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Festival Eurovisão da Canção

Vem aí a Eurovisão. Que comece a guerra dos pavilhões multiusos

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Nos últimos cinco anos, os países que receberam a Eurovisão fizeram um concurso público para definir a cidade anfitriã. Em Portugal, caso haja concurso, Guimarães, Faro e Feira entrariam na corrida.

SERGEY DOLZHENKO/EPA

Ainda agora Salvador Sobral ganhou o Festival Eurovisão da Canção, com a música “Amar Pelos Dois” a fazer furor além-fronteiras, e já se está a pensar na realização da próxima edição do concurso, em 2018. Este domingo, Nuno Artur Silva, administrador da RTP, confirmava ao Observador que era “prematuro” avançar com detalhes, embora a organização oficial do evento, que compete à União Europeia de Radiodifusão, já tivesse pedido que o festival ocupasse o Meo Arena, em Lisboa. Mas claro, diz, “Lisboa é uma das fortíssimas hipóteses”.

Ora, nos últimos cinco anos todos os países que venceram na final da Eurovisão — e que ficaram consequentemente responsáveis por organizar o festival no ano seguinte — abriram um concurso público para determinar a cidade a acolher o evento. Foi o que aconteceu em 2012, depois de a Suécia ter ganho o festival: foram três cidades a concurso e, no final, Malmö, a terceira maior cidade sueca, sagrou-se vencedora. Nos anos seguintes, situações idênticas repetiram-se na Dinamarca, na Áustria, na Suécia (outra vez) e na Ucrânia, já em 2016, onde seis cidades concorreram pela oportunidade de organizar o festival.

Dito isto, quererão outras cidades portuguesas participar na organização da Eurovisão? Contactada pelo Observador, fonte da Câmara Municipal do Porto diz que a câmara não se pronuncia sobre este assunto e esclarece que não teve qualquer contacto formal sobre a matéria. A título de exemplo, espaços como o Pavilhão Rosa Mota teriam capacidade para receber um evento como o da Eurovisão. Mas está em processo de reabilitação, que poderá levar dois anos a estar concluído.

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Não muito longe do Porto fica o Europarque, moderno centro de congressos que, nas palavras de Gil Ferreira — Vereador do Pelouro da Cultura, Turismo, Bibliotecas e Museus, da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira — “é um equipamento supra municipal, que acolhe e dinamiza eventos nacionais e internacionais há mais de duas décadas”. É por isso que a Feira “reconhece que o Europarque, pelas suas infraestruturas, localização estratégica e know how, reúne as condições necessárias ao acolhimento de eventos de grande dimensão tais como o Festival Eurovisão da Canção“. Gil Ferreira realça ainda a questão da “descentralização”:

Num momento em que o governo coloca a tónica, nomeadamente na Estratégia do Turismo 2027, na descentralização, julgo que o Europarque, enquanto equipamento da região Norte, tem condições para dar o mote à necessária descentralização.

De referir que, segundo fonte do Europarque, o respetivo pavilhão consegue receber até 11 mil pessoas, dependendo sempre da implementação do evento.

A cidade de Guimarães, que foi Capital Europeia da Cultura em 2012, também está disposta a concorrer na eventualidade de existir um concurso público, à semelhança do que tem vindo a acontecer nos países anfitriões do Festival da Canção da Eurovisão. “Guimarães está interessado em receber o Festival Eurovisão 2018 e para isso fará a sua candidatura, caso venha a ser essa a metodologia definida”.

Mais a sul, a Câmara Municipal de Faro afirma que esta seria “uma excelente oportunidade” para a cidade e o distrito, muito embora admita não ter “uma sala de espetáculos com as dimensões requeridas”. “Em Kiev, o pavilhão onde se disputou a final dispunha de 11.ooo lugares sentados”, lembra fonte da câmara ao Observador. Apesar dos constrangimentos logísticos, caso existisse um concurso público a câmara de Faro admite que teria vontade de participar, tendo sempre em conta as condições e o caderno de encargos. “Pelo o que nos parece, não temos nenhum pavilhão como o de Lisboa”, esclarece a mesma fonte, referindo a existência de dois pavilhões desportivos, cuja dimensão não será a mais apropriada à realização de um festival como o da Eurovisão, e ainda um teatro com 800 lugares sentados. “A organização vive muito da bilheteira, o que imagino que ajude a viabilizar economicamente os produtores”.

A verdade é que, sendo este o primeiro dia útil após a vitória de Salvador Sobral na Eurovisão, ainda não há uma opinião fechada sobre o assunto, lembra Nuno Artur Silva. “A única coisa que temos é o dossier que estamos a estudar. Estamos a fazer o levantamento de opões e de dados, ainda não temos uma perspetiva concreta”, diz ao Observador o administrador da RTP, admitindo que todos os cenários estão em aberto, ainda que o formato do programa, organizado pelo canal de televisão público e pela União Europeia de Radiodifusão, seja um “formato internacional e estabelecido ao detalhe”. “Veremos, dentro desse formato, qual a possibilidade que temos de dar o nosso cunho”, garantiu.

E quem vai pagar?

“Não pensem que isto é a feijões, é antes a milhões. Mário Centeno que se prepare porque vai ter que se pagar”, escreveu no passado domingo Fátima Campos Ferreira, jornalista da RTP, na rede social Facebook. Os custos de realizar o Festival Eurovisão da Canção, tendo em conta a média dos últimos cinco anos, rondam os 30 milhões de euros — o que equivale a 12,72% do Orçamento de 2017 para a RTP (235,8 milhões de euros).

Nuno Artur Silva, administrador da RTP, garantiu que a equipa está a fazer o levantamento de todas as possibilidades, uma vez que há duas componentes: se por um lado há entidades que podem ser associadas ao evento, sobretudo as relacionadas com o turismo, por outro, as marcas comerciais são tidas como uma mais-valia, tendo em conta que este é “um evento com grande potencial comercial”. “Estamos a pedir às equipas internas da RTP para começar a traçar cenários e hipóteses. Não há tempo a perder.”

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De referir que, ainda no domingo, o Observador escrevia que a RTP não terá de pagar tudo. Além do financiamento próprio dos países que participam na Eurovisão, a televisão pública pode vir a receber um contributo da câmara da cidade anfitriã ou, por exemplo, dos ministérios da Cultura ou da Economia, sem esquecer os patrocínios.

Contactada pelo Observador, fonte do Ministério da Cultura assegurou que, não desfazendo uma vitória “histórica”, é “prematuro” falar sobre decisões financeiras, e não só, nesta altura do campeonato. “Estamos a zero. Vamos começar a estudar o dossier nas próximas semanas.”

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