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Hi, welcome to Vices Versas. This week I decided to speak to you in English because I realized that if I speak English, I can behave very badly.
Rui, desculpa, tens de falar em português. Desculpe estar a importunar-te.
João, tens razão. Desculpa. Dizia eu que esta semana ia falar inglês porque assim podia portar-me pior e já me estou a portar mal. A final da Champions foi em Portugal, os adeptos ingleses não utilizaram máscaras, entraram em cenas de pancadaria e voltaram para o Reino Unido. Dias depois, é o próprio Reino Unido que vem anunciar que Portugal sai do corredor verde. Nesta brincadeira, é caso para dizer: "Rebenta a bolha", ou como se diz em inglês: "Burst the bubble."
A cidade do Porto acolhe com honra e entusiasmo a final da Liga dos Campeões no Estádio do Dragão.
Teriam de vir e voltar em regime de bolha.
Quando se comunica que se vem em bolha, é porque vem em bolha. O que está mal foi os adeptos testados, com máscaras, estarem dentro de um estádio?
Infelizmente, não há condições para festejar os santos populares nos termos em que todos estamos habituados desde pequeninos e sabemos como é, porque isso são aglomerados e aglomerados de pessoas. Todos os dias, infelizmente, há pessoas que não respeitam as regras de trânsito. A câmara tomou a decisão que tinha que tomar, que é assumir a não realização dos arraiais de Santo António este ano.
Oficial, o Reino Unido deixa de considerar Portugal um destino seguro para viajar.
I miss you so much. Yeah, we go to the beach, we go get brown. I'm very white. Put the cream, not the one, put the six.
Eu sou Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador. Estou very white também ainda. Comigo tenho o João Alexandre, editor deste canal.
Estamos todos very white.
E as jornalistas Mariana Lima Cunha e Rita Penela. Vai começar a Vices Versas. Let's go. Como é que é aí, João? Vamos subir agora? Queres falar inglês um bocadinho?
Não, deixa estar. Vamos falar todos em português.
Ok. Mas vou começar por uma sopa inglesa, se não te importas. Queres começar tu?
Sopa inglesa, sopa inglesa, só pode ser o tema da última semana. A Liga dos Campeões, a organização na cidade do Porto, no Estádio do Dragão, e depois também as consequências que daí advieram. E neste caso último, também esta questão das restrições das viagens por parte dos portugueses para Inglaterra. Eu queria só retratar um bocadinho o que aconteceu na última semana. Ficámos muito contentes na altura quando se soube que a Liga dos Campeões era organizada em Portugal. Rui Moreira ficou muito satisfeito, o governo ficou muito satisfeito. Entretanto, temeu-se logo o pior por causa daquilo que tinha acontecido em Lisboa com os festejos do título de campeão nacional do Sporting. E depois de correr tudo mal, pelo menos à volta do Estádio do Dragão, parece que ninguém sabe muito bem porque é que as coisas correram mal, mas também parece que ninguém quer saber muito bem porque é que as coisas correram mal, nem nada, porque o que interessa é o que aconteceu lá dentro, pelos vistos. Porque Rui Moreira, o presidente da Câmara Municipal do Porto, diz que dentro do estádio correu tudo bem. A Federação Portuguesa de Futebol, depois de ser anunciado o regresso do público aos estádios a partir de 14 de junho, ainda que com uma lotação a cerca de um terço, o presidente da Federação diz que esta é uma decisão que se deve também à excelente organização da final da Liga dos Campeões. A UEFA, que tutela o futebol europeu, já elogiou também a organização da Liga dos Campeões. O primeiro-ministro também diz que tudo correu bem dentro do estádio. À volta do estádio, havia a questão da bolha, os adeptos que vinham em bolha, mas grande parte, 80% dos adeptos que chegou a Portugal, também respeitaram as regras. Bom, parece que todos os que falaram sobre isto ao longo dos últimos dias estão todos enganados, porque, na verdade, tudo correu bem. Agora a questão é que, entretanto, tem havido consequências, ainda que os números que são apresentados pela Direção-Geral da Saúde em relação, por exemplo, ao número de contágios seja algo residual. A verdade é que ninguém quis saber propriamente daquele espetáculo que nós fomos vendo ao longo dos últimos dias, no último fim de semana, com os adeptos ingleses nas ruas do Porto, a questão do distanciamento social, já agora a questão da violência também, a questão da troca de argumentos, galhardetes, vá lá, falemos em futebol com a polícia. E penso que isto é sintomático também. Já não é a primeira vez que algo acontece e que se tenta passar uma esponja sobre o assunto sem que seja identificado um culpado ou pelo menos perceber o que é que aconteceu. António Costa já disse que tudo isto não devia servir de exemplo e que devia servir de lição. Mas a verdade é que o primeiro-ministro diz que esta situação no Porto deve servir de lição, mas parece que ninguém quer saber propriamente o que é que aconteceu.
