Foi detetado um novo caso de dengue autóctone no sul da França. A informação foi confirmada na quinta-feira pelas autoridades de saúde de Var, na região administrativa Provença-Alpes-Côte d’Azur. “Neste momento é um caso único e isolado geograficamente e não há motivos de preocupação com o estado de saúde do doente.”

Como não viajou para nenhum país onde pudesse ter contraído a doença nos últimos 15 dias, não se tratará de um caso importado de dengue, mas de um caso autóctone. Mas não o primeiro no país. Já em 2010, tinham sido registados dois casos de dengue autóctones em Nice e dois casos de chikungunya – uma doença transmitida pelos mesmos mosquitos – em Fréjus. Em 2013, mais um caso de dengue autóctone em Bouches-du-Rhône. Todos estes casos foram detetados na mesma região administrativa do caso atual.

No início do mês, a Riviera francesa tinha registado 17 casos importados de dengue e chikungunya de pessoas que tinham estado nas Caraíbas e no Brasil. Tanto nos casos importados como autóctones as autoridades de saúde recorrem a poderosos inseticidas para controlar a presença do mosquito.

A dengue, causada por um vírus, é transmitida por mosquitos, como mosquito-da-febre-amarela (Aedes aegypti) e pelo mosquito-tigre (Aedes albopictus). O Aedes aegypti é o principal responsável pela transmissão da doença, mas existe principalmente em regiões tropicais e tem dificuldade em adaptar-se a outros climas. Foi este o responsável pelo surto de dengue na Madeira em 2012. O Aedes albopictus, mais adaptável a novas condições climáticas, está presente na Europa e já existe no sul de França desde 2004.

Na passada sexta-feira a revista BMC Public Health publicou um estudo sobre o risco da doença atingir a Europa nos próximos anos devido ao aumento da temperatura. O modelo baseado nas alterações climáticas mostra que as zonas mais afetadas serão as zonas costeiras do mar Mediterrânico e mar Adriático e o nordeste da Itália, em particular o vale do rio Po. No resto da Europa o maior risco estará nas grandes cidades, onde se combinam temperaturas mais altas e maior densidade populacional. Como o vírus da doença chikungunya é transmitido pelos mesmos mosquitos, o modelo pode servir de exemplo também para estes casos.