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Nos centros de saúde CUF, encontra tudo o que precisa para cuidar da sua saúde bem perto de si. A sua equipa de família, com médico de família e enfermeiro, além de medicina dentária, análises clínicas e muito mais. Quem tem CUF à porta, tem tudo.

Estamos de regresso para uma nova temporada de "Tratar da Saúde", desta vez com duas caras novas, duas novas vozes, a do doutor João Marques Santos e da doutora Maria Ana Sobral, médicos de família dos centros de saúde CUF. Esta semana está comigo o doutor João. Doutor, bem-vindo. É um gosto recebê-lo.

Olá, muito bom dia. Obrigado também por esta oportunidade.

Agora passa a ser o meu médico de família durante estes três, quatro minutos. Hoje vamos falar de um tema que gera sempre muitas dúvidas e, sejamos honestos, muitas horas perdidas em salas de espera. Doutor João, afinal, quando é que devemos ir às urgências do hospital e quando é que o centro de saúde é a melhor opção?

Isto é um tema essencial. Na verdade, escolher o local certo não só poupa tempo a quem está doente e numa posição de fragilidade, como também ajuda a não sobrecarregar o próprio sistema de saúde.

Mas a verdade é que quando nos sentimos mal ou temos um filho doente, a tendência imediata de muita gente é correr pro hospital. Por que motivo isso nem sempre é o mais correto?

É compreensível, mas é importante perceber que cerca de um terço das pessoas que vão às urgências hospitalares, na verdade, recebem uma pulseira verde ou azul, aquelas famosas pulseiras da triagem de Manchester. Ou então são situações pouco urgentes que podiam ser resolvidas no centro de saúde. Isto resulta não só em horas de espera frustrantes no serviço de urgência, mas também em retirar recursos a quem verdadeiramente está em risco de vida.

E como é que a pessoa em casa sabe para onde ir se estiver na dúvida? Vamos a exemplos concretos do dia a dia. Uma febre moderada, uma dor de garganta, uma diarreia, por exemplo, sem gravidade, ou uma dor nas costas. Onde é que devemos ir?

Nestes casos, ao centro de saúde. Isto são situações de doença aguda, ligeira e moderada, como febre, dores de ouvidos, dores de garganta, tosse, uma dor lombar, pequenas queimaduras ou até cortes superficiais. E os famosos episódios de gastroenterite com diarreia e vômitos. Isto deve tudo ser avaliado nos cuidados de saúde primários, nos centros de saúde. Os centros de saúde têm estas vagas de consulta do dia precisamente para estas situações.

E quando é que a urgência hospitalar ou até o 112 é verdadeiramente indispensável?

Quando estamos a falar de uma emergência real, uma situação de risco de vida. Vamos falar, por exemplo, em sinais da AVC, como a boca ao lado, falta de força num dos braços ou numa das pernas, dificuldade em falar, uma dor muito forte no peito ou uma sensação de falta de ar, perda de consciência, desmaio, acidentes ou uma suspeita de fratura, ou uma hemorragia que nós não conseguimos parar. Aqui nem nos deslocamos, ligamos para o 112.

E no caso dos pais com crianças com febre, que é um dos maiores motivos de pânico?

Sim, isto é algo que compreendo perfeitamente, mas também temos que relativizar. A febre isolada na criança, se ela estiver ativa, a brincar, bem disposta, a beber líquidos, raramente é uma urgência hospitalar. O que nos deve alertar são os chamados precisamente sinais de alarme. Posturação excessiva, manchas na pele que não desaparecem quando passamos a mão, dificuldade em respirar, por exemplo, ou então uma criança que de repente deixa de estar ativa ou muito prostrada. Na dúvida, há sempre um recurso que ajuda nesta triagem, que é o SNS 24. Este contacto prévio vai facilitar não só o atendimento no centro de saúde, mas também na própria urgência hospitalar.

Já vem com a indicação do SNS.

Exatamente, e vai nos encaminhar. Além deste recurso do SNS, temos também alguns grupos privados ou seguradoras que têm esta triagem telefónica que também nos pode ajudar.

Doutor João, outro mito muito comum: se for de ambulância para o hospital, sou atendida mais depressa. Isto é verdade ou não passa de um mito?

Isto é um grande mito. Nós, independentemente do veículo que nos leva até ao hospital, vamos sempre ser triados com a famosa triagem de Manchester. E aqui vai-nos ser atribuída uma cor. Desde o azul, do menos grave, ao vermelho, esperemos que seja atendido mais rápido. E aqui pensar que se houver muitos doutra cor, dificilmente nos vão conseguir atender tão depressa se tivermos uma pulseira vermelha.

Portanto, aqui o meio de transporte não define quem chega e quem é atendido primeiro. Mas para resumir numa frase, quem nos está a ouvir, doutor?

Portanto, em caso de doença aguda, contactar previamente sempre o SNS 24. Ou então procurar um centro de saúde, preferencialmente o seu médico de família, e em caso de risco de vida, ligar o 112.

Esclarecidíssima. tratardasaúde@observador.pt, para onde pode enviar as suas dúvidas. Se preferir, também pode enviar áudio por WhatsApp para o 91 002 4185. Doutor João Marques Santos, até amanhã.

Até à próxima. Obrigado.