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Este é o "Tratar da Saúde" da Rádio Observador. Eu sou a Maria João Simões, comigo está a doutora Vanessa Mendes, diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Doutora, bom dia.

Bom dia.

Estamos a entrar em abril, o mês da conscientização para o estresse. E é uma frase que ouvimos todos os dias: "Estou estressado". Mas será sempre estresse ou pode ser ansiedade? Estamos a falar da mesma coisa?

Não, não estamos. Não são a mesma coisa. O estresse é uma resposta natural do corpo a uma situação desafiante. Até pode ser útil, porque nos ajuda a reagir, a focar. Já a ansiedade acontece quando esse estado de alerta se mantém. Ou seja, o corpo continua em modo perigo, mas não existe um perigo efetivo.

Então o problema não é sentir estresse?

Não. A verdade é que o problema é quando o estresse se torna constante, quando não há recuperação, quando o corpo não consegue de forma nenhuma desligar.

E quando é que percebemos que já não é normal?

Existem alguns sinais ou sintomas que quando se mantêm no tempo, devem ser valorizados, como são exemplo as palpitações ou aquele aperto no peito, que é muito típico de ansiedade, dificuldade de concentração, preocupação constante, um cansaço que persiste, a irritabilidade ou até mesmo dificuldade em dormir.

E doutora, isto tem impacto físico real, não é?

Tem, e muito. Porque não é apenas o impacto emocional. A verdade é que afeta todo o organismo, estando também muito associado a níveis de cortisol elevado e com isso alterações do sono, alterações de peso, resistência à insulina, um aumento da tensão arterial e por consequência também um aumento do risco cardiovascular.

E na prática, o que se pode fazer para evitar tudo isto?

A verdade é que há estratégias. Podem ser simples, mas também muito eficazes. Por exemplo, a respiração consciente, que ajuda a regular o sistema nervoso e a reduzir o estado de alerta, e há várias que podem ser adotadas. Criar pausas ao longo do dia, mesmo que sejam breves, mas é importante não ter estímulos, porque o nosso cérebro precisa de momentos de recuperação.

Verdade.

O movimento, ou seja, caminhar, praticar exercício físico de forma regular, também tem um efeito direto na redução do estresse. Desligar ao final do dia, reduzir a exposição a ecrãs e criar um ritual de desaceleração, porque aqui, mais uma vez, o sono é essencial.

Falamos tantas vezes no sono.

É verdade. Porque nos permite ter um equilíbrio emocional e fisiológico. E depois também focar no que é controlável, porque a verdade é que nem tudo depende de nós e aceitar isso reduz também a carga de ansiedade.

E quando é que devemos procurar ajuda? Quais são os sinais de alerta?

Basicamente, é quando começa a interferir com a nossa vida, quando afeta o sono, o trabalho, as relações, quando sentimos que já não conseguimos gerir sozinhos. E pedir ajuda é um sinal de cuidado, não é de fraqueza. E portanto, para concluir, dizer que sentir estresse é normal e faz parte da vida. Todos nós já o sentimos.

Claro.

Mas viver constantemente em tensão, isso é que já não é normal. O nosso corpo vai nos dando sinais e é importante saber reconhecê-los. Controlar o estresse não é, naturalmente, eliminar os problemas. Era bom, não é? Mas é aprender a regular a forma como o nosso corpo vai reagindo.

Faça parte do "Tratar da Saúde". Envie-nos as suas dúvidas por e-mail para tratardasaúde@observador.pt ou então por mensagem de voz por WhatsApp 910024185. Doutora, até amanhã.

Até amanhã. Obrigada.