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Olá, bem-vindos à Vixi Suave, uma emissão especial. Portanto, qualquer coisa que falhe, está mais do que na hora de que isso aconteça, que aqui nunca falha nada. Mas antes de irmos, vamos ouvir um som preparado pelo DJ do costume, Miguel Vitor Dias.
É um resumo do dia.
Vá-se embora, senhor Costa, meta-se! Obviamente, apresentei a minha demissão a sua excelência, o senhor Presidente da República. Não, não me vou recandidatar ao cargo de primeiro-ministro, isso fica muito claro. É evidente que esta é uma etapa da vida que se encerrou. Esta é uma etapa da vida que se encerra e que encerro com a cabeça erguida, a consciência tranquila e a mesma determinação de servir Portugal e os portugueses.
Ai, Costa. Avisa, Costa.
Só para apresentar as pessoas como habitual, eu sou Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador. Por norma, quem inicia o programa sou eu ou o Miguel Santos Carpatos, que é o editor adjunto e jornalista do Observador, que ele gosta de dizer como se os outros editores não fossem. O Miguel Vitor Dias, que é o repórter parlamentar, a Mariana Lima Cunha e a Rita Tavares. Vai começar a Vixi Suave. Olha, para mexer um bocadinho com a dinâmica do programa, que hoje não temos convidado, era António Costa.
Este é um momento histórico, Miguel e Rui estão na mesma sala na Vixi Suave.
Já aconteceu algumas vezes.
Já! Já aconteceu, mas visto que fui inopinadamente atacado logo na introdução deste programa, se calhar não volto mais.
Então, se calhar começo pelo Miguel Santos Carpatos.
Muito bem, vamos a isso. Queres que eu sirva a sopa? Uma sopa que caiu do céu, para falar sobre a direita e esta nova oportunidade que se apresenta a PSD, Iniciativa Liberal e Chega. Posso incluir aqui o CDS, embora seja mais difícil a vida de Nuno Melo, mas é uma oportunidade que cai do céu, sobretudo a Luís Montenegro. A expectativa que existia em relação ao líder do PSD é de que não ia aguentar dobrar o cabo das europeias, que iria cair, que viria Pedro Passos Coelho. Enfim, de um momento para o outro, Luís Montenegro não só é um candidato sólido a primeiro-ministro, como ainda se arrisca a ganhar as próximas legislativas. Portanto, esta demissão acaba por cair do céu para Luís Montenegro. Também há aqui um espaço de oportunidade para a Iniciativa Liberal, embora num cenário em que haja uma grande polarização entre PS e PSD, à partida, a Iniciativa Liberal será o elo mais fraco. E claro, há uma excelente janela de oportunidade para o Chega, que no meio de uma crise de regime, porque é uma crise de regime, o que motiva a demissão de António Costa, tendo em conta que existem suspeitas sobre um núcleo bastante próximo do primeiro-ministro, agora primeiro-ministro demissionário, e que o envolvem, ainda ninguém sabe muito bem como, nem em que circunstâncias, e que envolvem o próprio primeiro-ministro. Portanto, estamos a falar de uma crise de regime. Ora, quem é que ganha mais com uma crise de regime? É quem se afirma como sendo anti-regime, anti-sistema. E portanto, André Ventura tem aqui uma oportunidade de ouro, tem o guião de campanha feito, pode passar 15 dias de campanha a dizer que os políticos são todos iguais e todos corruptos, que com os dados que existem na mesa, a suspeição pelo menos existe. E portanto, creio que há aqui oportunidade para todos os gostos, mas há, e aqui acho que se abre ou pode abrir-se uma oportunidade para uma força de direita que era, atendendo ao clima de emergência nacional, Luís Montenegro tinha aqui também o guião para justificar uma eventual reinvenção da Aliança Democrática, juntando CDS, Iniciativa Liberal e outros que se queiram apresentar. Portanto, isto era um cenário que Luís Montenegro poderia aproveitar, não sei se vai acontecer, não tenho informação sobre isso. Sei que há conversas nos corredores dos três partidos nesse sentido, mas ainda é muito prematuro dizer o que quer que seja nesse sentido. É uma oportunidade, mas como todas as oportunidades trazem riscos, e termino com isto para não maçar muito mais, Luís Montenegro, talvez de forma um bocadinho prematura, afastou qualquer aliança com o Chega. As próximas eleições dificilmente PS e PSD terão maioria absoluta. Luís Montenegro pode ver-se na circunstância de ganhar as eleições e não ter maioria no Parlamento que lhe permita governar. E se o senhor do outro lado for Pedro Nuno Santos, já sabemos como é que a história acaba, acaba com uma geringonça à esquerda. Luís Montenegro talvez falou antes do tempo ao dispensar alegremente o Chega de futuras alianças.
