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Olá, seja bem-vindo a mais um episódio do podcast "Viver num Bairro Feliz". O espaço onde mostramos que a verdadeira força de uma comunidade se mede pela forma como ela acolhe, integra e cuida de todos os seus cidadãos. Este programa conta com o apoio do Pingo Doce e surge numa altura em que estão a decorrer as candidaturas para a sexta edição do programa Bairro Feliz. Se tem uma causa que gostava de ver apoiada no seu bairro, este episódio pode inspirá-lo. Hoje falamos de um bairro onde todos têm lugar e onde a diferença nunca deve ser uma barreira. Promover a inclusão social significa dar ferramentas e apoio para que cada pessoa possa atingir o seu potencial máximo e superar desafios diários. Eu sou a Maria João Simões e para conversar sobre isto, estão comigo Mariana Lino, coordenadora de responsabilidade social Impacto Local do Pingo Doce, e Carla Veneno, diretora técnica do Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla. Bom dia, bem-vindas às duas. Muito obrigada por estarem conosco. Mariana, começo por si. A inclusão social é uma das categorias fundamentais do Bairro Feliz. Com as candidaturas à sexta edição agora abertas e a decorrer nas lojas, que tipo de projetos nesta área que o Pingo Doce procura impulsionar para gerar um impacto real e local nas comunidades?
Quando falamos de inclusão, de facto, estamos a falar aqui de garantir que todas as pessoas, independentemente do seu contexto, das suas capacidades físicas, da sua idade, da sua condição social, têm acesso a oportunidades e recursos e que têm uma participação ativa na comunidade. Eu acho que este conceito da participação ativa na comunidade é um conceito que está muito entranhado no Bairro Feliz, porque é um programa que envolve toda a comunidade e que começa com os vizinhos e acaba com os vizinhos. Existe aqui um Pingo Doce pelo meio, mas de facto, é toda a comunidade e é todo o bairro que faz o projeto. E que o tema da inclusão social tem sido um tema que tem tido também bastante relevância no Bairro Feliz e no tipo de causas que apoiamos, precisamente, eu acho que por refletir estas necessidades mais concretas e sentidas no terreno. Ao longo de todas as edições, já apoiamos mais de 270 causas que estão ligadas à inclusão social. E quando estamos a falar aqui de iniciativas de inclusão social, são coisas muito práticas. São não só iniciativas que promovem a autonomia, o bem-estar, a integração, desde sessões de terapia, fisioterapia, hipoterapia, sessões de reabilitação, algumas sessões também de desenvolvimento de capacidades e até projetos mais tecnológicos, como, por exemplo, a aquisição, temos este caso específico, que é muito interessante, de uma causa que utilizou o financiamento do Bairro Feliz do Pingo Doce para comprar uma impressora 3D, para poder, com esta impressora 3D, criar objetos que fossem adaptáveis ou adaptados às necessidades das pessoas ou de cada uma das pessoas que os utilizava. Temos outros tipos de apoios, como jogos didáticos inclusivos, baloiços sensoriais, enfim, é toda uma panóplia muito grande de equipamentos e que no fundo são projetos que têm um impacto muito grande e muito profundo na vida de quem deles beneficia, que é o mais importante, e é o fundamental, mas que, por outro lado, tem um impacto também na vida de toda a comunidade e das pessoas que estão a acompanhar o dia a dia das pessoas que os utilizam, dos beneficiários diretos. Que eu acho que é um impacto que se alarga e que é tão importante também. Toda a família, todas as pessoas que estão ligadas às causas.
Uma das causas vencedoras de uma edição anterior foi precisamente a da SPEM. Carla, vocês já têm várias atividades abertas à comunidade, como a loja, o ateliê e a lavandaria, e agora vão criar uma horta social e um jardim no espaço exterior, além de uma mesa de pingue-pongue para torneios de polibat. Explique-nos brevemente como é que estas novas atividades ao ar livre ajudam na reabilitação e no dia a dia dos vossos utentes.
As atividades ao ar livre desempenham um papel muito importante na reabilitação das pessoas com esclerose múltipla, porque proporcionam oportunidades de participação e ocupações significativas, promovendo simultaneamente o seu bem-estar físico, emocional e social. Na horta social e no jardim da SPEM, os utentes participaram nas tarefas, com o apoio do Bairro Feliz do Pingo Doce, que foi a causa que vencemos, e criámos vasos horizontais que permitem a acessibilidade das pessoas com esclerose múltipla e em cadeira de rodas, que permitia que eles pudessem cuidar. Cada um tinha o seu vasinho e cada um era responsável pelo seu vaso. E foi possível semear, eles semearam, plantaram, regaram, cuidaram dos seus vasos e foi uma atividade que permitiu que eles saíssem de dentro da instituição e vivessem cá para fora, para a zona do bairro de Marvila, onde nos encontramos, e também ao mesmo tempo, foi estimular a sua autonomia, a sua mobilidade, a sua coordenação, todas aquelas capacidades que nós trabalhamos diariamente com eles, numa atividade mais prática e que, de certa forma, foi do agrado de todos. Este projeto da horta e do jardim surgiu por iniciativa dos próprios utentes. Foram os utentes que mostraram interesse em ter uma atividade deste gênero, que nós não tínhamos, e por que não candidatarmo-nos ao Pingo Doce e com o apoio do Pingo Doce foi-nos possível criar este jardim e esta horta. Posteriormente, e simultâneo também com o Pingo Doce, e para mobilizar as atividades do exterior, foi-nos também possível, com o apoio do Pingo Doce, comprar uma mesa de pingue-pongue, que é uma mesa normal, mas que permitiu nos adaptar a atividade pingue-pongue para uma atividade adaptada, que é o chamado polibat. Permitiu criarmos grupos de treino de polibat e os utentes conseguirem integrar em torneios na Federação Portuguesa de Desporto Adaptado, e temos tido algum sucesso nesses torneios. Portanto, foi uma forma plena fazer a inclusão social a vários níveis, quer no bairro quer com as outras instituições, ou irmos aos torneios com os nossos utentes. Portanto, foi muito gratificante.
