Scary Spice ou, em português, “Spice Assustadora”. Em tempos, Mel B foi descrita como “durona, sexy, divertida, provocadora” e dona de uma beleza “crua”. É o britânico Guardian que enumera os adjetivos numa entrevista exclusiva à cantora de agora 39 anos. Amor, sexo, carreira e família foram alguns tópicos abordados, com um óbvio destaque aos dias “gloriosos” em que Mel B, com mais quatro artistas, dominou a atenção do mundo nos dois anos de vida (1996-1998) de uma banda apostada em girl power.

Muita coisa mudou desde então. O cabelo selvagem encaracolado foi alisado, o piercing na língua desapareceu e o padrão leopardo, facilmente associado à cantora, deu lugar a um estilo mais clássico e feminino. A transição é clara como água: Melanie Janine Brown passou de artista pop a uma empreendedora.

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Numa montanha-russa que é a vida tanto pessoal — tem três filhos de pais diferentes — como profissional — o currículo dá conta de experiências como produtora e júri em programas televisivos, além de ser dona de uma empresa de água engarrafada –, o amor-próprio é coisa que não tem prazo de validade. Ainda há poucas semanas, por altura do Halloween, Mel B mascarou-se de si própria. “Sim, tenho um grande ego”, disse à publicação. “E estou apaixonada por mim mesma. (…) “Porque se não nos amarmos como é alguém nos vai amar de volta?”.

A entrevista tem sido assunto de discussão um pouco por toda a imprensa internacional, que se foca na vida amorosa de Mel B. Sobretudo a parte em que esta conta, com a descontração que lhe é natural, que durante quatro anos namorou com uma mulher, uma mãe com crianças na mesma escola que uma das suas filhas. Apesar disso diz estar há sete anos casada com um “pénis”, isto é, um “homem fantástico”. Mas de entre as suas relações há um nome que se destaca, o do ator e comediante norte-americano Eddie Murphy, com quem tem uma filha, e o qual não reconheceu, de início, a paternidade. Um golpe duro para a artista, além de ter sido vivido debaixo dos holofotes dos media.

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Recuemos mais alguns anos. Tal como contou ao jornalista Simon Hattenstone, quando entrou na indústria do entretenimento Mel B viu-se múltiplas vezes rejeitada nos castings — pelo tom de pele ou pelo cabelo que não eram os pretendidos. Foi em 1994 que tudo mudou, quando aos 19 anos respondeu a um anúncio para a formação de um grupo pop e foi escolhida de entre 400 raparigas. Dois anos depois o single de sucesso Wannabe chegava às ruas para cativar o mundo e conquistar o pódio nas tabelas musicais.

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Apesar dos muitos grupos femininos que marcaram a cena musical, coube às Spice vender qualquer coisa como 100 milhões de discos. Mas o sucesso não se media apenas pelas canções, escreve o jornalista do Guardian, mas também pelo que as artistas representavam. Cada uma tinha a sua personalidade e individualidade — Scary, Posh, Sporty, Ginger e Baby — e num conjunto davam voz a um “novo feminismo”. Uma banda que fez “a melhor coisa para assegurar a sua imortalidade”, isto é, acabar antes que o público se fartasse dela.

Em entrevista, Mel B garante que todas se davam bem, fora alguns arrufos com a colega Mel C, e que a ideia de girl power (poder feminino, em português) terá sido sugerida por Geri. Quando o assunto é a banda que a lançou para a fama, a cantora mostra-se emocional e explica que foi ali que finalmente se enquadrou, num ambiente onde não havia julgamentos e sim camaradagem. “Eu encontrei as minhas pessoas, finalmente”.