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E no Três Toques vamos regressar a um lugar onde Mourinho foi feliz e também infeliz. Costuma dizer-se que não devemos voltar aos lugares onde fomos felizes. Mourinho fala disso no documentário já muito visto na Netflix sobre a sua carreira. A verdade é que ele voltou, por exemplo, ao Chelsea, onde tinha sido muito feliz, ainda foi campeão inglês, a última vez que ele ganhou um título nacional, e agora regressa a Madrid, onde teve algum sucesso, conseguiu ganhar um campeonato, uma taça e uma supertaça, mas na Champions ficou sempre pelas meias-finais. E muitos dizem que começou aí o declínio do treinador português. Aquela passagem pelo Real Madrid deixou marcas. Foram anos muito intensos, de grande rivalidade e muitas polémicas com o Barcelona, e parece que aquilo atingiu a psique de José Mourinho. E a verdade é que não foi uma saída, na altura, muito pacífica. Houve desentendimentos com o presidente do Real Madrid e também com muitos jogadores. E eu acho que esse foi o principal problema, os desentendimentos com os jogadores. Até ouvimos o Iker Casillas a falar dessas tensões que existiam no balneário, de, pela primeira vez na sua carreira, José Mourinho ter perdido um pouco a mão e ter entrado em conflito com alguns dos pesos pesados do balneário do Real Madrid, ao contrário do que tinha acontecido sempre ao longo da sua carreira no Porto, no Chelsea. No Inter de Milão conseguiu os seus grandes sucessos com esta coesão e com este espírito dos jogadores dispostos a fazer tudo por ele. No Real Madrid, isso aconteceu no início, mas depois foi se perdendo. Também por causa da questão dos jogadores do Real Madrid, que eram companheiros de seleção dos rivais do Barcelona, que tinham com eles boas relações, e para Mourinho não havia espaço para isso. Aquilo era uma guerra. E então isso acabou por causar alguma fricção entre Mourinho e os pesos pesados.

Mas agora reagiram bem ao regresso de Mourinho? Os adeptos.

Os adeptos estavam de certa forma divididos, porque eu lembro-me de algumas mensagens e até cartazes levados pelos adeptos do Real Madrid aquando da saída de Mourinho, nessa primeira passagem por o Real Madrid, a muitos expressarem alívio e contentamento por Mourinho finalmente se ir embora, quase como se fosse uma força tóxica dentro do Real Madrid, que conquistou alguns títulos, mas que no fundo tinha posto em causa a identidade do Real Madrid, que eles gostam muito de se ver, de certa forma, como uma aristocracia, com um comportamento acima daquelas estratégias mais belicosas do Mourinho. E que neste regresso houve uma divisão dos adeptos. Alguns acreditam que é com Mourinho que podem voltar ao topo e vencer o Barcelona. Outros acreditam que o estilo de Mourinho acaba por causar um grande desgaste ao fim de muito pouco tempo nos jogadores, e vamos ver como é que Mourinho lida também com esta nova fornada de estrelas, porque esse é outro dos desafios. Dizia-se também que Mourinho era muito bom a lidar com jogadores de outras gerações, com uma outra mentalidade, e que talvez não esteja muito bem adaptado para lidar com estas novas estrelas, como Mbappé, Vini, Vini Júnior, Jude Bellingham. Mas foi Jude Bellingham que marcou o primeiro gol deste regresso de José Mourinho ao Real Madrid, no primeiro jogo contra o Espanhol de Barcelona, em Barcelona. Uma vitória muito difícil. Olhando para o plantel do Real Madrid, vemos, de facto, uma equipa extraordinária, com muitas soluções, onde estavam no banco inúmeros jogadores que poderiam ser titulares.

Mas é preciso é resultados.

Aquilo ainda não funcionou como uma máquina e, por comparação, veja-se o que o Barcelona ontem fez contra o Elche, ganhou 5 x 0 na primeira jornada para o Barcelona e também para o Real Madrid, que não tinham jogado no primeiro fim de semana. E há nítidas diferenças. Parece uma máquina já muito bem oleada. O Real Madrid ainda tem um longo trabalho pela frente, mas ganhou com um gol já nos últimos minutos de um avançado com características muito diferentes do resto do plantel, o jovem Carlos Espi, que é uma espécie de ponta de lança tradicional, daqueles altos, fortes, espadaúdes, que dão muito trabalho, um pinheiro, no dizer de alguns treinadores. E foi ele que acabou por resolver. Todas as outras estrelas, Vini Júnior, Mbappé, não funcionaram. E às vezes são estes jogadores um bocadinho diferentes do resto do plantel que acabam por fazer a diferença. E neste caso fez mesmo e deu a primeira vitória a José Mourinho, mas, claro, com muito trabalho pela frente neste seu regresso.

Para olear a máquina.

É, a máquina não está bem oleada. Máquinas que estão bem oleadas.

Olha, nem de propósito.

Olha, nem de propósito. Em Pequim, vocês têm visto as imagens destes jogos mundiais dos robôs.