E vamos ver como é que corre nos santos populares. Mariana Lima Cunha, are you there?
I am here. Vou comer uma sopa inglesa, embora, na verdade, em Inglaterra eu comi sempre muito mal. Portanto, aqui eu percebo que os ingleses queiram vir experimentar as maravilhas da gastronomia portuguesa. Acho que também muito pelo retrato que o João Alexandre nos estava a fazer ainda agora, é muito difícil olharmos para os últimos dias e não sentirmos, e agora sinto que estou a fazer um bocadinho de Marcelo Rebelo de Sousa, que costuma falar pela percepção dos portugueses e aquilo que os portugueses sentem, mas não sentirmos um sentimento ou de alguma injustiça ou de alguma confusão no que se está a passar. Eu achei um bocadinho irónica esta semana quando Fernando Medina dizia que era importante garantirmos que não estávamos num país esquizofrénico. Mas quer dizer, tendo em conta as últimas decisões É difícil não sentirmos isso.
E tendo em conta que Fernando Medina diz que é sensato não avançar com os Santos Populares, mas no mesmo dia a diretora geral da Saúde diz: "Bom, até se poderia fazer."
Exatamente. Olhando para a solução dos estágios primeiros do futebol, depois das decisões diferentes em relação aos arraiais em Lisboa e no Porto, das declarações precisamente de Graça Freitas, que dizia que é possível fazer tudo com contenção às de Medina, que rejeitou liminarmente essa hipótese. Nos Santos fala que, apesar de tudo, ainda tivemos a vantagem de ser anunciado o que ia ser feito. Porque quando foi, por exemplo, dos estágios do Sporting, descobrimos um pouco em tempo real o que estava e o que não estava organizado. E na Champions, o rebentar da bolha também se foi assistindo ao vivo depois das grandes garantias que havia essa bolha organizada. Mas pronto, e isto aqui é só da perspectiva do público, porque da perspectiva dos promotores de arraiais, das pequenas organizações, etc, já não há muito a fazer para o dinheiro que se vai perder. Agora, voltando só aqui a Marcelo Rebelo de Sousa, acho que pode haver aqui uma entropia que também está muito baseada nos avisos que o Presidente da República tem vindo a fazer, que é o fato de estarmos numa posição de tentativa de equilíbrio entre evitar que haja o desrespeito das normas sanitárias e puxar pela economia, Marcelo tem puxado muito pela necessidade de estimular a economia, de perceber que neste momento o número de contágios não tem a mesma tradução na pressão do SNS, no número de mortes, temos a questão da vacinação, etc. Portanto, acho que estamos a tentar equilibrar-nos nesta nova condição de povo semivacinado, mas acho que a transmissão da mensagem tem de ser melhor. Sobretudo, olhando aos exemplos que vimos esta semana de Fernando Medina a dizer uma coisa, Graça Freitas a dizer outra, o governo sem se perceber exatamente o que está a dizer, fica mais difícil entrarmos nesta fase e cumprirmos a tal encomenda de Marcelo, que é o de cumprir o equilíbrio entre facilitismo e alarmismo.
E Rita Penela, a tua sopa inglesa vai no mesmo sentido, não?
Vai, desculpa desiludir, não vou trazer outro. Isto porque estas desculpas ou estes argumentos dos portugueses que quase passavam ou quase justificavam aquilo que tinha acontecido, não fosse ontem o governo britânico ter voltado a fechar os voos. Foi uma grande chatice. Afinal, isto tinha sido tudo tão giro e agora, de repente, vão todos ter que cumprir 10 dias no regresso e uma série de outros testes. O governo britânico justificou com a questão da variante nepalesa e o número de casos que já haverá em Portugal, que devem ser confirmados hoje, que é hoje que sai esse relatório. Mas a verdade é que hoje, e ontem também, os jornais ingleses começam a dar conta do número de casos e do número de surtos que foram detectados no segundo teste, portanto, dois dias depois da chegada dos adeptos, e que relacionam uma série de pessoas que estavam nos mesmos voos, um deles um ministro, o que também é ótimo. Ficamos a saber que a aplicação no Reino Unido ainda funciona. A nossa app Trace Covid, não sei se ainda alguém tem no telefone.
