ou eventos de estresse podem contribuir.

E doutora, claro que o impacto vai muito além dos sintomas.

Sem dúvida. A esquizofrenia pode ter impacto significativo na autonomia, nas relações e na qualidade de vida. Mas há também um problema importante, que é-

O estigma, falava há pouco.

Isso mesmo. Muitas pessoas com esquizofrenia enfrentam preconceito, o que pode dificultar o acesso a cuidados e o processo da própria recuperação. E é fundamental combater essa ideia e reforçar que estamos perante uma doença médica que requer acompanhamento adequado.

E existe tratamento?

Sim, e quanto mais precoce, melhor. O tratamento inclui medicação antipsicótica e acompanhamento psicológico, social. O objetivo é controlar os sintomas, prevenir recaídas e promover naturalmente a autonomia e a integração na comunidade. Trata-se de um acompanhamento contínuo e adaptado a cada pessoa.

E depois não nos podemos esquecer do quão essencial é a família em todo este processo.

É fundamental. A família tem um papel importante no reconhecimento precoce, no apoio ao tratamento e na própria criação de um ambiente estruturado e seguro para o paciente. O envolvimento da família melhora significativamente os resultados.

Compreender é mesmo essencial.

Sem dúvida. Com um diagnóstico precoce e acompanhamento adequado, é possível estabilizar a doença e melhorar significativamente a qualidade de vida. O mais importante é reconhecer sinais, procurar ajuda e combater o estigma.

Foi mais um Tratar da Saúde, sempre com a doutora Vanessa Mendes. Doutora, obrigada, até amanhã.

Até amanhã. Obrigada.