“O objetivo não é expor apenas as maiores obras de arte e esperar pelos turistas. Queremos associar os dois aspetos: receber os turistas e mostrar as obras-primas, mas também apresentar uma visão nova sobre Picasso, ao valorizarmos atividades menos conhecidas, como as ilustrações de livros, por exemplo. O objetivo não é sermos um templo de turistas”, resumiu à Lusa Laure Collignon, uma das conservadoras do museu.

Cinco anos após ter fechado portas e depois de ter passado três anos de obras de renovação e restauro, o resultado – assinado pelo arquiteto francês Jean-François Bodin – é o reaproveitamento de todos os espaços da mansão seiscentista e a ampliação da superfície de exposição de 1600 metros quadrados para mais do dobro, com os novos 3800 metros quadrados.

São exibidas 378 obras de forma cronológica e temática, ao longo de três percursos de visita, que incluem espaços antes vedados ao público, como as caves abobadadas e o sótão, com um teto em madeira do século XVII.

Aqui é apresentada a coleção pessoal do pintor, sendo as suas próprias telas confrontadas com as obras que ele foi adquirindo.

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No rés-do-chão, no primeiro e no segundo andares, concentram-se muitas das obras que colocaram Picasso na vanguarda das artes plásticas e que traçam os seus múltiplos percursos criativos, de 1895 a 1972, da infância até perto da morte, ocorrida em Mougins, em 1973.

A exposição começa com as pinturas monocromáticas dos períodos azul e rosa, passa pelos esboços de “Les Demoiselles d’Avignon”, rumo ao cubismo, e pela primeira colagem cubista -“Nature Morte à la Chaise Cannée”.

Há, ainda, “La Course”, a marcar o regresso às formas neoclássicas, “Femme au fauteuil rouge”, a piscar os olhos ao surrealismo, “Massacre en Corée”, a evocar os desastres de guerra de Goya, e muitos outros diálogos com os mestres como “Le dejeuner sur l’herbe d’après Manet”.

Pelo caminho estão, também, as esculturas em ferro, gesso, madeira e bronze, chapas recortadas e pintadas e, ainda, a icónica “Tête de Taureau”, uma assemblagem de um selim e de um guiador.

A conservadora responsável pelos arquivos, biblioteca e documentação do museu disse que há, ainda, muitas surpresas no imenso arquivo de 4755 obras, entre as 4090 gravuras, 297 pinturas e 368 esculturas que compõem o acervo, constituindo “a maior coleção pública mundial da obra de Picasso”.