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Olá, bem-vindos à Vixi Suave. Continua a acampada no Rossio ou o protesto no Rossio, que curiosamente é a propriedade mais cara no monopólio português. Os protestos devem continuar nos próximos dias e há no universo político quem entenda e quem não entenda. Eu sei como é que se resolve o problema da habitação, mas não vou dizer porque sou egoísta.
As acampadas e os acampamentos terminaram. Há direito à manifestação, à exposição dos motivos, tudo isso com toda a tranquilidade, com toda a normalidade, com toda a legalidade. Que ninguém ouse tentar aqui trazer o caos ou trazer a violência.
Não caiam na tentação de, por razões meramente egoísticas da sua própria ação, importarem para Portugal climas de instabilidade, de contestação.
O que é um dado curioso, quer dizer, é uma manifestação em Portugal por causa de problemas de habitação em Portugal, mas quase sempre os porta-vozes dessa manifestação inorgânica, segundo diziam, eram estrangeiros. É uma coisa curiosa.
Mi casa es tu casa. Quem não tem casa é muita gente. Vi os protestos pela habitação. Tu foste o responsável por esta música, Vasco, já te vais justificar relativamente a isto. Conigo está, como eu estou a anunciar, o Vasco Maldonado Correia da Rádio Observador, as jornalistas da seção de política, Inês André Figueiredo e Mariana Lima Cunha, e eu sou Rui Pedro Santos, editor de política do Observador. Vai começar a Vixi Suave. Queres justificar, Vasco, a escolha da música da trilha?
Justifica-te bem que estamos aqui todos deprimidos.
Conheces a Quinta Emenda nos Estados Unidos?
Pois, não se quer incriminar. Sim, é fácil.
Não, mas é fácil. Casa, música . Sofrimento.
Já estás a tomar uma opção política, porque em vez da Quinta Emenda devias falar do artigo 65 da Constituição.
É verdade, mas eu vejo demasiados filmes. Queres começar?
Por isso é que não estás dentro da realidade. Por isso é que não estás acampado.
Estou aconchado, sim.
Isso é muito português, não é? A conchada é talvez a maior inovação dos protestos.
A conchinha?
A conchinha portuguesa.
Porque a conchada é uma palavra que não existia até ontem.
Sim, mas passou ontem.
Até esta semana.
E também, uma coisa muito curiosa, e se calhar podemos começar por aí, são os novos polícias da linguagem. "Ai, não se pode dizer acampada, porque acampada é espanhol." Como é que se chama o Marco quê? O nosso...
Marques Neves.
Marques Neves. Mas agora são todos o Marques Neves.
Ela também sabia.
Ou a Edite Estrela. Quer dizer, então as pessoas chamam o que quiserem, era o que faltava. Outra coisa: "Assembleia popular, isso não está na Constituição." Mas beber café também não. Isso não significa que não se pode fazer. Mas que é isto?
São práticas que se podem adotar.
Mas independentemente da linguagem, eu propor uma sopa única, não brincando com coisas sérias.
Temos tido muitas sopas únicas.
Sim, porque é como nós, somos únicos. Mesmo que a nossa equipa vá rodando, mantendo sempre a mesma qualidade.
Já não roda há muito tempo, só roda aqui na Vix. Estamos seguros.
Sim. Se nós formos olhar para as pessoas que passaram por aqui, o Pedro Benevides, o José Pedro Moses, a Rita Pinela, a Rita Dinis, se calhar estamos melhor.
João Alexandre.
Ui, João Alexandre.
Diogo Teixeira Pereira.
Estamos aqui a fazer um "e memória".
Ia dizer o nome, desculpa.
O que as acampadas trazem a este estúdio . Nostalgia.
Se depois de cinco minutos quiserem começar o programa, estão à vontade.
Acaso agora?
Ou poder estar na rua.
As rédeas são tuas.
Vasco, sopa única, sopa feita com camping gas. É a sopa única desta semana. Não sei se sabes, dentro do teu privilégio, um camping gas pode ser um fogão.
Eu fiz acampamentos, Rui.
Ok.