Eu vi este fim de semana, por acaso, vi uma reportagem este fim de semana. Pois, eu vi a reportagem.

É porque começaram a ser divulgadas imagens do recorde dos 100 metros, do robô que bateu o recorde do Usain Bolt. O Usain Bolt que tem 9:58, nove segundos e 58. E este robô bateu o recorde, fez 9:39, mas depois partiu-se todo.

A parte da travagem é melhor. Lá está. Eles vêm as macas para levar os robôs.

Eles não se ressam. Mas eles não conseguem travar. Nunca se viu. Já houve alguns velocistas também a tropeçar e a cair, mas neste caso acho que foram mesmo todos os robôs que têm alguma dificuldade em travar. Mas são imagens impressionantes.

O Mourinho também tem de ir lá olear estes senhores.

Olha, se calhar dava jeito aqui um robô para substituir alguns jogadores. Mas houve outras provas dos 400 metros, por exemplo, também com os robôs a fazerem marcas muito superiores às marcas que os humanos conseguem fazer, mas em muitas outras modalidades, por exemplo, no kickboxing Também são bons. Ainda por cima aquilo deve doer um bocadinho. Mas são várias modalidades e é incrível ver a evolução destas máquinas. E para quem achava que aqueles cenários dos filmes do Exterminador Implacável estavam muito distantes, é nós começarmos a pensar: se fazem isto, o que é que podem fazer? Mesmo em termos, por exemplo, de utilizações na área da defesa, na área militar.

Como temos visto também alguns exemplos, não é? Na Ucrânia e outros.

Sim, na guerra da Ucrânia com a utilização dos drones, mas se pensarmos em possíveis utilizações, por exemplo, como robôs soldados, de facto aqui uma nova era que se está a abrir. Tem alguma graça, aqui há alguns tempos foram também divulgadas umas imagens dos robôs bailarinos e ginastas que faziam coisas inacreditáveis e podemos estar aqui mesmo perante um admirável mundo novo.

Eu acho que estamos mesmo.

Um ameaçador mundo novo e muito perigoso. Mundo novo também é um mundo novo e um look novo de Erling Haaland, como se diz em norueguês. Então o que é que aconteceu a Erling Haaland? A minha pronúncia norueguesa está ótima. Ele é conhecido, claro, pelos muitos gols que marca.

Por ser enorme.

Mas também por aquele cabelo, aquela cabeleira maravilhosa.

Sedosa.

Sedosa, que tem sido alvo de muitos memes, de muitas brincadeiras. Só que Erling Haaland fartou-se daquela melena.

Dá muito trabalho tratar daquilo. Um tamanco, um tamanciador.

Porque é preciso, já viste como é que é? Eu não sei como é, mas parece, de facto, muito sedoso. Parecia. O que é que fez? Rapou o cabelo. Eu acho que foi pentum. Não foi zero, não foi máquina zero, mas foi pentum.

Eu acho que está muito bem assim.

Eu acho que está muito bem. Até parece um homenzinho. Aquela coisa que as avós diziam quando cortavam.

Com aquilo comprido já não.

"Assim pareces um homenzinho." Mas nem toda a gente gostou. O Zlatan Ibrahimović foi crítico. Ele escreveu numa mensagem nas redes sociais: "O que é que fizeste? Meu Deus, o que é isto? Perdeste uma aposta ou o quê? Bloqueia-me e apaga o meu número", disse o Ibrahimović.

Ele não diz eu vou bloquear.

Não, bloqueia-me. Bloqueia-me tu.

Não quero ver isto.

Não quero, não aguento. Fez-me pensar naquele adepto do Manchester United.

O que é que ele fez? Da gadelha. O que é que ele fez da gadelha a esse homem?

O United ainda não ganhou cinco jogos seguidos, portanto, se ele está a ser fiel à sua aposta, ainda não cortou o cabelo. E provavelmente o Haaland também fez uma aposta.

Não se sabe porque é que ele não cortou.

Não se sabe, provavelmente.

Já teria dito alguma coisa.

Foi uma espécie de sanção ao contrário. Ele disse: "Bem, para recuperar aqui a capacidade de marcar gols, o melhor é cortar o cabelo e encontrar novas forças." Lembremos que o City perdeu o primeiro jogo da época, a Supertaça Community Shield contra o Arsenal, e teve muitas dificuldades ontem para bater em casa o Bournemouth. Esteve a perder até aos últimos minutos.

Vou mostrar alguma cabeleira do mundo.

Não cortou porque o United ainda não ganhou seis jogos.

Eu tenho uma foto a dizer "last game of last season" e "first game of this season". Portanto, há 686 dias que não corta o cabelo.

E o United também não ganhou. Aliás, perdeu o jogo da primeira jornada contra o Hull City por 2 x 0.

Isto está a adiantar as compras, para guardar ali imensa coisa.

Dá para tudo.

Dá para esconder.

Dá para roubar um quadro, três painéis, dá para esconder debaixo do cabelo.