Sabia que havia uma espécie de pica-pau capaz de bater com o bico na madeira 300 vezes por minuto? Imagine-se a fazer o mesmo com o dedo na mesa. Ficaria, no mínimo, dormente. Isto porque não temos nos dedos a mesma capacidade amortecedora que os pica-paus têm no bico.

Cada uma das partes do bico dos pica-paus é formada por três camadas: a mais interna é de osso, com uma grande cavidade no centro, e a mais externa é feita de escamas sobrepostas de queratina (o mesmo material das nossas unhas), mais alongadas do que a de outras aves, como galinhas, tentilhões ou tucanos. Pelo meio, têm uma camada esponjosa.

Enquanto bicam as árvores à procura dos insetos de que se alimentam, as bicadas podem atingir uma velocidade de seis a sete metros por segundo, produzindo um som caraterístico. Com um osso pouco poroso, que o torna resistente, e umas escamas que deslizam umas sobre as outras, os bicos dos pica-paus arranjaram maneira de dissipar a energia dos embates.

Para ajudar, o osso craniano também é bastante resistente e bem ajustado ao cérebro e as costelas largas protegem do excesso de tensão no pescoço. Além disso, mesmo mantendo a estrutura das três camadas, a organização das mesmas varia ao longo do bico, variando também as repercussões dos impactos.

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Mas os pica-paus tem outras adaptações para esta vida de andar a furar a madeira. Obrigados a passarem muito tempo agarrados uma superfície vertical, as penas da cauda são rígidas para contrariar a força da gravidade e as patas têm dois dedos virados para a frente e dois virados para trás para se agarrarem melhor – à semelhança do que acontece com outro grupo de trepadores, as araras.

Mas não chega bicar as árvores para procurar os insetos, para isso é preciso uma língua comprida que chegue ao fundo dos buracos: pode ter mais de 15 centímetros e ser três vezes maior do que o bico. Mas como é que os pica-paus “guardam” uma língua tão grande? Enrolam-na à volta do crânio.