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Bem-vindos à segunda parte da "Vixi Suave". Connosco hoje temos o presidente do Governo Regional dos Açores e vice-presidente da Mesa do Congresso do PSD. A região que preside acabou por ser anfitriã do 10 de Junho deste ano, hoje estamos no dia 11 de junho. É também um fã dos lados Copacabana, como pudemos verificar eu e o Vasco, também in loco na ilha terceira. Senhor Presidente, o Presidente da República, no discurso do 10 de Junho, disse que Portugal tinha especiais responsabilidades pela importância estratégica dos Açores, algo que aliás, também tem repetido algumas vezes, mas também de garantir a afirmação da nossa soberania plena. Essa soberania alguma vez esteve em causa?

A soberania, no que diz respeito à dimensão territorial de Portugal, nunca esteve em causa. Agora, a afirmação internacional da integralidade do nosso território, e eu tenho procurado evidenciar para reconhecermos e conhecermos melhor a dimensão do nosso país, que muitas vezes é mais avaliada pela dimensão terrestre e demográfica, que é residual, exígua, ao contrário da dimensão territorial que o espaço marítimo e espacial confere ao país. E então, é sim, é um grande país da União Europeia, é um grande país na vertente ocidental e transatlântica. E por isso essa soberania tem que ser afirmada com presença, infraestruturas e competências instaladas, de modo a afirmar perante o mundo essa dimensão territorial que para efeitos de segurança e defesa, para efeitos até de conhecimento, verificação e investigação relativamente aos recursos que temos, em particular, na perspetiva do conhecimento da coluna d'água, do fundo do nosso mar profundo, de todos os recursos que tenha. Essa sim, eu penso e interpretei esta mensagem de sustância do senhor Presidente da República com essa perspetiva. Nós precisamos capacitar o país nesse domínio territorial com meios que dão evidência de uma intervenção e de uma presença de soberania nessa dimensão territorial tão ampla, tão vasta como é a marítima e a espacial, e até mesmo, por razões para além da segurança e defesa de novas economias e, portanto, competitividade e crescimento econômicos do futuro, quanto à proteção, valorização, investigação e conhecimento dos nossos recursos nestas áreas.

E essa integridade territorial não está de todo, nem vale a pena falar nisso para não dar ideias, em causa de grandes potências mundiais. Não está nesta ordem mundial completamente desordenada em que um aliado quer comprar, quase fazer uma OPA, um território como a Gronelândia. Isso pra nós não é um problema?

Eu penso que não. Não estará em causa esse risco, mas estão outros e que já estão presentes, que é designadamente a nossa falta de escrutínio, de capacidade pra um escrutínio mais rigoroso, apesar do papado magnífico que as nossas Forças Armadas portuguesas vão conseguindo fazer. Mas a verdade é que nessa dimensão marítima que estamos, quer por via da superfície, quer por via submarina, não é fácil de controlar e saber quem anda a passar, passear e a investigar e a recolher amostras de elementos que possam ser decisivos dos nossos recursos para futuro.

Não seria ali algo que se quissem frotas russas ou de países que não são nossos aliados nesse espaço? Porque é impossível.

Há esse risco, há esta possibilidade. Se não tivermos uma presença marcante que controle e comande esse domínio tão vasto como é o nosso espaço marítimo, há sempre este risco e por isso a importância desta afirmação de soberania.

Já lá vamos às lasmas e lhe perguntar: Portugal, e referi-se a isso também, é a quinta maior zona econômica exclusiva, também muito por culpa ou por responsabilidade dos Açores, e a décima maior zona econômica exclusiva do mundo, portanto a quinta da Europa e décima no mundo. A presença de um aliado como os Estados Unidos na região ajuda à nossa defesa e à afirmação dessa soberania ou pelo contrário, desajuda?

