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Bem-vindos a mais uma edição do "Vamos à Bola", o jornal de desporto da Rádio Observador, hoje com a edição do jornalista Carlos Pedro. Bom dia, Carlos.
Bom dia, Teresa.
Está tudo à espera. Jorge Jesus será mesmo o novo selecionador nacional. Só falta a oficialização.
Que venha daí a ajuda divina. A SIC diz que o técnico assina já hoje e é apresentado amanhã para ocupar um cargo que o próprio admitiu não ser capaz de recusar nesta fase. À chegada a Lisboa, o presidente da Federação, Pedro Proença, confessou que queria um treinador que conheça perfeitamente o futebol português e que se identifique com uma dinâmica de vitória. Jesus cumpre os requisitos e, por isso, o negócio deve ficar fechado numa operação relâmpago. A Bola diz que Jesus vai assinar até 2030, com um salário anual na ordem dos € 4 milhões. Na análise a esta chegada de Jesus ao comando técnico da seleção, o comentador de desporto da Rádio Observador, Gabriel Alves, sublinha o conhecimento que o técnico tem do futebol português.
Acho que é uma boa opção. Várias coisas: aquilo que acima de tudo é o futebol português.
E o jogador português.
E o jogador português e acima de tudo, o que é o país em relação à seleção nacional. É uma pessoa com um currículo extremamente interessante, mas acima de tudo, para além daquilo que são os planos de ordem técnica e tática que obviamente tem, é saber em que país ele vai ser selecionador e em que quadro, em que enquadramento vai ser. E ele, obviamente, que conhece bem o país, certamente não deixará de pôr imensas condições para ser selecionador neste país. Não vai embarcar em nenhum barco que ele não seja, de facto, o verdadeiro capitão.
Já Luís Pinto Coelho, também comentador de desporto da Rádio Observador, diz que a mudança na Federação Portuguesa de Futebol tem que ser mais profunda.
Eu acho o Jorge Jesus um bom treinador, acho até mais treinador globalmente do que Roberto Martínez. Mas eu não acho Roberto Martínez um mau treinador, como não achava Paulo Bento um mau treinador ou Carlos Queiroz um mau treinador. Acho que há outras coisas importantes na Federação também a rever. Parece-me muitas vezes uma feira de vaidades, logo à partida, a começar pela direção da Federação. E eu acho que não é só a questão do selecionador que tem que ser repensada.
As análises do Luís Pinto Coelho e do Gabriel Alves à iminente chegada de Jorge Jesus para treinar a seleção nacional. Os jornais desportivos apontam também Pepe, o antigo internacional, como hipótese para a equipa técnica portuguesa.
Já Roberto Martínez está a ser apontado a outra seleção que até participou neste mundial.
A Escócia, onde Roberto Martínez viveu pelo menos um ano, quando representou o Motherwell na época 2001/2002, período em que conheceu a atual esposa de nacionalidade escocesa. O espanhol está a ser apontado já pela imprensa escocesa como potencial sucessor de Steve Clark, que orientava a Escócia desde 2019 e conseguiu estar presente no Mundial e em dois campeonatos da Europa. A Escócia joga em setembro para a Liga das Nações B, num grupo com Eslovénia, Suíça e Macedónia.
No Mundial acabou a pausa e regressam hoje os jogos e com o regresso a 2022. Por quê?
Porque voltamos a ter um França-Marrocos. No Catar, o jogo já foi nas meias-finais, hoje é nos quartos de final. É uma partida que carrega consigo mais do que futebol, e isso percebe-se também nas redes sociais e nos jornais franceses e principalmente marroquinos, que destacam esta seleção dos Leões do Atlas como o último representante africano e árabe do Mundial. De resto, hoje a comunidade marroquina em França é uma das maiores do país, com mais de 1 milhão de pessoas, há um passado colonial e uma forte concentração de imigrantes que acabam por ligar estes dois países. No total, dos dois plantéis, são 29 jogadores nascidos em França. De um lado, o elenco francês tem 23 dos 26 convocados, mas muitos jogadores de ascendência africana. Por outro lado, a seleção de Marrocos neste mundial é composta por muitos jogadores nascidos na diáspora europeia. Dezenove dos 26 convocados não nasceram em Marrocos. O jogo suscita também naturais preocupações ao nível da segurança na capital francesa, em Paris. O França-Marrocos dos quartos de final do Mundial arranca às 9 p.m. e joga-se no Gillette Stadium, em Foxborough.
Porque os clubes continuam a preparar a nova época, vamos às novidades, Carlos.
O Benfica, depois do empate com o Caldas, venceu ontem o Estrela da Amadora num amigável à porta fechada, no Seixal. 5x2 foi o resultado final. Pavlídis bisou, Rafa, João Rego e o jovem central Rui Silva marcaram também para as Águias. Para os tricolores faturaram Sidney van der Hoorn e também Emmerson. O Sporting joga hoje em Alcochete contra o Torrense, também num encontro à porta fechada. É o último adversário da última época, que passa também a ser o primeiro desta nova temporada. Ontem, os Leões despediram-se oficialmente de Giovani Kendall. O extremo foi apresentado no Chelsea e assinou até 2034. A chegar por empréstimo está Jesse Derry, que renovou ontem com o Chelsea, tem 19 anos e vai chegar a Alvalade. No Foco do Porto, os Dragões anunciaram ontem o duelo com o Aston Villa no dia 25 deste mês. Vai contar como jogo de apresentação aos sócios, dia 25, num sábado, às 19h30. Destaque ainda para a oficialização de Vasco Matos como novo treinador do Estoril. Vai substituir o escocês Ian Cattro, que rumou à França para treinar o Saint-Étienne.