Fiquei nostálgica agora.
É, não é?
Não tenho espaço para isso.
Pronto, mas pelos vistos no Reino Unido ainda funciona e serviu para um ministro ser alertado para o fato de ter tido um contato próximo num voo. Portanto, a coisa até se calhar corria bem. Não deixo de lamentar a afirmação do primeiro-ministro quando ainda tentou culpabilizar os jornalistas de terem passado uma série de dias as mesmas imagens. Eu não sei que imagens são essas, eu vi muitos diretos em vários momentos, em vários pontos, e de fato não me pareceu que fosse montagem repetida, nem o falso direto que às vezes poderá acontecer, mas o primeiro-ministro achou que teria havido ali algum alarmismo da parte dos jornalistas em relação ao que estava a passar. Pelos vistos, ao segundo teste no Reino Unido, percebe-se que afinal então há casos, e tendo em conta que foram testados à chegada, foram testados antes de embarcar novamente. Portanto, talvez um pouco mais de cautelas e caldos de galinha, se não me falha aqui a expressão.
Sem english soup.
Sem english, desculpem, pudessem ter tido outro desfecho e não estarmos a viver esta esquizofrenia que estamos, porque ninguém sabe muito bem já qual que lhes cosce neste momento.
Muito bem, vamos agora avançar então aqui nas sopas. Vamos fazer amigos entre os animais, a sopa é vegetariana e o João Alexandre tem alguma coisa a dizer sobre isto.
Não sou propriamente eu.
Muito bem, qual é a vossa sopa vegetariana? Começando agora por ti, Rita Penela.
Bom, eu diria que são quase todas.
Podemos te chamar Rita Pan-ela?
Eu ouço essa piada desde que tenho seis anos.
Não havia Pan. Não é panela, é Pan-ela.
Pois.
Os destinos da Rita e do PAN estavam cruzados.
Sim. Bom, talvez a minha família não concorde muito.
Tem Pan no apelido, não é? Etimologicamente falando.
Não. Não, as sopas vegetarianas, ignorando aqui a sopa da pedra e as canjas de galinha, diria que são quase todas. Aquele caldinho de legumes que cai sempre bem, ainda que ultimamente aqui a ferver. Vou deixar-me destes trocadilhos para o Rui Pedro e vou sair daqui.
Sim, sopa vegetariana é redundância.
Para não ficar aqui numa encruzilhada.
É como dizer Sporting campeão. A palavra quer dizer a mesma coisa.
Temos de deixar o Rui agora aproveitar este gosto redescoberto. Mas voltando aqui à questão do Congresso do PAN, a primeira vez que terá um congresso inteiramente aberto à comunicação social, também uma novidade, já que nos últimos apenas a intervenção final tinha algum tempo disponível para as pessoas poderem assistir, também à comunicação social. Mas creio que, e daquilo que fomos conseguindo perceber, há aqui uma série de fatores que podem fazer depender este congresso de realmente ser aquilo que Inês de Sousa Real pretende, uma coisa tranquilizadora e que transpareça a unidade no partido, ou que haja aqui algumas pequenas areias na engrenagem que possam transparecer e deixar que toda a gente perceba que realmente pode dar-se ali um caso de paz podre e estar a tentar contornar a situação.
Uma delas é a questão estatutária em relação às regiões autónomas, a Madeira e os Açores, que dentro do PAN não têm ainda um estatuto autónomo. Já foi tentado noutros congressos, essa proposta, nomeadamente na região autónoma da Madeira, já se colocou, mas será uma grande prova de fogo que o PAN terá e que os delegados, neste caso, que votarão essas moções, terão que fazer essas alterações aos estatutos. E vamos ver como é que a coisa corre, tendo em conta que há ali várias questões por sanar e a corrente norte também que terá uma maior representatividade neste congresso. Portanto, há algumas expectativas para os próximos dois dias em Tomar.
E já vimos que há moções que defendem as refeições vegetarianas para os animais.
Precisamente.
Animais de companhia. É PANs and company. Mariana Lima Cunha, qual é a tua sopa vegetariana?
Eu vou de sopa vegetariana também, porque eu ontem à noite li o artigo da Rita Panela, publicidade aqui, vão ler. Ainda bem que há, como a Rita referia, mais alguma transparência no congresso do PAN desta vez e que podemos de fato assistir aos trabalhos, ler as moções e perceber afinal o que está em causa no partido. Um partido que negoceia orçamentos e medidas com o governo convém que tenha essas cartas em cima da mesa. E portanto, na moção da Rita, eu percebi que havia essa proposta.
