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Arranca agora mais um Três Toques, hoje numa edição especial, porque no domingo há Taça de Portugal. Bruno Vieira Amaral. Alalau.
Alalau. O Bruno é violão.
Especial Taça de Portugal, Bruno Vieira Amaral.
Alalau. Como é que fizes te ao João?
Estou sempre a pensar. Alalálá.
Alalalalá. Vamos ter uma final da Taça de Portugal. Todas as finais são importantes, mas esta é especial, é um dérbi. Benfica e Sporting já se encontraram este ano na Taça da Liga, decidiram entre si o campeonato, mesmo até ao fim. Agora têm a Taça, vão disputar já se sabe também a Supertaça no início da próxima temporada. E desde 1995/96 que o Sporting e o Benfica não se encontravam numa final, essa de má memória pela morte de um adepto do Sporting. O Benfica venceu essa final. A outra final, antes dessa, entre os dois clubes, foi em 86/87. Ganhou o Benfica e conquistou a dobradinha. Ora, quando é que foi a última vez que o Sporting conquistou a dobradinha? Foi em 2001/2002, Sporting campeão nacional, naquela equipa que tinha o João Vieira Pinto, o Jardel, entre outros. E o Sporting nesse ano foi campeão nacional e conquistou a Taça de Portugal contra o Leixões, uma equipa que na altura estava nas divisões secundárias. Portanto, o Sporting reunia algum favoritismo, agora trata-se de um dérbi e é diferente. Mas hoje decidimos convidar alguém que esteve presente.
E não foi nas bancadas.
Não foi nas bancadas. Esteve presente em campo. Foi o Beto, jogador do Sporting. Veio a ser capitão do Sporting, mas na altura não foi capitão do Sporting. Bom dia, Beto, bem-vindo a este Três Toques.
Muito bom dia a todos. Já um dia bom para todos e obrigado também pelo convite.
Olá, Beto, bom dia.
Muito obrigado por ter aceitado o nosso convite.
O Bruno até veio de verde, só para homenagear.
Está bem vestido.
Está muito bem vestido.
E o que isto lhe custa.
Não, hoje é verde esperança. Beto, antes de irmos às memórias desse jogo contra o Leixões, em que o Sporting garantiu a última dobradinha do clube. Jamor sim ou não? O Beto acha que a final da Taça de Portugal deve ser sempre disputada no Jamor? Há um clima diferente? O que é que os jogadores pensam? Como é que vivem esse momento naquele estádio, que é também especial?
Olha, é uma grande questão sempre e é sempre muito falado. E entre os jogadores também de certeza que é muito falado. Já o era há uns anos atrás, não vou dizer há muitos para não ficar mal, mas já era há alguns anos atrás.
O Bruno já disse por si.
Não, mas sim, eu acho que é muito bonito, é um dia diferente no Jamor, para os jogadores, para os adeptos. Acho que é uma festa para o futebol. Acho que é a verdadeira festa do futebol, se eu posso chamar assim. Agora, eu acho que tem todas as condições, se houver melhoramentos, acho que é um estádio que merece melhoramentos, é um estádio com carisma diferente, até para os jogadores. Por isso, lá está, neste momento, se calhar, não é o estádio ideal. Agora, eu concordo que se dê sempre no Jamor, porque é um estádio completamente diferente.
Mas com melhorias, não é? Das condições para todos os adeptos.
Acho que já estava na altura de melhorar aquele estádio e pôr aquele estádio mais moderno, se pudermos assim chamar.
Olhando agora para o jogo do próximo domingo, vamos ter um dérbi. Na altura, o Beto jogou contra o Leixões. Era uma pressão diferente o facto de enfrentarem uma equipa de um escalão secundário? Havia mais pressão sobre o Sporting, ainda por cima porque tinha essa oportunidade de conquistar a dobradinha. Como é que viveram esses momentos?
Para já vivemos um clima numa semana totalmente de festa.
Tinham sido campeões.
Como estão a viver esta.
