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Pimenta! Pimenta. Pensei aqui numa famosa frase. Todos a falar disso. Foi um fim de semana bom para o desporto português, não é? Foi um fim de semana excelente para o desporto português. Muitos acontecimentos em várias modalidades. Já lá vamos. Vamos começar pelo ciclismo. As notícias não foram boas para o ciclismo português e não foram mesmo nada boas para o grande campeão Tadej Pogačar, que este ano já ganhou a Volta à França e entrou na Volta a Espanha para ganhar. A Volta a Espanha é a única grande volta que lhe falta. Já ganhou também o Giro d'Italia e tudo indicava, quase ao fim de uma semana, que isto era mais ou menos um passeio no parque para Tadej Pogačar. O que é que acontece na oitava etapa, no sábado? Numa altura em que não havia nenhuma dificuldade, os ciclistas estavam a rolar em terreno plano, a cerca de 30 km da meta, nada faria indicar que haveria algum problema. Esbardalhou-se. É, Tadej Pogačar. As imagens são incríveis e não se percebe muito bem das imagens de cima, o que é que teria levado Pogačar, de repente, a inclinar-se para o lado direito e a embater noutros ciclistas e depois dar uma volta e a aterrar com a cara e com o ombro. Depois, sim, percebeu-se o que é que tinha acontecido. Vê-se nas imagens de frente. O pelotão vinha compacto, um dos ciclistas a desviar-se de uma pedra que estava na berma da estrada. E ele a desviar-se desse ciclista. E ele vem atrás e tenta desviar-se da pedra. Olha o tamanho da pedra. Tudo o que podia correr mal, correu mal a Tadej Pogačar, porque ele na altura vinha a beber água, ou seja, vinha apenas com uma mão no guiador, e tenta desviar-se da pedra e é isso que o leva a embater nos outros ciclistas e cair. E foi ele o mais maltratado dessa queda. Ele ainda tentou aguentar, mas viu-se logo que não ia ser possível continuar em prova. Estava com o ombro em muito mau estado e a cara também. Ele estava a sangrar e as dores impediram-no de voltar à bicicleta. Seguiu logo de ambulância. E esta foi a primeira vez que o esloveno desistiu numa prova por etapas. Nunca tinha desistido numa prova por etapas. Já tinha acontecido nas clássicas de um dia, por um ou outro motivo, ter desistido, mas nas grandes voltas e em provas por etapas nunca tinha desistido, nem por motivos físicos, nem por quedas. E aconteceu agora na Volta a Espanha, quando tinha uma grande vantagem sobre os seus concorrentes e tudo indicava que, apesar de ainda faltarem duas semanas, Tadej Pogačar ia conseguir fechar o ciclo das grandes voltas. Acontece esta queda e quem aproveitou foi Enric Mas, o ciclista espanhol, que no sábado ficou logo com a camisola vermelha, o símbolo do líder da Volta a Espanha, e por respeito a Tadej Pogačar e às circunstâncias em que conquistou a camisola vermelha, acabou por não a vestir no final dessa etapa. Já a vestiu ontem, na nona etapa. Enric Mas, que ontem aproveitou para ganhar. Ganhou uma etapa também muito difícil e para mostrar bem que, sem Tadej Pogačar, ele de facto merece, neste momento, liderar a Volta a Espanha. Claro que isto agora introduz um elemento de incerteza até ao final da Volta a Espanha, apesar de Enric Mas estar em primeiro, estar na liderança, torna-se uma prova muito mais aberta do que seria com Tadej Pogačar em prova. A equipa de Pogačar na altura parou toda para acompanhar, incluindo o português João Almeida, que não tem estado muito bem. Ele teve também uma época muito complicada, com problemas de saúde. Também teve uma queda agora na Volta à Polónia e agora não tem estado no seu melhor ainda na Volta a Espanha. Parece que está aos poucos a recuperar. A equipa ficou para trás. Chegou no final da etapa com uns oito minutos de atraso em relação ao pelotão, por ter ficado à espera de Tadej Pogačar, que depois não voltou. Vamos ver agora qual será a estratégia da Emirates nas próximas etapas. Provavelmente tentará ganhar alguma etapa, visto que já não tem agora aspirações a vencer a prova, depois da desistência de Tadej Pogačar e não tem nenhum outro ciclista em condições para disputar a vitória. Mas foi de facto surpreendente. Ninguém estava à espera que se introduzisse este lamentável elemento de emoção na Volta a Espanha, mas levará muita gente agora a acompanhar o que resta da prova para saber se Enric Mas consegue devolver a Volta a Espanha aos espanhóis. Há algum tempo que não ganham a prova. Voltando agora às conquistas portuguesas, como não falar de Fernando Pimenta? Ontem, quem teve a oportunidade de ver, foi espetacular a exibição dele no K1 5000 metros. Espetacular por várias razões. Ele liderou a prova do início ao fim. Houve um momento em que esteve um pouco atrás, mas liderou praticamente os 24 minutos da prova do início ao fim. E há aqui um aspecto que convém sublinhar. Fernando Pimenta tinha sido campeão do mundo de K1 1000 metros no dia anterior, no sábado. Nenhum dos seus adversários de K1 5000 metros, que é uma prova com algumas diferenças, é muito mais longa, nenhum dos seus adversários diretos tinha competido, ou seja, estavam fresquinhos para aquela prova, tinham-se concentrado naquela prova. Fernando Pimenta já tinha sido campeão do mundo de K1 5000 metros noutras edições, mas a sua grande especialidade são os 1000 metros Mas ele fez questão de participar nesta prova, nesta distância, e conseguiu superar todos os adversários. Na parte final, eu estava a ver ontem em direto o momento em que o canoísta sul-africano, nos últimos metros, tenta um sprint para ultrapassar Fernando Pimenta e a resposta de Fernando Pimenta é verdadeiramente alucinante. Ele consegue resistir e ganha vantagem ainda nos últimos metros para conquistar aquela que é a medalha 187 do canoísta português. 