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Bom dia, doutora Vanessa Mendes.
Bom dia.
Bem-vinda.
Obrigada.
No passado dia 11 de abril, um sábado, assinalou-se o Dia Mundial da Doença de Parkinson. E quando pensamos nesta doença, pensamos quase sempre em tremor. Mas e se dissesse que o Parkinson pode começar muitos anos antes, sem qualquer tremor? Doutora Vanessa, estamos a reconhecer o Parkinson tarde demais?
Antes de mais, dizer que o Parkinson é uma doença neurodegenerativa que afeta áreas do cérebro responsáveis pelo controle do movimento e está associada a uma diminuição da dopamina, que é essencial para a coordenação motora. Mas também é importante perceber que a doença não começa com os sintomas motores. Começa muito antes, numa fase silenciosa.
Então e que sinais são esses que surgem nessa fase silenciosa?
Existem sinais precoces que, do ponto de vista clínico, chamamos de fase prodromal. Podem surgir entre cinco a 10 anos, ou às vezes até mais, antes dos sintomas chamados típicos. Incluem perda do olfato, pode ser também obstipação, alterações do sono, ansiedade ou até depressão e sensação de lentificação. Esta fase é frequentemente desvalorizada, porque são sintomas um pouco atípicos, pouco frequentes também, mas é importante reforçar que isoladamente estes sintomas não significam doença.
E por que estes sinais aparecem tão cedo? O que explica isso?
É que porque a doença começa por afetar outras áreas do sistema nervoso, como o olfato, o intestino e também o sono, antes de atingir os circuitos do movimento.
E há pessoas com maior risco, doutora? Ou seja, existe aqui uma componente genética?
Existe alguma predisposição genética, mas é importante esclarecer que a maioria dos casos não é hereditária. Ter um familiar com Parkinson pode aumentar ligeiramente o risco, mas não significa que a doença vá surgir. E portanto, resulta, na maioria das vezes, de uma combinação de fatores que podem ser genéticos, mas maioritariamente ambientais e do próprio envelhecimento.
Então reconhecer estes sinais pode fazer toda a diferença.
Pode, claro. Ainda não existe cura, na verdade, mas existem tratamentos que são eficazes, que melhoram os sintomas e a qualidade de vida. E reconhecer fases precoces permite, naturalmente, acompanhar melhor e intervir mais cedo.
E quando alguém se identifica com alguns destes sinais, o que deve fazer?
Antes de mais, o mais importante é contextualizar. Porque como também já referi, um sintoma isolado é frequente e não significa que haja doença. Mas a presença de vários sinais persistentes ao longo do tempo deve, naturalmente, motivar avaliação médica.
Ou seja, mais do que esperar pelos sintomas típicos, doutora, devemos estar atentos àqueles sinais mais subtis, não é?
Sim, é isso mesmo. O Parkinson não começa com o tremor, começa muito antes, de forma silenciosa, e o corpo vai dando sinais, que muitas vezes não valorizamos, e reconhecê-los é sem dúvida uma oportunidade. Porque quanto mais cedo compreendermos o que está a acontecer, mais cedo podemos cuidar e naturalmente tratar.
Foi mais um Tratado da Saúde com a doutora Vanessa Mendes. Até amanhã, doutora.
Até amanhã. Obrigada.