Exatamente. É verdade, um pouco à semelhança do que se está a passar agora também. É aquilo que eu venho dizendo aqui há alguns dias, que é preciso ter um bocadinho os pés bem assentes na Terra. Inconscientemente há um deslumbramento, é um acumular de emoções, como a gente tem visto, é muitas entrevistas, é muitas festas, é muitos jantares, é perfeitamente natural. Agora, estamos a falar de um jogo nosso com o Leixões, e eu recordo-me disso, e se me ia perguntar algumas recordações, uma das recordações que eu tenho na minha memória é que estava completamente arrasto ao intervalo.
O Sporting. Sim.
Eu e todos, peço desculpa. Eu e todos, atenção, não era o único. Porque é natural, foi muita festa, foi dois ou três dias ali a festejar, e isso depois pode deixar algumas mossas. Agora é diferente também, há muito mais tecnologia. A tecnologia também metida no futebol dá também para ver outros parâmetros dos jogadores.
Sim, do rendimento e da condição física dos próprios jogadores.
Dá para ver se está, como nós dizemos, em rebanho físico. Há muita maneira agora de fazer essa análise. Agora, é perigoso para uma equipa que obviamente que é campeã nacional e que acaba por festejar, e não venho dizer que é aquilo que eu passei também, e há sempre algum exagero. Aqui ninguém é santo, no futebol também não há santos. Então, acredito que haja alguns exageros. Agora, eu acho que também aqui a liderança do Rui Rocha é importante numa semana Poderá ser importante também para a equipa.
Sim, mas também há a confiança.
E é inevitável que a moral esteja toda lá em cima.
Claro. Os atletas há muito que não ganham.
O ânimo tem, isso está fora de questão, mas também vai apanhar uma equipa que é o Benfica, que é uma grande instituição.
E que precisa muito desta vitória, não é?
Exatamente.
Está um bocadinho tímido, depois de perder o campeonato.
Já entra com a faca nos dentes, como se costuma dizer, porque é uma oportunidade também de mostrar que perdeu, se calhar, erradamente o campeonato.
Várias dimensões.
O Bruno Lage também neste aspeto terá um papel fundamental. Acho que os treinadores, esses dias antes da final, poderão ter aqui um papel fulcral.
O Beto ainda se lembra, certamente, apesar de todas essas emoções e festejos na semana anterior, de quem é que marcou o gol, porque o Sporting ganhou 1 x 0 essa final, quem é que foi o autor do gol que deu a vitória ao Sporting?
Jardel.
Foi o Jardel. E agora uma pergunta então, Jardel ou Iócaras? Qual é o melhor e qual é o mais importante?
Não façam isso. Não façam isso às 05h45 da manhã.
Isto é terrível.
Maldade.
Eu acho que é muita maldade. Eu escolhia os dois.
Os dois?
É que o meu sistema é 4-4-2.
Agora devia ter respondido com um jogador do Benfica, só mesmo para calar o Bruno.
Mas o Iócaras tem mais peso nesta equipa do que o Jardel tinha na equipa de 2001, 2002?
Aí concordo consigo. Acho que o Iócaras neste momento é muito mais importante, apesar do Jardel. Estamos a falar de um jogador que fez 40 e muitos gols, que também foi muito importante para nós. Mas eu acho que a nível de entrega ao jogo, muito mais importante o Vítor Iócaras, dá muito mais. O Jardel era um homem de área. Era um finalizador nato.
Um finalizador nato, exatamente.
Exatamente. São características diferentes, ambos bons jogadores, avançados com dinâmicas muito diferentes, mas o Iócaras eu acho que tem mais preponderância nesta equipa do Sporting.
Beto Sever, muito obrigado pela participação neste "3 Toques". Boa sorte para domingo. Muito obrigado por ter trazido aqui as memórias dessa final de 2002, em que o Sporting venceu o Leixões e conquistou a última dobradinha do clube até agora. Muito obrigado.
Obrigada, Beto. Bom fim de semana para vocês também.
Obrigado, igualmente.