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Bem-vindo a mais um "Tratar da Saúde". Eu sou a Maria João Simões, comigo está a doutora Vanessa Mendes, diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Olá, doutora. Bem-vinda.

Olá, bom dia.

No passado sábado foi o Dia Mundial da Incontinência Urinária e, por isso, não podíamos passar ao lado do tema, até porque perder urina ao tossir, ao rir ou fazer exercício é algo que acontece a muitas pessoas, sobretudo mulheres. Mas, na maior parte das vezes, é encarado como algo normal da idade ou como uma consequência inevitável depois de se ter filhos. Mas, doutora Vanessa, é mesmo normal?

Não é, Maria João, de todo. E isto é importante dizer aqui. A incontinência urinária é muito frequente, mas não deve ser encarada como algo inevitável. Há números importantes a destacar. Em Portugal, estima-se que cerca de 600 mil pessoas sofram de incontinência urinária. E sabemos também que cerca de uma em cada cinco pessoas tem mais de 40 anos. Nas mulheres, especialmente, por exemplo, na pós-menopausa, a prevalência aumenta muito e pode atingir cerca de 25% das mulheres. Ou seja, é muito frequente, mas isto não significa que seja normal.

Sendo assim, importa talvez explicarmos por que acontece.

Sim. Então, existem vários tipos de incontinência urinária, que vou explicar de forma muito rápida. A mais comum nas mulheres é a incontinência de esforço, que normalmente acontece quando aumenta a pressão abdominal. Por exemplo, ao tossir, ao rir. Exatamente.

Fazer esforços, não é?

Sim, principalmente mulheres que fazem mais esforços. Por exemplo, com algumas atividades domésticas, como levantar peso, etc. O correr também. E pode surgir então, devido ao enfraquecimento dos músculos do pavimento pélvico, aqui também muito associado à gravidez, é algo importante, e ao próprio parto, às alterações hormonais da menopausa, ao excesso de peso, que também é importante destacar, e ao próprio envelhecimento dos tecidos. Mas cada caso deve ser avaliado, porque as causas podem ser diferentes.

Sobre este tema, há ainda um outro problema, é que muitas pessoas não falam sobre isto, mas até por uma questão de vergonha, não é?

Sim, ainda há alguma vergonha, algum tabu. E apesar de ser muito frequente, muitas mulheres não procuram ajuda porque pensam que faz parte da idade. Além de ser uma consequência da idade, também pode ser uma consequência da própria maternidade. E na realidade, apenas uma parte das mulheres afetadas fala sobre o problema com o médico. E isto é preocupante, porque a incontinência urinária pode ter um impacto enorme na qualidade de vida. Na atividade física, na vida social e até na própria autoestima da mulher.

Mas, doutora, não pode ser tudo mau. A boa notícia é que tem tratamento.

Tem, sim, e na maioria dos casos tem muito bons resultados. Dependendo da causa, naturalmente, o tratamento pode incluir os exercícios de fortalecimento do pavimento pélvico. Aqui eu acho que todas as grávidas conhecem estes exercícios, são os chamados exercícios de Kegel, ou até, por exemplo, mais à frente, a parte da fisioterapia pélvica. Depois também a mudança de estilo de vida, a própria medicação e, nalguns casos mais graves, a cirurgia. O mais importante é, sem dúvida, fazer uma avaliação médica para identificar o tipo de incontinência.

E de certeza que, como noutras doenças, existem coisas que possamos fazer para prevenir que isto aconteça.

Sim, há algumas medidas que ajudam, nomeadamente a parte da ingestão equilibrada de água, como por exemplo, reduzir a ingestão de água cerca de duas a três horas antes de dormir, manter o peso saudável, evitar, por exemplo, a parte da obstipação, porque cria-se uma grande pressão a nível abdominal, moderar o consumo de cafeína e também de álcool, que podem funcionar como irritantes da bexiga e aumentar a urgência, a pessoa ter que ir mais vezes à casa de banho, deixar de fumar, que a tosse associada, a parte das fumadoras, há uma tosse crônica que também está muito associada à incontinência, e a parte do exercício físico regular. São medidas muito simples, mas que efetivamente podem fazer uma grande diferença.

Claro. Então, doutora, numa frase, o que importa reter sobre este tema?

Então, aqui algo importante: perder urina não é algo normal que tenhamos de aceitar. A incontinência urinária é um problema de saúde e, na maioria dos casos, tem tratamento. Falar sobre o assunto é muitas vezes o primeiro passo para recuperar a qualidade de vida.

E é assim que chegamos ao fim de mais um "Tratar da Saúde". Também pode fazer parte, envie as suas perguntas para tratardasaude@observador.pt, ou então por mensagem de voz, por WhatsApp, para o 910024185. Doutora Vanessa, até amanhã.

Até amanhã. Obrigada.