187, 14 delas de ouro em mundiais. Só em mundiais. Fora europeus e outras provas. O que é que lhe falta? Falta-lhe, de facto, o título olímpico. Ele que já ganhou duas medalhas em Jogos Olímpicos, está esta espinha atravessada. Durante o fim de semana, a Federação Portuguesa de Canoagem referia-se a Fernando Pimenta como o maior atleta português de sempre. Haverá boas razões para isso. Basta olhar para esta contabilidade de 187 medalhas. De facto, é aquele que conquistou mais medalhas, o atleta mais consistente e que com 37 anos continua a competir ao mais alto nível. O avô, como ele próprio se referiu. Dizer que o avô está de volta. E é verdade, ele depois de no ano passado ter tido uns maus mundiais, agora voltou para conquistar ao mais alto nível. O que é que lhe falta? Falta-lhe o título olímpico. Eu acho difícil, com todo o respeito pela extraordinária carreira de Fernando Pimenta, dizermos que é o maior atleta português de sempre, quando falta aquele ouro. Basta pensarmos em Fernanda Ribeiro, que ganhou títulos europeus. Temos meia dúzia de medalhados olímpicos, não é? Temos meia dúzia de medalhados olímpicos. Temos Carlos Lopes. Rosa Mota também é outra das candidatas a melhor atleta portuguesa de sempre. Temos Fernanda Ribeiro, que conquistou todos os títulos e ainda teve um recorde mundial de 5.000 metros durante algum tempo. Temos também os futebolistas, Eusébio e Cristiano Ronaldo. Nenhum deles foi campeão olímpico. O futebol nessa altura nem era. Cristiano Ronaldo chegou a participar nos Jogos Olímpicos em 2004, mas a seleção foi logo eliminada na fase inicial. Nenhum deles foi campeão do mundo. Claro. O que também acaba por retirar peso nessa reclamação. Não é fácil fazer essa avaliação, como é evidente. Claro, estamos a falar de desportos completamente distintos, mas para Fernando Pimenta, até para ele próprio, para aquilo que são os seus objetivos, claro que lhe falta esse título olímpico. Aliás, eu creio que ele continua motivado a pensar nos Jogos Olímpicos de 2028 em Los Angeles e na expressa de que finalmente possa nesses Jogos Olímpicos conquistar o ouro. Eu creio que se ele conquistar, mesmo que seja mais uma medalha, por exemplo, uma medalha de prata, passa a ser o atleta português mais medalhado em Jogos Olímpicos. Ele tem duas medalhas e se conquistar a terceira, passa a ser isolado o atleta português com mais medalhas. Mas falta aquele ouro e eu acredito que ele vai tentar tudo por tudo para chegar a essa medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2028. Fernando Pimenta, seja como for, mesmo que não conquiste o título olímpico, está sem dúvida na galeria dos imortais do desporto português. E este fim de semana provou mais uma vez que está num campeonato quase à parte, com estas 187 medalhas, 14 de ouro, duas delas só neste fim de semana. Surpreendente também, e muito saborosa, foi a vitória da seleção portuguesa de basquete na sexta-feira contra a Espanha. Espanha que é uma potência da modalidade, duas vezes campeã do mundo, creio que duas vezes campeã europeia, talvez mais, mas creio que duas vezes campeã europeia, pelo menos. Portugal tem tido um bom desenvolvimento nos últimos anos, também ali um pouco a reboque de Neemias Queta, mas não só, porque mesmo quando Neemias Queta não tem- Ele fez uns afundances. Fez uma jogada já no final extraordinária, mas esteve muito bem secundado por Ruben Praya, que também fez uma atuação notável. Diogo Ventura, também Travante Williams, que foi o melhor marcador da seleção portuguesa. Portugal ganhou por 95 a 89, seis pontos de vantagem. Foi a primeira vitória em jogos oficiais de Portugal contra a Espanha. Já tinha vencido num jogo particular, mas foi a primeira vez que venceu num jogo oficial de apuramento para o mundial. Hoje, Portugal joga contra a Geórgia, em Matosinhos, também nesta luta pelo apuramento para o mundial. Os bilhetes estão esgotados. Já estavam esgotados antes do jogo com a Espanha, e se não estivessem, ficariam esgotados e iriam esgotar de qualquer das maneiras. A Geórgia é um adversário difícil, será um dos adversários diretos na luta pelo apuramento, mas se vencer, Portugal aproxima-se um pouco mais desse objetivo de participar no Campeonato do Mundo. E com esta equipa, com este conjunto de jogadores, eu acho que temos boas razões para esperar um bom resultado. Seja como for, na sexta-feira, em Espanha, já se fez história para o basquete e para o desporto português.