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Este podcast tem o apoio CUF. Nos Centros de Saúde CUF, encontra cuidados de proximidade com a qualidade e segurança de sempre, mesmo à sua porta. Quem tem CUF à porta, tem tudo. Centros de Saúde CUF SA. NPC 509925332.
"Tratar da Saúde" é o novo programa da Rádio Observador. Em menos de cinco minutos explicamos aquilo que realmente importa quando o assunto é saúde e para isso contamos com a ajuda preciosa da doutora Vanessa Mendes, diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Bem-vinda, doutora. Bom dia.
Muito obrigada. Bom dia.
Também pode fazer parte do nosso programa. Envie-nos as suas dúvidas por e-mail para tratardasaúde@observador.pt ou então por WhatsApp para o 910024185. Nesta estreia falamos de uma das principais causas de morte, o AVC. E é aqui que entra o nosso tema. Os smartwatches, aqueles relógios que medem a pulsação, contam os passos, fazem 1001 coisas, podem prevenir um AVC? Estamos a falar de uma revolução na medicina ou apenas de mais um gadget tecnológico?
A verdade é que hoje os smartwatches já não servem apenas para contar passos ou medir calorias. Falamos de dispositivos capazes de detetar alterações do ritmo cardíaco, como a fibrilhação auricular, uma arritmia que é responsável por cerca de 20% a 30% dos AVCs isquémicos. E os números são claros: em Portugal estima-se que existam mais de 100 mil pessoas com fibrilhação auricular, muitas sem diagnóstico ainda, e esta arritmia aumenta efetivamente muito o risco de AVC. Num grande estudo internacional com mais de 400 mil utilizadores de smartwatches, cerca de 0,5 receberam a alerta do ritmo irregular e uma parte significativa confirmou fibrilhação auricular em exames médicos posteriores. Isto significa que podemos estar a identificar doença potencialmente grave antes do primeiro evento, do primeiro AVC.
Mas, doutora, isto é só tecnologia interessante ou de facto tem impacto real na população portuguesa?
Tem potencial real. O AVC continua a ser uma das principais causas de morte em Portugal e é a principal causa de incapacidade adquirida no adulto. Quando a fibrilhação auricular é diagnosticada a tempo e tratada com anticoagulação nos doentes certos, o risco de AVC pode reduzir-se e muito. Neste caso, cerca de 60% a 70%. Portanto, se um dispositivo ajuda a identificar precocemente esta arritmia, pode ser um alerta decisivo.
Mas quando o relógio dá esse alerta, é fiável?
É um sinal de alerta, como disse, não é um diagnóstico. A sensibilidade é elevada, mas existem falsos positivos, ou seja, casos em que efetivamente há um alerta de uma arritmia, mas pode não se confirmar e, portanto, deve-se realizar sempre um exame diagnóstico, nomeadamente um eletrocardiograma, um Holter, e é fundamental aqui sublinhar: os smartwatches não permitem fazer autodiagnósticos. A tecnologia sem contexto clínico pode gerar ansiedade ou, pelo contrário, uma falsa sensação de segurança.
A doutora falou num ponto importante, ansiedade. Por isso é que depois há quem viva obcecado com cada batimento cardíaco e sempre a olhar para o telefone, não é?
Sim, e cada vez acontece mais.
Para o telefone, não para o smartwatch. Para o smartphone smartwatch.
Sim, efetivamente, até já lhe chamamos de ansiedade biométrica. São variações normais que são interpretadas como doença. Isto pode gerar exames desnecessários e sobrecarga dos serviços de saúde. A tecnologia é sem dúvida uma aliada, mas precisa de literacia em saúde.
Como tudo, não é? E como conclusão, doutora, na sua opinião, os relógios inteligentes salvam vidas ou não?
Podem contribuir para salvar vidas, sim. Sobretudo quando permitem identificar precocemente uma arritmia, como a que falamos, que é muitas vezes silenciosa, e prevenir um AVC, que é potencialmente incapacitante ou fatal. Mas não fazem diagnósticos nem substituem a avaliação médica. E por isso diria que o futuro da medicina está na combinação entre a tecnologia e a decisão clínica assente em conhecimento e responsabilidade.
Muito bem. Doutora Vanessa Mendes, muito obrigada pelos esclarecimentos. Amanhã voltamos a tratar da saúde. Até amanhã.