Rádio Observador

Energia

Presidente da Endesa Portugal: “Vender eletricidade é como vender gambuzinos”

Presidente da Endesa Portugal diz que é difícil vender um produto que ninguém vê. Nuno Ribeiro da Silva admite que o setor elétrico tem um problema de comunicação. Tem pior imagem do que a banca.

Consumidores valorizam o preço na hora de escolher a elétrica

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O presidente da Endesa Portugal reconhece que o setor elétrico em Portugal tem falhado na comunicação com os consumidores. Para Nuno Ribeiro da Silva, as elétricas têm uma má imagem, ainda pior do que o setor financeiro.

A responsabilidade será também das empresas, admitiu no 6º Encontro da Elecpor (Associação Portuguesa das Empresas do Setor do Retalho) mas o gestor aponta ainda o dedo a uma comunicação social populista e aos comentadores de bancada, além de aos governos que atiraram custos para a EDP quando era uma empresa pública e depois de a venderem estão na linha da frente das críticas.

Num debate em que a relação com os clientes do retalho era o tema central, o responsável pela Endesa sublinhou as dificuldades de tentar convencer os clientes a mudarem de fornecedor de um produto, a eletricidade, que ninguém vê. “Nós vendemos gambozinos, é uma vida difícil”.

Preço continua a ser o fator determinante em Portugal, reconheceram os responsáveis das elétricas presentes cuja estratégia principal de captação continua a ser oferecer um desconto em relação à tarifa regulada.

No momento em que o mercado português atravessa uma etapa fundamental no caminho para a liberalização total, falta pouco mais um ano para a extinção das tarifas reguladas dos consumidores domésticos, um dos temas centrais para o setor é saber o que querem afinal os clientes quando procuram um novo fornecedor?

O preço continua a ser o fator determinante em Portugal, reconheceram os responsáveis das elétricas presentes cuja estratégia principal de captação continua a ser oferecer um desconto em relação à tarifa regulada. “É uma cenoura” que se oferece ao cliente para o convencer a mudar, diz Ribeiro da Silva. Mas a diferença acaba por não ser significativa. Até porque, realçaram quase todos os presentes, as atuais tarifas reguladas dão muito pouca margem para concorrer pelo preço.

Liberalização faz baixar os preços? É um mito

No entanto, nos mercados mais maduros a qualidade do serviço é mais valorizada, sublinhou Philip E. Lewis, presidente executivo da Vaasa ETT, consultora na área das utilities. Segundo este especialista, é um mito que o mercado liberalizado faça baixar os preços. Se o fator determinante for os descontos, será difícil construir uma industria inovadora e focada no serviço, porque as elétricas perdem dinheiro quando só conquistam os clientes com base no preço e não investem na qualidade.

António Coutinho da EDP Comercial também reconhece que há um grande foco das pessoas no preço, mas isso também acontece, lembra Ribeiro da Silva, porque o sistema elétrico português oferece um bom nível de qualidade de serviço.

Por outro lado, o gestor da EDP defende que há um caminho a percorrer no sentido de comunicar o valor crescente das alterações tecnológicas que permitem um consumo mais interativo e orientado para um consumo eficiente. A microgeração, a mobilidade elétrica, são exemplos dos novos desafios tecnológicos que se colocam às empresas do setor. Mas numa questão quase todos concordam: o investimento generalizado em contadores inteligentes que permitiria potenciar essas inovações junto do consumidor, só acontecerá se as empresas puderem passar o custo para as tarifas elétricas.

Ssecretário de Estado da Energia, defendeu a urgência da criação de um mercado integrado de eletricidade na Europa, projeto que deu um passo em frente com o compromisso, não vinculativo, de reforçar as interligações, designadamente da Península Ibérica à França.

João Torres da EDP Distribuição alertou ainda para uma revolução tranquila que está a acontecer no mercado de eletricidade doméstica onde já mais de metade dos cinco milhões de clientes saiu da tarifa e fez um contrato com um fornecedor. No último semestre, ilustrou, mudaram de elétrica, quase 700 mil consumidores, sem haver grande sobressalto.

No encerramento do encontro, o secretário de Estado da Energia, defendeu a urgência da criação de um mercado integrado de eletricidade na Europa, projeto que deu um passo em frente com o compromisso, não vinculativo, de reforçar as interligações, designadamente da Península Ibérica à França.

Artur Trindade criticou no entanto a “incoerência” e a falta de objetividade com que a União Europeia tem tratado a política energética. A Europa, diz, tem um discurso quando fala de ambiente, outro discurso quando fala de energia, e ainda um outro discurso quando fala para países em intervenção financeira como aconteceu com Portugal.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: asuspiro@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)