E o Milan tem um novo treinador português. Rúben Amorim foi ontem apresentado e falou de outro luzo, Gonçalo Ramos.
Rúben Amorim confessa que não deu o nome do avançado formado no Benfica. Solicitou, isso sim, um atleta com o perfil de Gonçalo Ramos. Está, por isso, satisfeito com a chegada do avançado, que diz acreditar muito em Gonçalo Ramos.
We believe a lot in Gonçalo Ramos. I think he proved in the last game against Croatia, against a low block, he scored with three defenders on top of him. If you see games in Italy, sometimes it's like that. The teams defend really well and he's able to score against low blocks, he can score in transition. I see a player that if you see him playing five minutes, he's the same guy if he starts the game. For me, it's really important. When I see Gonçalo Ramos playing, it's all about the team.
Gonçalo Ramos, que custou 74 milhões de euros. Depois de Paulo Fonseca e Sérgio Conceição, o Amorim é o terceiro português a treinar os Rossoneri. Ele que recordou a final da Champions de 1990, quando os milaneses venceram o Benfica por 1 x 0 com gol de Rijkaard. Rúben Amorim tinha cinco anos, mas lembra-se da desilusão enquanto benfiquista.
As everybody knows, I follow Milan since I was a child
"Como toda a gente sabe, eu sigo o Milan desde que sou criança, mas também sou adepto do Benfica, portanto, lembro-me bem daquela final nos anos 90, o gol de Frank Rijkaard. Esse jogo foi muito duro pra mim e para a minha família. Lembro-me bem, tenho várias memórias de equipes do Milan e agora eu quero fazer parte disso".
From the Milan teams, and I just want to be part of it.
E se o Benfica conseguir entrar na Liga Europa, terá o Milan de Rúben Amorim, Gonçalo Ramos e Rafael Leão na competição para um possível reencontro.
No tênis, amanhã há duelo entre Djokovic e Sinner, mas o destaque vai pra outro tenista que fez história ontem.
Arthur Berry, o britânico de 23 anos e número 114 do mundo, atingiu ontem as meias-finais do torneio de Wimbledon, derrotou o décimo do ranking mundial, o italiano Cobolli, em três sets, 6 x 4, 7 x 6 e 6 x 0. A partida durou duas horas e 15 minutos. Isto assume contornos ainda mais espetaculares se atentarmos que Ferry foi convidado pela organização para fazer parte do quadro principal do torneio, o que acontece todos os anos, é o chamado wild card. Ninguém dava nada por ele, mas Ferry já tem encontro marcado com o alemão Alexander Zverev, atual número três do ranking e que venceu ontem o norte-americano Taylor Fritz. Zverev é também estreante em meias-finais de Wimbledon. Ferry já sabe que aconteça o que acontecer, vai dar um salto gigante no ranking e chegar ao lugar 36. E Teresa, o mundial regressa hoje e por isso vamos acabar a falar disso mesmo, mas dessa vez vamos recuar 20 anos no tempo.
Mas tanto? Pra quê?
Pra recordarmos a última vez que a Itália conseguiu passar a fase de grupos do mundial, falha a competição há três edições consecutivas, mas em 2014 ficou-se pela fase de grupos, tal como em 2010. Em 2006 venceu a competição. A vitória final foi épica, tinha nomes como Buffon, Cannavaro, Nesta, Gattuso, Pirlo, Del Piero, mas a estrela na reta final da prova foi outra. Vamos ouvir o momento em que são campeões do mundo.
Grosso's trying not to think about the bigger picture. He's thinking about the job he has to do, and that's all. And Grosso has done that job! The kick that means Italy win the World Cup in 2006.
Fábio Grosso foi o autor deste gol decisivo, o pênalti que deu a vitória no mundial à Itália, 5 x 3 nas grandes penalidades contra a França, num jogo que ficou marcado pela cabeçada de Zidane a Materazzi. Fábio Grosso não foi essencial só neste jogo. O número três desta seleção orientada por Marcello Lippi também foi herói nas meias-finais contra a anfitriã alemã. Marcou um gol aos 119 minutos. Vamos ouvir pela voz de um jornalista italiano.
Messapoa dice: "Pirlo, Pirlo, Pirlo, ancora Pirlo, di tecco. Tiro! Gol! Gol! Gol! Grosso! Grosso! Gol! Gol di Grosso! Gol di Grosso! Gol di Grosso!"
Aqui, Fábio Grosso, 1 x 0 aos 119 minutos. Ainda houve tempo para um 2 x 0. Já lá vão 20 anos. E onde andas tu, Itália?
Tudo contado neste "Vamos à Bola". A informação regressa à Rádio Observador às 18h30.