Na peça, eu não fiz nenhuma moção.
Eu disse a moção. Desculpe, eu levei Panela demasiado a sério.
Estou a sentir muita pressão.
Fui influenciada pelo Rui. Não, no artigo da Rita no Observador, ela explicava as moções que há para o congresso do PAN, nomeadamente a que propõe uma alimentação vegetariana para animais de companhia, cães, gatos e furões.
Cães, gatos.
Para veres que eu estive a ler com atenção.
Obrigada.
É que eu acho que além do cão e do gato, Mariana, deixa-me só dizer isto, é que eu acho que além do cão e do gato, a seguir acho que está registrado como animal de companhia o furão. Pergunta por quê, mas é uma coisa...
São os únicos três reconhecidos pela lei. Aliás, está em algumas prioridades também do PAN alterar esse reconhecimento do que é o animal de companhia, que eles querem alargar também aos animais de pecuária.
Muito bem, Mariana, estavas a dizer que o facto de ser um partido de governo tem que ser mais transparente.
Dizia que sim. Aliás, boa parte das propostas do PAN são até sobre transparência e muito transparência na política. Portanto, acho que bem que comecem também pelo próprio partido. Nós estamos aqui a brincar com a sopa vegetariana, mas quando falamos das propostas do PAN, muitas vezes são até usadas de forma um bocadinho caricatural, quando aparecem. Mas a verdade é que temos de olhar aqui para os últimos anos e verificar que, de facto, essas propostas têm feito um bocadinho o seu caminho e que se têm ido normalizando muitas delas, coisas que se calhar há uns anos nos pareceriam um bocadinho ou anedóticas ou laterais, têm acontecido de facto. E acho que quando eu falava da negociação com o governo era um bocadinho por aí. O PAN tem conseguido fazer esse caminho. Lembro-me de ler o André Silva Faro sobre isto uma vez numa entrevista, de funcionar como uma espécie de braço político de uma consciência social que existe e que tem feito esse caminho. E acho que é muito esse o objetivo do partido, vai desbloqueando orçamentos e negociando, mas sempre com esse objetivo de ter influência em nichos específicos, em causas específicas que consegue ir fazendo avançar e portanto, acaba por ter critérios muito diferentes dos partidos que se definem como de esquerda ou de direita, que têm bandeiras muito diferentes. O PAN tem as suas causas concretas e portanto qualquer avanço nelas acaba por ser uma vitória.
Já agora, deixa-me só dar aqui uma achega, que estamos a ficar sem tempo, ainda a propósito disto e seguindo esse raciocínio também, mais do que as propostas do PAN esta questão de fazer ou não parte do chamado arco da governação. Entretanto, já fomos vendo esse apoio do PAN ao Partido Socialista, mas acho que muito interessante é também perceber que o PAN, pelo menos pelo que diz André Silva, que agora deixa o cargo para se dar esse novo ciclo, que será também de continuidade do partido, já deu essa indicação. É preciso negociar com quem quer que seja, no fundo. Ou seja, o PAN não é um partido de esquerda nem de direita, é isso que o partido vai dizendo. E André Silva já deixou isso bem claro, que na ótica do até agora líder do partido, se o PSD for governo, é preciso negociar com o PSD. O que interessa é ir conquistando esses ganhos de causa um a um, grão a grão, grão a grão enche a galinha o papo. E pronto, de orçamento a orçamento, ir conseguindo aqui qualquer coisa, mais do que dar já o passo maior do que a perna.
Muito bem, e é com este reparo do João Alexandre que terminamos. O PAN é o partido do mindfulness, chegou a defender mindfulness nos programas escolares. Vamos meditar durante o intervalo e na segunda parte voltamos com a deputada não inscrita Cristina Rodrigues. Olá, bem-vindos à segunda parte da VigiSuave. Agora já não falamos em inglês, a nossa convidada é portuguesa. Cristina Rodrigues é antiga deputada do PAN e atual deputada não inscrita à Assembleia da República. Cristina Rodrigues, não sei se me consegue ouvir em condições.
Consigo ouvir perfeitamente, sim. Olá.
Tudo bem. A primeira questão que eu tenho para lhe colocar é que amanhã de facto começa mais um congresso do PAN. Tem pena de não estar presente?
Começamos logo com uma pergunta tão difícil. Com as circunstâncias atuais, não tenho pena nenhuma. Se calhar noutra altura teria gostado de estar presente, sim.