Não, sem dúvida que ajuda. Aliás, é uma presença, para além de um aliado histórico, é dissuasora. A afirmação de segurança e defesa é pela dissuasão da guerra e dos quaisquer ataques e de uma capacidade avançada de projeção de meios para outros teatros, até de intervenção dissuasora de guerra. E nessa medida, não tenho dúvidas, tenho afirmado, nós sabemos e conhecemos bem quem são os nossos aliados e os que não são e pelo contrário, são ameaça. E portanto, nós não temos, quer por via da história, quer a análise que fazemos do presente e do que podemos projetar para futuro, quanto a essa matéria. Conhecemos bem os nossos adversários, conhecemos bem os nossos aliados. O que é preciso é afirmar o próprio país com capacidades instaladas próprias, algumas exclusivamente seus, outras nos domínios da ciência, da investigação e mesmo de segurança e defesa em consórcio, no quadro, por exemplo, em segurança e defesa com a NATO. Portugal é um Estado fundador da NATO, fruto também muito destaDe geografia com valor geopolítico e geoestratégico como são os Açores, mas também nos outros domínios da ciência, da tecnologia, da economia futura, da economia azul, na economia espacial. Tudo isto são elementos que para potenciarmos estes recursos com esta enorme dimensão, é porventura uma exigência, uma responsabilidade e uma oportunidade de Portugal com os seus próprios meios, mas também reconhecer e saber que em consórcio com aliados e com interesses estratégicos, poder afirmar em consórcio uma robustez maior para os investimentos em infraestruturas e capacidades que potenciam estes domínios.

Deixe-me só aproveitar essa referência que fez à Base das Lajes. Esta necessidade de o presidente da República utilizar o 10 de junho para falar na afirmação da nossa soberania plena também não pode ser lida como um recado relativamente a alguma polémica que tem havido no uso da Base das Lajes neste ataque ao Irão, de forma muito concreta, porque foi uma grande polémica.

Compreendo a pergunta, mas das trocas de impressão que tive com o senhor presidente da República, ele nunca fez qualquer menção na sua intervenção, ter como objetivo dar recados. É afirmar o seu próprio pensamento, e um pensamento na defesa e na compreensão do próprio país enquanto Estado de relevância, não só no plano europeu, como também internacional. Europeu comunitário e internacional nos domínios da nossa posição geopolítica e geoestratégica.

Neste caso concreto, não há razões da sua preocupação com a soberania plena de Portugal? Nesta questão concreta.

Não, não há. Até porque mesmo neste tema que parece ser uma vexata quaestio, mas que com a clareza com que o governo de Portugal, quer o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, quer o primeiro-ministro, foram claros relativamente ao entendimento que temos enquanto país, relativamente ao cumprimento dos tratados e da afirmação de Portugal, que aliás, a Base das Lajes é a base número quatro, é a base militar aérea portuguesa, e sem equívoco.

Mas apesar de tudo isso que está a dizer, o próprio presidente da República e até o ministro dos Negócios Estrangeiros. Aliás, estou a falar do presidente da República, mas foi ainda enquanto candidato presidencial que António José Seguro defendeu a revisão do acordo do uso da Base das Lajes. O ministro dos Negócios Estrangeiros também já admitiu essa possibilidade. Ela é necessária?

Sabe que os tempos mudam. Nós estamos exatamente numa era de transformação global. Eu até tenho feito um pouco esse paralelismo, essa projeção de transformação da região, de necessidades que são os Açores e do país, nos domínios da coesão social, que importa a Portugal e ao nosso povo e às nossas economias territoriais circunscritas sob o ponto de vista dos territórios, designadamente a insular, mas também pode ser uma região de oportunidades. Ora, tratados com o tempo em que foram formulados com outro contexto, naturalmente estarão sempre, e bem, submetidos a atualizações.

Mas no que é em concreto? Quando está a falar dessas-

Eu penso que a pior coisa que poderíamos agora introduzir no atual momento internacional, era começar a fazer pressão sobre os termos e o quando desta eventual negociação e atualização. Eu penso que isso é, para mim, estratégico, acho que é inevitável no domínio das relações e parcerias, mas também compreendo que exatamente por estas mesmas razões de parceria e de alianças, esta não é a melhor altura para não se densificar o quê de renovação e o quê de alteração, nem o quando. Para já, é inequívoco, na minha opinião, que não é oportuno esta matéria e qualquer introdução negocial nesta fase. O que não significa excluí-la.