Fizeste? Encheste muito na nossa... Desculpa, Vasco.
Não vou elaborar.
Vocês sabem como é que o... Não, continua, Vasco, eu já lá vou. Tens razão, deixa lá.
Então vamos falar de coisas sérias. Falaste sobre a sopa única, podia ser uma sopa caseira também, mas neste momento há manifestações mais ou menos violentas, e isto não é um pormenor, porque a violência tira, a meu ver, a legitimidade às manifestações. Há pessoas na rua em Portugal, em Espanha, na Albânia, nos Países Baixos, na Irlanda. E estes dois últimos são relevantes porque fazem parte já de um grupo da Europa mais a norte, mais rica. E aqui no meio, sem querer fazer um discurso de Madre Teresa de Calcutá, há governos de esquerda, há governos de direita, com o apoio da direita radical, com o apoio da esquerda radical. E o que eu tenho visto na classe política na última semana é um passa-culpas constante e uma discussão de balas de prata para resolver um problema que creio que é claro para todos que não deve ir a lado nenhum nos próximos anos, se calhar só daqui a uma década é que se vão notar melhorias reais. E eu acho que isso é francamente negativo. E de resto Interessa-me pouco ir muito a fundo na questão da violência policial. Parece-me claro que num primeiro momento ela existiu no Porto. Interessa-me pouco porque acho sinceramente que tanto à esquerda como à direita há muita gente que não tem grande preocupação com a habitação e que olha para este momento como um meio de crescimento eleitoral. É só ver quem é que lidera as sondagens em França. E acho, por isso, que há gente que está mortinha que a violência escale aqui em Portugal também e que haja uma guerra civil nas ruas. Parece-me mais interessante, do ponto de vista político, a resposta do governo nos dias a seguir à carga policial. O Luís Montenegro, logo no dia a seguir, parece-me que foi tremendamente infeliz com aquela tirada do egoísmo, que já aqui ouvimos, e criou uma espécie de efeito Mari Carmen em Portugal, que garantiu que, por um lado, as manifestações crescessem, que continuassem e que ficassem associadas a uma ideia de afastamento da realidade por parte da classe política em relação aos problemas reais das pessoas e por isso esta última semana não vem só dos problemas da habitação que já existiam. Acho que vem também dessa resposta pouco feliz do primeiro-ministro logo no dia a seguir.
Tem havido uma incapacidade dos políticos de saber comunicar nesta matéria, Mariana, do governo em particular?
Sim, acho que é-
É tua sopa, se quiseres mudar a sopa.
Não, eu mantenho-me aqui, primeiro porque é de facto o tema único que nos tem ocupado os dias. E depois acho que de facto o governo teve dificuldades em encontrar o tom e como dizia o Vasco, num primeiro momento, acho que Luís Montenegro mediu muito mal o uso da palavra egoístas, que ele queria aplicar aos movimentos e partidos que se aproveitam disto e que querem trazer o caos para Portugal. Eu gostava de dizer também, quando falamos dos tumultos e do caos, supostamente, eu sei que ter isto nas televisões o dia todo parece que sobredimensiona a coisa, mas para pôr em perspetiva, eu já li descrições do ambiente no Rossio que incluíam pessoas a fazer crochê e a jogar sudoku. Até tal como vi em protestos de agricultores em Portugal, pessoas a fazer bifanas e a oferecer aos jornalistas. Portanto, o povo é sereno, podemos achar que é para o bem ou para o mal, ou seja, podemos achar que ainda bem ou podemos achar que assim não muda nada, mas acho que estamos muito longe de falar em caos e tumultos, embora tenha certeza, como o Vasco, que há setores que até se aproveitariam muito bem de que a coisa escalasse dessa forma. Mas quando Luís Montenegro fala do egoísmo dos organizadores, ou seja do que for, primeiro fornece de bandeja um slogan à manifestação. Era óbvio que no dia a seguir iam aparecer cartazes e t-shirts. A chamada egoísta é daquelas palavras como piegas de Passos Coelho.
Eu acho que ele até é injustiçado nos cartazes que dizem que ele tem 55 casas.
