Espetáculos

Empresa que vai gerir o Cineteatro Capitólio quer “uma sala aberta à comunidade”

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Concertos, espetáculos de comédia e cinema vão dominar a programação da histórica sala do Parque Mayer. Sons em Trânsito fica com a gestão, mas promete não fechar a sala só aos seus artistas.

"É uma sala para a cidade e para o país confiada durante cinco anos à Sons em Trânsito e todos os grupos culturais serão bem-vindos", esclarece a Sons em Trãnsito

© Diogo Inácio / Vodafone Mexefest

A promotora aveirense Sons em Trânsito foi a vencedora do concurso de exploração do Cineteatro Capitólio, em Lisboa, e quer que a programação da renovada sala de espetáculos se baseie em três vetores: música, humor e cinema. Na primeira declaração pública sobre os objetivos para a histórica sala do Parque Mayer, Vasco Sacramento deixa claro ao Observador que “todos os grupos culturais serão bem-vindos”.

Foi em novembro do ano passado que o público pôde ver, pela primeira vez, o novo Cineteatro Capitólio, após duas décadas ao abandono. A sala tem capacidade para 400 lugares sentados ou para mil pessoas de pé. Na inauguração, que se fez durante o festival Mexefest, o amplo terraço também se mostrou apto para acolher concertos.

Mais conhecida por organizar eventos musicais e por já ter trazido a Portugal artistas como Lou Reed, Prince, Bryan Ferry e Caetano Veloso, a Sons em Trânsito apresentou uma candidatura onde os concertos são um dos pilares. “Porque parece-me que, arquitetonicamente, é a arte que mais se adequa àquele espaço. E preenche uma lacuna para espetáculos de média dimensão, entre o Musicbox e um Coliseu que já leva 4.000 pessoas“, explica o diretor geral da promotora.

O Cineteatro Capitólio, que vai passar a chamar-se também Teatro Raul Solnado, não podia deixar de fora o humor. “Tendo em conta que a sala tem como patrono Raul Solnado, o maior humorista deste país, e fica no Parque Mayer, outro dos vetores será o humor”, confirma. E o cinema, tantas vezes exibido na sala e no terraço, também ali poderá voltar a ser visto.

O Capitólio inaugurou em 1931. © D.R.

Estas são as três vertentes essenciais da proposta que levou o júri, composto por Joana Gomes Cardoso, Cucha Carvalheiro, Herman José, Rui Pedro Tendinha e Nuno Galopim, a escolherem a Sons em Trânsito para gerir o equipamento da empresa municipal EGEAC. O concurso foi lançado a 7 de abril. No final de julho foi divulgada a classificação de cada um dos cinco concorrentes, com a Sons em Trânsito em primeiro ligar, seguida da Academia de Produtores Culturais – associação cultural, do consórcio Força da produção e Everything is New, em quarto lugar a Limiasur e, por fim, a Associação Tenda.

Vasco Sacramento tem reunião marcada com a EGEAC em setembro e não quer ainda alongar-se em detalhes sobre o que tem preparado para o Capitólio. “O que posso dizer é que não se pretende que seja uma aposta fechada, haverá espaço e desejo de ter outras coisas”, sublinha. Na proposta há “uma grande preocupação com o pensamento“, o que se poderá traduzir em tertúlias e debates, e também com a criação de públicos. “Temos previstas atividades para a criação de públicos, numa vertente educativa para os mais novos.”

Um dos critérios estabelecidos pela EGEAC no caderno de encargos era uma programação abrangente e pluridisciplinar, capaz de atrair públicos diversos. “O meu objetivo é que a sala esteja aberta à comunidade. Aquela não vai ser a sala da Sons em Trânsito. É uma sala para a cidade e para o país confiada durante cinco anos à Sons em Trânsito e todos os grupos culturais serão bem-vindos“, esclarece.

O Capitólio renasce, ainda sem saber como será o amanhã

Por enquanto, Vasco Sacramento não pode precisar quando será o primeiro espetáculo no Capitólio, nem quem será o protagonista. “Queremos o mais depressa possível”, diz apenas. De acordo com o caderno de encargos, a empresa vencedora tem um prazo de 60 dias para iniciar as atividades no espaço, a contar desde o momento da assinatura do contrato.

O Capitólio foi inaugurado em julho de 1931 e logo recebeu estreias de peças de teatro, operetas, zarzuelas, espetáculos de music hall e filmes, projetados tanto na sala principal como no terraço. O edifício, considerado uma das obras de referência da arquitetura modernista em Portugal, é um projeto do arquiteto Luís Cristino da Silva. Em 1983 foi classificado como Imóvel de Interesse Público. Pouco mais de uma década depois, fechou.

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