O José Manuel Bolieiro já defendeu também contrapartidas financeiras para esse acordo esta semana.

Eu peço desculpa, o que eu digo é que neste termos de contrapartidas, não é necessariamente um cheque. Trata-se de investimentos que potenciem, que valorizem, como aliás é hoje e bem, mesmo no quadro comunitário europeu, quer o novo período de programação financeira plurianual, quer na sequência do pensamento que o relatório Mario Draghi vem introduzir para as reformas a introduzir na União Europeia, num quadro de crescimento e desenvolvimento econômicos, criar novas infraestruturas para as novas economias e que ajudem a desenvolver os territórios e a valorizar o potencial de cada território, desde logo, também no domínio da capacitação humana, criar qualificações para que potenciem a retenção e o chamamento de talentos. Isso nesse domínio do crescimento e desenvolvimento econômicos. Depois, no outro domínio, que também se introduziu, fruto deste novo pensamento e dessa nova reflexão reformista do próprio funcionamento da NATO e do papel dos outros países NATO que não necessariamente os Estados Unidos, reforçar capacidades de segurança e defesa com infraestruturas de duplo uso, que possam obviamente servir as razões dissuasoras para garantir segurança e defesa dos Estados e dos nossos territórios, bem como da própria NATO, enquanto Estado membro que somos, mas igualmente potenciar desenvolvimento do território, da sua economia, da sua população residenteÉ fundamental, nessa posição de soberania, nós segurarmos as nossas ilhas, todas elas povoadas, todas elas suficientemente atrativas para reter populações e atrair população, porque também a demografia é elemento decisivo da soberania. E nós não queremos que as ilhas dos Açores, fruto de um empobrecimento sem esforço solidário para as desenvolver, tenhamos aqui um processo de despovoamento. E como sabemos, a nossa demografia ocidental em geral, a portuguesa e a açoriana em particular, está em quebra no saldo natural. É preciso ter atenção para esses elementos. E como é que se consegue reter populações, fixar populações ao nosso território e, no caso, às nossas ilhas? Naturalmente, dando condições de vida. E todo este investimento que possa ser feito tem que ter este duplo uso. É nesses termos que eu falo das compensações. Eu digo muitas vezes assim: parece que, mesmo nos domínios dos tratados internacionais, os Açores, para os residentes, são penosamente sacrificados por causa da sua geografia, que é muito, desde logo, penalizadora da nossa economia, porque não tem escala, porque tem uma dispersão geográfica, discontinuidade territorial, mas é altamente favorável para terceiros, à dimensão geopolítica do país, da União Europeia e dos tratados internacionais. Ora, dessa condição, os açorianos não têm qualquer privilégio.

É possível obrigar os Estados Unidos ou pedir aos Estados Unidos que invistam?