E admite um dia voltar ao partido ou esse é um período completamente fechado? Quando André Silva anunciou a saída, disse que já ia tarde e com a saída do atual líder pós-congresso, abrem-se as portas para esse regresso ou não?
Não se abrem as portas na medida em que não basta a saída do André Silva. É necessário saírem mais algumas pessoas. E de facto, eu vejo neste momento o PAN como um capítulo fechado, porque também não tenho uma expectativa muito grande que acabe por haver uma mudança na direção. Portanto, apesar da saída do André Silva, julgo que haverá uma continuidade. E dessa perspectiva, o PAN é um capítulo fechado. No entanto, havendo ou verificando-se a saída de determinadas pessoas, conforme eu já disse várias vezes, eu não tenho qualquer problema com o PAN, nem com a ideologia do PAN, pelo contrário, continuo-me a rever naqueles que são os valores do partido.
Há piscadelas públicas de olho de vários elementos do Volt, nomeadamente nas redes sociais. É uma hipótese vir a integrar o Volt?
Não, nunca pensei nisso. De facto, é verdade, aconteceu. Até foi um pouco inesperado. Foi numa rede em particular, várias pessoas fizeram essa referência, mas noutras alturas já fizeram em relação a outros partidos também. E nunca coloquei a possibilidade em relação ao Volt ou neste momento em relação a qualquer outro. E também acho que as redes sociais não são propriamente o sítio ideal para fazer essa reflexão, essa discussão.
Podemos ficar mais à espera de ir para o Volt ou que volte ao PAN? Das duas, qual é a mais provável? É isso que eu pergunto.
Das duas, neste momento, eu não vejo grande probabilidade para nenhuma, sinceramente.
Já teve algum convite que seja uma coisa mais séria ou mais formal para algum partido?
Não. Já ouvi comentários, mas comentários são comentários, é como se não tivessem existido.
Em relação ao PAN, eu queria só perceber a que pessoas é que se refere especificamente quando diz que era preciso algumas pessoas saírem do partido para poder voltar.
Eu não vou dizer nomes especificamente, mas acho que é evidente que quem fazia a composição do grupo parlamentar que eu faria parte, qualquer uma dessas pessoas teria que sair. O André Silva já fez o favor de anunciar a sua saída, mas as restantes parecem estar de pedra e cal.
E como é que alguém que foi o braço direito de André Silva enquanto deputado único, até porque é assim que André Silva se refere a si, bem recentemente, durante quatro anos, poucos meses depois de ter sido eleito, se incompatibiliza de uma forma tal que deixa o partido e mantém-se como deputada não inscrita?
Pois, é de facto caricato e eu confirmo que realmente eu e o André Silva tínhamos uma relação profissional muito próxima e acho normal que ele considere que eu era o seu braço direito. Não acho, pois, realmente normal é a ingratidão para com esse braço direito e a forma como as coisas foram geridas após a eleição de mais deputados no PAN, que eu acho que só veio demonstrar que o partido não tinha ainda maturidade suficiente para eleger quatro deputados.
Isto porque não foi a única pessoa a desvincular-se do partido, não é? Também assistimos à saída de Francisco Guerreiro, deputados municipais em Cascais, na Madeira. O partido fala em dores de crescimento, mas estamos a falar também de um sétimo congresso e de um partido que não está propriamente há dois anos nisto. Já é a segunda eleição para legislativas. Já se deram mais alguns passos, são mesmo dores de crescimento ou aquilo que existe no seio do PAN continua a ser muita instabilidade e várias maneiras de se olhar e de se ver o partido?
Não, eu acho que instabilidade é factual. Acho que nem sequer é preciso ser eu a dizer que ela existe, porque é evidente que ela existe e acho que ninguém acredita que o André Silva vai sair porque foi pai. Portanto, acho que isso deixa absolutamente evidente essa instabilidade. Há também uma total falta de organização. Há claramente dificuldade em fazer debate político interno e não há qualquer espaço a crítica e até notícias que saíram agora muito recentemente em que vai-se discutir neste congresso que a própria CPP, ou seja, nem sequer é a direção do partido, é a CPP, que não é um órgão partidário, possa ter o poder de suspender qualquer militante para salvaguardar o bom nome do partido. E se antes já havia aqui uma espécie de vigilância sobre o que é que os militantes ou os filiados diziam nas redes sociais, neste momento essa vigilância pode ser resolvida com a suspensão.
Mas já havia uma lei da rolha no PAN, é isso? Mesmo quando não estava.
