Uma equipa de cientistas na Escócia conseguiu, pela primeira vez, fazer crescer um novo órgão dentro de um organismo a partir de um conjunto de células pouco diferenciadas. O resultado da investigação, publicado pela revista Nature Cell Biology este domingo, revela-se mais um avanço na investigação em medicina regenerativa.

A partir de células de um embrião de rato foi possível construir um órgão novo dentro de um rato adulto. Antes de serem colocadas dentro do organismo, as células foram reprogramadas geneticamente para darem origem às células do timo – um órgão do sistema imunitário, localizado junto ao coração, responsável pela produção dos linfócitos T. O timo desenvolveu-se completamente – com córtex e medula – e estava plenamente funcional.

Embora não estivesse envolvido no estudo, Paolo de Coppi, pioneiro em terapias regenerativas Great Ormond Street Hospital, no Reino Unido, considera que “estudos como este demonstram que a engenharia de órgãos poderá, no futuro, ser um substituto dos transplantes.” Clare Blackburn, investigadora na Universidade de Edinburgo e responsável pelo estudo, ficou surpreendida com os resultados. “Este é um avanço muito emocionante e é também muito tentador em termos gerais para a medicina regenerativa.”

Poderiam beneficiar desta tecnologia pessoas que precisassem de transplantes de medula óssea, as crianças que nascem sem timo ou as pessoas mais velhas cujo timo diminui de tamanho ao longo do tempo. Mas ainda existem muitos obstáculos a ser ultrapassados antes que isto possa acontecer: é preciso garantir que os doentes não rejeitam as células que vão originar o novo órgão e que a capacidade de multiplicação das células não se descontrola originando um cancro.