A questão de obrigações, como sabe, aliás, a própria criação da Fundação Luso-Americana no passado, havia um contributo financeiro. Depois, entendeste, como aliás, penso que recentemente voltou a esclarecer o doutor Durão Barroso, e bem, que, na verdade, depois da integração de Portugal na União Europeia, o país deixou de ser entendido como um país pobre de necessidades. E, portanto, a entender isso, até pela dignificação. Essa matéria de apoio ao nosso desenvolvimento é fundamental e deve ser considerada a própria situação socioeconômica dos Açores. Nós temos que ter um verdadeiro retorno desta capacidade que damos a terceiros relativamente à nossa geografia e que nos dê garantia do nosso desenvolvimento e da nossa coesão socioeconômica para manter população em residência em todas as nossas ilhas. O país tem, na sua geografia, essa dimensão que eu tenho bastamente afirmado como grandiosa à custa dos Açores. O mar português é, como dizia Ivan na abertura, o quinto maior da União, o 20º do mundo, e deste mar português, 56% é mar dos Açores. Os Açores têm a maior parte do mar português. E com isso também, claro está, o acesso ao espaço. É muito virtuoso, mas também é muito penoso para nós residentes. Nós estamos a viver em duas placas tectônicas. Portugal tem a placa tectônica euro-asiática e tem duas ilhas dos Açores que estão na placa tectônica americana. Essa dimensão, a futura extensão da plataforma continental, vê nos Açores o seu potencial maior. Tudo isso deve também ser considerado como valor, patrimônio natural que Portugal tem, que obviamente reporta muito aos Açores e que deve ter valor também de ajuda ao desenvolvimento econômico e à fixação das populações nas nossas ilhas. É nesse domínio que eu falo no retorno, na compensação, no investimento inteligente para capacitar todo o território e a residência das populações e a economia e o seu potencial, a economia do futuro. Indissociadamente, claro está, às novas tecnologias e a todas as transições. Quero chamar a atenção: os Açores são um verdadeiro laboratório de futuro nas transições que o mundo atravessa neste período, seja a transição climática, seja a transição digital, seja a transição energética, seja uma boa adaptação da economia azul e da economia espacial, que possamos ter a própria previsão, que é essencial no controle da meteorologia, perante os fenômenos estranhos da natureza, que estamos vindo aqui a procurar que haja investimentos, designadamente com o IPMA, para garantir esta dimensão geográfica útil ao país, à Europa, ao mundo, ao desenvolvimento, à modernização e às capacidades de todo o nosso território. Isso eu faço com ênfase, com entusiasmo e também com sentido de responsabilidade, porque sou um cidadão que obviamente tem intervenção e responsabilidades públicas e políticas e que procura, orgulhoso do seu país, orgulhoso do seu território, orgulhoso da minha região e dos Açores, fazer a narrativa do seu potencial e não só a da sua pobreza, da sua insignificância terrestre e demográfica e do seu afastamento incontornável na geografia de dispersão e tão assimétrica relativamente às condições que há numa das ilhas e no conjunto das nove. Eu quero hoje exaltar essa dimensão que esta geografia pode potenciar para a economia do futuro e para a estratégia cada vez mais global e internacional que Portugal pode ter.

José Manuel Bolieiro, permita-me só fechar aqui o assunto da Base das Lajes. Sentiu que, de alguma forma, as declarações de Marco Rubio podem ter fragilizado a posição de Portugal no plano internacional?

Naturalmente, geraram alguma confusão. Não se pode ser hipócrita e não reconhecer que geraram confusão. Mas eu, na verdade, não valorizo isso em exarce, até porque tenho firmeza do que foi o entendimento relativamente à relação com o Estado português e devidamente comunicado pelo Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. E portanto, a minha total confiança nessa matéria. Eu acho que, na verdade, não fragiliza. CriouConfusão, mais até para nós internamente do que porventura para o mundo, e não fragilizou a nossa relação de aliados.

Mudando um pouco de assunto, José Manuel Bolieiro, António Ventura Seguro também defendeu que se olhasse para as especificidades das ilhas e aprofundasse a autonomia regional, até para combater a insularidade. No âmbito da coesão territorial entre continente e ilhas, foram aprovadas alterações ao subsídio social de mobilidade. Os deputados do PSD Açores estarão a favor, mas os do PSD nacional votaram contra. Isso foi um erro por parte da bancada do PSD?