Não existia a lei da rolha. Não existia oficialmente, será oficializada neste congresso, no fundo. Ou seja, aquilo que se fazia é realmente as pessoas que contrariavam determinadas pessoas no partido ou que tinham a coragem de contrariar a direção, eram de alguma forma, não quero dizer ostracizadas, mas eram colocadas de lado, não eram vistas com bons olhos. O que me parece é que esta proposta o que pretende é oficializar essa lei da rolha.
Ou seja, não augura nada de bom daqui pra frente também, considera que, ainda que olhando agora de fora, que este estado da arte vá lá do PAN que acabou de descrever, será para continuar com ou sem André Silva?
Aquilo que me parece é que, portanto, aquilo que eu tenho lido, e admito não tenho lido muito das entrevistas, é mais aquilo que me dizem, é que houve aqui a indicação de que este congresso iria dar resposta às saídas que se verificaram antes dos deputados, seja municipais, seja eurodeputado, o que for. Aquilo que me parece é que não houve uma reflexão interna sobre o que levou estas pessoas a sair. E portanto, estas pessoas saíram dizendo que havia silenciamento das pessoas, que não havia possibilidade de debate, que não havia pluralismo. E qual é que é a resposta, pelos vistos, da nova líder partidária? É precisamente ainda condicionar mais a possibilidade das pessoas discutirem, falarem e emitirem a sua opinião. Portanto, claramente, não houve reflexão e claramente não houve um entendimento do que aconteceu.
Cristina Rodrigues, deixe-me só perguntar-lhe também, acabou de nos dizer que não tem lido propriamente muitas entrevistas e aquilo que vai sabendo é mais por aquilo que lhe vão dizendo, mas André Silva esta semana voltou a acusá-la de ter usado o partido para servir interesses pessoais, criticando-a também por ter ficado com um mandato que, no entender do André Silva, pertence ao PAN e não à própria Cristina Rodrigues. Considera que os eleitores que votaram no PAN em Setúbal, até porque a Cristina Rodrigues foi eleita por Setúbal, estavam a escolhê-la a si pessoalmente?
Eu gostava de dizer várias coisas em relação a isso. Uma delas é que o André Silva, que anunciou que iria sair esta semana, não fez outra coisa que não dar entrevistas e pronto, obviamente, tem toda a liberdade pra o fazer, mas não me parece nada característico de alguém que pretenda efetivamente deixar a vida política. Por outro lado, em relação às coisas que o André Silva tem dito concretamente. O André Silva pode achar que o mandato é do PAN, mas há aquilo que o André Silva acha e há aquilo que a lei assegura e diz, e no caso até é a nossa lei constitucional, e portanto, o legislador fez questão que fosse assegurado aos deputados a possibilidade de manterem o seu mandato, portanto, o mandato é pessoal, não é do partido, e possivelmente fê-lo precisamente para assegurar aqui algum equilíbrio entre os poderes dos partidos, que sabemos que são muitos, sobre aqueles que são os seus eleitos. E portanto, desse ponto de vista, a opinião do André Silva parece-me irrelevante.
Deixe só eu perceber uma coisa. Pela primeira parte da sua resposta, isso quer dizer que acredita que André Silva vai continuar a ser uma espécie de líder-sombra no PAN? Ou seja, que não vai deixar efetivamente essa influência?
É uma percepção minha, obviamente. Eu acho que ele vai sair e até acho que sairá por incompatibilidade neste momento com outras pessoas na direção do partido, ao contrário daquilo que ele disse. Aliás, o facto de hoje mesmo sair uma notícia do André Silva em que referia que acha a colagem ao PS um erro, não dizia precisamente estas palavras, mas dizia alguma coisa deste gênero, o que contradiz de alguma forma ou outra entrevista-
Se ele não gostava o PAN em ir pra o governo, não é? Se houvesse essa hipótese.
Exatamente. E quando há cerca de duas semanas a suposta nova líder partidária dizia precisamente que quer fazer governo. E portanto, parece-me que o André Silva ainda não saiu e já está a fazer algum tipo de oposição interna, mas vamos ver.
Quando saiu do PAN, acusou o partido de não a deixar apresentar iniciativas e de a ter encostado a um canto. São essas as iniciativas que lhe foram vedadas e que agora está a recuperar pra apresentar na condição de deputada não inscrita?
Sim, algumas delas, sim. As que apresentei inicialmente, sem dúvida nenhuma, nomeadamente a iniciativa relativa ao rendimento básico incondicional. Também algumas iniciativas na área da cultura. E pronto, depois foi simplesmente seguir um caminho e seguir o programa eleitoral que eu sempre assumi que teria como prioridade cumprir.