E Pedro Nuno Santos já disse também que não governa se ficarem em segundo nas eleições, mas isso depois, no dia seguinte, as coisas já não são as mesmas.
Temos que ver que patos é que se alinham na altura.
Exatamente. Por acaso era uma reviravolta épica, Hugo Mendes e Frederico Pinheiro voltarem ao governo poucos meses depois.
Hugo Mendes volta ainda como ministro.
Mas Mariana, a tua sopa?
Vou escolher uma sopa dissolvida em água, no que vocês quiserem. Pediram para eu inventar uma sopa.
É a sopa dissolvente.
Exato. Estamos à espera de saber se é isso que Marcelo Rebelo de Sousa faz, se dissolve a assembleia, que é o caminho que parece mais óbvio neste momento. E pensando nas contas que o Miguel estava a fazer e que se podem fazer também para o PS e para a esquerda, há uma série de cálculos a fazer. Por um lado, nesta questão das geringonças, que também vai aparecer à esquerda mais ou menos presente, dependente do senhor que se seguir no PS, mas nas contas do próprio PS. O PS neste momento está a reagir, e nós estamos aqui a falar ainda muito a quente, mas a reagir de uma forma muito controlada e com muito gelo nos pulsos. Nós tivemos Carlos César ainda há pouco a empurrar todo o ônus da decisão do que se vai fazer ou não para o Presidente da República e o PS, o que nós conseguimos perceber das conversas que estamos a ter, é que não só não quer assumir qualquer responsabilidade, assumir a sua preferência pelo cenário que se segue em público, como até, e já tivemos conversas nesse sentido, há pessoas que no PS argumentam que convocar eleições não é uma necessidade absoluta, portanto será uma opção do presidente. Já ouvi até o argumento que Marcelo Rebelo de Sousa quando falou na questão que temos todos citado, de a maioria absoluta estar completamente vinculada a António Costa, estava a falar do cenário europeu, e portanto, isto é uma emergência diferente. O que é certo é: isto chega num período que ainda parece um bocadinho precoce. Não é precoce, se for lá terá de ser, mas cedo para os planos que Pedro Nuno Santos estava a traçar. Ele estava agora a começar a fazer o seu caminho de uma demarcação clara de António Costa, mas não era a contar de todo com este calendário. O PS tinha muito presente que se conseguiu uma maioria absoluta nas últimas eleições, isso tinha muito a ver com um ativo específico, que era António Costa. Não sei se estará assim tão confiante para conquistar o país com outro nome, nomeadamente Pedro Nuno Santos, que é a pessoa que nós sabemos, de forma mais certa, que pelo menos quererá por sua vontade entrar numa corrida. E com Pedro Nuno Santos, aí sim, seria de esperar que começassem conversas a agitar a esquerda. Neste momento, é provável que tanto o Bloco de Esquerda como o PCP, embora a decisão do PCP fosse mais inevitável por questões de saúde de Jerónimo de Sousa, mas estejam muito satisfeitos por terem mudado lideranças e terem antecipado que o ciclo da maioria absoluta podia acabar mais cedo, e portanto devem estar a começar a fazer esses cálculos. Aliás, já vi vários dirigentes do Bloco de Esquerda.
Parece-me que o Bloco de Esquerda está com mais vontade de ir a votos do que o PCP. Até mesmo pelas reações dos próprios e por razões óbvias, que é nas sondagens o Bloco estar a crescer e o PCP-
Sim, o Bloco de Esquerda está mais confiante do que partiu para as últimas eleições. Sabe que aqui poderia ter alguma dinâmica de conversa ou influência com o novo governo, que com António Costa nunca teria. Mas sobretudo, a esquerda já está a começar a preparar e já é possível ver nalgumas declarações de elementos do Bloco de Esquerda e do PCP, a preparar a narrativa para umas próximas eleições que é: vejam lá se não se esquecem do que aconteceu da última vez. Aqueles eleitores todos que foram parar ao PS com medo de uma crise e queriam estabilidade, vejam o que aconteceu. E portanto, no fundo, o que querem dizer é: lembrando-se do que aconteceu nas eleições passadas, não cometam o mesmo erro duas vezes. Desta vez nós vamos contar, vamos ver.