Sim, porque é uma coisa que está muito mal explicada.
É mentira.
Sim. Estamos a falar de terrenos rústicos, enfim, não estamos a falar de casas.
Não quer dizer que ele não tenha mais casas do que a esmagadora maioria dos portugueses e então com verdade que os jovens...
É verdade. Mas só cria ali um rastilho ainda maior, quando parece que está a expressar uma falta de empatia para com as pessoas, acaba por criar uma situação que era desnecessária. Eu sei que, e nós temos falado com o governo e temos percebido que a posição do governo é acreditar que a coisa está de facto a ser muito sobrevalorizada, que não são assim tantas as pessoas, nem as que estão nos protestos, nem as que se identificam com os protestos, e então se houver uma escalada, aí é que, lá está, como falámos do caráter do povo português, é muito improvável que as pessoas empatizem com um nível maior de escalada dos protestos. Eu acho que isso é tudo verdade, mas também acho que o governo está a ser um bocadinho otimista na avaliação que está a fazer das coisas, e é verdade, há números que o governo vai dando ou vai publicando que mostram factos como enorme predominância de proprietários em Portugal. Mas também há outros números. Também há os aumentos exponenciais das rendas nos últimos anos. Também há aquela estatística recente que nos diz que um quarto dos portugueses fica em risco de pobreza depois de pagar as despesas de habitação. Portanto, isto não é uma coisa inventada, não é um pretexto para quem se quer irritar e ir para a rua. Isto existe e eu acho que o grande problema do governo nem está tanto nos manifestantes, está nas pessoas que estão em casa e que podem até não sair de casa para ir nem manifestar-se, nem pôr cartazes, nem subir a estátua de cera. Só para dizer que nas eleições se podem lembrar disto.
Ia dizer só uma coisa que te contava, que é verdade, 70% são proprietários. Dos outros 30% que são arrendatários, há cerca de 16% que pagam rendas a valores de mercado que são extremamente elevados. Se esses 16%, a esmagadora maioria, tiver dificuldade, e se nos 23% que são proprietários no total e que pagam empréstimo ao banco, se forem ao aumento das taxas de juro, podes ter de repente um terço do país, embora não seja uma coisa que seja a maioria da população.
É isso, mas é uma faixa que não se pode desconsiderar e nesse sentido eu não sei se o Luís Montenegro não devia já ter aparecido mais. Eu acho que o discurso do governo tem sido um bocadinho corrigido ao longo do tempo desde que isto começou, mas acho mesmo que é importante que se mostre alguma empatia, porque o problema eu acho que é mesmo mais transversal do que o governo pode estar a avaliar. Isto depende muito, é verdade, das bolhas em que nós andamos, depende do sítio do país onde vivemos. É óbvio que no Porto e em Lisboa e nos subúrbios se sente mais o problema, mas não me parece mesmo que seja uma coisa que se possa arrumar com facilidade. Agora, também é óbvio, e é preciso dizer isso, que a culpa não é inteiramente deste governo O que é bizarro é que nós só chegamos a este ponto porque há anos que se fala disso, há anos que António Costa fez promessas que não cumpriu no sentido da construção e da reabilitação de habitação, e há anos que já tínhamos manifestações normais, mais ordeiras, sobre habitação. Portanto, o problema é do governo anterior que não fez e este também, a verdade é que demorou, pelo menos eu acho, a encarar com a urgência que se impunha.
Eu ia dizer há bocado e o Vasco não me deixou. Ia me lembrar quando o Bloco se manifestou contra a festa do Avante, que o Miguel Tiago se referiu num tweet assim ao Bloco de Esquerda: "O PC devia cancelar a festa porque nós também cancelamos aquele acampamento do Chamonix." Aquilo é mais do que um acampamento do Chamonix.
Exato. Acho que essa é a caricatura. E uma coisa é a caricatura, outra lá está, até das pessoas que se estão a manifestar, tens de dizer que são mais diversas do que isso, mas mesmo fora isso, acho que o problema não é esse. O problema é quem está em casa, mesmo que não saia pra se manifestar, também vota.