Nomeadamente nas questões muito relacionadas com as mulheres, tem apresentado várias iniciativas. No PAN não havia espaço pra isso?
No PAN não era prioridade.
E o que é que no PAN era prioridade? Eu te pergunto também porque nesta semana acusou o partido de estar mais preocupado em agradar o governo do que com as suas causas. Que causas é que o PAN deixou então pra trás pra agradar o governo?
Uma das coisas que notei e que eu acho que continua a acontecer, sendo certo que obviamente não posso neste momento afirmar que isso acontecerá, mas é que de facto o PAN, durante o ano em que eu estive como deputada, teve muita dificuldade em delinear uma estratégia política, em estabelecer prioridades, apesar de várias vezes ter insistido nisso. E parece-me que continua igual, porque o PAN não está a conseguir, de facto, marcar a agenda política. Agora, relativamente às iniciativas que eu tenho colocado em particular, algumas delas já constavam no programa do PAN, outras não constavam. O PAN, algumas delas não teve coragem de as colocar, nomeadamente a que diz respeito à secção da tauromaquia no Conselho Nacional de Cultura. Portanto, é algo que já consta no programa do PAN há muito tempo e que nunca houve realmente essa coragem, e eu tive. E como essa há outros exemplos.
Cristina Rodrigues, muito bem. Em 2018, e agora mudando aqui um pouco de assunto, o seu nome teve associado ao IRA, não é?
Sim.
Que foi investigado por suspeita de crimes violentos. Ainda mantém alguma ligação ao grupo?
Não, enfim, a minha ligação ao grupo era meramente enquanto advogada e a título de voluntariado. Ou seja, e desde essa altura, portanto, isso também deixei de ter. Acho que importa relativamente a isso dizer, até porque na reportagem que houve, diziam que eu própria estava a ser investigada e daquilo que eu tive conhecimento, nunca houve qualquer investigação ou nunca estive envolvida em qualquer investigação, nunca fui notificada pra nada. Eu própria coloquei a questão ao Ministério Público, que me referiu que não havia nada a dizer sobre o assunto em relação a mim. Julgo que o próprio IRA também nunca teve qualquer processo judicial. Posteriormente, a ERC veio, acho que houve várias queixas relativamente à reportagem, e veio dizer que efetivamente a reportagem foi baseada em sensacionalismo e, portanto, eu julgo que acho que está mais do que provado.
Que considera o trabalho do IRA meritório
Importante.
Eu não tenho acompanhado particularmente o trabalho do IRA. Daquilo que eu noto, eles trabalham cada vez mais com entidades oficiais, nomeadamente com a polícia, com os órgãos de polícia criminal e mesmo com algumas câmaras municipais. Mas, sinceramente, não tenho acompanhado suficientemente o trabalho para poder opinar muito sobre ele.
É uma das deputadas não inscritas, há outra, que é a Joacine Katar Moreira. Já as vimos com máscaras iguais, com X em protesto, quando não falam em determinados momentos. Costumam concertar de alguma forma opiniões ou costumam tentar concertar uma estratégia quando são as duas envolvidas nisso? Nesse caso em específico, ficaram de fora de um determinado debate.
Sim, em algumas circunstâncias, sim. Há situações em que fazemos aqui requerimentos ao Presidente da Assembleia da República juntas. Falamos sobre um determinado assunto, no caso do 25 de Abril foi um dos momentos. Tivemos outros em relação ao Orçamento de Estado. Fizemos também recentemente um pedido para que a conferência de líderes nos deixasse fazer agendamentos e nessas situações fazemos essa atuação conjunta, mas de resto temos uma excelente relação e obviamente que estando as duas na mesma condição que nos apoiamos mutuamente.
No orçamento para 2020, aliás, as duas contribuíram para a viabilização do orçamento, até julgo que antes do PEV dar o sentido de voto. Ficou logo fechado que o orçamento passaria. Ficou mais ou menos claro com alguns partidos e até no PAN, com o Provedor Animal, etc., o que estava em causa. O que o governo lhe deu em troca para o seu voto?
A minha negociação não foi propriamente uma negociação, ou seja, eu o que fiz foi apresentar ao governo certas propostas que eu achei que eram importantes pra mim ou para os eleitores que votaram em mim. Nunca negociamos no ponto de vista de eu dou-lhes este voto e vocês dão-me estas medidas. Mas a verdade é que o governo acabou por aceitar algumas das minhas propostas, que eu achei que foram propostas importantes, nomeadamente a que diz respeito-
Confessou com Duarte Cordeiro, como é que foi o modus operandi?
