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História

Loulé mostra-se em sete mil anos de história no Museu Nacional de Arqueologia

Os testemunhos da ocupação humana do território de Loulé, no Algarve, desde a Pré-história até à Idade Média, vão estar em exposição a partir de 21 de junho no Museu Nacional de Arqueologia.

Existirão oito monitores LCD espalhados pela galeria do Mosteiro dos Jerónimos para dar informação detalhada sobre os vários núcleos

António Cotrim/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

Os testemunhos da ocupação humana do território de Loulé, no Algarve, desde a Pré-história até à Idade Média, vão estar em exposição a partir de 21 de junho no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, foi esta quinta-feira anunciado.

A exposição temporária “LOULÉ. Territórios, Memórias, Identidades” é uma iniciativa dos Museus Nacional de Arqueologia e Municipal de Loulé que, em conjunto, vão contar a história dos últimos sete milénios daquele que é o maior e mais povoado concelho algarvio, através de mais de 500 bens culturais.

Em comunicado, o Museu Nacional de Arqueologia adiantou que foram inventariados 1.200 bens culturais para a realização desta exposição, dos quais 504 foram selecionados e 166 restaurados, sendo que os bens provêm de 13 instituições distintas, entre as quais o Museu Municipal de Loulé e o Museu Monográfico do Cerro da Vila, em Vilamoura, que emprestam mais de 80% das peças à exposição.

Pela primeira vez, vão ser expostas ao público peças provenientes do Cerro do Castelo de Corte João Marques, em Loulé, que pertenceram a uma povoação de metalurgistas de cobre, sítio que, por uma questão de preservação, não é visitável.

A peça mais antiga que vai ser apresentada na exposição é uma peça de cerâmica conhecida como a bilha de Retorta, encontrada em Boliqueime e cujas condições precisas de recolha não se conhecem.

Poderá também ser visto um menir de grandes dimensões, amplamente gravado, levado do Museu Municipal de Loulé propositadamente para a exposição e que será acompanhado por um conjunto de fotografias obtidas através de sistemas digitais de última geração, que permitem ver gravuras não imediatamente percetíveis a olho nu.

“Foram necessários 15 meses de preparação e mais de 50 técnicos das mais variadas especialidades para pôr de pé a exposição”, lê-se no comunicado, que diz ainda que a exposição vai ocupar mais de 300 metros quadrados do Mosteiro dos Jerónimos e apresentar um desenho expositivo inovador.

As peças vão ser expostas em dez vitrinas e nove ilhas, divididas em três secções: a secção Territórios, que apresenta o concelho na sua diversidade entre o litoral, a serra e o barrocal, a secção Memórias, que apresenta sete núcleos por ordem cronológica, e a secção Identidades, onde se poderá conhecer os rostos de achadores, cuidadores e doadores de bens culturais de Loulé.

Para além das vitrinas e das ilhas existirão oito monitores LCD espalhados pela galeria este/oeste do Mosteiro dos Jerónimos para dar informação detalhada sobre os vários núcleos, e duas molduras digitais colocam em destaque cada um dos dois conjuntos de moedas que serão apresentados.

A exposição é comissariada por Victor S. Gonçalves, Catarina Viegas e Amílcar Guerra, da Universidade de Lisboa, Helena Catarino, da Universidade de Coimbra e Luís Filipe Oliveira, da Universidade do Algarve.

As coleções fundacionais do Museu Nacional de Arqueologia estão ligadas ao Algarve, desde logo, porque em 1894 foi integrada no acervo do museu a coleção reunida pelo algarvio Estácio da Veiga, que se tinha proposto então criar o Museu Arqueológico do Algarve.

Também o etnógrafo Manuel Viegas Guerreiro, natural de Querença, freguesia do concelho de Loulé, foi diretor do Museu Nacional de Arqueologia entre 1974 e 1975 e um dos colaboradores mais próximos de José Leite de Vasconcelos, fundador do museu.

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