Rita Tavares, não sei se estás em condições de te juntares a nós com uma sopa. Queria dizer, Rita?
Ficámos sem a Rita.
Não temos Rita ainda, temos que ir à Rita assim.
Mas temos o Miguel Viterbo Dias.
Querem que eu fale?
Fala. Também tens uma sopa, Miguel.
Posso ter uma sopa também?
Podes. Em teu nome, nunca em nome da Rita.
Sim, eu só falo em meu nome. E mesmo assim, às vezes. Eu sempre que posso escolho uma sopa da pedra e portanto aqui acho que se justifica. Houve uma pedrada do Ministério Público.
Uma pedrada no charco.
E depois misturou-se tudo dentro de um caldo que foi a salganhada do dia de hoje. Eu estive no Parlamento e portanto vou falar um bocadinho do que aconteceu lá, só porque às vezes perdemos o que é que se está a passar fora. E entre as reações dos vários partidos, na sequência do que estavam a dizer, foi engraçado ver as reações das pessoas consoante a expectativa eleitoral que têm. O PAN quis inventar uma coisa que é um orçamento de salvação nacional, que é aprovar este orçamento e prolongar a dissolução do Parlamento até dezembro, pelo menos.
O PAN tem-se mostrado sempre muito estadista neste momento. Não sei se é propriamente por resultado eleitoral ou não.
Muito estadista.
Muito senatorial.
O LIVRE voltou até a lembrar, logo a seguir à declaração de António Costa, que quem inventou a geringonça foi o LIVRE, portanto, o Rui Tavares disse: "Nós pensamos no país, mas não se esqueçam de que o LIVRE é que inventou a geringonça."
Pré-inventou até.
E não mentiu.
É verdade, pré-inventou.
E depois houve alguém que não pode falar-
Os ingleses inventaram o futebol e não ganham desde 66.
Houve alguém que não pode falar do Parlamento, mas gostaria e que tem uma grande expectativa de poder voltar, que é o CDS, que deve ter gasto o último cêntimo do orçamento a abrir uma garrafa de champanhe, porque esta possibilidade é a única para o CDS sonhar com esse regresso. Posso dizer, posso avançar que se festejou a queda de António Costa nas salas de alguns grupos parlamentares à direita. Isso foi bastante audível nos corredores do Parlamento, festejou-se.
Não sabes quais, porque o Chega tinha já colado a-
Não, porque o Iniciativa Liberal e o Chega partilham corredor, não partilham gabinete, mas partilham corredor. E foi algures nesse corredor que se ouviram festejos. Quanto ao orçamento do Estado-
No PSD não foram tão efusivos porque metade da bancada ainda é de Rui Rio.
Não se sabe se ficaram tristes ou contentes.
Há muita gente triste. No PSD há muita gente triste com este cenário, porque já perceberam que terão mesmo Luís Montenegro como candidato a primeiro-ministro.
A taxa de pleno emprego pode perder-se também com esta-
Pode falar Ruiístas, passistas, todos.
Ruiístas, anti-montenegristas, iludidos com Montenegro.
Então quantas pessoas é que estão contentes?
Apaixonados por Pedro Passos Coelho, enfim, toda uma série de fações no PSD que está um bocadinho com balizas.
E mostra-se também porque é que demoram a reagir. Estão ainda à procura do discurso ideal. Mas só para concluir, o processo orçamental está a decorrer, ao que tudo indica. Duarte Cordeiro pode ser ouvido na especialidade esta quarta-feira, o que vai ser estranho. Já foi estranho ouvir Manuel Pizarro na tarde de hoje, terça-feira, mas vai ser ainda mais estranho ouvir Duarte Cordeiro. E neste momento, quando todos os cenários estão abertos
Só há um homem no país que tem um programa, que é Fernando Medina, e pode chegar a um debate e fazer como António Costa e dizer: "O meu programa está aqui e da última vez correu bem."
Está bem. Pedro Nunes também tem um programa às segundas-feiras, Miguel. Não te fica bem dizer que não.
Estava a pensar, mas Pedro Nunes ainda não lançou nenhum livro.
Já lançou, chama-se "Patos de Veludo Não Voam."
É de ghostwriter.
Não, ele não leu. Temos que ser justos, ele diz que não leu e nós acreditamos. Rita Tavares, há pouco chamámos-te aqui, mas não estavas a ouvir porque eu falei baixo. Tens uma sopa para nós, que no fundo é o teu destaque deste dia bem longo que ele já vai.
