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Estamos perante uma confusão das arábias, meus amigos. Até agora eram só boas notícias, passarines, muito dinheirinho, menos títulos. Isto para Cristiano Ronaldo, na Arábia Saudita. Agora não quer jogar. Agora não quer jogar e não jogou. Ontem o Al-Nassr jogou, mas Cristiano Ronaldo não jogou. Está a ganhar pouco. Ora aí está. O que se passou? Está zangado com o fundo de investimento saudita. Como tu sabes, Paulo. Uma pessoa zangasse com um fundo de investimento, é sempre uma boa questão. Pois é, sobretudo quando o fundo de investimento lhe paga 200 e tal milhões por ano. Os principais clubes da Arábia Saudita são financiados por este fundo soberano. São quase empresas públicas, aquilo. Na verdade, são. O fundo é. O fundo é e os clubes acabam por ser, porque são financiados por este fundo. Os principais clubes são financiados. A política de contratações depende da disponibilidade que o fundo tem para dar fundos a estes clubes. E Cristiano Ronaldo achou que o seu clube, o Al-Nassr, está a ser prejudicado em favor dos rivais. O Al-Nassr, neste momento, não está na liderança do campeonato. Começou muito bem a época, mas depois teve uma série de derrotas e de maus resultados que levaram o clube a sair do primeiro lugar. Cristiano Ronaldo está preocupado com o que isso pode significar para o resto da época e viu que havia movimentações no mercado, nesta janela de transferências, que indicavam que o fundo não estava muito preocupado em investir no Al-Nassr, o que não acontecia com os clubes rivais, o Al-Hilal e o Al-Ittihad, que são os principais rivais do Al-Nassr. E então o Cristiano Ronaldo disse: "Então não jogo". Quer dizer, terá dito. Ele não o disse publicamente, mas a verdade é que não jogou. E neste momento está tudo em blackout. Ontem houve um jogo, o Al-Nassr ganhou, mas não houve conferência de imprensa. Jorge Jesus, o treinador português do Al-Nassr, não apareceu. Há aqui, de facto, esta ideia que Cristiano Ronaldo também tem muito poder junto do clube. Aliás, falava-se que poderia até vir a ser um dos proprietários do clube, poderia ser essa uma das cláusulas do contrato com o Al-Nassr. E isso dá-lhe também um peso nestas decisões que o clube toma, o clube e o fundo de investimento. A gota d'água para esta decisão, diz-se, de Cristiano Ronaldo não jogar, terá sido a possibilidade, que já entretanto foi confirmada, de Karim Benzema sair do Al-Ittihad e ir para o Al-Hilal, que foi o que aconteceu. Deixou o clube de Sérgio Conceição e foi para o outro clube e Cristiano Ronaldo viu nesta movimentação um favorecimento, porque o Al-Nassr contratou apenas um jogador, também de um dos rivais, mas é um jogador que não é uma grande estrela, é jogador saudita e que só marcou um golo esta época, não é uma figura da dimensão de Benzema. Então esta falta de investimento levou Cristiano Ronaldo a tomar esta decisão. Para já, o clube, os jogadores e treinadores não falam, não comparecem nas conferências de imprensa. Não falam publicamente. Não falam publicamente. Não falam entre eles. Entre eles provavelmente estarão sintonizados. Vamos ver também o que acontece nos próximos dias. A relação de amor, não sei se será de amor, se será de interesse, entre Cristiano Ronaldo e a Arábia Saudita pode estar a acabar. Pode ser que continue por lá e pode ser que o fundo acabe por atender também às queixas de Cristiano Ronaldo. Tem quanto dinheiro pensa que tem, não é? Vamos ver o que acontecerá nos próximos dias. O futebol serve para corrigir graves injustiças que acontecem um pouco por todo o mundo e até numa bancada. E desta vez, eu acho que é das maiores injustiças que se podem cometer, que é roubar um nugget a uma criança. É verdade. Sobretudo quando só há quatro no pacote. Vocês já experimentaram tirar aos vossos filhos ou familiares, a crianças, roubar um nugget? Eu nunca tentei. O que acontece? Dá para uma discussão quase tão grave como a de Cristiano Ronaldo na Arábia Saudita. Não é fácil. Eu às vezes levo aquelas caixas de 10. Nós, na maior parte das vezes, somos quatro lá em casa e então os meus filhos dizem: "Então 10, como é que vamos dividir isso pelos quatro?" Não dá conta certa, não. Se fosse na União Soviética, diríamos: "Vamos dividir isto irmamente." Ao que alguém responderia: "Não, irmamente não, 50/50." Aqui houve uma criança num jogo do Wolverhampton, na Premier League, que estava acompanhada pelo pai, na bancada, a comer os seus nuggets e o pai tirou-lhe o nugget e a criança começou a chorar. Já há o vídeo, claro, desta situação. O pequeno Rory, o adepto do Wolverhampton, começou a chorar porque o pai comeu o nugget. Coitadinho. Coitadinho. Há que se habituar a estas coisas, a vida não é fácil. Mas o Wolverhampton não ficou indiferente à tristeza do adepto. E então, no jogo a seguir, o que é que lhe ofereceu? Uma caixa de nuggets e uma camisola do clube, atenção, e que lhe foram entregues pela mascote do clube, o Wolfie. O Wolverhampton tem a mascote, é um lobinho. Corrigiu essa injustiça. Há um adepto que está feliz e o pai também tem aqui uma grande lição: nunca mais tirar um nugget ao filho, porque depois pode ser grave. E fica viral. Às vezes acontecem coisas em campo muito inesperadas. Aconteceu desta vez no jogo do Campeonato Mineiro, no Brasil. O guarda-redes Cássio, do Cruzeiro, teve de ir à casa de banho. Não é muito frequente acontecer. Aliás, de cabeça, não me lembro de uma situação em grandes jogos em que isso tenha acontecido, mas desta vez aconteceu. E o que se faz? O que se faz é interromper o jogo. Neste caso, o jogo parou cerca de três minutos. Por razão de força maior. O comentador da televisão que estava a transmitir o jogo disse que ele teve uma descarga de adrenalina, que é um bom eufemismo. É um eufemismo. Há aquele eufemismo do ir retocar a maquiagem, e o Cássio não terá ido retocar a maquiagem, teve uma descarga de adrenalina. Também é uma boa solução às vezes para quando o adversário está a massacrar, interromper o jogo. Pode dizer: "Olha, por motivos de força maior, o guarda-redes teve de se ausentar e o jogo tem de ser interrompido." É uma boa estratégia. Ainda pega isso. Eu acho que ainda pega.