Essa matéria é, de facto, muito complexa e eu direi que ela não começou da melhor forma e também não terá terminado da melhor. Eu acho que o exercício solidário para a coesão territorial e continuidade territorial precisa garantir aos residentes nas ilhas um incentivo e um apoio para a mobilidade. Isto é essencial para podermos ter até a capacidade de captação de residentes nas ilhas, bem como também nós próprios não nos sentirmos claustrofóbicos na relação com o resto do país. E eu sempre defendi, desde a primeira hora, que este objetivo para densificar o princípio da continuidade territorial, que é um bom conceito europeu, que aliás devia ser possível também co-responsabilizar a União Europeia neste financiamento, designadamente às regiões ultraperiféricas, que têm estatuto próprio no quadro do tratado de funcionamento da União Europeia, poder fazer um instrumento para este apoio muito parecido àquilo que eu criei na mobilidade interilhas. Como sabem, os Açores são nove ilhas e bem distantes umas das outras. E o nosso meio de circulação entre elas é preferencialmente para não ter qualquer sazonalidade e ter, obviamente, a duração anual, é pela via aérea exclusivamente. E criei aquilo que designei a Tarifa Açores. Essa Tarifa Açores tem esta característica de universalizar e democratizar o acesso a um preço administrativo, que não invalida o preço comercial das operadoras de transporte aéreo, para efeitos da sua sustentabilidade no princípio do utilizador pagador, mas que garante, através desse preço administrativo assumido pela subvenção pública ao passageiro, que paga apenas no ato da compra da sua passagem aérea esse preço administrativo fixado. Isso, como lhe disse, garante universalidade e democratiza o acesso a esta mobilidade, combate a fraude e elimina a dependência da subsidiação. Isto é, o cidadão está sempre de mão estendida à espera de um subsídio, porque quando compra a passagem, já compra aquele preço, não precisa de subsídio. Aliás, o próprio nome subsídio social de mobilidade que tinha antes era já uma ilusão, porque é sobretudo uma compensação relativamente ao compromisso da continuidade territorial. E agora até mudou de novo e nisso estamos de acordo. O modelo como está ainda não é, na minha opinião, o ideal.

Mas se fosse deputado na Assembleia da República tinha estado a favor da?

Porque nós sinalizamos duas observações que, na verdade, foram críticas para a população. Primeiro, o risco de o passageiro ter que declarar, porque se entendia que se tratava de um subsídio. Nosso entendimento é que não é, é até uma indenização ao passageiro que pagou o preço comercial, em vez do preço administrativo fixado, de fazer declaração de não dívidas fiscais e à Segurança Social. E, portanto, foi a partir daí que esta situação crítica na população, nos passageiros, se levantou. E obviamente nós ficamos solidários com o nosso povo e com estes passageiros, porque era uma alteração negativa, piorava a situação. E por isso estivemos contra. Esta solução, na verdade, não é ainda aquela que nós perseguimos e que eu tenho dito bastas vezes, até convido-os a explorarem o fenômeno da Tarifa Açores na mobilidade interilhas para perceberem as características que aqui criamos. E que pode potenciar para uma futura discussão com a União Europeia no novo período de programação financeira plurianual, ou, que também temos defendido, um POSEI transportes, que é exatamente para co-responsabilizar a União Europeia no quadro das regiões ultraperiféricas para um financiamento na densificação e concretização do seu princípio de continuidade territorial para as populações insulares.

O presidente também disse que é tempo de defender o interesse de longo prazo, mesmo quando o ciclo eleitoral empurra para o curto prazo. Já disse que ele não estava a dar recados a alguém, mas o atual governo da República está a governar para o curto prazo, não?

Não. Aliás, um governo liderado pelo doutor Luís Montenegro como primeiro-ministro de Portugal tem procurado assumir-se como um governo reformista. Não em função do populismo da circunstância, mas sim do interesse geral do Estado para-

Passos Coelho está errado?

Perdão?

Pedro Passos Coelho está errado.

Não vou discutir agora os entendimentos. O objetivo do governo é ser reformista. As condições políticas e parlamentares no xadrez atual não são facilitadoras. Eu próprio tenho procurado dar o exemplo que este xadrez, porventura, no país com a intensidade primeira que se verificou foi nos Açores, comigo a liderar uma situação de geometria variável parlamentar. Portanto, é preciso muito diálogo, muita conciliação e concertação para encontrar o maior denominador comum possível, para depois sermos reformistas.

Esse xadrez político está a fazer com que este governo não esteja a conseguir ser reformista, é isso?

Pois, tem limitação. Claro está. E é preciso desenvolver, como aliás o senhor presidente da República foi claro a dizer que é verdade que são muito importantes na democracia os partidos políticosNum espaço de confrontação, mas também para um espaço de compromisso. Foi a leitura que eu fiz, ipsis verbis, da declaração do senhor Presidente da República.

Então Pedro Passos Coelho está a ser injusto ou impaciente?

Não me compete ser comentador das declarações de uns e outros atores políticos no país.

