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Hoje não se fala de outra coisa também no futebol.
Pois, não. Desde ontem às 10 da manhã.
Desde ontem que só se fala do despedimento de Rúben Amorim. Aliás, não sei se já viram.
Não vem de mãos a abanar.
Já vamos falar disso. Não sei se viram aquela imagem trabalhada, photoshopada.
Photoshopada?
Photoshopada do Maduro com a cara do Rúben Amorim sobreposta.
Sim, vi.
Pronto, o Nicolás Maduro a ser demitido.
Tem servido para tudo.
Pois.
É absolutamente.
Há certas semelhanças. Ambos foram despedidos do cargo, ou foram retirados do cargo.
Foram forçados a sair.
Foram forçados a sair. Rúben Amorim bem se esforçava por dizer que não era apenas o treinador principal, o head coach.
Era o head. Era o manager.
Era o manager. Mas no comunicado em que anunciou a saída do treinador, o clube fez questão de dizer que quem estava a ser despedido era, de fato, o treinador principal e não o manager do clube. E assim chegou ao fim o consulado de 14 meses de Rúben Amorim em Manchester e os resultados não foram bons. As ideias de Rúben Amorim também não vingaram. E diz-se também que nem os jogadores estariam completamente em sintonia, a apoiar o treinador de acordo com as suas ideias táticas. E isso pode ver-se, ou pode tentar descortinar-se nas mensagens nas redes sociais dos jogadores a lamentar a saída de Rúben Amorim. O jornal "Record" fez uma lista dos jogadores que ainda não se pronunciaram e entre eles estão alguns pesos pesados do plantel do United, como Casemiro, Manuel Ugarte, que já tinha trabalhado com Rúben Amorim no Sporting. Outros pronunciaram-se, como por exemplo os internacionais portugueses Diogo Dalot e Bruno Fernandes, mas curiosamente, ou não, quase todos recorreram a uma mensagem padrão: "Obrigado, mister. Boa sorte para o futuro." Foi a mensagem.
O clube distribuiu isso, o kit.
O kit de despedida do treinador.
Faz copy e paste.
Faz. Não é a primeira vez que acontece, tem sido muito frequente.
Assim não se comprometem, são simpáticos e não se comprometem.
Exatamente. Pronto, adeus. Só para dizer que estamos atentos ao que se está a passar e agradecemos a colaboração do nosso treinador. E pronto, e até à próxima. Quem não teve grandes problemas em manifestar a sua opinião foi Alejandro Garnacho, que agora está no Chelsea, mas que estava no United. Rúben Amorim resolveu dispensá-lo, disse que não era um jogador necessário. E numa das publicações do clube, do United, nas redes sociais, a anunciar o despedimento de Rúben Amorim, Garnacho foi lá pôr um like. Isto tudo é interpretado agora nas redes sociais, nada escapa, e os jogadores também têm consciência disso, sabem perfeitamente o que estão a fazer e a mensagem que estão a passar. Mas dizias tu, Maria João, que-
Não vem de mãos a abanar
...Rúben Amorim não vem de mãos a abanar, é verdade. 11 milhões de euros é o valor da indenização, portanto, dá para estar sossegado durante uns tempos. Não é aqueles dramas. Os despedimentos são muito trágicos para a maioria das pessoas, mas quando estamos a falar de treinadores, e a este nível, obviamente, não é propriamente uma tragédia. Claro, profissionalmente não será o ideal, mas a verdade é que vem com o que se diz nas empresas?
O pé de meia. Não, o paraquedas dourado.
O paraquedas dourado. É um duplo paraquedas, ainda tem um de segurança por 11 milhões de euros. Diz-se que Rúben Amorim estará a planear não voltar ao trabalho nos próximos meses, até final da época, ou seja, não assumir nenhum clube até o final.
A meio da temporada.
Sim, e depois desta experiência, que parece ser um pouco traumática. Havia grandes expectativas, estamos a falar de um dos maiores clubes do mundo, Rúben Amorim estava numa trajetória ascendente.
Sim, e se pensarmos o dilema que ele teve quando decidiu sair do Sporting. É um projeto falhado.
Não, claro.
Ele deve estar muito arrependido.
Honestamente, eu não sei se está arrependido.
É porque ele nunca esteve em alta lá, na verdade. Só quando chegou, perfeito.
Pronto, nas primeiras 24 horas, o estado de graça durou acho que até ao primeiro jogo, que começou logo com um empate. Sim, começou logo com um empate, mas claro, era o primeiro jogo, é preciso dar tempo. Havia um compromisso, ou pelo menos julga-se que haveria um compromisso entre o clube e o treinador, de quaisquer que fossem os resultados durante esta época, de não ser despedido. Nós sabemos que muitos clubes dizem que garantem a continuidade do treinador e depois os resultados ditam a saída. Aqui, para além dos resultados, o que pode ter ditado a saída de Rúben Amorim foi a relação um pouco tensa com o diretor desportivo, nomeadamente para as contratações a fazer agora no mercado de inverno. Rúben Amorim queria mais investimento e queria também ter uma palavra a dizer nos jogadores a contratar nesta janela de transferências. O clube achava que Rúben Amorim já tinha esgotado os créditos, que teria de aceitar o investimento decidido pelo clube e também os jogadores a contratar. Na conferência de imprensa que deu no domingo depois do jogo, do empate com o Leeds, Rúben Amorim, esta é a opinião consensual, esticou a corda, ou seja, quis também passar uma mensagem e fazer aqui um braço de ferro com a direção, e saiu a perder. E saiu a perder também, de fato, quando olhamos para as estatísticas. Olhando não só para a era pós-Ferguson, é o treinador com piores resultados, não vamos dizer o pior treinador, mas é o treinador com a percentagem de vitórias mais baixa, 38%.
E ninguém foi propriamente muito bem-sucedido depois de Ferguson.
Pronto, o que ainda piora a avaliação de Rúben Amorim. E há 50 anos que ninguém tinha uma percentagem tão baixa de vitórias a treinar o Manchester United. Portanto, tudo isto correu muito mal profissionalmente a Rúben Amorim, pode sair com esse paraquedas.
É o novo Vida Nova.
É isso. E agora, para onde é que ele irá? Essa é a pergunta dos 11 milhões de euros.
Será que o telefone já tocou?
Será? E de onde? De onde é que vem a chamada?