Não sei o que estão a pensar. Não pensei muito no assunto, até porque não tive tempo. Mas é uma sopa, nem sei que lhe chamo, é um caldeirão entornado.
Uma sopa surpresa.
É um caldeirão entornado e sem ninguém saber quem é que vai limpar a mesa. É isso que neste momento estamos a assistir de alguma maneira, que é a esta indefinição total do que vão ser os próximos tempos, se há eleições, se não há eleições, todos dependentes do Presidente da República e de uma comunicação que será feita só na quinta-feira. Entretanto, há muitas audições a serem feitas e na parte do Partido Socialista, daquilo que vimos, muita cautela relativamente ao que virá de Belém e sem aqui adiantar jogo, diria eu, porque naturalmente nestas situações os partidos avançam para terra a fazer pressão. Foi isso que temos visto durante o dia de hoje, desde que António Costa apresentou a sua demissão, por parte dos partidos da oposição, que aproveitaram logo o tempo todo que tinham para vincar a sua posição e o que devia acontecer e o que o Presidente da República devia fazer. O Partido Socialista, pelo contrário, está completamente a guardar o jogo. Não se percebe se é cálculo político ou se será uma coisa de: ainda há 12 horas não sabíamos que íamos ficar sem primeiro-ministro e sem governo, e portanto deixa lá ver no que isto vai dar. Mas o que é certo é que neste momento o próprio Partido Socialista não dá nenhuma pista, nem às pessoas que nos estão a ouvir, nem a nós, nem ao Presidente da República, e parece preparado para ir a Belém dizer uma coisa do gênero: "Estamos prontos para o que o senhor Presidente da República quiser", até para aqui deixar que seja Marcelo a decidir e ao mesmo tempo, dentro do partido, não criar nenhuma perturbação adicional. Hoje também ainda com o corpo de António Costa quente, passo a expressão, mas não há outra maneira de o dizer nesta altura, também não seria de esperar que Carlos César fizesse uma declaração a lançar o passo seguinte e o congresso do PS.
Ficámos sem perceber se António Costa é secretário-geral demissionário.
Sim, era difícil. E mesmo abrir esse capítulo, mesmo dizer que António Costa deixava de ser secretário-geral, ia automaticamente abrir a guerra da liderança do Partido Socialista, guerra ou o que for, disputa, o que lhe quiserem chamar. E isso também poderia criar aqui algumas perturbações para aquilo que o PS pretende para os próximos dias, que é que as coisas possam ser decididas de forma a acautelar também alguns dos seus interesses. Resta saber quais é que são esses interesses nesta altura do campeonato.
Foi giro tu dizeres que há o caldeirão entornado, porque eu lembro-me de António Costa na fase da geringonça, quando as coisas iam sempre ficando tremidas e depois lá passava mais um orçamento, dizer que não era a carochinha à procura do João Ratão. E portanto o caldeirão acho que se enquadra aqui perfeitamente.
Mas já agora, Rui, deixas-me interromper para te fazer também uma pergunta e para te convidar a servir-nos uma sopa.
Ora bem, vamos lá então.
Interrompo-te um bocadinho sobre Marcelo Rebelo de Sousa e o que podemos esperar do Presidente da República, porque é ele, no fundo, que tem a chave do jogo.
É uma sopa de cenoura com forte e mel.
É uma sopa de gelado da Santini.
Uma sopa com forte e mel. Não, do lado de Marcelo Rebelo de Sousa, o que eu acho que o presidente está neste momento a pensar é que ele queria uma segunda parte do mandato um pouco mais descansada. Por outro lado, ele tem sido muito, eu acho que não há outra forma de dizer isto, humilhado nos últimos tempos pelo primeiro-ministro. Claro que não são humilhações pessoais, são humilhações políticas.
Deixa-me fazer-te uma pergunta: é difícil cenarizar isto, mas se António Costa tivesse sido mais leal do ponto de vista institucional do termo nos últimos meses, Marcelo Rebelo de Sousa poderia ter segurado de outra forma o primeiro-ministro? Porque o que percebemos é que Marcelo aceitou de forma muito simpática a demissão de António Costa.