Mariana, para além do apoio financeiro, que outro tipo de impacto é que o Bairro Feliz consegue gerar nas comunidades, nomeadamente ao envolver os clientes e vizinhos no processo de candidatura e de votação?
Eu acho que nós podemos dizer que temos variadíssimos impactos. Mas acho que podemos dizer que temos dois tipos de impactos básicos e fundamentais. Por um lado, é o impacto muito importante que temos nos beneficiários, como estávamos a dizer, é o facto de vermos ter pessoas com pouca mobilidade ou com mobilidade condicionada a ter estas tarefas do dia a dia simples, como cuidar de plantas.
Mas que os fazem sentir úteis e válidos.
Completamente. E que são tarefas do dia a dia que os integram, na verdade. E depois, por outro lado, tem este impacto em todas as famílias que estão envolvidas, no dia a dia, nas vivências, e tem este impacto mobilizador de toda a comunidade. Claro que nós, obviamente, quando pensamos numa comunidade que se une por uma causa, são comunidades que de facto se mobilizam em conjunto e que têm imensa força. Obviamente, existe muito esta frase, "unidos somos mais fortes".
Sem dúvida, e é mesmo assim.
E é mesmo assim. E nós vemos isso todos os dias no Pindoço e no Bairro Feliz do Pindoço, que quando toda a comunidade se junta em prol de uma causa, esta causa sai muito mais forte e de facto beneficia muitíssimo. Mas depois tem aqui um outro impacto, que eu acho que é também fundamental para estas organizações, que é o facto de estas organizações passarem a ser conhecidas.
Já aqui falámos sobre isso no outro episódio, é verdade.
Não é o caso específico da CPEM. Obviamente, tem aqui uma visibilidade muito grande e ainda bem, que assim tem de ser. Mas o Bairro Feliz, de facto, permite que haja este impacto de conhecimento de causas e de organizações que se calhar não eram tão conhecidas. Mesmo as causas que acabam por não vencer, porque temos sempre a que vence e a que não vence. É muito mau pôr isto nestes termos, mas de facto é o que acontece. Mas mesmo as causas que acabam por não ser as causas escolhidas pela comunidade, que muitas vezes são empates quase muito equilibrados, mas que acabam por ter aqui o impacto da visibilidade e que toda a comunidade acaba por conhecer.
E por ajudar, seguramente. Carla, estamos a terminar, mas na prática gostava de saber que diferença é que este prémio trouxe para o dia a dia da vossa associação e dos vossos utentes e também que mensagem gostaria de deixar para motivar outras instituições que trabalham na inclusão social.
Este prémio trouxe uma diferença enorme, porque para já permitiu alargar o nosso leque de atividades.
Como descrevia há pouco.
Como descrevia há pouco. Passámos a ter uma parte de jardinagem e também os treinos do polibato. Portanto, permitiu abrir a diversidade das atividades da CPEM. A prática de uma nova atividade desportiva, que não tínhamos condições para realizar, porque não tínhamos material nem forma de o adquirir, e com o prémio foi possível adquirir isso. E isto fez a diferença na vida dos nossos utentes, porque é notório o cuidado que têm pelos seus vizinhos, o empenho nos torneios para serem reconhecidos. E já temos algumas medalhas de polibato, portanto também agradecemos ao Bairro Feliz e ao Pindoço por isso. Em relação à mensagem que eu daria para outras instituições, eu acho que não devem hesitar em candidatar-se.
Tem muita gente que pensa: "Não vou conseguir".
Nós este ano, nesta sexta edição, já apresentámos uma candidatura também, todos os anos temos apresentado, vamos ver se também seremos vencedores ou não. Mas o Bairro Feliz é uma oportunidade de dar vida a projetos que muitas vezes ficam nas nossas gavetas e que nós não os pomos em prática. E às vezes é uma coisa tão simples e que pode fazer tanta diferença. E não é difícil candidatar-se, o processo é bastante simples e bastante fácil de fazer. Portanto, o conselho que eu dou é: não hesitem em candidatar-se.
Tirar da gaveta aquela ideia.
Tirar da gaveta aquela ideia que está lá mais escondida e que se calhar achamos que não tem tanto peso, mas que pode ser efetivamente vencedora e que vai fazer com certeza a diferença na vida das pessoas, no nosso caso, nas pessoas com esclerose múltipla e doenças neurológicas.
Carla Veneno, Mariana Lima, muito obrigada pela vossa partilha.
Obrigada.
E parabéns pelo vosso trabalho. Muito obrigada.
Obrigada.
Obrigada.
Nós voltamos no próximo episódio com mais uma causa que mexe com o nosso bairro. Até lá, cuide de si e dos seus vizinhos.