Os políticos também têm direito a uma lista de desejos para as prendas de Natal. Mesmo que não confessem, há alguns presentes que podemos arriscar que arrancariam sorrisos.
- Uma vela do seu tamanho para ir a Fátima pedir que os principais partidos se entendam em matérias de regime. Parece ser só isso que falta para que os apelos do Presidente da República, grande defensor de consensos, tenham eco. Cavaco Silva, que em 2013 tinha dito que Portugal passara na 7ª avaliação da troika graças a “inspiração da Nossa Senhora de Fátima”, acredita que os mistérios da fé ajudam a resolver os problemas de política caseira.
- Pedro Passos Coelho tem um desejo que, aliás, já revelou várias vezes: que os portugueses lhe agradeçam pelo esforço de ter tirado o país de resgate financeiro da troika. Em várias ocasiões, o primeiro-ministro tem dito que o trabalho que fez nestes três anos merece ser reconhecido e revela até alguma estupefação perante aqueles que o criticam. Uma estátua com 3,5 metros de altura, como a que Cristiano Ronaldo inaugurou no Funchal, deixaria Passos feliz.
- Um bom presente para Paulo Portas era não ter uma (quase) obrigação de fazer uma coligação pré-eleitoral com o PSD. Desse modo, o CDS poderia concorrer sozinho às próximas eleições legislativas e até negociar apoio parlamentar a um futuro Governo, mesmo que socialista. Aí, estando sozinho, até já podia mudar o hino e o nome ao partido para fingir que não tinha nada a ver com o partido democrata-cristão que esteve no Governo.
- Que todos os meses saísse o Euromilhões a um contribuinte português. Esta prenda deixaria felizes muitas famílias e a ministra das Finanças também. Com o que o Estado cobra nos prémios de jogos, talvez assim Maria Luís Albuquerque conseguisse endireitar as contas públicas para ter um trunfo para a campanha eleitoral de 2015.
- Para António Costa, não há dúvidas que a maior prenda que poderia receber seria a antecipação de eleições legislativas. Pelo calendário normal, só vai a votos em outubro, o que significa quase um ano na oposição a gerir alguns silêncios e a não ser taxativo em promessas que depois pode ter dificuldade em cumprir.
- No estabelecimento prisional de Évora, uma prenda que rapidamente José Sócrates gostaria de receber seria a autorização para conceder uma entrevista ao Expresso (que já foi negada) e até, quem sabe, voltar a fazer o seu comentário semanal na RTP a partir da prisão.
- Nada faria Jerónimo de Sousa mais feliz do que a nacionalização de PT, do BES e da TAP. Mas como são prendas ambiciosas, vá, ficaria encantado em ver Ricardo Salgado a cantar a “Internacional” em plena Festa do Avante!.
- Catarina Martins certamente ficaria contente ou aliviada se Francisco Louçã quisesse voltar à liderança do Bloco de Esquerda. Era, aparentemente, a única forma de conseguir dar alguma unidade ao partido que ano após ano se desagrega.