E há ali uma questão-
E também tem problemas de custo de vida, até habitação.
Temos visto que há pessoas que arrumam as coisinhas e vão trabalhar e depois voltam. E, portanto, são pessoas que trabalham, não estão propriamente ali a viver do protesto. Inês, a tua sopa camping gás.
Olha, pra dar continuidade àquilo que o Vasco e a Mariana disseram, a mim parece-me que não há uma-
Tu és mais de hotel ou campismo?
Eu sou mais de hotel, na verdade.
É em pudendo?
É em pudendo e sem pudendo. Campismo não é meu mundo.
Mesmo glamping.
Mas se for preciso dar um jeitinho na acampada, pronto. Eu acho que não há uma grande justificação para que o governo tenha demorado tanto a reagir, se é que podemos dizer que já houve uma reação eficaz. Ou seja, depois das palavras de Luís Montenegro, demorou muito a haver reações. Abrão Amorim ainda foi ao Parlamento e disse que o governo não ia ceder aos gritos nas ruas, mas depois disso foi preciso quase uma semana, tanto pra ouvir o ministro da Administração Interna, Luís Neves, que disse pra ninguém ousar trazer o caos e a violência, e acabou por vir também o vice-presidente do PSD, Alexandre Poço, fazer a defesa do que está a ser feito pelo governo.
E acho que essa também foi a primeira intervenção mais estruturada.
Exatamente.
Ou que não tivesse só a ver com os protestos.
Até porque o Alexandre Poço acampou ao pé do ministério da Justiça.
E mesmo nessa intervenção, acaba por ser muito o ataque ao PS, que tem sido a estratégia mais ou menos seguida, pelo menos por toda a direita, e também a defesa daquilo que o governo tem feito até aqui. Ou seja, não há propriamente uma resposta àquilo que está a acontecer, e ninguém está a pedir que haja uma solução pro problema da habitação, porque já todos sabemos que não é um problema que vá ser resolvido em breve e também não vai ser resolvido com rapidez. Mas isto pra dizer que me parece, desde Luís Montenegro, mas também com as palavras de Luís Neves, que o governo tem reagido muito na base do exagero, porque, na verdade, o estar a fazer, quase que a puxar a ideia de que aquilo que se está a passar em Portugal são pessoas a tentar importar os movimentos no estrangeiro, é uma coisa que as pessoas não estão a conseguir ver. E eu acho que isso está a dar ainda mais força às próprias manifestações, já pra não falar, obviamente, da questão do uso muito infeliz da expressão do egoísmo, apesar, já foi dito aqui, de Luís Montenegro não se estar a referir propriamente aos manifestantes, mas isso ficou colado à pele do primeiro-ministro e, ou muito me engano, ou se calhar daqui a uns anos estaremos aqui a usar isto como exemplo noutra crise política qualquer, porque, na verdade, não só deu argumentos para cartazes, para que mais gente comparasse a situação ou desse argumentos na situação que estava a viver nas ruas, mas na minha visão, incentivou muitas pessoas que nem sequer estavam numa onda de se manifestar, a juntarem-se. E só pra concluir, acho que há um antes e um depois das manifestações e de quem está na rua pelas palavras de Luís Montenegro.
Inês, o Chega sai favorecido disto? Ou seja, é possível ver que o partido possa capitalizar? Em França vimos que os protestos, que foram muito mais graves e não têm nada a ver com o que se passa aqui, pelo menos nas sondagens, parecem ter favorecido Marine Le Pen. Aqui a falta de autoridade ou o excesso de autoridade ou o fato de os manifestantes se comportarem melhor ajuda a que o Chega não capitalize tanto este protesto?
Eu acho que há um novo mote na política portuguesa, que se está a tornar uma tradição, que é dizer que o Chega consegue capitalizar com tudo.
São 11 contra 11 e no fim ganha o Chega.