Mas não é bem apostar naquilo que o presidente chama de palavras do meio, chamar ao primeiro-ministro ou sugerir que o primeiro-ministro é um prostituto?

Continuo a dizer que essa não é a minha área preferencial de comentar ou de avaliar. E portanto, eu abstenho. As pessoas que me conhecem sabem qual é o meu tipo de intervenção pública, de governação ponderada e portanto, eu preferia abster-me de qualquer comentário a estas matérias. Não é a minha linguagem habitual, como é bem sabido. Vejo na política a condição do confronto de adversários, não com inimigos. Faço da elevação do debate político um elemento cuja literacia de cada um é valorizada, mas que procura, sobretudo, também elevar não só na ação como na palavra o relacionamento de confrontação, claro está, plural, de liberdade de opinião. Mas não faço mais comentários para além desta observação.

Falemos então de política regional. O CDS tem ameaçado ir sozinho a eleições nos Açores. Isso preocupa-o de alguma maneira?

Não se trata de uma ameaça, nem eu partilhei a propósito, que esclareci uma vez numa entrevista a uma colega vossa, que para as eleições no final deste mandato, que termina em 2028, no quadro dos acordos que temos de uma coligação que foi realizada pré-eleitoralmente em 2024, nas legislativas regionais de 2024, não se repetiria no ato eleitoral de 2028. Não há nenhuma ameaça, há apenas acordos que foram assumidos com total transparência e lealdade. Nesta coligação, nós temos sido uma equipa coesa e leal. Fizemos um denominador comum que se evidenciou no programa do Governo as orientações de médio prazo para a legislatura. E estamos fiéis a este compromisso e obviamente comprometidos todos com lealdade nessa matéria. Isso nunca invalidou a autonomia do funcionamento de cada partido, cada um nas suas defesas e causas, de causas e ideologia, por cada um. Mas temos um grande denominador comum. Esse grande denominador comum fez transformações na governação dos Açores que temos realizado numa governação de um projeto não socialista após 24 anos de domínio do Partido Socialista na governação dos Açores, aliás, com maiorias absolutas.

E nesse sentido, se o CDS viabilizar um governo do Partido Socialista, seria uma traição?

Não faço comentários relativamente a futurismo. A minha expectativa é que em 2028 nós temos o sistema eleitoral que temos nos Açores e que aliás não é muito favorável, por exemplo, a coligações pré-eleitorais. Nós tivemos um projeto de governação não socialista, que foi bem-sucedido. Já fizemos muitas transformações. Somos, no quadro da coligação, leais na relação e no entendimento desse denominador comum. Sem maioria absoluta no Parlamento, fizemos entendimentos no Parlamento para garantir estabilidade, designadamente com outras forças políticas. E, portanto, esse diálogo vai ser mantido. O que nós afirmamos até aqui, e estou confiante que assim faremos para a frente, até ao final desta legislatura e para o futuro, foi uma transformação num projeto político de governação não socialista para os Açores findos um período de 24 anos. E portanto, é assim que eu me revejo.

José Manuel Bolieiro, só para situar quem nos está a ouvir, estamos a falar das declarações de Artur Lima, o presidente do CDS, ao podcast do Joalnet, a admitir viabilizar um governo do Partido Socialista.

Eu não preciso de ouvir casos por outras vias. Eu entendo-me diretamente com os dois líderes dos partidos da minha coligação. Falo diretamente com o líder do CDA e falo diretamente com o líder do PPM nos Açores e portanto eu sei o que eles pensam, eu sei o que eles me dizem. É com base nessa confiança mútua que temos e lealdade que temos assegurado o sucesso desta coligação e desta governação transformadora nos Açores.

E o Nuno Melo que esteve com a CB no 10 de junho, ou esteve na Terceira no 10 de junho, também disse no Congresso do CDS muito orgulhoso que o CDS tinha força e estava disponível e tinha coragem para ir a eleições sozinho.

Esta coligação não foi um projeto, como se diria em boa referência popular, uma coligação de sumir. Nós não fizemos sumir os partidos políticos que fazem parte dela. Nós garantimos um projeto que soma, multiplica, aliás, e não fez perder a identidade de cada partido. Agora, cada partido na coligação tem um compromisso. São esses denominadores comuns, o programa do governo.

