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E essas coisas todas.
Essas coisas todas. E no site do Observador. Eu podia ter assim na testa, não é?
Isto só fazes de dia. Ou podíamos passar em rodapé.
Vou começar eu, porque ontem fiquei perplexa. É que eu não tenho outra palavra. Fui mesmo perplexa com os números das audiências da final da Super Bowl.
Eu que era dos debates.
Impressionante.
Não, dos debates também, mas a Super Bowl.
Eu pensei que era com o teu corte de cabelo.
Exato.
Para quem nos está a ver no YouTube, no Facebook ou no site do Observador, percebam que o jogo vai longe.
Foi ao barbeiro.
Fui pesquisar os números e fiquei ainda mais perplexa. Eu gosto muito de partilhar estas coisas.
Não é cuidado com tanta perplexidade.
Eu sei.
Não, ela faz isto não é para ficar perplexa, é mesmo para se indignar.
É, tenho que aliviar e por isso passo ao Júlio agora para partilhar.
Ora muito bem. Pois é, ontem falámos dos números da final da Super Bowl. Foi aquele programa, dizem os especialistas, embora seja difícil sempre contabilizar, mas que ontem dissemos aqui que foi o segundo programa mais visto a seguir à ida do homem à Lua. Foi o mais visto até hoje, julgam que esse foi o programa mais visto sempre na televisão em todo o mundo e este foi o segundo. Embora os números, por um jogo, no acumulado há diferenças naquilo que são os desportos mais vistos. E há um ranking: há sete bilhões de pessoas por todo o mundo e há um ranking daquilo que são os desportos que são mais vistos em todo o mundo. E aqui há diferenças, porque há desportos que são mais populares na Ásia, outros mais nos Estados Unidos e, claro, na Ásia.
E outros na Europa, claro.
E outros na Europa e na Ásia, e outros em todo o mundo.
Mas os da Ásia levam sempre vantagem, não é?
É, os asiáticos levam vantagem nalgumas coisas. Por exemplo, em décimo lugar, a NFL tem 400 milhões, normalmente, de pessoas a ver no acumulado. O basquetebol está em nono, tem pouco mais de 400 milhões também. Em oitavo, estou a vir do décimo para o primeiro.
Essa parte nós percebemos.
É. Em oitavo.
Com a minha calculadora.
450 milhões, o golfe.
O golfe?
É verdade. Os asiáticos jogam muito golfe, os americanos também, os europeus também.
Mas estamos a falar de audiências televisivas.
Em sétimo, o beisebol.
É porque é muito mexido.
O golfe é muito, e vezes não põe a bola.
É, mas é um desporto que muita gente pratica. O beisebol, 500 milhões de pessoas, está em sétimo. Em sexto, o ténis de mesa.
Ténis de mesa.
É verdade.
Muito asiático isso.
Vocês praticam ténis de mesa?
Sim.
850 milhões. Pois foi.
Uma hora por dia, pelo menos.
Em quinto, um desporto que vocês gostam muito, as duas gostam muito. Voleibol.
Ah, voleibol também.
Voleibol?
Mas praia.
É, sim. Tu gostas mais praia, menos voleibol. Depois, em quarto lugar, com um mil milhões, o ténis.
Ténis?
Ténis. Eu diria, se tivesse que apostar, achava que o ténis estava à frente de algumas dessas modalidades.
Mas não está. Nem está à frente do terceiro classificado, sabem qual é?
Não.
O hóquei em campo.
O hóquei em campo.
Mais uma vez a Ásia a pesar.
Exatamente.
Índia, Paquistão, por aí fora.
Exatamente, obviamente. E em segundo, a Índia. Não é Índia, mas pode ser a Índia. Em segundo, com 2,5 bilhões de pessoas, sabem qual é o desporto?
Não.
Críquete.
Ah, claro.
Mais uma vez. Paquistão, Índia, Indonésia, por aí fora.
Na Índia, não sei se já foram à Índia.
Como o Manuel.
Para-se para ver críquete.
É verdade. E em primeiro lugar.
O futebol, claro.
Claro. Com 3,5 bilhões.
O desporto rei.
O desporto rei. Este joga-se em todo o mundo.
E o ciclismo não aparece aí?
Não, curiosamente não. Aqui não está.
Nem os desportos motorizados.
O ciclismo é mais europeu, não é?
Não, pois. Os americanos não ligam muito ao ciclismo. Os asiáticos também, que eu saiba.
Também não.
Mas pronto.
Percebem a minha perplexidade.
Deve ser muito europeu.
Completamente. Eu estou aqui que não acho.
Dos programas mais vistos de televisão, de maiores audiências, a seguir ao Campeonato do Mundo de Futebol, está a Volta a França. Curiosamente.
Tu contribuíste muito para isso.
Isto é o acumulado.
Eu acho que é um fenómeno muito europeu.
É. Mas a Volta a França é dos programas mais vistos de televisão por ano.
Olha.
Pronto, é só para vocês ficarem aqui com outra cultura.
Tanta curiosidade. Depois disto, não sei se estamos à altura.
Pois é.
Mas já que falamos nestas curiosidades todas.
Já não há tempo?
Há dois minutos.
Então já não temos tempo para mais.
Temos quatro minutos. É importante dar voz aos nossos ouvintes, que descobrem coisas incríveis. Ontem falei aqui do halterofilismo, hoje falo de natação. São duas modalidades que me dizem muito. Eu ando sempre com uma touca de natação na mala, porque nunca se sabe. E mesmo quando não vou, ponho, porque acho que qualquer pessoa fica bem com aquela touca.