Neste caso, até pode ganhar André Ventura. Mas, na verdade, parece-me que tem sido difícil ao partido fazer um equilíbrio entre a defesa da causa justa da habitação e o resto que está nas ruas, as imagens que temos visto nas televisões, até porque André Ventura tem visto deputados ofender manifestantes, e isso também não é propriamente benéfico pro partido. Mas, por outro lado, também tem falado em grupos da Rua Seires incentivados pela esquerda, pela extrema-esquerda. Portanto, entra aqui um bocadinho nessa Nesse jogo também. Mas, por outro lado, faz aquilo que costuma fazer sempre que há uma crise deste gênero, que é colar o PS e o PSD. Culpa claramente o Partido Socialista pela crise na habitação e nos últimos dias até tem insistido muito na questão da imigração, em colar o tema da habitação ao da imigração, algo que não tinha acontecido no início. Já chamou egoísta, insensível a Montenegro e mais alguma coisa, mas na verdade, no fundo, vem apresentar um pacote legislativo de emergência, acaba por fazer esse número político que independentemente das propostas serve um propósito muito claro, que é dizer que existe uma resposta ao problema, o que neste momento quase contrasta com uma postura muito pouco ativa do governo e até porque sabe que os jovens são muito prejudicados por esta crise da habitação e o Chega tem investido muito mesmo nos últimos anos em procurar o voto dos jovens. Portanto, no fundo, André Ventura sabe que há muitos jovens, muitas pessoas no geral, a passar por estas dificuldades e que nem todos são, André Ventura chamou-lhes arruaceiros, mas que no fundo nem todos são os arruaceiros que estão nas ruas e que, portanto, é preciso investir neste tema.
Vasco, queres terminar com chave de ouro esta nossa primeira parte para a versão podcast?
Sim. Primeiro, dar nota que o Presidente da República apareceu bastante preocupado com o tema e isto passou um bocadinho entre os pingos da chuva, mas foi uma nota, acho eu, bastante relevante. O Presidente da República, que quase nunca fala à margem de eventos, vir falar aos jornalistas em plena sede do governo, a pedir o tal entendimento entre governo e partidos, fazê-lo na sede do governo ou com o ministro da presidência ao lado e até com Marcelo Rebelo de Sousa do outro lado, creio que é bastante relevante. E de resto, voltando às manifestações, não querendo entrar aqui numa rampa deslizante, esta semana vimos um senhor com uma bandeira de Israel a tentar armar confusão no Rossio. E se havia uma coisa que eu achava que ia acontecer, e a certo ponto até estava a acontecer, era que esta se estava a tornar uma causa global, digamos assim, da esquerda à direita, e também daí as enchentes que se viram, especialmente no fim de semana. E não querendo fazer polícia de ninguém, eu acho que convém refletir a quem está na rua se à causa da habitação se juntarem 1001 outras causas, como muitas vezes acontece nas manifestações em Portugal, formando aquela omnicausa, se isso tem ou não um efeito agregador ou se afasta pessoas da rua. Ou se quer que esta seja uma causa de todos ou uma causa de um lado político. Acho que não dá para ter as duas coisas. E de resto, de qualquer forma, à sociedade civil, aos manifestantes, e isso tem sido dito várias vezes, que devem também apresentar soluções. Eu acho que isso está completamente errado. Não é a eles que cabe arranjar soluções, não foram eleitos por ninguém. Cabe-lhes, isso sim, e como têm feito, identificar problemas para depois a classe política resolver. E nesse sentido, estas manifestações já produziram o seu efeito, porque há duas semanas o problema já era real e nós estávamos todos a discutir a crise de meia-idade de um jogador de futebol. Por isso alguma coisa aconteceu e algum mérito terá quem está na rua.
Muito bem, e chegamos ao fim com esta reflexão de Vasco Maldonado Correia.
Ele cria as casas do Ronaldo.
Conclui que, na verdade, quem se manifestou já conseguiu uma primeira vitória, que era colocar o assunto na ordem do dia, uma bastante reflexão política.
Até fizemos uma sopa única sobre isso.
E no fim desta sopa única, termina aqui a primeira parte da Vixi Suasie e esperamos que trazendo em memória um programa de rádio de uma rádio concorrente, que as manifestações continuem a ser um oceano pacífico.