Eu simplesmente mandei-lhe uma lista das iniciativas das propostas que eu queria.
E já agora, deixe-me perguntar se já fez a lista também para o orçamento para 2022. Não falando aqui propriamente uma lista de compras, mas que artigos é que haverá aí nessa lista que para a Cristina Rodrigues são essenciais para que haja, por exemplo, uma viabilização de um orçamento?
Ainda é cedo pra dizer. Já tenho algumas propostas que serão efetivamente importantes pra mim, mas não queria para já partilhá-las.
Não consegue divulgar-nos aqui pelo menos algumas áreas de interesse, sem falarmos em propostas concretas?
Direitos das mulheres e igualdade de gênero.
Direitos das mulheres e igualdade de gênero são duas bandeiras para a negociação para este orçamento.
Sim, certamente.
E já se cruzou com o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares para lhe dizer que está disposta a sentar-se outra vez à mesa com ele, não?
Ainda não. Soube através de notícias que já estão a haver algumas reuniões com os grupos parlamentares, mas eu ainda não tive qualquer iniciativa nesse sentido e o governo também não. Portanto, ainda não falei com Duarte Cordeiro, mas falarei certamente.
Pois manifesta-se a disponibilidade. Eu há pouco disse o orçamento para 2020, eu queria dizer era o orçamento para 2021 e neste caso para 2023.
Sim, exatamente.
Uma última questão, pra depois avançarmos aqui na nossa reflexão. Tem algum plano pra quando deixar o Parlamento? É que parece não ter hipóteses depois de 2023 de voltar aí, não é?
Não tenho grande plano, ou seja, eu sou advogada. Suspendi a minha cédula quando fui eleita pra poder exercer o mandato em exclusividade e o meu plano será sempre voltar à minha profissão. A minha prioridade neste momento é cumprir o programa eleitoral e é respeitar os eleitores que votaram, e é esse o meu compromisso para já. O amanhã, logo se vê.
Muito bem, vamos agora avançar aqui na nossa reflexão para o segmento Carne ou Peixe. Não sei se costuma ouvir o programa.
Sim.
Há uma opção em que tem que escolher de duas opções, uma delas. Vamos lá ver como é que isto corre ou se fica com fome. Vamos soltar a trilha. Cristina Rodrigues, preferia almoçar um bife com ovo à cavalo com a Inês Sousa Real ou ir a uma tourada com o André Silva?
Isso é horrível, nem uma coisa nem outra. Venha daí a biscolha, impossível.
Se tirássemos o bife e a tourada e só estar com um dos dois, qual dos dois é que escolhia, pronto?
Tantinha.
Bom, aqui já vimos que não temos sorte, mas preferia ser ministra de um governo de António Costa ou deputada numa bancada liderada por Viana Cunha?
Ai, do António Costa, sem dúvida.
Preferia ir a um espetáculo de Fernando Rocha ou decorar o programa do PAN de uma ponta à outra?
Decorar o programa do PAN de uma ponta à outra.
Vamos ver se na última também consegue responder tão rapidamente. Preferia ser companheira de bancada de Francisco Guerreiro no Volt ou voltar a estar na bancada com a Inês Sousa Real? Na bancada do PAN, entendemos.
Francisco Guerreiro, sem dúvida, também. Independentemente de onde fosse.
Muito bem.
Pelo menos Inês Real.
Muito bem. Só numa é que não respondeu, portanto vamos aceitar aqui.
Era muito difícil esta.
Como tempo passado, pelo menos com um satisfaz bastante. Vamos avançar então pra parte final, que é a nossa sobremesa, que é a música que nos trouxe e gostaria que explicasse um bocadinho o porquê. Vamos começar a ouvi-la em fundo, o porquê desta escolha.
É muito simples, eu gosto muito dessa música. Acho que tem uma mensagem de coragem e de união. E basicamente é isso, acho que as pessoas quando se juntam pra trabalhar por um objetivo, são mais bem-sucedidas.
O nome da música que não disse é de Sia, é Courage to Change. Eu que estive aqui a brincar com o inglês no início. Agora está-me a custar sair, mas é coragem para mudar, se calhar em português sai melhor. Cristina Rodrigues, muito obrigado por ter vindo à Vichy Soisse. Nós, como sempre, regressamos na próxima semana.
Obrigada eu.
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