Não pratiques as duas em simultâneo.
Mas olha, os pesos ficam bem mais leves.
Não, nas fundas. Não, os pesos ficam mais leves.
Eu aguento um tempo debaixo d'água. Assim nem tenho de vir com a touca. Avança, Júlio, senão não saímos daqui.
A nossa ouvinte Rosa Lopes mandou-nos.
Rosa Lopes. Ah, Rosa Lopes.
Onde trabalha, cá para toutefois.
Em princípio não. Em princípio ainda não.
Ainda não.
Mandou.
Pode vir a trabalhar.
Mandou. Carla, isto é bem que tem piada mesmo. Ora vai.
Ainda está a pensar nas audiências.
Já ia falar da Rosa Mota. Era Rosa Lopes, mas também pode ser uma Rosa Mota.
Porque eu confundo Lopes com Rosa Mota. É Rosa Lopes.
Não, para dizer que ela diz mesmo: "Olá, equipa dos Três Toques. Não sabia que havia campeonato de natação para pessoas depois dos 100 e até aos 100."
Foi uma história que tu contaste.
É uma notícia, exatamente. Já contaste esta história, não foi?
Não sei se é de uma velhinha ou de um velhinho.
É de uma velhinha.
A velhinha contei, na conferência de imprensa.
Pronto, porque também a história do velhinho.
Também é o velhinho que mostrei ontem à Carla. Não, não mostrei à Carla. Mostrei a outra pessoa. Ainda não mostraste nenhum velhinho.
A senhora de 99 anos bateu o recorde da natação na sua categoria. Ora bem, e o que ela diz aqui só para terminar?
Não sei o que se passa.
Não, isso é impossível. A Carla e a Joana estão-
A Carla anda a destruir a gente.
Não?
Não.
Pronto. Queres que eu leia sobre o bom, o mau e o vilão?
A sorte é que não há.
Não há.
Não há, mas conta a história.
Eu sei. É só a última frase da nossa ouvinte Rosa Lopes, que diz: "Eu sei que vocês todos os dias treinam para terem uns 100 anos bem molhadinhos".
Bem o quê?
Molhadinhos. "Espero nesse dia estar nas bancadas e dar força à equipa." Pronto, os ouvintes. Foi simpático.
Um beijinho à Rosa Lopes.
Tomara nós chegar aos 100 anos.
Tomara nós. É porque este fadinho também participou numa competição e também tem mais de 100 anos.
Mas eu não conheço essa história.
Está nas redes sociais. Depois te eu envio.
E basicamente foi isto. Não sei se o Paulo vai querer contar a história dele ou não. Paulo?
Não é propriamente uma história feliz, não é?
Não, esta não é.
Vale a pena contar.
Acaba por ser.
Sim, os contrários não são os melhores.
O Paulo contou-me isto ontem à noite, por acaso acho que vale a pena contar.
É sobre o Kelvin Kiptum, aquele atleta africano que morreu há poucos dias.
Sim, atropelado. Num acidente de viação.
Campeão de maratona. Num acidente de viação, exatamente. E há momentos, de facto, que valem muito mais que um Euromilhões, não é, Júlio? Queres seguir então com esta história?
Vamos lá. Para já dizer que foi um acidente de viação, mas hoje há a notícia de que há quatro detidos. Portanto, pode haver aqui outra coisa, mas a história por acaso não é essa, é outra. O Collins Kipkemboi, chama-se assim, era amigo deste Kelvin Kiptum, contou aos jornais que 60 cêntimos salvaram-lhe a vida neste trágico dia. Diz ele, este jovem tem 19 anos, que o plano inicial era viajar com o Kiptum para a cidade, para onde iam, Eldoret. Iam ver um jogo da Premier League entre o Aston Villa e o Manchester United. Este Kipkemboi tinha ido à missa, precisou de esperar mais cinco horas naquele local pelos 100 shillings, que eram 60 cêntimos, que eram oferecidos pelo padre. O Kiptum estava de tal maneira com pressa que para iniciar a viagem acabou mesmo até por ser ele a transferir-lhe o dinheiro por MB Way para o amigo, para ele se meter rapidamente no carro, porque queriam ir ver o jogo. Só que entretanto o Kiptum pediu-lhe afinal para não ir, para esperar noutro sítio, porque estavam com muita pressa. O MB Way ainda estava a fazer a transferência, iam perder tempo, queriam ver o jogo. E o Kipkemboi acabou por não ir, esperar pelos 60 cêntimos do padre e poucos minutos depois recebeu a chamada do irmão a dizer que o Kiptum e o treinador tinham morrido no carro onde ele iria se aquela transferência de MB Way tivesse acontecido ou se ele tivesse entrado naquele carro. É uma história que não é propriamente maravilhosa, mas é esta a ideia também.
E são aqueles segundos que podem mudar a nossa vida.
E isto, como dizia há pouco o Paulo, vale mais que um Euromilhões, muito mais. Vale mais do que a vida e este jovem vai-se recordar deste dia, não só pela morte do atleta.
E há sempre essas histórias. Quando há um acidente aéreo, há sempre a história da pessoa que tinha bilhete marcado, bilhete comprado e não foi.
E é uma história que fica para nós pensarmos nisto. Às vezes também é preciso ter sorte. A sorte dá trabalho, mas também é preciso ter um bocadinho de sorte na vida.