É muito difícil perceber isso, porque hoje foi tudo completamente surpreendido. Eu não estou a ver nenhum comentador político ou analista que tivesse antecipado o dia de hoje. E por isso é difícil perceber o que Marcelo faria perante uma situação de surpresa. De qualquer das formas, eu acho que é um bocadinho ao contrário. Talvez o próprio António Costa se tenha desgastado muito com aquilo que ele chamou de casinhos, que alguns não eram casinhos, eram casos com um certo nível de gravidade. E quando chega a este ponto de ele próprio ser envolvido, decidiu não continuar. E quem contribuiu para parte desse desgaste foi também o Presidente da República nessa relação. Eu só digo isto assim, Miguel, pela seguinte razão: eu não sei se Marcelo Rebelo de Sousa não tem outra coisa na cabeça. É óbvio que tendo em conta o artigo Que ele para já apontou, convocou o Conselho de Estado tendo em conta a dissolução da assembleia. Portanto, tudo indica que vamos para eleições. Mas o presidente da República muitas vezes também diz que dá muita importância à estabilidade, à aprovação de orçamentos do Estado e se há pessoa que pode sacar uma solução da cartola, já que António Costa não a quis sacar e parece mesmo ter se despedido e dizer que vai à vida dele e que a moeda está bem encerrada, é Marcelo Rebelo de Sousa que pode inventar aqui alguma coisa.
Nós esta tarde estávamos a ver isso precisamente, tu estavas a escrever sobre isso, que é a possibilidade de Marcelo Rebelo de Sousa esticar a formalização, ou seja, a publicação em Diário da República da demissão de António Costa, atirá-la para lá do prazo para garantir a aprovação do orçamento. É isso mais ou menos que está em cima da mesa, achamos nós.
Sim, era uma possibilidade. Claro que esse orçamento teria sempre um período de vida relativamente curto, porque com o novo governo à partida teria sempre um novo orçamento. Teria a vantagem de não se entrar em 1 de janeiro com duodécimos do orçamento do ano anterior e ter esses primeiros meses do ano com o novo orçamento, mas seria uma questão um bocadinho esdrúxula, um bocadinho bizarra essa forma, embora haja uma margem para que isto aconteça. Outra solução que parecia bastante bizarra era, como há uma maioria, o presidente da República chamar o PS a indicar um outro primeiro-ministro, nem sequer precisa de ser candidato a deputado. Por exemplo, há outros nomes no PS que nem sequer são deputados, como é o caso de Pedro Nuno Santos, que é um dos potenciais sucessores. Por exemplo, Francisco Assis, que foi sugerido por Ascenso Simões, nem sequer é deputado, e há outros. Nesse sentido, havia sempre essa margem. Não sei se isso também seria, Mariana, plausível que o próprio PS depois aceitasse isso mesmo que o presidente o quisesse.
Deixa-me só, Mariana, para te ajudar também muito rapidamente, temos pouco tempo, que é a questão da TAP. António Costa ainda no último debate acusou o governo de Pedro Passos Coelho de ter vendido a TAP já demissionária. Ora, este governo demissionário não poderá vender a TAP, presume-se se António Costa for coerente.
Acho que se presume que haja uma série de coisas que ficam penduradas. Estranho será também se isso acontecer. Nós estamos agora todos muito de olhos postos no orçamento, evidentemente, e tentar perceber se as medidas todas que foram anunciadas, e esse foi um dos grandes argumentos do PS já nas últimas eleições antecipadas, que iam ficar imensas medidas, na altura eram geralmente extensões, uma série de outras coisas por cumprir. Neste momento, nós temos a questão da TAP, que é um dossiê evidentemente delicado e em que o governo parece ficar de mãos atadas. Não há grande coisa que possa fazer, sobretudo depois dessa narrativa toda que rodeou a anterior privatização. E depois tínhamos outros dossiês muito importantes a correr. Por exemplo, reforma do SNS. Nós tivemos hoje o ministro da Saúde a falar no Parlamento de uma reforma que já vem atrasada. Os estudos do SNS demoraram um ano a ser publicados. Estamos a viver o mês mais dramático, diz o diretor executivo do SNS, à espera de que essa reforma e que as negociações com os médicos finalmente chegassem a algum lado para vermos essa reforma tão prometida pelo PS, porque estávamos agora, em teoria, na segunda metade do mandato em que o PS ia mostrar as tais reformas que tinha na manga. António Costa foi um homem que falamos tantas vezes que não podia sair sem o elgado nem reformas na mão e vemos isso tudo cair um bocadinho por terra.
E pensando neste cair por terra e na surpresa do dia que chegamos ao fim desta emissão especial da Vixi Suave. Desta vez não temos convidado, mas na sexta-feira regressamos no nosso modelo habitual, com tudo aquilo a que já habituamos quem nos está a ouvir.