Já lhe ocupamos mais tempo até do que o prometemos. Uma última pergunta final antes de irmos à escolha múltipla do Karnopples e de me dizer qual é a música que escolheu. Hoje é dia 11 de junho, faltam nove meses para o Congresso do PSD. Se o Miguel Albuquerque sair de presidente da mesa, o José Manuel Bolieiro é a solução natural, uma vez que é o vice?

Sabe, nunca fiz da minha participação nos órgãos nacionais do partido um objetivo de cargos. Eu sou mais daqueles que assume com nobreza de compromisso os encargos de servir bem o meu partido como um partido essencial na democracia portuguesa. E, portanto, não tenho qualquerExpectativa relativamente aos cargos. Aliás, muitas vezes não é tão fácil poder ter disponibilidade face às necessidades de deslocações para estar com presença mais assídua nas reuniões. E portanto, reponderar tudo o que acontecer e não há aqui cargos de acesso de condição natural. Há naturalmente compromisso e negociação e encargos assumidos.

Muito bem, José Manuel Bolieiro. Avançamos agora para a fase do cardápio em que tem que escolher uma de duas opções. Eu prometo não lhe dar a escolher se daria o trolley de viagem a Miguel Arruda ou a José Sócrates com o seu salário lá dentro. Não vou fazer essa maldade. Vamos avançar para outra, que também pode ser igualmente difícil. Preferia ser ministro num governo liderado por Pedro Passos Coelho ou Hugo Soares?

Bom, não tenho essa ambição de ser ministro. Tenho preferência por estar presidente do Governo dos Açores.

Gostava de receber uma visita de Estado na região do atual presidente dos Estados Unidos ou do atual primeiro-ministro do Canadá?

Bom, eu em termos ideológicos e de postura, identifico-me mais com o presidente do Canadá.

E preferia ter a Base das Lajes vazia ou ser utilizada pelas Forças Armadas chinesas?

Não, não tenho dúvidas que nós somos, Portugal e os Açores, aliados dos Estados Unidos e, portanto, é com base nessa identificação. Como sabe, os Açores, não só na geografia, mas também na própria demografia, têm uma relação muito intimista com os Estados Unidos. A maior diáspora que nós temos espalhada pelo mundo concentra-se nos Estados Unidos e muitos deles são bem integrados, já são políticos. Não, acho que a Base das Lajes está bem como um elemento decisivo no prestígio de Portugal enquanto Estado membro da NATO e como aliado histórico, como são os Estados Unidos.

Muito bem, nós pensamos também que ter ali uma base da China na Terceira ia criar problemas com o Japão, neste caso com São Miguel.

Vês como é meu conhecido, bem este tema desistir da nossa geografia e também competitiva entre ilhas.

Só mesmo para terminar: contra quem é que preferia jogar o jogo da marralhinha? Um jogo típico da Ilha Terceira. Com o José Pacheco ou com o Francisco César?

Eu, na verdade, sou amigo de cada um e temos uma relação sempre empática, independentemente das nossas posições políticas. Mas era mais fácil encontrar um companheiro social democrata para fazer os jogos da marralhinha.

Já aí não acho de nenhum. Muito bem, José Manuel Bolieiro, só para terminar a nossa sobremesa, que é a música que nos trouxe, escolheu, eu posso revelar, o "Imagine" do John Lennon. O porquê desta escolha?

Bom, é uma música intemporal, mas ela é mais do que oportuna neste momento de ser outra vez escutada e compreendida, porque é manifestamente uma cultura de paz e de entendimento entre os povos. Não há razões para matar ou morrer que justifiquem a atitude agressiva do relacionamento dos seres humanos e das nações. E, portanto, apesar de ser uma música intemporal, é muito oportuna ser hoje relembrada com um ator muito inspirado e inspirador com esta música.

Muito obrigado, José Manuel Bolieiro. A "Vixi Soares" fica por aqui. Recrutamos na próxima semana.